Notas iniciais
Fanfic com personagens originais, baseados no evento Semideuses BH.

Capítulo Um

Os céus rugiam com milhares de relâmpagos. No Acampamento Meio-Sangue, as primeiras horas da madrugada iam embora. O chalé cinco estava silencioso, o que era uma coisa diferente para tão distintos moradores. Entretanto, uma campista estava tendo um sono inquieto.

A garota se remexia na cama, sussurrando palavras desconexas. Suor frio escorria de seu rosto. Estava tendo um sonho.

Mai caminhava, tensa, por uma área verde, o capim era coberto de sangue e corpos de soldados. Em seu punho direito, uma espada se erguia e no braço esquerdo, empunhava um escudo, que carregava a imagem de um javali.

Ao olhar para si mesma, a garota se dá conta de que suas roupas habituais haviam sido substituídas por uma farda. À medida que explorava mais o ambiente em que estava e que seus olhos se acostumavam ao cenário que via, Mai sentia seu coração bater cada vez mais rápido. Seus instintos de batalha estavam a mil e ela tinha certeza de que algo grave estava para acontecer.

Gritos ecoavam de todas as direções. Ela podia notar claramente a voz de alguns líderes de chalé dando ordens ou pedindo ajuda. Num instante, ela entendeu que estava numa batalha importante. Distante, vindo do meio do caos, uma figura alta e musculosa se distingue das demais.

Mai aperta o punho da espada, se preparando para entrar em combate. O homem agora se fazia notar seus traços. Moreno, barba rala,olhar profundo e devastador. O cabelo era curto e negro. Quando o homem chegou à distância de uns quatro passos, ele parou e encarou a garota.

A campista olha assustada para as incontáveis cicatrizes no corpo do sujeito. Só então ela percebe a lança longa que ele tinha em mãos. Mai prende a respiração e firma o corpo, pensando em como atacar. O homem a olha divertido.

— Calma, criança. – Ele levanta a mão esquerda e sorri irônico.

— Quem é você? – Mai retruca furiosamente.

— Gosto de gente ousada. Você puxou seu pai... Mas, não tenho tempo para brincadeiras. – A garota pisca, claramente confusa, e o homem revira os olhos.

— Pa-Pai? – Mai abaixa a espada.

— Não! A Hebe. – Ares suspira e olha irritado para a filha. – E eu achando que Poseidon que tinha filho lerdo. Pois bem, tenho pouco tempo. Algum infeliz roubou minha lança e, com ajuda de algum outro deus, me aprisionou. Venho tentando fazer contato com vocês, mas estou fraco. Preciso ser libertado,e só minha lança tem o poder capaz de arrebentar as correntes que me prendem. – Nesse instante, Ares tomba e cai num dos joelhos. Mai tenta o segurar, mas o deus a impede. – Não! Achem minha lança e me libertem! Fale com Milord e ele lhe ajudará.

—Mai, acorda! – A voz do conselheiro de Ares invade seu sonho antes que pudesse responder qualquer coisa.

Num pulo, ela desperta e tenta focalizar onde estava. Ainda era o chalé cinco. Ela limpa o suor do rosto e encara Thamer com um olhar assassino. Ela odiava ser acordada.

— Cadê a Quez? Preciso falar com ela. – Mai pergunta o irmão e ele a olha confuso.

— Ela estava no paredão de lava. – Sem ouvir mais nada, a garota levanta da cama e sai pelo Acampamento distribuindo empurrões e cotoveladas até achar sua líder.

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A mesa de ping pong estava mais barulhenta do que de costume. No centro, Milord ouvia com atenção todo o alvoroço causado por seus líderes e conselheiros. No seu lado direito, estava Edu, seguido pelos demais líderes do time vermelho, e no esquerdo, Frost e os líderes do azul. Cansado de todo aquele bate-boca, que não levaria a lugar nenhum, o filho de Hades decide intervir.

— Chega! – Milord bate na mesa e grita, chamando a atenção de todos. O líder geral se vira para Mai e os dois líderes de Ares. – Como a Mai disse, Ares está aprisionado em algum lugar e pede para ser achado. Precisamos organizar uma busca.

— Devemos consultar o oráculo! – Wlad retruca e os demais concordam.

— Se vocês tivessem prestado atenção em mim, saberia que o oráculo já foi consultado.... Enfim, repita a profecia, Mai. – Milord pede à campista.

Mai se levanta e começa a ditar.

Em terras ilusórias deves buscar

À guerra despertar

Aquilo que o amor revelar

Não podes ignorar

Uma escolha deves fazer:

Com embriaguez sobreviver

Ou pelas mãos da força perecer

— Todos ouvimos a profecia, lindos? – Milord cruza os braços e encara seus líderes. – Pelo que foi dito, imagino que três ou quatro campistas devam ir, concordam? Guerra, Amor, Força e, por incrível que pareça – eu não entendi muito bem –, Embriaguez....

— Guerra, Amor e Embriaguez... – Manu começa a pensar e olha para seus amigos um por um.

— Bom. – Jimmy, líder de Zeus, se levanta e todos o encaram. – Guerra pode ser Atena, não?

— Jimmy, — Milord já ia argumentar quando ouve um barulho na mesa. Todos se viram para encontrar uma Quézia com uma faca fincada na mesa e um olhar assassino no rosto.

— É MEU PAI! QUE ATENA O QUÊ! – A líder de Ares encara Jimmy. Milord olha assustado, mas tenta mediar a situação.

— Concordo com a Quezia, Jimmy. O sonho veio para alguém de Ares, e é Ares quem procurou ajuda. Não tem por que enviar um campista de Atena. Só temos que definir a Embriaguez e o Amor.

— Até porque se alguém de Atena resgatasse Ares, acho que o próprio mataria o campista e depois todos seus filhos, um por um. – Edu sussurra para Fafá.

— Mas acho que embriaguez já ta mais que definida, não? – Dênis joga o olhar para o líder de Dionísio. Os outros conselheiros assentem.

— Cl-Claro! Por Dionísio! – O rapaz ergue a taça, recebendo olhares divertidos de seus companheiros.

— Milord. – Snow, o conselheiro de Poseidon, chama a atenção para si. – Acho que talvez Força e Guerra sejam um só.

— Faz sentido. – Quézia retruca. – O que deixa mais claro que é alguém de Ares que deve ir. – A líder dá ênfase em Ares.

— Sendo assim, quem de Ares vai? – Milord pergunta. – O sonho foi para a Mai, então...

— Não. – Quezia retruca com um olhar apologético. – Mai está machucada. Vamos pensar em alguém e avisaremos.

— Acho que o amor também está definido, não? – Wlad pergunta.

— Afrodite não pode mandar nenhum campista. – Juan troca um olhar nervoso com Milord. – Nossa mãe nos proibiu de ajudar Ares.

— Como assim?

— Acho que vocês se esqueceram de um detalhe. – Brito, líder de Deméter, se manifesta pela primeira vez naquela reunião. – Afrodite não é a única responsável pelo amor. Eros também.

— Eros também, mas, nesse caso, eu vou! – Will decide, por fim.

— Muito bem. – Milord decide encerrar por ali. Quanto antes os campistas fossem enviados, melhor. O chalé de Ares tem uma hora para decidir quem vai. Os acompanhantes serão Guilherme, do chalé 12, e Will, de Afrodite. – O líder geral encara seus companheiros um por um. – Alguma objeção?

Notas finais
Boa leitura!