A ilha infernal

3 Inimigo Duplo


Uma semana após sair depois do hospital, Andrew foi convocado para dar depoimento sobre o que havia acontecido. Sem saber o que dizer acabou apenas piorando a situação ao dizer que não sabia de nada. Tudo estava contra ele, nas fotografias dava para vê-lo ensopado de sangue ao lado do cadáver de sua família. Ao que parecia o delegado parecia ter certa antipatia por ele.

Olhando fixamente para o delegado percebeu que seu maxilar estava retesado o só serviu para aumentar o nervosismo de Andrew. A qualquer momento o delegado poderia simplesmente atacá-lo a qualquer momento sem que ninguém visse.

– Miserável! Como você pode afirmar que não fez nada, é muita audácia da sua parte negar com tantas evidencias. Mas sabe de qualquer forma você está ferrado. Não há juiz que possa lhe salvar. Se confessar a sua culpa agora talvez você escape da pena de morte.

Andrew continuou em silencio e o delegado finalmente desistiu.

– Cara eu bem que tentei, mas parece que você está determinado a morrer. Na sua situação acho que eu faria a mesma coisa. Bom você esperará o julgamento em regime fechado e garanto que enquanto estiver aqui, terá o tratamento especial de Luke.

Com uma risada teatral Luke acenou para o guarda que algemou Andrew e o levou para fora. Antes que saísse Andrew disse a primeira frase em muito tempo.

– Eu não matei a minha família delegada, mas se vai fazê-lo se sentir melhor eu não pretendo reagir a qualquer punição que pretenda me aplicar. Eu já perdi tudo o que me era importante e agora não tenho mais nada a temer então, espero que sejamos bons amigos.

O delegado o encarou incrédulo e pulou em cima dele. Porem foi contido pelo guarda que estava ao lado de Andrew. A habilidade do mesmo o surpreendeu, pois ele extremamente rápido.

– Aconselho a não agir por impulsos Luke, sabe que a qualquer momento podem entrar aqui e vir atrás de nós e você não quer isso quer?

Andrew fitou o guarda que o olhou com um olhar cruel no rosto

– Certamente que esse maldito receberá tudo o que merece então, por favor, se contenha.

Luke olhou sadicamente para Andrew. Andrew sentiu um calafrio e sabia que algo grave estava para acontecer. Exatamente como acontecera com a sua família. Se estivesse certo sabia que teria que tomar bastante cuidado ou certamente mais gente poderia se machucar ou até pior, mais pessoas poderiam morrer.

– Certo, Certo leve-o ele daqui. Não quero olhar para cara desse maldito tão cedo. Veremos-nos depois seu monstro maldito.

O guarda algemou Andrew e levou-o corredor afora. Luke olhou pensativo para a porta e pegou o telefone. Uma voz feminina atendeu falou do outro lado da linha.

O que foi? Já disse para não usar esse numero

– Perdão, é que eu preciso falar urgente com o chefe!

– Ele está ocupado...

A voz da mulher foi cortada brutalmente e uma voz grave tomou o seu lugar

– Espero que seja algo muito importante para você ter tido a coragem de desobedecer as minhas ordens!

– Desculpe-me meu senhor, mas isso é de extrema importância. Nós o pegamos

Um silêncio emanou da outra linha e Luke sabia que o chefe estava num momento de ansiedade.

Isto é verdade?

É claro, eu nunca mentiria para o senhor. Eu o tenho sobre o meu poder...

Já basta! Não sabemos se esta linha está grampeada então não me ligue de novo. Logo os meus planos estarão completos. Provavelmente ainda precisarei de você então esteja sempre em alerta.

– Sim, meu senhor.

Passada uma semana desde que Andrew fora preso, o dia de seu julgamento finalmente estava chegando. Estava tenso, pois não tinha nada em favor dele. Para piorar a situação estava com a mesma sensação de antes de sua esposa morrer. Sabia que algo ia acontecer e certamente seria algo grave.

O guarda de antes voltou, seu olhar sério como sempre. Pela primeira vez desde que chegou ele olhou diretamente para Andrew que percebeu que seus olhos eram de cores diferentes. Um deles era verde e o outro vermelho.

– Olá Andrew. Como você bem deve estar ciente, o dia do seu julgamento está chegando, e como diz a lei você tem direito a um advogado. Caso não tenha dinheiro para pagar um o estado o mandará. Claro, você tem direito a recusa, mas acredito que nem mesmo você seria tão idiota.

Andrew fitou o guarda, desde que acordara no hospital só tem visto hostilidade e sendo tratado como um monstro, coisa que tinha certeza de que não era. E esse guarda parecia sempre estar pensando em como fazê-lo sofrer. Junto com Luke, haviam conseguido tornar a vida dele um inferno, mesmo sem agredi-lo verbal ou fisicamente. Durante a semana pegara os trabalhos mais difíceis, e sempre sua refeição era colocada em porções menores que raramente o satisfaziam.

– Sim, claro. Embora não saiba ao certo o porquê de eu me preocupar tanto. Acho que não me servirá de nada, pois ao que tudo indica vocês já tomaram a sua decisão, mas, não custa nada tentar.

Andrew viu um traço de loucura passar pelos olhos do guarda mais ele conseguiu se controlar rapidamente o que deixou Andrew surpreso, pois imaginara que o guarda certamente arrancaria a sua cabeça ali mesmo.

– Você até que parece calmo para alguém que pode ser condenado a morte não é mesmo Andrew? A propósito, peço que perdoe os meus modos ou a falta deles, eu ainda não me apresentei a você. Me chamo Arlan e como pode ver eu tenho heterocromia não que isso seja um problema claro. Bom e então, você tem algum dinheiro ou vai querer um advogado do estado?

Pela primeira vez em muito tempo, recebera algo além de hostilidade. Por mais falso que fosse pelo menos Arlan estava sendo agradável.

Andrew o e logo percebeu um leve indicio de impaciência em sua compostura.

– Não tenho dinheiro sobrando, certamente que o estado não se importará de me mandar um advogado. A propósito Arlan, eu nunca ouvi nenhum nome assim antes, de onde você é?

Arlan chutou as grades da cela. A fúria estava evidente em seus olhos.

– Por que você acha que você tem o direito de me perguntar algo assim?! Você não tem relação alguma comigo! Não tem o direito de perguntar nada!

Andrew se assustou ainda mais, pois, logo em seguida Arlan começou a apertar a cabeça e caiu de joelhos arquejando. Quando se levantou percebeu que voltara ao seu estado normal de espírito, calado e indiferente.

Saindo a passos largos, deixou Andrew com seus pensamentos. O que diabos acabou de acontecer? Pensou Andrew consigo mesmo. Percebeu a partir deste acontecimento de que enquanto estivesse naquele lugar, teria de ser extremamente cauteloso, pois, ao que parecia tanto Arlan quanto Luke tramavam contra ele. Ele percebeu que teria de sobreviver a um inimigo duplo.