A irmã da minha namorada.
20 20.
Notas iniciais
Eu estava ciente de que tinha estragado todas as chances, por mínimas que fossem, de ficar com Samantha, então o mínimo que eu poderia fazer era ser honesto com ela.
— Eu... eu... — virei-me, fechando a porta. Não queria que ninguém entreouvisse essa conversa. — Ocasionalmente, preciso me ferir e/ou tomar esses remédios para me sentir... —pigarreei, escolhendo as palavras certas. — Sentir alguma coisa.
— Você se corta? Porque?! — indagou ela, e eu fiquei surpreso ao perceber que havia lágrimas em seus olhos, prontas para cair.
— Ok... — suspirei, me sentando na cama. — Meu pai fazia coisas horríveis comigo e com minha mãe. Ele me usava como um peão. Eu tinha de agir de determinada maneira e namorar determinada pessoa para o ajudar em sua carreira. Eu nunca fiz nada que realmente queria, minha mãe era ausente e eles me tratavam como um lixo. — disse, olhando para o chão e tentando engolir o choro, sem sucesso. — Chegou ao ponto de eu me sentir inútil e sem valor. Comecei a questionar minha existência. Tentei me matar duas vezes. Se não fosse por minha governanta, eu não estaria aqui. — murmurei, olhando pra ela, e fiquei desesperado ao perceber que ela estava chorando.
— Aonde estão os cortes?
— No meu braço — dei de ombros, querendo dizer que não me importava mais.
— Tira a camisa — ordenou, limpando as lágrimas de seu rosto com os dedos. Tirei a camisa e ela segurou meu braço, procurando pelos cortes. Arregalou os olhos quando percebeu que alguns deles eram recentes. — Quando foi?
— Ontem. — sussurrei e tremi ao sentir a extremidade de seus dedos gelados passarem lenta e carinhosamente por todos os meus cortes. Então ela se inclinou e beijou-os. Seu hálito quente na pele de meu braço não estava me ajudando a esquecê-la.
— Para, por favor — pedi em um sussurro.
— O que foi? — ela levantou a cabeça para me olhar nos olhos.
— Não faz isso, eu fico parecendo um maricas. — ela deu um riso fraco.
— Todos temos nossos dias nublados. — murmurou ela. — Olha, eu quero que você prometa que não vai fazer mais isso.
— Não posso prometer, não é assim...
— Então, quando sentir vontade de se cortar, converse comigo. Eu quero ser seu escape. — sussurrou ela, entrelaçando nossas mãos, e fazendo meu coração dar um pulo no peito. Então, lentamente, ela juntou nossos lábios num beijo doce e apaixonado, o qual demorei alguns segundos para ficar consciente de que aquilo não era mais um sonho plantado pela minha imaginação fértil, já que minha mente estava vagando numa nuvem de prazer.
— Você é meu escape. — sussurrei, e ela sorriu entre o beijo.
Fale com o autor