Notas iniciais
Boa leitura :)

Eu não me sentia assim há anos. Pela primeira vez na vida eu realmente me sentia completo. Isso é muito gay, eu sei, mas é a verdade. Depois daquele incidente em que ela descobriu sobre meus cortes, ficamos a noite toda em meu quarto conversando. É, só conversando. Eu não sabia que conseguiria passar uma noite na cama com uma mulher sem ter nenhum tipo de relação sexual com ela, mas eu consegui. E me senti muito melhor do que se eu realmente tivesse transado com ela, por que agora sinto que sei mais sobre sua vida e ela sobre a minha. É claro, quando eu toquei no assunto do término com o Tom ela rapidamente desviou da pergunta, mas sei que vou conseguir essa informação uma hora ou outra com um pouquinho de paciência. Descobri que ela tem mania de piscar quando fala um palavrão, como se estivesse rejeitando a palavra. Morde os lábios quando está nervosa, o que vai me matar algum dia pois ela fica muito sexy. Além das manias, descobri que quando ela foi embora da cidade, ela passou por Minnesota, Los Angeles, Nova York, Miami... Ela disse que não conseguiu se acostumar com o caos de Nova York ou com Los Angeles. Passou quatro anos em Minnesota na casa de uma garota que conheceu por lá, e depois voltou. Não teve mais nenhum relacionamento amoroso com nenhum garoto depois de Tom. Eu me pergunto o que ele pode ter feito para tirar sua confiança na raça masculina. Coisa boa é que não foi.

— Eu sei o que você está pensando — murmurou ela, segurando em minha mão. — Tom não fez nada. Juro. É só que... esse é um assunto muito delicado para mim. Eu o amava muito.

— Ah. — sussurrei, esperando que minha insegurança não transparecesse em meu semblante. Se ela o amava muito, ela poderia se apaixonar novamente.

— Eu disse a você que não vou voltar com ele — respondeu, lendo meus pensamentos. — Eu o amava. Passado. Muita coisa mudou desde então. Eu mudei. — disse ela, com um olhar triste.

— O que quer que tenha acontecido antes, saiba que eu não vou deixar acontecer novamente. E eu vou esperar até você estar preparada para me contar. Sei que você precisa confiar em mim primeiro, e eu vou fazer o possível para você confiar.

— Obrigada. — ela sorriu.

— Sem problemas — respondi, lhe dando um selinho.

— Então, o que mais tem a me dizer sobre você?! — indagou ela, sentando-se na cama.

— Não tenho muito o que falar sobre mim. Você sabe, minha vida não é a das mais excitantes — soltei uma risada, dando de ombros.

— Tem sim. Por que não começa me explicando quando, como e porquê tentou se matar?

— Tem certeza que quer saber sobre isso? — perguntei, virando-me para encará-la. — Por que, uma vez que eu te contar isso, você nunca mais vai me ver da mesma maneira.

— Eu duvido.

— Tudo bem então. A primeira vez que tentei me matar, tinha 14 anos...

*Flashback*

Eu estava em meu quarto novamente, tentando abafar os ruídos da briga de meus pais com o som alto do meu fone-de-ouvido, mas nada disso adiantava. Eu estava ficando cheio dessas brigas e, por mais que eu soubesse que minha mãe pedia á meu pai para não arrumar brigas quando eu estava em casa, ele não dava a mínima. E eu não achava que ela se importava tanto assim também. Tirei meu fone, e consegui ouvir alguma coisa de vidro quebrando, logo depois o grito de minha mãe. No mínimo, meu pai tinha quebrado alguma garrafa de vinho na cabeça dela, ou sei lá. Ele havia começado a chegar mais tarde do trabalho, e sempre chegava bêbado. Minha mãe, é claro, sempre o confrontava, dizendo que não era esse o exemplo que ela esperava que ele me desse, mas ele não se importava. Ele nunca se importou comigo de verdade. Eu estava tão cansado dessa vida, não tinha ninguém a quem recorrer, e eu não sabia o que fazer. Minha mãe sempre dizia que era a última vez que meu pai batia nela, e que, da próxima vez ela ia dar parte dele, mas ela nunca fazia isso. Quando eu a confrontava perguntando por que ela aguentava aquilo, ela sempre dizia que ele sabia muito sobre ela. Que ele sabia coisas que podiam acabar com sua vida.

Eu comecei a chorar ainda mais quando ouvi mais um grito excruciante de minha mãe, e isso foi a gota da água para mim. Abri a porta do meu quarto e rumei para o jardim. O modo que achei de me matar era o pior de todos, mas eu não aguentaria viver naquele inferno mais um dia. Havia uma enorme piscina funda no jardim, e esse foi o modo mais fácil — e também doloroso — que encontrei de acabar com meus dias. Então eu pulei de pijama e tudo na água, e nem me importei em segurar o ar. Quando atingi a água, senti meu pulmão se enchendo dela quase que imediatamente e, pouco á pouco, fui perdendo os sentidos. Meus olhos se fecharam, mas senti uma mão segurar meu pulso com firmeza, e então fui arrastado de volta á superfície.

— Menino Daniel! — senti uma mão fazendo massagem cardíaca em mim, e a voz da nossa governanta ao longe. Será que fora ela que havia me salvado?! Não, não ela não havia me salvado realmente. Ela havia me puxado de volta para aquele inferno. Eu não podia acreditar. Tossi, vomitando toda a água. — Graças a Deus! — Rosa gritou, me abraçando. — O que o senhor pensa que estava fazendo?!

— Eu... — tentei falar, mas estava muito fraco. Ela me pegou no colo, e eu abri os olhos. Rosa me levou para meu quarto, me colocou gentilmente na minha cama, mesmo todo ensopado, e me deu um copo de leite quente. Quando me recuperei totalmente, ela voltou seus olhos preocupados pra mim, pedindo uma explicação.

— Eu só estava tentando me matar. — ela não pareceu surpresa, mas começou a chorar.

— Eu sabia disso, menino Daniel. Eu vi seus cortes. Seus pais não percebem o menino precioso que tem, e o que estão fazendo com ele. — disse, em meio ás lágrimas. Não conseguia vê-la chorando, doía demais. Ela sempre cuidou de mim, desde recém-nascido, eu não podia fazê-la chorar.

— Me perdoe, Rosa, me perdoe. — pedi, a abraçando.

— O senhor não têm que pedir perdão. Seus pais percisam pedir perdão ao senhor. — respondeu ela, e me deu um beijo na testa. — O senhor precisa me prometer que não fará isso novamente. Eu não sei se posso te salvar uma outra vez. Por sorte hoje eu acordei com o barulho da briga de seus pais e o vi sair pela porta da sala, mas e se eu não estiver acordada da próxima vez? Eu não posso perder o senhor, menino Daniel. — disse ela, me abraçando forte.

— Tudo bem, Rosa, eu prometo. — sussurrei, tranquilizando-a. Se eu não fizesse isso por mim, precisava fazer por Rosa. Eu era como um filho para ela, e, se acontecesse alguma coisa comigo, não sei o que ela faria.

— Agora vá tomar um banho quente e relaxante, troque de pijama, e, enquanto isso, eu troco essa roupa de cama ensopada e trago um chocolate quente para o senhor. — ela sorriu, secando suas lágrimas com os dedos e levantando-se. Então eu sorri.

*Fim do flashback*

Sequei minhas lágrimas, e virei-me para Sam. Ela também estava chorando.

— Não fique assim, por favor... — sussurrei, beijando sua mão. — Eu odeio te ver chorando. Não devia ter te contado isso.

— Não! — exclamou ela. — Foi bom você ter me contado. Quero dizer... eu não podia não chorar ao ouvir isso, por que... Bom, enfim, quando eu conhecer essa sua governanta, eu preciso beijá-la inteira — ela sorriu, e eu comecei a rir, abraçando-a.

— Ela vai gostar disso — murmurei, dando um beijo em sua testa.

Notas finais
Bem, primeiramente, me perdoem por não postar ontem. Eu cheguei 20:30 do meu trabalho e fui direto para o computador, mas a internet estava lenta. Então, eu preciso ligar para a assistência técnica, por que estou postando esse capítulo do meu trabalho ahah. Enfim, outra coisa, eu queria dizer á vocês que quando eu comecei essa fic, eu queria que ela fosse original, que não tivesse clichês ou coisa parecida, por que já não basta os clichês dos livros do Nicholas Sparks, né?! HAHAH então é por isso que os personagens têm essa bagagem. Acho que todo mundo tem uma história de vida, e que só vemos metade dela. Então ainda há muita coisa para descobrirmos sobre Daniel e Samantha. De qualquer maneira, comentários sobre esse capítulo?! Quero ler tudo o que vocês estão pensando, e quero saber o que vocês acham que aconteceu com Sam e Tom para que ela mudasse de cidade assim, e terminasse com ele. Beijos, até semana que vem. :)