A ilha infernal
9 O panteão da luz
Notas iniciais
Andrew acordou em um sobressalto. Desta vez não era um sonho, era um pesadelo se tornando realidade. A última vez que sentira algo assim foi durante o tribunal e depois que acordara na ilha não se lembrava de mais nada. Tudo o que sabia é que sempre que isso acontecia, catástrofes acompanhavam-no.
Estava em um lugar totalmente escuro, quase como se tivesse se submergido em seu próprio corpo. Aos poucos foi se habituando a escuridão e tentava lembrar-se do que aconteceu. A sua ultima lembrança foi de Sebastian enfrentando sua filha Sophie e de repente ambos se transformaram em bestas furiosas em corpos humanos.
Uma antiga lembrança retornou. A lembrança de seu primeiro encontro com Roxanne. Era uma lembrança a muito distante porem ainda assim permanecia forte na mente de Andrew. Seu sorriso resplendoroso inundou o coração de Andrew com uma alegria profunda como nunca sentira antes, porem esta alegria logo foi substituída por uma tristeza imensurável. Lembrou-se de tudo, do dia em que os pesadelos com Fésius começaram, do dia em que ela e seu filho foram brutalmente assassinados, e como um dia depois fora preso dentro de um hospital sem qualquer lembrança.
Lembrou-se do tempo que passou na cadeia e de Arlan, o guarda misterioso que por muitas vezes parecia sentir um ódio tão grande por Andrew que nem sequer sete mortes seriam suficientes para aplacar. Pelo que se lembrava, seu ódio fora imediato. Desde que vira Andrew pela primeira vez embora não demonstrasse já sentia uma profunda raiva só de vê-lo. Lembrou-se também de Luke seu parceiro, que diferente de Arlan não se preocupava em ocultar a sua raiva de Andrew chegando até mesmo a agredi-lo.
Depois se lembrou também do episodio estranho com Arlan pouco antes de seu julgamento, como que em um acesso de raiva repentino acabara revelando mais do que pretendia.
Isso acabou intrigando Andrew. Não entendera na hora, mas agora as peças começavam a se encaixar. Alguém armara para ele e agora ele estaria eternamente preso nesta ilha repleta de monstros, criaturas selvagens perigosas, e pessoas bestiais estranhas.
Queria muito descobrir quem era, mas agora a sua prioridade era descobrir onde estava embora já suspeitasse. Já imaginava que provavelmente Fésius dominara a sua mente e estava fazendo atrocidades. Precisava imediatamente recuperar o seu corpo antes que algo acontecesse.
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Sophie fitava a criatura enquanto pensava em uma maneira de escapar. A energia que ela emanava era sinistra. A sua aparência era grotesca e essa coisa deveria ter uma força imensa.
Mesmo em sua forma bestial não poderia com tal coisa, afinal a sua maior habilidade era veneno e mesmo a sua enorme calda não poderia prender tal criatura.
Sentira o tremor que o rugido da criatura provocara na ilha. Pela primeira vez estava experimentando o verdadeiro medo. Sentia medo de morrer, medo de sofrer e agora se sentia não como a lendária serpente Midgard cuja calda era tão longa que circundava a terra mas sim como um verme rastejante, sem poder algum.
Novamente a criatura rugiu e partiu para cima dela. Sophie gritou de susto quando percebeu a velocidade da criatura. Antes que pudesse respirar a criatura cortou sua calda em vários pedaços e em seguida a chutou para longe.
A calda se regenerou, porém o impacto com a parede foi grande e deveria ter quebrado pelo menos umas duas costelas.
— Criatura maldita o que você é?
Não esperava a resposta, porém o seu temor cresceu quando a criatura respondeu com uma voz gutural que mais parecia a explosão de um vulcão em erupção.
— Eu sou a morte, a destruição, eu sou o seu pior pesadelo. Eu sou tudo aquilo que você aprendeu a temer sou o panteão das trevas. Eu sou Fésius!
Dito isso a criatura voltou a ir em direção a Sophie que recitou um encantamento para criar uma barreira de terra em volta de Fésius. De nada adiantou, pois com apenas um chute derrubou a barreira como se fosse um castelo de areia.
— Elemental tola, acha que uma magia fraca dessas pode me deter?! Vou mostra-la o que é o verdadeiro poder. Arte das trevas, necromancia!
Fésius perfurou a si próprio com a lamina e das gotas que pingavam pequenas mãos surgiam da terra. Os corpos emergiram e logo estavam ganhando músculos e as armas estavam surgindo.
Sophie ficou horrorizada com a quantidade seres que estavam surgindo da terra. Recitou um encantamento que criou uma pequena fissura e onde os mortos foram caindo, porem quanto mais eles eram derrotados mais deles surgiam. Estes começaram a urrar e avançar para cima de Sophie.
Tornando a usar a sua forma bestial, usou sua calda para esmagar o que estavam mais perto e usou as unhas para destroçar os outros. Outros foram avançando para cima dela porem logo eram derrubados e esmagados.
Lançou acido nos outros que vinham que derreteram em seguida. Mais deles continuaram a vir e Sophie estava se esgotando. Mesmo a sua forma bestial com o mínimo do tamanho consumia muito de sua energia e ainda por cima usando as habilidades da serpente lendária a deixavam ainda pior. Logo não conseguiria mais lutar e precisava arranjar logo uma rota de fuga.
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Andrew sentou um pouco. Estava exausto, pois a tempos tentava evocar o seus poderes ocultos, como acontecera na batalha contra os fantasmas de fogo. De nada adiantara, mesmo uma faísca era inútil dentro de tamanha escuridão. Conseguira uma pequena faísca porem esta logo desaparecera.
Mais um flashback apareceu, porém esse foi diferente, era quase como se algo tentasse faze-lo baixar a guarda para tomar seu corpo. Andrew estava no parque com Mathew e este se divertia, porém o que ele disse o aterrorizou.
— Por que me deixou morrer papai? Por que não o impediu? Foi muito doloroso ver a mamãe sendo cortada varias e varias vezes. O sangue dela jorrando em meu rosto, essa foi a pior parte. Depois de estripa-la ele perfurou a barriga dela e jogou todo o sangue no meu rosto. Por que você não o impediu, por quê?
Andrew voltou para a escuridão a beira do desespero, essa ilusão devastara o seu psicológico. Sentia que se continuasse desse jeito acabaria enlouquecendo. Em lagrimas, aos poucos a sua tristeza foi se transformando em ódio. Ódio de Fésius, ódio daqueles que o mandaram para lá. Ódio dos elementares que destruíram a sua vida, ódio do mundo por estar sendo tão cruel com ele.
Outro flashback apareceu. Andrew começou a temer o que viria, ainda não podia enlouquecer ou morrer, precisava saber quem tinha feito isso com ele. Mais do que isso precisava se vingar daqueles que destruíram a sua família, matando a sua esposa e filho.
Desta vez era de um encontro com Roxanne em seu lugar especial. Ela sorria afavelmente e diferente de Mathew parecia estar realmente feliz. As próximas palavras mudariam Andrew para sempre.
— Você não é um monstro Andrew, você tem os poderes da luz, você pode vencer essa criatura, basta deixar de lado os seus sentimentos negativos.
Andrew fitou Roxanne com pesar, apesar dequerer mais do que tudo a paz, não podia deixar de lado a sua sede de vingança por tudo aquilo que fizeram a ele.
— Sinto muito Roxanne, não posso deixar tudo de lado agora. Preciso saber quem fez tal coisa comigo e com vocês, mas eu prometo que assim que tudo isso acabar, poderemos finalmente descansar.
Dessa vez foi Roxanne que o fitou com pesar. Afinal de contas dessa vez não era apenas uma ilusão, mas sim o espirito de Roxanne que visitara Andrew, retirando-o da escuridão.
— Eu não espero que esse dia chegue logo, afinal de contas isso significaria a sua morte e você ainda tem muito que viver. Só precisa saber uma coisa, Aquele que nos destruiu é muito poderoso, não se esqueça disso ou morrerá.
“Assim como você ele poderes inigualáveis, porém ainda mais fortes, pois o controle sobre o seu demônio interior é perfeito. Os seus poderes também são fortes, porém você ainda precisa aprender a controla-los caso contrario perecerá não somente para seus inimigos, mas também para a criatura.”
“Desta vez eu o ajudarei, mas terá de percorrer o caminho sozinho a partir de agora. Encontre os outros elementais e faça-os juntar a você para que juntos vocês possam derrota-los”
Andrew ficou confuso.
— Eles? Quem são eles? Refere-se aqueles que me prenderam aqui?
— Isso você sozinho terá que descobrir. O meu tempo aqui acabou. Vou me fundir a você para que possa retomar a seu corpo, mas lembre-se: A menor distração pode ser fatal. A partir de agora não mais poderá se dar ao luxo de se dominar pelas suas emoções ou poderá perder a consciência e desta vez poderá ser fatal. Adeus meu amor. Nos veremos depois.
Com um beijo Roxanne terminou a despedida e começou a brilhar. Esta luz penetrou em todo o corpo de Andrew.
**
Sophie estava sem saída. Suas forças se esgotaram e agora pereceria nas mãos de tal monstro. Já não mais possuía energia para o mais simples feitiço enquanto que Fésius continuava a brincar com ela, mandando soldados mortos contra ela.
De repente viu Fésius estremecer e seus soldados caírem. Ele começou a urrar e logo começou a brilhar. Aos poucos as suas feições foram mudando e seu corpo transmutando novamente no corpo humano de Andrew. Brilhando ele mais parecia que estava possuído por algum tipo de força. Suas feições estavam mais confiantes. Era quase como se tivesse sido substituído por outro.
Erguendo o braço fez com que a sua luz cobrisse todo o lugar fazendo com que a luz cobrisse todo o lugar evaporando o exercito dos mortos e fazendo com que as suas almas se projetassem diante dele. Todas sorriam felizes pois finalmente foram libertas.
A luz também removeu a forma bestial de Sophie e Sebastian e curou ambos, porém o esgotamento de Sophie ainda era forte e ela aos poucos foi perdendo a consciência mas não sem antes escutar as ultimas palavras de Andrew e desmaiar.
— Eu sou a vida, eu sou luz. Eu sou a cura, eu sou o poder. Eu sou o panteão da luz, Eu sou Andrew!
Por fim Sophie perdeu a consciência mergulhando na luz de belos sonhos. Era a primeira vez que se sentira tão bem, mesmo que tivesse caído frente ao inimigo.
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