A ilha infernal
7 Herois
Notas iniciais
Andrew abriu os olhos. Não se lembrava de praticamente do que ocorrera na noite passada. A sua mente estava uma perfeita bagunça. Tornou a fechar os olhos, sua cabeças doía e sua vista ainda estava um pouco manchada o que significava que a picada de cobra da noite anterior não fora um sonho. Mas como havia sobrevivido?
Ouviu vozes e passos e por fim abriu os olhos e tentou se levantar. Sua cabeça rodou e Andrew caiu deitado na cama. Um homem tocou a sua testa e lhe aplicou uma injeção.
– Não tente fazer movimentos bruscos, a cobra que o picou era extremamente venenosa, teve muita sorte de eu estar caminhando na hora. Eles teriam te matado se eu não tivesse aparecido.
Andrew ficou confuso, o que ele quis dizer com eles? Foi então que um flash passou pela sua memória. Lembrou-se das criaturas em chamas e de como a criança sorriu pra ele. As lembranças de sua família vieram em sua mente e as lagrimas desceram. Aquela criança parecia e muito com o seu filho e enquanto ardia em chamas parecia estar sofrendo uma dor inimaginável o que o levou à raiva por ninguém ter sido capaz de salva-lo.
Lembrou-se também do adulto que foi ultrapassado pela espada da sombra e como absorvera todo o fogo daquela enorme bola de fogo depois de o escudo para-la.
Andrew sentiu-se cansado e voltou a dormir. Após algumas horas acordou e sentiu as suas energias. Tornou a tentar se levantar e dessa vez conseguiu manter o equilíbrio por um tempo, porem as suas pernas bambearam. Há quanto tempo estou aqui? Pensou consigo mesmo. Normalmente as pernas bambeavam devido ao tempo sem uso.
– Fico feliz que tenha conseguido se recuperar. Pensei que não ia conseguir, mas parece que você tem mais força de vontade do que eu pensei.
Andrew fitou o desconhecido a sua frente. Era bem forte, aparentava ter uns 25 anos, tinha longos cabelos negros e olhos vermelhos. Parecia mais um vilão de filmes. Andrew segurou o riso com o pensamento. Sua voz era grave e estrondosa. O estranho se aproximou e Andrew recuou. Não sabia se podia ou não confiar nele.
– Não se preocupe, eu não sou um inimigo. Meu nome é Sebastian, e eu sou o médico da ilha. Tenho um aprendiz mas ele ainda não voltou. Estávamos colhendo ervas quando eu precisei me separar para caçar ervas exóticas. Foi então que eu vi você enfrentando aqueles fantasmas de fogo.
“Francamente, o que está acontecendo com essas criaturas, elas estão ficando fortes demais. Foi por pouco que eu não acabo perdendo a batalha, aquela bola de fogo era realmente grande. Eu não esperava que o meu escudo fosse aguentar”.
– Não foi o que eu percebi. Você parecia tremendamente calmo, como se o resultado já estivesse previsto a partir do momento que você chegou.
Sebastian riu e Andrew fechou a expressão. Não esperava que o cara que o salvou tão facilmente estivesse tão próximo da morte. E ainda por cima ria da cara dele.
– Você disse que aquelas criaturas eram fantasmas de fogo, mas o que exatamente são essas coisas? Deu pra perceber que um dia já foram humanas e ao que parecem foram condenadas em vida e em morte a sofrer e sofrer eternamente.
– Nisso você acertou. Sabe você não tem ideia de onde está tem?
Andrew acenou que não e sebastian continuou
– Essa é a ilha Sahad, esta ilha foi palco das maiores atrocidades que você sequer consegue imaginar, em todas as épocas sem contar o nosso presente.
“Quando eu ganhei a minha espada a cada criatura que eu destruía eu tinha uma visão do que acontecera aqui, cada época atrocidades maior. Aqueles são os menores de nossos problemas, mesmo que o sofrimento deles tenha sido digamos que um pouco maior”.
“Sabe aquela criança que você de alguma forma liberou da tormenta? Pois bem, ela foi queimada durante a idade das trevas, embora a igreja católica não tivesse tanto poder aqui quanto nos outros lugares haviam padres tão cruéis quanto em qualquer outro lugar. Enfim. Assim como outras que provavelmente eram amigas dela ela foi queimada viva acusada de bruxaria. Foi uma ironia cruel do destino. Um vizinho ficou enfermo e ela foi junto com os amigos foi achada no meio de tripas de gado em laço a uma camisa dele.”
“Claro que na hora elas estavam passando e pararam para dar uma olhada, mesmo na época as crianças eram muito curiosas, porém na maldita hora uma mulher da vila estava passando e viu as crianças e correu para avisar aos moradores que se revoltaram e decidiram que elas haviam causado a enfermidade do amigo”.
“Os pais tentaram ajuda-los, mas não adiantou, apenas fez com que fossem acusados também. Daí os dois que você enfrentou eram pai e filho. Tem muito mais de onde esse veio. Foram muitas vitimas durante o incidente. O que me surpreendeu foi o poder do pai...”
Foram interrompidos pelo ranger da porta. Andrew precipitou-se e atacou a porta derrubando um garoto que acabara de entrar. Este atacou de volta derrubando Andrew e prendendo-o no chão. Sebastian separou os dois e empurrou Andrew bruscamente na cama
– Se acalme este é apenas meu aprendiz, Demix.
Os dois se fitaram. De certa forma a expressão de Demix lembrava um pouco Arlan o que por sinal era outro caso a se pensar.
– Certo, acho que agora podemos conversar tranquilamente.
Ambos acenaram e Andrew sentou-se em sua cama.
– Como eu dizia, o poder do pai que me assustou. Nunca um fantasma de fogo apresentou tamanho poder. Normalmente eles são mais simples de deter. Mas o que mais me surpreendeu foi o fato de você Andrew, ter livrado aquela criança da tormenta. Como você fez aquilo?
Andrew inspirou fundo. Não conseguia se lembrar muito bem do que acontecera antes de desmaiar. Mais alguns flashes passaram e ele se lembrou de como conseguira conjurar a luz que não só o curara como também curara a criança e como aquilo o esgotara. Não pretendia contar a Sebastian sobre a criatura que de vez em quando tomava controle de sua mente.
– Eu apenas me concetrei e de alguma forma uma luz envolveu meu braço e quando eu toquei a criança as chamas foram desaparecendo aos poucos e logo ela estava livre. Acho que isso pode ter aumentado os poderes do pai, que ficou profundamente irritado com o fato.
Sebastian lançou um olhar de compreensão.
– Entendo! Os poderes dessas criaturas provem de seus sentimentos negativos, e ao libertar o filho dele, você apenas ativou a válvula reserva de raiva e isso se misturou a dor formando aquilo que enfrentamos.
Demix olhou desconfiado para Andrew
– E como você sabia que se você se concentrasse poderia usar tal poder.
Andrew reprimiu um urro de raiva. Ao falar que se concentrou havia entregado o jogo. Agora não teria opção a não ser contar tudo aos dois.
Suspirando começou o seu relato:
– Digamos que eu não vim aqui por meios convencionais. De alguma forma eu fui lançado aqui logo após uma criatura tomar conta de minha mente.
Sebastian e Demix se entreolharam.
– Enfim, essa criatura não só fez um massacre no júri como matou toda a minha família.
Sebastian, fitou Andrew, o que ele quis dizer com criatura, e por que estava sendo julgado?
– O que exatamente era essa criatura que você afirma ter matado a sua família? E por que diabos estava sendo julgado?
– Como eu disse esse ser maldito aniquilou a minha família, porem alguém de alguma forma conseguiu fotografar a cena e parece que eu estava desacordado e por fim voltei ao normal porém o que saiu em tal fotografia foi apenas eu, ao lado dos pedaços da minha família, coberto de sangue. A partir daí minha vida se tornou um inferno.
“Eu acabei indo preso e lá todos me chamavam de monstro sem imaginar o terror que eu estava sentindo. Eu fui hostilizado de todas as formas possíveis antes do julgamento, e pra piorar o meu “carrasco” Arlan, junto com o seu amigo delegado Luke, estavam conspirando contra mim e parece que deu certo o maldito plano deles.”
“No dia do julgamento, pouco depois do começo do mesmo esta criatura tomou total controlo da minha mente eu perdi a consciência temporariamente e depois de alguma forma eu consegui pegar traços do que estava acontecendo. O juiz enfrentava-a de forma descomunal e parecia ser até uma espécie de deus do ar, tamanha a sua habilidade controlando-o. Ele derrotou a criatura e junto com Arlan, abriram uma espécie de portal e assim que nós caímos eu desmaiei novamente.
“Quando acordei, cá estava eu na ilha. Depois de anoitecer a primeira chama apareceu e tentando correr para sobreviver acabei sendo picado por uma serpente. Logo depois de estar cercado pelos dois, o veneno começou a fazer efeito e eu decidi tentar despertar alguma espécie de poder e para a minha sorte eu consegui. A luz envolveu meu braço e logo depois o seu poder curativo se espalhou pelo meu corpo e logo o veneno, junto das feridas desapareceu. Por fim ao tocar a criança o mesmo aconteceu com ela. Imagino que o resto você já saiba”
Sebastian olhou surpreendido para Andrew. Mal podia imaginar ao que sua historia havia revelado. Demix Acenou com a cabeça e logo após Sebastian começou a falar
– Meu caro, você não tem ideia do poder que tem. Alias, você e o tal juiz. Ao que parece você tem Fésius, uma antiga criatura criada pelos deuses para punir os humanos. O que eles não imaginava é que essa criatura se voltaria contra eles e tentaria destruilos. Foi então que os 6 heróis se uniram para derrotar a criatura. O poder dela era tão grande que eles não conseguiram derrota-la permantemente, apenas selaram-na no corpo de um. Esses heróis eram chamados os elementais. Aqueles cujos poderes descendiam dos próprios deuses. Fogo, Água, Terra , Ar, Luz e trevas.
“Cada um possuía seus próprios pontos fortes e fracos, porem nenhum deles, por mais poderosos que fossem poderiam escapar do beijo da morte. Sabendo disso criaram um meio para poder mante Fésius sempre no controle. Eles uniam os seus poderes para retira-lo e trocar o recipiente. O problema era que aquele que o perdia morria imediatamente. O esforço era enorme e junto com a criatura seus poderes também iam embora. Eram passados para a próxima geração...
Antes que sebastian pudesse terminar de falar, um grande tremor sacudiu a ilha. Durou por alguns minutos até que uma forma adentrou o hospital.
Tamanha foi a surpresa de Sebastian que este não pode deixar de recuar um pouco.
– Você! O que está a fazendo aqui?
A forma limitou-se a sorrir. Um sorriso sádico que deu um calafrio em Andrew.
– Vim pegar o que é meu por direito, pai!
Fale com o autor