A ilha infernal
4 Julgamento
Passada uma semana desde o estranho episódio com Arlan, chegara o dia do julgamento. Finalmente Andrew poderia tirar esse peso dos ombros, embora soubesse que provavelmente algo terrível fosse acontecer. De qualquer a espera da ultima semana quase o havia enlouquecido. Devido ao fato de estar sozinho em uma cela silenciosa, pensava todo o tempo em sua família, e em como possivelmente poderia ter sido ele o autor do crime a tirara dele.
Arlan chegou tirando-o de seus devaneios
– Está na hora, terá 15 minutos para se reunir com o seu advogado. Creio que é tempo suficiente para bolar uma estratégia de defesa, não que vá adiantar muito, mas a lei nos obriga.
Andrew fitou Arlan que sorria de orelha a orelha, um sorriso vitorioso e orgulhoso, como quem acabara de ganha um premio há muito desejado. Seu olhar mais parecia o de um leão que acabara de agarrar a sua presa, prestes a destroçá-la entre seus dentes.
– Tudo bem, estou pronto.
Arlan colocou as algemas em Andrew e seguiu levando-o até uma pequena sala. Chegando lá, um velho homem os esperava.
Andrew percebeu que deveria ter em torno de 55 anos embora a barba um pouco longa demais deixasse a impressão de ele passar dos 70.
Ao entrar na sala o advogado fitou Andrew com um olhar calmo e penoso, o que preocupou um pouco Andrew, pois, sempre os advogados demonstravam segurança e confiança aos seus clientes. Este porem apenas demonstrava pena, como se apenas de saber quem era já houvesse desistido.
– Ah, Sr. Arlan, este é o meu cliente?
– Sim, Andrew. Até o julgamento daqui a 3 horas ele será o seu cliente. Veja o que pode fazer.
Arlan saiu da sala e Andrew sentou-se de frente para o advogado. Foi um longo momento de silencio com um avaliando o outro. O advogado novamente fez a expressão de pena de quando Andrew entrou
– Meu amigo, creio que a única saída para você será alegar insanidade, pelo menos você passará o resto da vida num hospício se tiver sorte. Há mais de 90% de chances de você ser condenado a morte. Então a escolha é sua.
Andrew fitou o advogado incrédulo. Antes mesmo de tentar já havia desistido. Dera a Andrew duas opções ridículas. Ou passava o resto da vida sendo tratado como um insano que matou a sua família sendo hostilizado por todos ou ser morto.
– Você tem certeza disso? É realmente impossível me salvar dessa?
Foi à vez de o advogado fitar Andrew incredulamente.
– Você acha que tem salvação? Você foi fotografado ao lado dos cadáveres de sua família completamente ensangüentado, só mesmo um milagre para te salvar.
Andrew respirou fundo por um minuto e resolveu confiar nele. Afinal de contas a sua situação não poderia ficar pior.
**
Finalmente chegara o dia do julgamento. Andrew fora escoltado por um longo corredor. A sala em que ocorreria o julgamento era ampla e estava lotada. Dentre as pessoas que consegui visualizar estavam os seus antigos companheiros de serviço, algumas pessoas do bar, o pai de Roxanne que o olhava com ódio, os amigos de Matthew acompanhados de seus pais que pareciam ainda não acreditar no que estava acontecendo. Uma pequena corrente passou por Andrew que teve um calafrio, pois, sabia que isso poderia ser um sinal agourento.
Andrew sentou-se ao lado de seu advogado que o olhava com calma. De certa forma acabara simpatizando-se com Andrew e parecia estar com uma chama renovada depois de toda a conversa que tiveram.
O juiz se levantou e todos fizeram o mesmo.
– A corte está em sessão.
Um homem alto entrou trazendo uma bíblia e pediu a Andrew que colocasse a sua mão direita sobre ela.
– Sr Andrew, o senhor jura dizer apenas a verdade, somente a verdade e nada além da verdade.
– Eu juro.
– Pois então comecemos. Tragam a primeira testemunha.
O primeiro a entrar foi um antigo amigo de Andrew, Dan. Ele se sentou e tossiu em um pano. Imediatamente Andrew notou o sangue e descobriu que Dan era um tubérculo.
Pouco depois outro homem vestindo smoking entrou. Provavelmente era o advogado da acusação. Ele imediatamente apontou para Dan e sem rodeios disse
– Senhor Daniel, conte-nos como era a relação entre Andrew e a falecida Roxanne.
O rapaz se levantou fez o juramento e por fim sentou-se novamente antes prosseguir.
– Eram como motoqueiros selvagens, sabe? Eles eram um casal digamos... Diferentes
“Não estavam nem aí para nada, não ligavam para a opinião alheia sobre eles e por fim, era um casal que dava gosto de ver. O filho deles então. Não era muito diferente deles...”
Parou e teve um acesso de tosse que resultou em mais uma perda de sangue devido a tuberculose. Imediatamente pegou o seu pano e o levou a boca.
Embora ainda não soubesse o que viria a seguir, Andrew se preocupou com o amigo pois sabia que essa era uma doença mortal. Por fim, Dan se recompôs e retomou a fala.
– Desculpe-me. – O juiz balançou a mão dispensando o pedido de desculpas e pediu para que continuasse com o depoimento. – Enfim. O filho deles adquiriu uma personalidade própria: enquanto que os dois eram “quentes” quase o tempo todo e bem energéticos, Mathew era bem calmo, as vezes até demais. O que surpreendia era que quando queria, dava conta de ser pior que os dois juntos.
“Eles raramente brigavam, até mesmo Mathew raramente tomava uma bronca. Tinha sempre excelentes notas, quase sempre era o numero um da turma e não havia uma única matéria que o atrapalhava.
Ele tossiu mais uma vez antes de se retirar e o juiz lançou um sorriso divertido para Dan. Motoqueiros selvagens? Eu ia adorar ver isso. Pensou o juiz antes de se voltar para Andrew.
– A defesa tem alguma testemunha a chamar?
O advogado de Andrew fez que não e tornou a sentar-se. A verdade era que Andrew estava sozinho nesta. Os pais de sua esposa tinham mais do que certeza de que ele a havia matado. Seus colegas de serviço com exceção de Dan sequer apareceram para tentar dar uma força. O único lado bom é que Dan, seu mais antigo colega de trabalho aparecera e dera uma declaração que mesmo neutra, não deixa tresparecer nada que pudesse piorar a situação ainda mais.
Em seguida foi chamada a segunda testemunha. Uma vizinha antiga amiga da família. Andrew sabia que nenhum deles revelou serem seus amigos caso contrario poderiam ser impedidos de depor. Logo depois de fazer o juramento sentou-se e olhou para Andrew com pesar. Imediatamente Andrew percebeu que ela não deporia a seu favor o que fez uma centelha de raiva crescer dentro de si. Sentiu uma estranha sensação na região umbilical, porém a ignorou.
O advogado de Andrew fez a pergunta para ela e sua resposta não foi nada agradável. Ela se revelou ser apenas uma mocreia falsa que se fazia passar por amiga, mas na verdade adoraria dar uma facada nele. Aquele olhar que ela lhe lançou poderia ser apenas um pesar de que pudesse ser inocentado.
A raiva foi crescendo e a sensação foi piorando. Sua visão começou a ficar manchada. Algo estava muito errado. Quando olhou para os lados percebeu que os olhos de Luke e Arlan demonstravam uma satisfação crescente a medida que o seu sofrimento aumentava. Algo estava acontecendo e parecia ser tudo plano dos dois.
– Sr. Andrew, está tudo bem?
– Não, algo está muito errado... Eu não sei o que está acontecendo, mas é uma dor muito forte. Eu não estou enxergando nada...
Andrew soltou um grito de dor em seguida foi perdendo a consciência aos poucos.
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