Notas iniciais
Oi galera linda, vocês que tem comentado até aqui, muito obrigada de verdade. Cada um de vocês faz o meu dia um pouco mais feliz quando vejo um comentário novo ♥ Esse capítulo ficou bem fofinho, na minha humilde opinião aqui. Depois me digam se concordam.

Não era a primeira vez que fazia alguma coisa com Midoriya e os outros, principalmente nos últimos tempos. No começo, achou que seria uma boa oportunidade de entrosamento, então as propostas foram ficando cada vez mais frequentes e ele se via mais inclinado a passar o tempo com o garoto e seus amigos. Entretanto, Shoto ainda não tinha exatamente certeza do motivo de ter aceitado o grupo de estudos de sábado, mesmo tendo clara preferência por fazer isso sozinho.

Sentou com eles durante o almoço. Uraraka tinha um curativo grande na testa, o qual segundo ela, havia sido fruto de uma queda durante a perseguição a um vilão que tentou roubar uma joalheria próxima ao local de sua ronda. Asui, que também tinha se juntado ao grupo, estava explicando aos meninos alguns detalhes muito específicos do funcionamento interno da marinha.

Como já havia acabado de comer, Shoto se ateve a observar as expressões faciais de Midoriya enquanto a conversa se desenrolava. Desde o festival esportivo, passou a notar a frequência com a qual o fazia espontaneamente. Na verdade, era como se houvesse algo em relação ao rapaz que estivesse fora do comum, como se a própria presença dele emanasse um certo carisma inconsciente, o qual talvez pudesse classificar como inspirador. Sobre isso, não podia evitar de se sentir, ao mesmo tempo, intrigado e frustrado.

Assim que todos terminaram de comer e arrumar as próprias coisas, seguiram para o lugar marcado. Não era assim tão próximo de Uraraka tanto quanto dos meninos, por isso desculpou-se pela intromissão assim que ela acendeu a luz, convidando ao interior de seu quarto, antes de instruí-los a deixar as mochilas em cima da cama.

Em torno da pequena mesa no chão, suficiente apenas para que colocassem os materiais de estudos, sentou-se ao lado de Midoriya e de frente para as meninas. Iida, por ser maior e mais espaçoso, ficou no canto próximo da estante onde havia uma televisão. Por um instante, todos permaneceram quietos, esperando que alguém começasse.

— T-Todoroki-kun — Midoriya o chamou com uma voz trêmula, atraindo a atenção do grupo inteiro para os dois. — Por que está de uniforme no sábado?

— Pensei que por ser uma atividade de estudos… — Começou uma explicação baseada em sua lógica. Olhando em volta, ele era o único que não usava roupas casuais. — Talvez eu tenha cometido um erro de interpretação...

— Na verdade — Iida o interrompeu. Tinha uma expressão que misturava culpa e obstinação. — Acredito que você está mais certo que o resto de nós. — Então virou-se na direção das meninas e se curvou sobre as pernas de forma que sua testa tocou o chão tão próxima a Asui que ela se moveu para trás assustada. — Uraraka-san, perdão por ter vindo ao seu quarto com roupas tão impertinentes. Como representante de turma, eu…

— Não precisa se preocupar! — Uraraka o acalmou em uma voz fina e então levantou-se, buscou um caderno em sua mochila e o colocou em cima da mesa. — Antes que isso fique mais estranho ainda, nós viemos aqui para estudar, não para discutir estilos de roupa, infelizmente. E eu não tenho nem ideia de como começar.

— Sobre isso… — Midoriya prosseguiu, também retirando um caderno azul-escuro da bolsa, cheio de marcações entre páginas, e o abrindo em um ponto específico onde alguns tópicos estavam grifados em cores diferentes. — Como eu tive bastante tempo essa semana, resolvi fazer anotações de toda a matéria, destacando as partes que podem ser importantes, as coisas que não consegui entender e alguns exercícios que podem ajudar.

— Parece bem metódico. — Assui pontuou, olhando o caderno de cabeça para baixo.

— Wow! Um verdadeiro caderno de um nerd. — Uraraka virou o conteúdo para si com olhos brilhantes. — Posso copiar isso aqui?

Um sorriso se formou em seu rosto com a confirmação do rapaz. No fim das contas, porém, as partes marcadas como “não consegui entender” eram a maioria do que estava ali e Shoto precisou dar algumas explicações antes mesmo que eles conseguissem começar os estudos. Era interessante o quanto os olhos de todos, principalmente de Midoriya, pareciam bastante focados no que ele tinha para dizer. Foi interrompido vez ou outra com perguntas e precisou pensar e reler suas próprias anotações antes de responder algumas. Concluiu que não era assim tão sem importância o que estavam fazendo afinal.

As horas se passaram nesse mesmo ritmo: em alguns momentos o grupo se juntava para discutir algo, em outros, todos ficavam quietos resolvendo as questões que o garoto trouxera como referência. Havia também ocasiões em que Shoto ou até mesmo Asui, que revelou saber quase tanto quanto ele, explicavam alguma coisa especificamente para alguém.

Quando se deram conta, já havia anoitecido e ninguém mais conseguia prestar muita atenção no que estava fazendo. Resolveram parar por ali. Estavam longe de ter visto a matéria inteira até as provas de meio de período, mas já era um começo razoável. Então o grupo decidiu relaxar um pouco, antes de voltar cada um para seu cômodo, quando Uraraka ofereceu que ficassem mais à vontade, assim que os materiais estavam todos guardados.

Shoto recostou-se na beirada da cama, psicologicamente cansado, e apoiou as mãos nos joelhos admirando-se de como o clima entre eles estava bem mais descontraído depois dessa tarde. Iida, ainda no mesmo lugar sobre a mesa, mexia tranquilamente no celular, enquanto Uraraka e Asui estavam de pé conversando sobre revistas e mercado de trabalho. Midoriya se ajeitou ao seu lado. murmurava alguma coisa que percebeu se tratar de química e o tempo para outras matérias, mas não foi possível entender exatamente o que ele começou a contar nos dedos, parecendo preocupado.

— Falando nisso! — Uraraka aumentou o volume da própria voz para que todos pudessem se voltar para ela. Foi até a escrivaninha e retirou alguma coisa que, de onde estava, Shoto não podia distinguir para além do barulho de uma embalagem de plástico. — Eu tinha comprado isso para vocês e quase me esqueci.

Uma por uma, distribuiu aleatoriamente embalagens coloridas do que parecia ser algum doce em formato redondo. Shoto ficou com a amarela e o rapaz ao seu lado com uma azul-clara. Por fim, a garota pegou uma para si, parecendo satisfeita. Olhando mais de perto, a letra estilizada indicava que eram balas azedas com sabores tropicais e que para ele tinha sido escolhida a de abacaxi.

— Sabor amora... Essas balas não são caras? — Asui protestou com um pacote roxo nas mãos.

— Eu sempre quis provar. — Uraraka deu de ombros. — E agora que tenho dois empregos, resolvi que iria me agradar um pouco e comprei um saco cheio delas. Iida-kun deu sorte, porque a vermelha de melancia é a mais gostosa.

Shoto notou que Midoriya não estava falando nada, virou-se na sua direção disposto a perguntar o que significava a cor escolhida para ele, mas viu-o apenas encarando o pacote nas palmas das mãos com as bochechas vermelhas, parecendo tenso. Não conseguiu dizer nada. Fechou os dedos ao redor da própria bala, tentando compreender por que sentia um embrulho no estômago.

— Midoriya-kun. — Iida retirou o rapaz de seus pensamentos. — O que quer dizer azul-claro?

— Ah! — Shoto viu-o olhar para a própria bala como se estivesse realmente notando o que era pela primeira vez. Após aproximá-la do rosto, prosseguiu. — Ma-maracujá, não conheço.

— Essa é a mais forte! — Uraraka interrompeu. — Parece que ela mastiga a sua língua enquanto você come!

A feição do garoto à sua frente mudou para assustada conforme ele retornava o olhar para o doce na palma da mão. Em uma atitude sem pensar, Shoto tirou a embalagem azul das mãos dele e colocou a amarela no lugar, anunciando brevemente que trocaria os sabores. Antes que Midoriya pudesse fazer qualquer tipo de protesto, abriu a embalagem e colocou a bala na boca. Quase imediatamente, a língua ficou dormente e dolorida.

— Wow, Todoroki-kun está fazendo cara feia!

Ouviu-o anunciar surpreso, antes de soltar uma gargalhada enquanto experimentava o doce de abacaxi. O azedo da bala realmente era horrível, o riso do garoto à sua frente não. Limpou as lágrimas que vieram aos olhos algumas vezes antes que o gosto fosse amenizando para algo mais suave no interior. Ficou mesmo grato quando acabou.

— Já está tarde. — Iida anunciou ao mesmo tempo em que levantava. — Acho que vou voltar para o meu quarto e dormir.

— Nós também. — Midoriya levantou o braço incluindo também o rapaz ao lado. Puseram-se de pé ao mesmo tempo e foram para perto da porta junto ao outro. — Muito obrigado pela hospitalidade, Uraraka-san.

— Eu vou ficar. — Asui estava de pernas cruzadas em cima da cama e apontou para a própria mochila. — Trouxe as coisas para dormir aqui.

Após as despedidas, não demorou para que os meninos juntassem as próprias coisas antes de Uraraka abrir a porta para eles e agradecer pelos estudos. Seguiram pelo corredor enquanto conversavam coisas aleatórias até chegarem ao elevador, onde entrou junto com os dois, embora eles fossem descer e Shoto subir. Assim que Iida se despediu, ficou sozinho com Midoriya.

— Muito obrigado por hoje, de verdade. — O rapaz tinha uma expressão amena. — Eu queria me desculpar por ter tomado seu tempo ensinando a gente, mas foi mesmo de muita ajuda. — Então ele baixou os olhos e segurou os próprios dedos. — Q-quer dizer, acho que era de se esperar do Todoroki-kun, sempre tão legal… e inteligente…

Antes que ele pudesse continuar ou o outro rapaz pudesse responder, a porta do segundo pavimento se abriu. Midoriya acenou com uma das mãos e seguiu apressado pelo corredor. Sozinho, Shoto apertou o botão do último andar, pensativo. Era como se algo no garoto fosse diferente de todas as outras pessoas, mas não conseguia dizer o que. Sobretudo, podia dizer que estava confuso. Quando o elevador parou e ele pôde seguir para a quietude de seu quarto, alcançou com a ponta dos dedos a embalagem azul-clara, que ainda repousava no fundo do bolso.

Notas finais
:)