A lança perdida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
NAT
As bordas do Acampamento Meio Sangue estavam apinhada de campistas, ninfas, sátiros e todos os demais moradores. Era hora de desejar boa sorte aos heróis que partiriam na busca por Ares. Foram escolhidos Guilherme, de Dionísio, Trindade, de Eros e Quezia, de Ares. Os três estavam recebendo abraços e mais abraços de seus amigos. Guilherme trocou um olhar maroto com uma ninfa e piscou para outra. Abraçada com Mands, Quez tentava ouvir as últimas orientações dadas por Milord.
Aos arredores, Nat observava ao desenrolar da cena, esperando a melhor hora para se aproximar dos três. Foi quando percebeu alguém se aproximando e se postando do seu lado. Era Kellen, do chalé de Afrodite.
— Você não vai lá se despedir? — A menina a perguntou.
— Estou esperando. — A filha de Afrodite encarou bem sua amiga.
— Você está bolada. — Kellen conclui e Nat apenas assentiu. — Queria ir no lugar da Quezia?
— Acho que o chalé todo queria ir no lugar da Quez.
— Você acabou de chegar de missão, menina! — Kellen ralha com a outra.
— Eu sei. Só estou preocupada em como o Guilherme vai sobreviver sem mim.
— Ele é bem grandinho. As ninfas vão sentir falta dele. — Nat riu com o comentário e assentiu, tentando desviar seus pensamentos.
— Vamos lá, então? Tenho que dar uns tapas nele pra ele tomar jeito. – Nat disse e as meninas foram em direção a seus amigos.
Kellen se aproximou de Mands e Quez e trocou um abraço demorado com as filhas de Ares. Nat chegou por trás de Guilherme e deu um tapa na nuca do garoto.
— Ai! – O filho de Dionísio levou a mão à nuca e olhou pra trás. – Que que você quer, buldogue?
— Primeiramente, vai tomar no cu. – Nat xingou o primo e ganhou um olhar assustado das ninfas. – E segundo, vem cá que eu quero conversar a sós com você.
— Já volto, meninas! – Guilherme pisca para as ninfas e, bebendo seu odre de vinho, segue Nat. –
Quando achou que já estavam longe dos olhares curiosos, Nat parou e olhou seriamente pra Guilherme. A menina tentava afastar o mau pressentimento que a perseguia desde que aquela missão fora anunciada. Sem pensar muito, ela abraçou o primo, que estranhou a atitude.
— O que você está querendo? – Guilherme pergunta desconfiado, mas retribui o abraço meio sem jeito. Nat desfaz o abraço e dá um soco no peito do outro.
— É pra você tomar cuidado, viu, seu viado! Olha lá o que você vai aprontar nessa missão! Nada de fazer filho por aí.
— Okay, mainha! – Guilherme brinca e Nat fecha a cara pra ele.
— É sério! Olha o tamanho dessa missão! Um deus guerreiro capturado! Vai saber o que tá por trás dessa merda toda!
— Sabe como é, né, priminha! Sou foda. – Nat respira fundo e controla a vontade de esganar Guilherme ali mesmo.
— Tá levando o machado? Néctar? Tudo?
— Estou, mãe. Calma! – Nat dá outro tapa na cabeça de Guilherme.
— Mãe o caralho! E aqui! – A menina eleva o tom de voz e o filho de Dionísio regala os olhos para a prima. – Se você morrer, eu te mato. Tá lembrado que eu tenho meus contatos no chalé de Hades. Eu te revivo e te mato de novo!
— Dá pra vocês pararem com esse romance e virem aqui! – Milord grita com os primos. O líder geral havia percebido os dois saindo de fininho.
— Vão bora que fudeu. – Guilherme troca um olhar nervoso com Nat e os dois voltam para junto do resto do Acampamento.
Milord reúne seus campistas. Argos levaria os três escolhidos até o centro. Mands e Quez trocam um beijo rápido antes da líder de Ares subir no carro. Will termina de arrumar sua mochila enorme e se despede de Mai com um beijo. A líder de Ares diz para a namorada tomar cuidado antes de solta-la de seu abraço. Guilherme pega seu machado e sai correndo para dentro do carro.
— Que os deuses os ajudem. – Milord murmura para seus campistas e autoriza a partida.
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QUEZ
À medida que a paisagem ia mudando, Quez ia sentindo o ar ficar mais pesado. Ela ainda se lembrava da discussão cansativa que teve com seus irmãos. Foi um custo decidir alguém para ir na missão, mas ela não ia pensar duas vezes antes de tomar a responsabilidade para si. Ares não exigiria menos do que isso dela.
No mais, em seu peito conflitavam a insegurança, medo, raiva e saudade de sua namorada. Ela acharia quem tinha pego seu pai e faria picadinho. Ninguém brincava com o deus da guerra e seus filhos e ficava por isso mesmo. Algo a dizia que, fosse quem fosse, não havia agido sem a ajuda de algum semideus. A ruiva olhou para seus dois companheiros de missão e suspirou pesado. Ela achou melhor deixa-los descansar até o centro. Lá, ela dividiria suas suposições e dúvidas para chegarem o mais rápido possível ao fim daquela missão.
Quando Argos os deixou próximo ao “Pirulito”, famosa praça sete, Quezia acordou seus companheiros e agradeceu a carona. A líder de Ares se dirigiu com os outros dois até o McDonalds. Numa das mesas, ela abriu um mapa gigante de Minas Gerais e marcou alguns pontos, sabendo que estava sendo alvo dos olhares confusos e inquisidores dos outros dois.
— Tá. É hora de conversarmos. – Quez diz. – Milord e eu conversamos antes de sairmos. Sobre os prováveis locais de busca que a profecia nos contou.
— Sobre as “terras ilusórias”? – Will perguntou.
— Isso. – Quez confirmou, não tirando os olhos do mapa a sua frente.
— Olha. – Timidamente, Guilherme chamou a atenção das duas meninas. – A última missão da bitch tinha alguma coisa a ver com Ares também, não tinha? Até que ela foi com o Aron e o Frost.
— Verdade. Eles estavam em Ouro Preto para intercambiar alguma arma que Hefesto concertou para Ares. – Will responde e Quezia assente.
— Senhores, a boa notícia é que temos um ponto de partida. A má notícia é que eu acho que não temos como ir para lá. – A líder de Ares brinca.
— Podem deixar por minha conta isso. – Guilherme diz e se levanta. – Mandem uma mensagem de Íris pro Acampamento.
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GUILHERME
A noite tinha acabado de cair na capital mineira quando Guilherme deixou as meninas no McDonalds. Os ventos começavam a ficar mais fortes, indicando a chegada de uma outra estação. Entretanto, para o filho de Dionísio, a noite estava agradável.
O garoto encontrou perdido num dos bolsos de sua jaqueta um cantil. Esperançoso, ele o abriu para não encontrar uma gota de álcool sequer. “Foco”, ele pensou. Não poderia se deixar levar agora. Ele tinha como missão pessoal encontrar um meio de transporte para Ouro Preto. Porém, roubar não fazia seu estilo. Ele coçou a cabeça e decidiu, primeiramente, se abastecer.
Andando pelas ruas do centro, encontrou um bar bem movimentado para aquela hora. De repente, ele entendeu o por quê de tamanha agitação. Um homem alto e robusto, de cabelos e barba grandes, estava desafiando os presentes em algum tipo de aposta.
— Ei, amigo! Me traz uma cerveja? – O garoto pede a um dos garçons e é atendido prontamente. – Qual o motivo daquele alvoroço ali?
— Ah, aquele idiota está apostando que ninguém aqui bebe mais que ele. – O garçom o serviu e vai embora. Guilherme sorri, ele não podia acreditar na sua sorte.
Calmamente, ele pega sua garrafa de cerveja e vai até a mesa do apostador. O homem o encara com desdém.
— Desfrutando o seu toddy, garotinho? – O homem o pergunta.
— Não tanto quanto o senhor. – Guilherme retruca e se senta de frente para o outro. – Quero apostar. – O homem ri alto diante da arrogância do filho de Dionísio.
— Vai dormir, criança. Não quero tirar sua mesada. – Os amigos do homem riem, mas se calam quando Guilherme tira dois dracmas de ouro e os joga em cima da mesa.
— Está com medo de voltar para casa sem nada? – O garoto dá um sorrisinho falso e vê a expressão do homem se fechar. Ele sabia que o outro havia mordido a isca.
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WILL
WILL observava Quezia andar de um lado para o outro na entrada do McDonalds. A filha de Ares faltava fazer um buraco no chão com tantas voltas que estava dando ao redor da mesa. Os funcionários já estavam olhando assustados na direção delas e Will já estava ficando enjoada de tanto sorvete que tinha tomado.
— Eu vou matar aquele menino! – Quezia resmungava de cinco em cinco minutos.
— Calma, Quez. – Will pede e recebe um olhar assassino de volta.
— Não me pe.. – A frase é interrompida por duas buzinadas. As meninas imediatamente se viram para a porta.
Parado num ponto de táxi, na Afonso Pena, estava Guilherme dirigindo um Corolla preto, com um sorriso bêbado e um olhar alegre estampados no rosto. Bufando de raiva, Quezia sai a passos largos do estabelecimento e se senta do lado do carona. Will entra no banco de trás e se inclina pra frente.
— Quézia, calma. – A menina pede mais uma vez e a ruiva prefere ficar calada. – Onde diabos você se meteu?
— Olhem. – Guilherme indica com as mãos o carro. – Eu consegui um carro no centro de Belo Horizonte e vocês vem me perguntar onde eu estava ao invés de me parabenizarem? – Quézia lança um olhar mortal a Guilherme e coloca o cinto.
— Acelera, Guilherme. – A ruiva manda e o garoto obedece.
— Próxima parada: Ouro Preto! Aproveitem, senhoras. Logo, logo, a gente vai ter que abandonar esse carro.
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