A ilha infernal
11 Inferno
Notas iniciais
Andrew estava com um mau pressentimento. Desde que saíra da sala uma vertigem forte o atingiu quase o derrubando, não fosse pela porta teria caído feio. Resolveu sentar-se e por fim a vertigem passou. Logo depois sentiu algo inquieto dentro de si. Era como um pulso acelerado, algo não estava certo. De repente ouviu uma voz rouca em sua cabeça.
—Está vindo! Aquele o qual domina os poderes dos demônios está vindo. Logo o inferno subirá a terra e não haverá nada que você possa fazer para impedir. Aquele que domina a outra metade de minha alma está se aproximando. O destino está para se cumprir.
Imediatamente Andrew identificou o dono da voz. Era Fésius. Depois disso ele não falou mais nada e as suas palavras o deixaram ainda mais inquieto. [...] o inferno subirá a terra [...] Afinal o que diabos estava acontecendo.
Sabendo que ficar em pé não adiantaria nada resolveu dar uma volta. Sebastian estava conversando com Sophie e Andrew não queria interromper. Ficara extremamente chocado quando descobriu que Sophie era ninguém menos que a filha de Sebastian. O motivo de tanta raiva por parte dela nenhum dos dois revelara, mas sabia que na hora certa Sebastian revelaria. Escreveu uma carta e deixou no balcão do hospital e quando saiu um zumbido forte ecoou em seus ouvidos. Tão alto que quase o fez desmaiar.
“isso já está ficando chato” pensou Andrew. Já era a segunda que quase desmaiara. Por fim saindo do hospital, pegou a trilha que levava a floresta. Era uma vista deslumbrante durante o dia e mesmo com as memorias daqueles monstros, conseguia aproveitar o lugar. A floresta era uma mistura de cores, as arvores eram de um verde maravilhoso. O céu estava totalmente limpo. Alguns insetos de cores exóticas voavam por ali e assustados voaram rapidamente para longe. Alguns pássaros voavam por ali e curiosos pousaram em arvores próximas para poder observar Andrew. Era a primeira vez em meses que saíra do hospital. Era a primeira vez desde a tragédia que lhe roubou tudo que se sentia realmente bem. Foi quando ficou tenso ao ouvir a voz de Fésius novamente em sua cabeça.
— Você está relaxando, não pense que só porque está tudo calmo que pode se dar ao luxo de relaxar. Ele está vindo e quando aparecer acabará com você como se fosse uma simples formiga.
— Cala a porra da boca! Monstro desgraçado, quem você pensa que é para falar de mim assim?! Você roubou tudo de mim, se eu pudesse eu o mataria, mas infelizmente você está em meu corpo. É muito tentador me matar sabe, seria uma sensação maravilhosa ver você morrendo ainda que eu também morresse. Ao menos eu poderia ver novamente a minha família.
Andrew socou uma arvore e se assustou quando a mesma caiu. Não imaginava que além de seus poderes de cura, também havia adquirido tamanha força. Sentiu uma dor muito forte na cabeça e dessa vez caiu enquanto gritava de dor. Ouviu a voz enfurecida de Fésius em sua cabeça e foi quando soube que se aquilo o dominasse novamente nada poderia para-lo.
— Insolente! Você só está vivo porque eu permito, e da mesma maneira que eu o mantenho vivo, eu posso mata-lo. A sua maldita deusa interferiu da ultima vez, mas saiba que apenas um deslize é o suficiente. Infelizmente para a minha infelicidade a sua morte significa a minha ruina então para que nós dois possamos sobreviver precisaremos um do outro.
— Ah então quer dizer que se eu morrer você morre é? Talvez eu devesse cortar a minha garganta...
Um estrondo sacudiu a ilha. Imaginando o que teria causado voltou a sua caminhada. Ouviu sussurros e virou-se, porém não havia nada perto dele. Apertando o passo virou na primeira copa, porém os sussurros não pararam. Agora correndo virou mais uma vez e deu de cara com algo duro.
— Caramba, você não olha por onde anda?
— Mas que porra é essa?
Quando Andrew levantou a cabeça ficou paralisado pelo terror. Uma criatura de aparência grotesca agora o encarava. Parecia estar curiosa e veio em sua direção, porem algo a impedia, era como se uma corda pendesse em seu pescoço. Ainda assim, Andrew se sentia aterrorizado, pois sabia que a qualquer momento a corda poderia arrebentar e essa coisa acabaria com ele em questão de segundos. Forçando- se a levantar, correu o mais longe que pode, porém assim que virou a primeira copa outro monstro bizarro barrou. Este não tinha olhos e maior diferença deste para o outro é que o corpo deste era humano. O outro era mais parecido como uma arvore grande e gorda. Este em suas costas carregava dois rifles de alta precisão, apesar de Andrew não entender realmente o porquê dos rifles.
A criatura soltou uma lamuria o que arrepiou os pelos de seu braço. Mesmo de longe dava para perceber que ela estava sofrendo muito. Outra coisa chamou a atenção de Andrew: A primeira criatura, mesmo que sua fosse grande e forte estava sendo segurada apenas por uma corda que por sinal pendia apenas no ar. Essas criaturas eram realmente a mesma coisa que aqueles fantasmas de fogo.
— Ei coisa horrorosa – Gritou Andrew para Fesius. Imagino que você ainda não queira morrer não é. Então que tal se apenas dessa vez cooperássemos um com o outro? Nós dois sabemos que meus poderes de cura não ajudarão aqui. Já que você tem poderes tão grandes alguma coisa deve servir para que possamos sair desse inferno.
A criatura agora pegou os rifles com seus braços e deu um tiro certeiro entre as pernas de Andrew. Por questão de centímetros o tiro não pegou em suas genitais. Andrew olhou aterrorizado para a criatura e gritou dessa vez quase como uma suplica:
— Por favor, somente dessa vez me empreste seus poderes, eu sei que você também não quer morrer então me dá a porra de seus poderes!
—Miserável, dessa vez você está sozinho. Até que aprenda a pedir com educação para que salvem essa sua vida de merda.
E assim tudo ficou em silencio, porém para piorar a situação a outra criatura agora se juntara a esta e agora se uniram em apenas uma, aumentando ainda mais o poder de ataque. Como se não pudesse ficar pior os sussurros voltaram. Pela primeira vez Andrew percebeu o lugar em que estava e pela segunda vez sentia-se realmente desesperado. Aquele lugar era o inferno na terra.
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