A ilha infernal

6 Sobrevivência


Notas iniciais
E cá estamos nós, nessa belezura de feriado. Finalmente um tempinho extra sobrando para poder investir nessa história que tanto amo. Este é apenas o primeiro extra, com o tempo de feriado quero trazer pelo menos quatro capítulos nessa fic. É a minha meta e tentarei ao máximo cumpri-la e caso não consiga peço que me desculpem. Bom espero que gostem.

Andrew acordou sobressaltado. Lembrava-se apenas de trechos do que havia acontecido. Estava em julgamento quando de repente sentiu uma dor muito forte e depois desmaiou. Lembrou-se também que quando por um segundo recobrou a consciência, Arlan e o juiz estavam recitando algo, quando de repente começou a cair e por fim desmaiou novamente. O mais surpreendente é que nenhum dos dois percebera que ele recobrara a consciência.

Levantando-se, assustou-se quando uma criaturinha rastejante o tocou na mão. Era apenas uma minhoca. Mas onde estava e por que diabos havia uma minhoca em sua mão? Andrew, terminando de se recuperar olhou em volta do terreno: Estava extremamente escuro o que provavelmente significava que já estava de noite, as arvores incrivelmente lhe proporcionavam certa iluminação, pois todas elas brilhavam. Parecia ser uma espécie de ilha da fantasia, pois o escuro não tinha vez ali. Pelo menos não naquela parte em que estava. Resolveu caminhar um pouco.

Andando em uma velocidade considerável, Andrew no caminho avistou diversos animais silvestres que não imaginava encontrar naquela ilha. Passando por uma preguiça que preguiçosamente subia em uma arvore, logo após avistou um cervo que o olhou atentamente como se fosse um predador feroz. Percebendo que Andrew não era seu inimigo aproximou-se um pouco. Andrew sorriu, certamente era uma bela criatura.

Estendendo-lhe a mão aproximou-se do cervo que recuou um pouco o passo. Andrew parou imediatamente, pois não queria assustar o pobre animal. Imediatamente uma centelha de luz passou por sua cabeça espantando o servo e a preguiça que de algum jeito desaparecera no ar.

Quando se virou viu uma espécie de chama dançante parada quase a sua frente. Aproximou-se com cautela, pois a ultima coisa que precisava era de uma queimadura. A chama continuou dançando por um tempo até que quando Andrew se aproximou o suficiente ela se expandiu violentamente pelos arredores. Recuando assustado, percebeu que a chama estava adquirindo forma, ou que algo estava se formando dentro do fogo. Andrew olhou horrorizado para a cena que se desdobrava a sua frente. Uma figura desesperada apareceu em meio às chamas e parecia estar sofrendo muito. Novamente as chamas espalharam-se e Andrew correu assustado sem saber exatamente para onde ia. Virando uma curva a direita, assustou-se quando uma cobra agarrou seu braço. Sentiu uma pontada e com uma força que desconhecia partiu em duas a cobra.

Assustado continuou a correr e deu de cara com outra chama enlouquecida e outra figura agonizante. Desta vez tentou recuar, porém algo bloqueava o seu caminho. A figura terminou de se materializar revelando não ser mais do que uma criança. Uma criança em chamas.

Andrew virou-se horrorizado e chuto a coisa gosmenta que bloqueava o seu caminho. Desta vez foi a vez da outra se materializar. Era um homem adulto grande, este gritava loucamente. Os dois foram se aproximando e o calor das chamas fez com que a gosma endurecesse, tornando-a mais fácil de quebrar.

Aos chutes e aos socos conseguiu quebrar em uma altura e largura que pudesse passar. Desta vez as chamas não foram tão lentas, na verdade pareciam estar rápidas de mais e logo alcançaram Andrew que caiu quando uma lavareda queimou sua perna.

Essa era a primeira vez que Andrew realmente sentia medo. Era a primeira vez que pensava que não teria salvação. Ainda não estava preparado para morrer, precisava descobrir o que era a coisa que matou a sua família, precisava descobrir quem eram as pessoas de seu julgamento, e se elas poderiam lhe dar alguma esperança de um dia poder se vingar, ou poder reconstruir a sua família.

A criança lançou uma bola de fogo na direção de Andrew que rolou para o lado recebendo apenas metade do dano em sua perna. O homem também atacou, porém errou por pouco o ataque. A criança lançou mais uma e Andrew por pouco não é acertado em cheio. Os dois começaram a circundar Andrew formando um circulo de chamas ao seu redor, o que desesperou Andrew, pois agora seus movimentos estavam pesadamente restringidos. Por uma fração de segundo Andrew conseguiu ver as expressões nos rostos das criaturas. As suas expressões não demonstravam mais a agonia de antes, agora tudo o que ele podia ver era uma extrema raiva, uma sede de sangue extrema, uma inacabável vontade de destruir tudo em seu caminho.

Andrew resolveu tentar algo diferente, já que sabia que de alguma forma algum tipo de monstro residia dentro de si e que o seu juiz controlava o vento. Tentou concentrar-se porem o desespero pelo próximo ataque ia aumentando à medida que a energia focada entre os braços da criatura também aumentavam. O próximo ataque seria devastador. Seriam duas gigantes bolas de fogo lançadas diretamente sobre ele.

Tentou uma segunda vez e dessa vez sentiu algo diferente, percebeu que seus braços começaram a brilhar. As bolas de fogo foram lançadas e Andrew ergueu os braços sem saber ao certo o que aconteceria, rezando para que a luz o protegesse.

Foi exatamente o que aconteceu. Por um segundo que pareceu uma eternidade as chamas queimara os braços de Andrew, porém, logo após as queimaduras desapareceram. As criaturas pararam confusas, olhando entre si tentaram novamente porem desta vez Andrew foi mais rápido. Agarrando o pulso de uma delas, percebeu que a carne queimada começara a dissolver-se revelando uma pele lisa e rosada.

Andrew finalmente entendeu que seu poder era na verdade um poder de cura podia curar não só a si mesmo como também os outros. Só não sabia a extensão. A criatura começou a gritar a medida que a sua pele ia descamando. Por fim a criatura revelou um menino aliviado e feliz. Por um segundo Andrew se permitiu sorrir. A criança sorriu de volta, o agradeceu e por fim desapareceu em meio a risinhos infantis brincalhões.

Agora restava apenas um inimigo. Andrew perdeu o equilíbrio quando a sua visão turvou-se de repente. Seu estomago começou a embrulhar e já não mais sentia seus membros superiores. Tentou focar a visão em seus braços porem sua vista estava completamente manchada. A única coisa que conseguiu discernir foi a cor de sua pele. Estava normal o que significava que o seu poder havia desaparecido.

A criatura emitiu um grunhido que Andrew entendeu como uma risada e ela tornou a concentrar a energia em suas mãos formando uma bola de fogo ainda maior.

Andrew não conseguia entender o que havia acontecido até que em um flash se lembrou. Quando estava fugindo da primeira criatura uma cobra havia se enroscado em seu braço. Quando a notou sentiu uma alfinetada o que significava que ele havia sido picado.

Ele se desesperou. Tentou concentrar-se novamente a fim de reaver seus poderes, porém nada aconteceu. O pânico tomou conta quando percebeu o tamanho da bola de fogo da criatura. Era algo além da compreensão. Aquilo não só iria dizima-lo como também o resultado do choque poderia acabar com tudo sabe-se lá até onde. As formas de vida estavam ameaçadas e sabe-se lá se havia alguém na região. Andrew por fim desistiu. Seu fim estava próximo. Uma lagrima brotou por em seu olho e ele a controlou. Pelo menos queria morrer com dignidade.

Quando se preparou para o golpe final, uma sombra passou ao seu lado atingindo em cheio a criatura. Uma espada acabara de atravessá-la e as chamas começaram a ser absorvidas pela espada. A bola de fogo foi contida por um enorme o que deixou Andrew assombrado, pois mesmo um escudo daquele tamanho teria dificuldades em defender tamanha quantidade de energia.

Por fim Andrew tentou relaxar, pois a batalha finalmente havia terminado. Tossiu sangue e preocupou-se ainda mais quando a pessoa que o salvou aproximou-se. De nada adiantaria ter sobrevivido a tudo aquilo se fosse morto agora, não conseguia usar seus poderes, mas mesmo se conseguisse não seria de grande ajuda, pois não curaria o seu corpo do veneno tão rápido. Por fim vendo que não aguentaria mais, deixou-se cair na grama perdendo aos poucos a consciência. Tudo o que restava era esperar para ver o que o destino reservara para ele.