A isca

2 "Destemidos"


Eu não consigo parar de pensar na cena. É incrível como um machado atravessando um corpo, me deixou perplexo.

Levanto-me do chão, e minhas pernas estão trêmulas.

— Bom — a voz do megafone inicia a fala. — Acho que agora todos sabem oque acontece quando sou interrompido.

Algumas pessoas que saíram correndo, voltaram para o pátio principal e decidiram sentarem.

— Por que você você fez aquilo? — pergunta Penellope. Se não me engano, pelo que Jessica diz, ela foi a primeira á chegar aqui.

— Não preciso dar satisfações para uma débil como você — diz a voz.

Nesse instante, uma TV gigante, é instalada por computação no ar. E nessa TV está um sujeito com uma máscara. Uma máscara de um corvo preto. O sujeito está usando uma túnica, de um tom vermelho mais escuro, seguindo de listras mais escuras ainda.

— Acho que esse é o momento em que eu divido vinte e quatro iscas, para três equipes — diz a voz no megafone, com um tom de ironia.

— A primeira equipe — fala a voz no megafone, tentando fazer mistério em nós. — Teremos... A pequena de cabelo ruivo. Bem atrás do gordão. Qual seu nome?

— Meu nome é... Chloe.

— Muito bem, fique em frente do círculo dourado — diz a voz. A voz aponta para um garoto, aponta para Jerry. O mesmo "gordão" que estava como escudo, na frente de Chloe. — Você? Jerry, certo?

— Sim, senhor — diz Jerry.

— Muito bem, encaminhe-se para o lado da pequena ruiva — a voz, fala rapidamente, temos a provabilidade de que "ele" está com pressa. — Escutem, pequenos gafanhotos, não tenho tempo para ficar escolhendo um por um para cada equipe. Vou dizer os nomes e o círculo onde deve ficar.

— Michael Aguiar, Penellope Simons, Janette Ewan, Henry Peletier, Sophia Rickson e Jackob Anwen — diz a voz. — Juntem-se a pequenina e o gordão. Vocês são a equipe número um.

— Oque pensa que está fazendo? Eu não vou ficar longe da minha irmã! — diz Mason, furioso.

— E quem seria sua irmã? — diz a voz. A voz olha para a pequena Chloe e encontra a semelhança. — Então sua irmã é a pequena Chloe Parker? Então, Mason Parker. Sugiro que você cale a boca e não quiser terminar como o amigo patético de vocês.

— Mas é meu dever proteger ela! — diz Mason, abaixando o tom. — Olha, eu faço o que você quiser, mas eu entro para a equipe dela.

— Está bem. Você quer saber oque eu quero? — pergunta a voz. — Eu quero que você cale essa bendita boca, ou eu te mando pelos ares e a equipe que você ficaria, faltaria um integrante — a voz já estava berrando, que eu acho que no mínimo duas garotas ficaram surdas.

Mason corre com uma pedra na mão, prestes a tacar no televisor, mas dois garotos, se não me engano, Daniel e Robert, seguram ele, e Mason se debate na esperança de ter algo com a revolta.

— Vamos continuar — diz a voz. — Seu amigo é patético por ter feito um show escandaloso. Aceite que mesmo com você na equipe, ela vai morrer.

— Agora eu irei dizer a segunda equipe — diz a voz, olhando um papel, pelo visto é uma lista com nossos nomes. — Fiquem em frente o círculo cinza... Jessica Clafin. Daniel Hupert. Olga Mackenzie. Bianca Hillls. Mason Parker. Robert Wilson. Holly Clarcket. E por último... Maxwell Johanson.

Minhas pernas tremem ao ouvir meu nome. Mas mesmo, consigo me encaminhar para o círculo cinza. Minha sorte é ter ficado na mesma equipe que Jessica, Daniel e Olga. Foram as três pessoas que mais me agradaram aqui. Meus pensamentos voaram, fiquei paralelo, e acabei nem percebendo a chamada dos nomes para a última equipe.

— Bom — diz a voz. — Agora vocês são três times. Então, tem uma nova cabana, ao lado da antiga masculina. Equipe número um, vocês ficam com a cabana antiga feminina. Equipe número três, vocês ficam com a cabana antiga masculina. Equipe número dois, vocês ficam com a nova cabana. Quero que vocês peguem tudo de sua cabana antiga, e levem para a nova. Quando chegarem lá, vocês terão que escolher um nome para a equipe. Quero todos de pé. Nesse mesmo local, ás sete horas da manhã. Vocês apresentarão o nome escolhido, e terão seu primeiro desafio. Lembrem-se que trabalho em equipe é importante, caso contrário você pode deixar um colega de equipe com uma doença, morto ou desaparecido. Boa sorte.

O televisor se desliga, e vamos todos, cada um para a cabana mandada.

Jessica e eu sentamos em uma cama no canto da cabana e ficamos conversando.

— Oque você acha que está acontecendo, Max? — pergunta Jessica.

— Eu não sei... — eu começo. — Ver um machado cortar o corpo de uma pessoa ao meio...

— Estou com medo — diz Jessica. — Todos nós estamos. Podemos ter a fé de ser só uma pegadinha, mas e se não for? Todos tem medo disso.

— Até mesmo eu, Jessica — digo. — Jessica... quando eu cheguei aqui. Você estava com tudo decorado na cabeça. Você me deu cada detalhe de tudo aqui. Como você consegue lembrar?

— Para passar o tempo, eu escrevo no meu diário — diz Jessica. — Eu sempre fui fissurada por livros. Mas não colocaram em meu baú, e os livros que as outras garotas tinham eram patéticos. Acabei lendo meu diário todo dia, de como foi a história desse lugar, então eu acabei ficando com isso na mente.

Jessica abaixa, puxa um baú de baixo de sua cama e abre. Ela puxa um caderno vermelho, escrito "Jessica Memories". Ou seja, seu diário.

— Pegue — diz Jessica, entregando o diário para mim. — Eu escrevo tudo, aqui — diz ela, levantando. — Eu vou deixar com você. Você pode ler. Eu vou tomar banho. Confio em você, Max. Não deixe ninguém pegá-lo — Jessica poe sua mão sob a minha.

— Eu prometo — aperto a mão de Jessica, e ela entra para o banheiro.

Fiquei um bom tempo lendo o diário de Jessica. Pelo oque eu li, ela não é uma garota de boas condições. Trabalha em uma lanchonete para manter seus irmãos vivos. Eu nem reparei sobre oque os outros conversavam. Mas quando Jessica sai do banho, nós todos fazemos uma roda em volta de uma cama no centro.

— Isso não pode estar acontecendo — Holly ficou repetindo isso várias vezes, enquanto anda em círculos.

— Isso só pode ser uma brincadeira, estúpida e de mal gosto — diz Bianca.

— Bianca está certa — inicia, a nerd do grupo, Olga. — Essa brincadeira não deve passar de amanhã.

— E como você explica a morte de Piter? — eu pergunto.

— Efeitos especiais estão sempre por aí. Ele deve estar vivo, planejando essa estupidez junto com o cara do televisor — explica Olga. — Precisamos nos acalmar e fazer oque ele mandou. Escolher um nome para a equipe.

— E oque você sugere? — pergunta Bianca.

— A partir de agora, somos um só. Somos um time. Somos o time "Destemidos".