A isca

1 "Armadilha"


Acordo rapidamente quando sinto uma pressão me levando para cima.

Meus olhos procuram algo, mas não é possível ver nada. Por um minuto penso em estar cego, mas eu consigo perceber que estou apenas em um lugar escuro e sem nenhum tipo de luz.

Levanto, e começo á andar em círculos pelo lugar. E tudo que acontece é eu tropeçar em algo que parece um baú. As luzes se acendem e eu estava certo. É um baú.

Esqueço o baú e começo a olhar ao meu redor. Um local totalmente espelhado. Continuo olhando ao meu redor, mas tudo que encontro é meu reflexo.

Eu sento no chão e começo a verificar o baú. Lá encontro várias roupas estranhas e uma garrafa com uma carta dentro. Eu penso em abrir, mas antes, o lugar começa a se agitar, com tremores e batidas.

— Prepare-se para o impacto.

Eu não raciocino bem, mas agarro o baú que está do meu lado, fecho os olhos e espero o pior.

As luzes apagam, e uma batida, foi muito forte, porque quase todos os espelhos do lugar se quebraram e espalharam-se pelo chão.

As luzes começam a piscar, e eu entro em desespero.

Grito para o nada, esmurro essas paredes e tento sair daqui de qualquer jeito.

Uma porta se abre, e o pôr do sol dança em meus olhos.

Eu levanto, onde me esbarro com uma garota. Ela tem um cabelo loiro cacheado, enquanto seus olhos dourados brilham para mim.

— Quem é você? — a garota pergunta.

— Me chamo Maxwell — digo. — Pode me chamar de Max.

— Legal — ela diz franzindo a testa. — Meu nome é Jessica.

— Onde estou? — eu pergunto.

— Nós não sabemos — diz ela. — Max, acredito que todos nós chegamos aqui da mesma forma que você.

— Nós? Vocês são quantos? — eu pergunto.

— Contando com você e eu, somos 25 — ela diz.

— A quanto tempo estão aqui? — eu pergunto.

— Aproximadamente três semanas — diz Jessica. — Sabe, Max, eu fui a quarta pessoa á chegar nesse lugar. Pouco tempo depois, chegou mais oito pessoas, e formamos doze. Foram três dias de chegada. Os quatro primeiros, no primeiro dia. Mais quatro vieram no dia seguinte, e depois chegaram mais quatro, ficamos quase uma semana sem mais ninguém chegar. Até que começou de novo. Quatro pessoas chegaram em um dia, depois veio mais quatro, e hoje veio cinco. Acredito que o sistema quis colocar um "quê" a mais para usar. Quando eramos apenas doze, exploramos esse lugar, e tem uma grande muralha, cercando a gente. Não tem para onde fugir. Estamos presos. Alguém nos prendeu aqui.

— Nossa... — não tenho muito pra dizer, fiquei sem palavras.

— Vem conhecer o resto do pessoal, Max — Jessica diz. — Ah, e sem querer ser apressada, mas... você tem que pegar seu baú, antes que o elevador desça. Se não você nunca mais vai ver ele.

Ouço as palavras de Jéssica e vou até o elevador pegar meu baú. Em seguida, Jessica me encaminha até uma cabana. Nessa cabana só tem homens. Penso que as duas cabanas daqui foram divididas em masculino e feminino. Não tive a liberdade de escolher minha cama, já que eu fui o último á chegar, então só tem uma cama livre.

Cada cama, tem uma pequena cômoda ao lado, onde podemos guardas as roupas. Eu levo todas as minhas roupas para a cômoda, e deito um pouco para descansar.

Fico pensando onde os outros 12 meninos estão, porque estou sozinho na cabana.

Bom, ficar aqui sem fazer nada não é a melhor coisa de se fazer. Acabo calçando um tênis e saio para fora da cabana. A pergunta de "onde todos os caras estão" foi respondida, pois vi eles todos chegando com frutas nas mãos, e em seguida, todas as meninas saíram para fora. Acabo indo até lá, conhecer o pessoal, já que só tive a liberdade de conhecer Jessica.

Sentamos todos em uma fogueira e comemos o nosso jantar, mas é claro que isso foi depois de Jessica ter me apresentado para a turma toda.

— Max, fale sobre você — diz uma garota ruiva que usa óculos.

— Bom, tenho 17 anos, moro no Texas — não consigo terminar a frase, já que um garoto me interrompeu.

— Morava — ele diz. — Você mora aqui agora. Estamos presos para sempre, Max.

Jessica rapidamente levanta.

— Não ligue para as besteiras que Mason diz. Ele quer sempre aparecer.

Uma voz começa a falar algo conosco — se não me engano é a mesma voz que falo comigo no elevador.

— Boa noite, caros amigos. Suponho que vocês devem estar conhecendo o novo mebro do grupo. Na verdade, o último. Não será colocado mais ninguém aqui. Trago-vos uma notícia nada boa, pequenos gafanhotos. A partir de agora, vocês serão divididos em três equipes. E ao decorrer, vocês terão desafios, tarefas, coisas a se cumprir. Parece simples, certo? Errado. Todo dia terá um desafio. Esse desafio não é algo simples e mole. É "jogo duro". Vocês vão enfrentar seus medos, com coisas nojentas. Vão superar coisas horríveis. Uma equipe vai vencer o desafio, e outra vai perder. A equipe que ficar entre essas duas não haverá nada. A equipe que vencer terá comida, suprimentos e coisas que podem durar uma semana. A equipe que ficar em segundo lugar, seguirá normalmente a vida. A equipe que perder... bem... rezem para não perderem. A equipe que perder, terá o seguinte sistema: cada membro da equipe vota em alguém que você acha inútil, que você não gosta para poder ir embora do jogo. Um membro será o mais votado. Esse mais votado passará por um sorteio. Um sorteio ruim. Dentro de uma caixa de madeira existem três pequenas bolas. A bola azul, significa que essa pessoa irá desaparecer no mundo. A bola verde significa que você terá uma doença radioativa, ou algo do tipo. A bola vermelha significa que você irá ter uma morte lenta e dolorosa. Quando tiverem somente 8 pessoas vivas, vocês serão separados e será cada um por si. Teremos dois sobreviventes diante dessa trama. —diz a voz misteriosa.

Eu fico perplexo com oque estou ouvindo. Penso em tudo que eu já vivi, penso em minha família, em meus amigos. Mas alguém me tira dos pensamentos.

— Isso é um pouco sem lógica, caro amigo — diz um garoto chamado Piter. — Nós somos 25. Não tem como dividir igualmente para três.

— É mesmo? — irônicamente, a voz pergunta. — E que tal assim?

Um machado preso a uma corda, vem em direção á Piter, e simplismente, corta o garoto ao meio. Seu sangue espirra para todo lado. Algumas garotas gritam. Alguns saíram correndo. Mas eu estou aqui. Vendo um corpo dividido em duas metades.

— Vocês são agora, 24.

Notas finais
Próximo capítulo:"Destemidos"