A isca
7 "Conflitos"
Não consigo entender mais nada. Se todos aqui votamos no Robert, por que eu tenho quatro votos e ele três?
— É injusto — diz Jessica.
— Tem razão. É injusto, gafanhoto Jessica — o homem diz ironicamente. — Está escrito nas regras do jogo, que: em um jogo com tema radioativo, caso haja um membro da equipe com uma doença ou pena de morte, como por exemplo: uma agulha grossa enfiada em seu peito — o homem diz e olha para mim. Isso foi uma lembrança de Holly. — o membro é automaticamente eliminado, ou seja: nada de votações.
— Então eu estou eliminado? — pergunta Robert.
— Abra a bola e veja a cor. — Robert se vai até a urna, mancando e toma a bola. Ele desembrulha ela devagar, para não queimar sua mão e a cor é vista. — Azul! — o homem fica bravo, provavelmente ele queria vermelha. — Você sabe o que isso significa não é?
— Vou desaparecer pelo mundo com essa doença e nunca mais vou ter recursos gastronômicos? — pergunta Robert. — Eu prefiro a morte.
— Você não tem que preferir nada! — o homem grita. — Entre nessa caixa e se encolha. Eu havia deixado furos para você respirar. Mas agora eu vou pegar uma caixa lacrada e você que se ferre! — o homem explode, e sua assistente traz uma nova caixa, e pelo visto... menor.
— Acho que não — Robert vira para trás e retira a faca do bolso de Mason e segura próximo a seu peito com suas ultimas forças restantes. — Você nunca me fará mal.
Robert encrava a faca em seu peito e Olga se poe a chorar. Jessica deita a cabeça em meu peito e me abraça.
— Que seja — o homem se vira, retira uma das tochas com fogo e queima o corpo de Robert. — Vão dormir. Amanhã vocês tem um desafio.
— Mas nós tivemos um desafio hoje! — Olga reclama.
— É melhor calar a boca ou vocês terão dois. Saiam daqui, ou vocês acabam que nem ele — o homem corvo joga a outra tocha no Robert.
[...]
Todos nós fomos para a cabana descansar. Exceto eu e Jessica, pelo fato de termos insônia e quase sempre ficamos na cadeira de balanço fora da cabana.
— Acredita em mim agora? — Jessica olha para mim.
— Como assim? — eu franzo a testa.
— Eu te disse que você era o favorito. Algum motivo para não acreditar? Ele te salvou da eliminação.
— Aquilo já estava nas regras do jogo — digo. — Foi apenas uma coincidência.
— E enquanto a Cloe e Jerry da equipe Maswak? — Jessica pergunta. — Vi que Jerry tinha esbarrado em uma pedras e deu um corte muito feio em sua barriga. Jerry ainda está no jogo. — Algo a rebater?
— Você está louca. Eu me recuso a acreditar em ser o protegido de um louco que se veste de Corvo!
— Max, abre o olho. — Jessica levanta da cadeira e entra para dentro.
Fico um tempo pensando no que ela disse, e lembro de quando o homem corvo disse: "Gafanhoto Jessica". Tento me lembrar de onde já ouvi isso, mas parece que algo me impede, e algo também me dar dor de cabeça. Acabo dando de ombros e me vou para a cabana e vejo que todos estão dormindo, então, abro a gaveta com cuidado e pego a carta e fico pesando no que quer dizer. Será que é o que Jessica disse? Sou o "favorito"? Ou eu serei a isca de um massacre?
— Chega — penso alto, e acabando acordando Olga. Ela levanta e vem até mim.
— Max, o que houve? — ela pergunta e olha para minha mão, e percebe a carta. — Por acaso isso é o que Jessica e você esconderam no dia da caçada? Posso ver? — ela estende a mão e espera minha resposta. — Confia em mim — ela sorri e eu retribuo, entregando a carta na mão dela.
Ela lê estranhando com a sobrancelha, e franzindo a testa.
— Isca — ela pronuncia em voz alta, mas ao mesmo tempo, consegue sussurrar. — O que ele quis dizer com isca?
— Eu não sei — diz ela. — Jessica acha que sou o favorito. O favorito desse jogo. Aquele homem quer algo que eu tenho.
— Seu corpo nu? — ela brinca e eu acabo rindo alto. — Falemos sério. Seria uma característica sua? — nesse momento, olho para o céu, e digo:
— Eu só sei que quero ir embora daqui.
[...]
Todos nós acordamos e vamos-nos até a praça de encontro.
— Cadê as outras equipes? — o homem corvo pergunta bravo.
— Eles não sabem que vai ter desafio hoje, você avisou somente para nós — Olga exclama.
— Cala a boca e acorde eles — nesse momento, o homem corvo pega pedras e da para Olga. — Quebre as janelas.
— Mas e se chover? — pergunta Olga.
— Quebre as janelas! — o homem corvo grita.
Olga faz como o combinado, e se encaminha até as cabanas. Tacando uma em cada janela. Uma gritaria se inicia.
— Que droga é essa?
— Caralho! Por que fizeram isso?
— Que merda!
As equipes acabam furiosas e saem para fora da cabana e vão atrás de Olga. O homem corvo pega um megafone e diz:
— Se alguém encostar um dedo se quer na Olga, está fora da competição, e melhor: morto.
Uma menina que estava prestes a bater em Olga, abaixou a mão, e Olga veio correndo até nós. O homem corvo vem próximo a Olga e da um tapa em sua cara.
— Quero que cada equipe me diga quantos membros tem.
— Temos seis — diz Jessica. — Equipe Destemidos
— Na equipe Maswak somos cinco — diz o líder Michael.
— A equipe corvo tem seis também. — Jaws, equipe Corvo, diz.
— Caraca — o homem fica surpreso. — Tivemos dois desafios e já morreram sete pessoas? Quer dizer... já foram oito. Piter. — Irei explicar o desafio. Foi construído um labirinto gigante, em uma ilha perto daqui. O labirinto é a ilha inteira. E essa ilha é maior que aqui. A equipe será dividida em duplas, e colocados cada um em uma parte do labirinto. Vocês devem chegar ao fim do labirinto. No fim, existe três botões. Quando a equipe inteira estiver junta, vocês devem apertar o botão, e um dos meus assistentes irá buscá-los. A segunda equipe a chegar também será levada de volta para a ilha com um dos assistentes. A terceira equipe a chegar perderá o desafio e terá que passar a noite no labirinto. Depois das duas equipes irem embora, serão adicionados ninhos de animais perigosos e irão procurar por vocês. Sugiro que não durmam e sejam espertos. Como não quero que a equipe perdedora morra por inteiro, darei duas lanças para a equipe passar a noite. De manhã meus assistentes irão buscá-los e vocês deverão devolver as lanças. Assim, os perdedores vão para a Amostra de DNA e eliminam alguém.
— Boa sorte.
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