Notas iniciais
Esta fanfic é um presente para minha amiga Leeh, mas eu espero que todos que chegaram até aqui gostem do que eu criei.
Boa leitura!

Eu nunca conheci meus avós, mas sabia a história da minha mãe. Seu nome de solteira era Renée Higginbotham, Renée Swan após o casamento com meu pai. Esta união, nunca teve a aprovação dos pais dela; eles foram uma das famílias pioneiras no oeste americano e, por isso, eram donos de grandes lotes de terras. O fato do meu pai ser xerife não agradou os dois, apesar de ser uma profissão honesta e respeitada, eles sonhavam com um herdeiro como marido da única filha e, quando meus pais insistiram no casamento, os Higginbotham cortaram completamente o contato com nossa família. Portanto, tamanha foi minha surpresa quando o advogado deles me encontrou.

Era uma terça-feira normal, como qualquer outra, eu estava sentada no sofá da sala bordando; meu pai, na poltrona ao meu lado, lia um jornal e, logo mais, ele estaria de saída para o trabalho na delegacia. Na cozinha, nossa única criada recolhia os restos do desjejum, mas o chamado à porta a obrigou a parar para atendê-lo.

— Bom dia, estou à procura da Srta. Isabella Swan. Ela se encontra?

Achei aquilo estranho, eu não estava esperando ninguém e nem reconhecia a voz do visitante. Eu e meu pai trocamos um olhar confuso. Levantei-me do sofá e corri até a entrada, antes que a criada pudesse responder qualquer outra coisa ou retornar para me chamar.

— Sou eu. – Me anunciei ao homem de aparência tão desconhecida por mim quanto sua voz.

— Bom dia, Srta. Swan. Me chamo Jason Scott, sou advogado e estou aqui em nome de Phillip e Marie Higginbotham, seus avós.

— O que eles querem com a minha filha? – Meu pai se materializou do meu lado.

— Infelizmente, Srta. Swan, não sou portador de boas notícias. – O advogado prosseguiu, enfatizando que se referia apenas a mim.

— O que houve?

— Seus avós faleceram, eu sinto muito.

As condolências dele não me comoviam, afinal aquelas pessoas nunca foram mais do que desconhecidos para mim.

— E o senhor me procurou para cuidar do enterro, estou correta? – Tentei adivinhar. Seria uma dor de cabeça que eu não gostaria de ter por quem nunca quis saber de mim, mas eu não conseguia imaginar outro motivo para ter aquele advogado à minha porta.

— Na verdade não. Eu gostaria de ter encontrado a senhorita a tempo de velar seus avós e lamento muito por ter falhado, mas eles já se foram há alguns dias e os colonos da fazenda cuidaram de toda esta parte, eles eram patrões muito queridos.

— Então, o que traz o senhor aqui?

— Eu vim buscar a senhorita para tomar posse da fazenda e da conta bancária dos Higginbotham.

— Como?

— A senhorita é a única herdeira dos seus avós, portanto todas as posses deles agora são suas.

— Isso não é possível! – Minha voz não passava de um sussurro.

— Tem certeza de que não existe um testamento, onde eles nomeiam outro herdeiro? – Papai interveio.

— Na verdade o testamento existe. – O advogado Scott abriu sua pasta e retirou um papel. – Ele está bem aqui e é bem claro quanto a deixar tudo para a única neta dos Higginbotham.

— Por quê? Essas pessoas nunca quiseram me conhecer, cortaram contato com a minha mãe! – Recuperei a minha voz. – Por que eles deixariam toda a fortuna deles para mim?

— Na verdade, Srta. Swan, seus avós se arrependeram da briga com sua mãe alguns anos depois e vieram procurar por ela, mas quando chegaram na cidade descobriram que a Sra. Renée havia falecido fazia alguns meses. – Scott explicou. – Eles também ficaram sabendo da existência da senhorita, que na época era apenas uma criança, mas o remorso por terem perdido a filha os impediu de procurá-la. Ainda assim, seus avós quiserem deixar toda sua fortuna para sua única descendente.

— Você não é obrigada a aceitar essa herança se não quiser, filha. – Meu pai tocou meu ombro suavemente, num gesto de acolhimento.

— Na verdade, Sr. Swan, não é sobre aceitar ou não, todos os bens já pertencem a sua filha. – O advogado interrompeu. – Eu só preciso que ela assine aqui para reconhecer que foi informada sobre a herança. – Ele retirou outro papel de dentro da pasta. – A senhorita sabe escrever?

— É claro que sei! – Declarei, ofendida com sua pergunta.

Obviamente, eu conhecia a realidade injusta para mulheres da sociedade em que vivíamos. Mas por Deus! Estávamos quase no século XX, não era mais tão raro assim uma mulher ser alfabetizada. Pelo contrário! Estava cada vez mais comum a presença de mulheres em cursos universitários.

— Então, se minha filha não quiser essa herança maldita não há nada que ela possa fazer? – Meu pai perguntou, enquanto eu levava o documento do advogado até a escrivaninha perto da porta para assiná-lo.

Ele esperou que eu retornasse para responder à pergunta que fora feita.

— A fazenda ainda está ativa e em pleno funcionamento, está gerando custos. Há salários a serem pagos, impostos e afins, sem a presença de um proprietário os negócios ficarão parados e a fazenda não vai gerar novos lucros. Então, quando as despesas virarem dívidas o banco poderá mexer na conta bancária dos Higginbotham e quando esta zerar, todas as dívidas da fazenda serão cobradas à senhorita. – O advogado explicou, se dirigindo a mim.

— Então, quais são minhas opções?

— Se a senhorita não quiser mesmo se envolver diretamente com as terras, pode me conceder uma procuração para que, em seu nome, eu cuide da demissão de todos os funcionários, da soltura do gado na natureza e então a fazenda ainda será sua, mas ficará abandonada e improdutiva até que outra pessoa reivindique a terra. E eu mesmo posso elaborar o documento, se for do seu interesse.

— Não, eu não posso ser responsável pela demissão dos colonos, por tirar o sustento de todas as pessoas que dependem dessa fazenda! Eu tenho outras opções?

— É possível vender, mas seria preciso fazer um inventário de todos os bens da herança para quantificar valores. Eu também posso cuidar dessa parte, mas levará tempo, e enquanto isso ainda será preciso cuidar da administração da fazenda para que ela não perca valor comercial. – Ele fez uma pausa para tomar um ar. – A senhorita também pode doar a fazenda, é claro. Esta seria a maneira mais rápida de se livrar da propriedade, porém eu não posso indicar um beneficiário neste caso. Toda a decisão tem que ser tomada pela senhorita. Como eu disse antes, os bens já lhe pertencem.

Notas finais
Se você chegou até aqui deixe um comentário me dizendo o que achou deste prólogo =)

A primeira parte do enredo já está sendo revisada e pretendo voltar em breve com o capítulo para vocês!