A herdeira das Sombras: entre luz e sombras
6 capítulo 6 - Lykaios?
A noite em Solaria parecia mais densa do que o habitual. Luna e Meissa estavam à beira de um lago sereno, onde as águas refletiam as estrelas. O jovem recém-chegado, que desmaiara em seus braços, repousava sobre um cobertor improvisado. A respiração dele era irregular, mas ainda estava vivo.
Luna observava cada movimento da floresta ao redor, enquanto Meissa tentava acalmar os próprios pensamentos. O aviso do rapaz continuava ecoando em suas mentes: "Eles sabem o que vocês são."
- Meissa, por que alguém diria algo assim? — perguntou Luna, a voz baixa, mas carregada de preocupação. — Ele parecia nos conhecer.
Meissa, sentada ao lado do rapaz, ajustava um pano úmido sobre a testa dele.
- Talvez não seja sobre quem somos, mas sobre o que estamos envolvidos. — Ela olhou para Luna com seriedade. — Esse lugar, essas histórias antigas... talvez tenha mais verdade nelas do que pensamos.
Antes que Luna pudesse responder, o jovem abriu os olhos. Ele parecia desorientado, mas a urgência voltou ao seu olhar assim que reconheceu Luna e Meissa.
- Vocês precisam sair daqui... agora! — Ele tentou se levantar, mas caiu novamente, vencido pelo cansaço.
Luna ajoelhou-se ao lado dele, a mão segurando seu ombro para impedi-lo de se mover.
- Calma. Você está seguro. Mas precisamos de respostas. Quem é você? E por que acha que estão atrás de nós?
O rapaz respirou fundo, tentando organizar os pensamentos.
- Meu nome é Elias. — Ele olhou diretamente para Luna. — Eu vim de Seraphine... onde a magia ainda vive. Mas a Igreja está destruindo tudo. Eles... — Elias fez uma pausa, o terror em seus olhos aumentando. — Eles sabem que vocês têm potencial para desafiá-los.
Meissa arregalou os olhos, mas Luna manteve-se firme.
- E o que você sabe sobre a gente? — Luna insistiu, seu tom misturando ceticismo e curiosidade.
- Eu ouvi histórias... sussurros de quem vocês realmente são. Vocês não são só garotas normais. Vocês têm conexões com algo maior... algo que pode destruir ou salvar tudo.
Luna sentiu um nó no estômago, mas se recusava a mostrar fraqueza.
- Está falando de lendas. De boatos. Não somos ninguém importante. — Ela desviou o olhar, como se tentasse convencer a si mesma.
Elias balançou a cabeça.
- Não são lendas. As mesmas runas que protegem Seraphine... estão ligadas a vocês. Vocês precisam vir comigo. Há respostas lá. Mas... — Ele engoliu em seco, a voz trêmula. — Vocês também encontrarão perigo.
Meissa segurou o braço de Luna, como se tentasse processar tudo aquilo.
- Isso não faz sentido... por que agora? Por que nós? — Meissa murmurou, mais para si mesma do que para os outros.
Elias não respondeu. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, um grito cortou a noite. Não era humano — era algo profundo e gutural, ecoando pela floresta.
Luna e Meissa trocaram um olhar rápido. Luna já segurava sua adaga, o corpo tenso, enquanto Meissa pegava um pedaço de madeira próximo. Elias parecia congelado de medo.
- Eles... chegaram. — Sua voz era um fio de desespero.
Das sombras, figuras encapuzadas emergiram, os olhos brilhando com uma intensidade sobrenatural. Eles carregavam símbolos da Igreja em seus mantos, mas havia algo errado neles. Seus movimentos eram desumanos, como se fossem marionetes de algo maior.
- Peguem a garota — ordenou um deles, apontando para Luna.
Sem pensar duas vezes, Luna se colocou na frente de Meissa, os olhos ardendo de determinação.
- Vocês terão que passar por mim primeiro — declarou, sua voz firme como aço.
Meissa, embora assustada, sentiu o peso da responsabilidade em seus ombros. Ela se posicionou ao lado de Luna, erguendo a madeira como uma arma improvisada.
Elias tentou se levantar, mas seus ferimentos o impediram de se mover.
- Vocês não podem lutar contra eles sozinhas! — ele gritou, mas as palavras foram abafadas pelo som de um feitiço sendo conjurado.
Luna atacou primeiro, movendo-se com agilidade. Sua adaga encontrou o manto de um dos homens, mas não houve sangue — apenas um brilho de runas que protegiam o inimigo.
- Magia... — Meissa murmurou, com o coração acelerado.
Os homens avançaram, mas antes que pudessem alcançar as garotas, uma explosão de luz irrompeu na clareira. As figuras recuaram, cobrindo os olhos. Quando a luz diminuiu, uma mulher alta, de cabelos brancos como a neve, estava diante deles. Ela usava um manto simples, mas sua presença era imponente.
- Chega! — sua voz reverberou como um trovão.
Luna e Meissa ficaram imóveis, sem saber se a mulher era uma amiga ou inimiga. Os encapuzados hesitaram, mas acabaram recuando para as sombras, desaparecendo na escuridão.
A mulher voltou-se para as garotas, seu olhar penetrante.
- Vocês têm muito a aprender... e pouco tempo para isso.
Sem mais explicações, ela começou a andar na direção delas.
- Quem é você? — Luna perguntou, a desconfiança clara em sua voz.
A mulher parou, os olhos brilhando com algo que parecia conhecimento antigo.
- Meu nome é Íris, e eu vim salvar vocês do que está por vir.
O silêncio que se seguiu foi cortante, mas havia algo na presença de Íris que fez Luna e Meissa baixarem suas guardas — ao menos por um momento.
E assim, enquanto a noite se aprofundava, o destino das garotas tomava um novo rumo, mais perigoso e revelador do que elas jamais poderiam imaginar.
Continuação:
O silêncio ao redor parecia engolir cada som da noite, como se o mundo prendesse a respiração. Luna e Meissa trocavam olhares, a desconfiança visível nos rostos. Elias tentava se mover, mas estava fraco demais para se levantar.
- Salvar a gente de quê? — Luna perguntou, sua voz carregada de um misto de desafio e curiosidade. Ela ainda segurava a adaga com força, pronta para qualquer coisa.
Íris manteve-se firme, os olhos como lâminas de gelo encarando a jovem.
- De vocês mesmas. — A resposta veio como um golpe, mas antes que Luna pudesse retrucar, Íris continuou. — Vocês têm um poder que não compreendem. Se não aprenderem a controlá-lo, ele consumirá tudo ao seu redor. A Igreja sabe disso... e é por isso que estão atrás de vocês.
Meissa deu um passo à frente, segurando Luna pelo braço.
- Por que deveríamos confiar em você? Você aparece do nada, joga um monte de coisas nas nossas cabeças e espera que a gente simplesmente vá com você? — A voz dela estava cheia de nervosismo, mas também havia um toque de desafio.
Íris arqueou uma sobrancelha, como se esperasse essa reação.
- Não espero que confiem em mim. Mas olhem ao seu redor. Vocês realmente acham que têm outra escolha? — Ela apontou para Elias, que ainda gemia de dor no chão, e depois para o vazio onde os encapuzados desapareceram. — A Igreja não vai parar. E sem mim, vocês não têm chance.
Luna sentiu o coração bater mais forte. Era verdade que tudo ao redor parecia estar desmoronando, mas confiar cegamente em alguém nunca foi seu forte.
- E se for uma armadilha? — Luna sussurrou para Meissa, sem desviar os olhos de Íris.
Meissa mordeu o lábio, incerta. Finalmente, suspirou.
- Se for... a gente lida com isso. Mas agora, precisamos de respostas. E ela parece ter algumas.
Luna hesitou, mas por fim abaixou a adaga. Ela olhou para Íris, os olhos estreitados.
- Tudo bem. Mas se descobrir que você está mentindo ou nos manipulando, eu não vou hesitar.
Íris sorriu de leve, um sorriso quase triste.
- Justo.
Ela caminhou até Elias, inclinando-se para examinar seus ferimentos. Suas mãos emitiram um brilho suave, e em poucos segundos, a respiração dele começou a se estabilizar.
- O que você fez? — Meissa perguntou, surpresa.
- Magia curativa. — Íris se levantou. — Nada que vocês não possam aprender, se sobreviverem tempo suficiente.
Luna franziu a testa.
- E para onde você quer nos levar?
Íris olhou para a floresta, como se pudesse enxergar algo além do que os olhos das garotas permitiam.
- Para Lykaios.
Ao ouvir o nome, Meissa arregalou os olhos.
- Lykaios? Você está brincando. Esse lugar é um mito!
Íris lançou-lhe um olhar afiado.
- Não é. E vocês duas vão descobrir isso em breve.
Luna parecia confusa.
- Por que precisamos ir até lá? E o que tem em Lykaios que pode nos ajudar?
Íris virou-se para elas, a expressão séria.
- Lykaios não é apenas um refúgio. É o único lugar onde vocês poderão aprender sobre quem realmente são e sobre os espíritos que as escolheram. A magia de vocês não é comum, e a Igreja sabe disso. É por isso que eles estão desesperados para eliminá-las.
Luna cruzou os braços, claramente frustrada.
- Espíritos? Escolhidas? Nada disso faz sentido.
Íris suspirou, os olhos suavizando um pouco.
- Nem tudo precisa fazer sentido agora. Mas eu prometo... vocês terão suas respostas.
Antes que alguém pudesse dizer algo mais, o som de galhos quebrando chamou a atenção de todos. Íris ficou imediatamente em alerta, suas mãos brilhando com o mesmo poder de antes.
Das sombras, mais figuras encapuzadas surgiram, desta vez acompanhadas por criaturas que pareciam ser feitas de pura sombra, com olhos vermelhos brilhantes. Eles eram grotescos, suas formas se contorcendo como se estivessem em constante transformação.
- Fiquem atrás de mim! — Íris ordenou, posicionando-se entre as criaturas e o grupo.
- O que são essas coisas? — Meissa gritou, o medo evidente em sua voz.
- Marionetes das trevas — respondeu Íris, enquanto as runas brilhavam em suas mãos. — Eles foram enviados para garantir que vocês não escapem.
Luna, no entanto, não se moveu para trás. Em vez disso, ela segurou sua adaga com firmeza, os olhos fixos nas criaturas.
- Não vou simplesmente ficar assistindo. — Ela correu para o lado de Íris, pronta para lutar.
Meissa hesitou por um momento, mas logo se juntou a elas, segurando a madeira como uma arma.
Íris olhou para as duas e sorriu de leve.
- Vocês têm coragem, eu dou isso a vocês. Agora, vamos ver se conseguem sobreviver à sua primeira batalha.
E com essas palavras, a clareira foi tomada pelo caos, enquanto luzes e sombras colidiam em um confronto que mudaria o destino de Luna, Meissa e todos ao seu redor.
Após a luta onde por pouco não perderam, A ruiva respira aliviada, mas sabia que poderia chegar mais se continuassem no mesmo local,
Enquanto isso Iris com sua runa levita o rapaz desacordado
- vamos irei levarmos para um lugar mais seguro
Luna que estava à frente diz, já liderando o grupo pelo caminho sinuoso que levaria ao castelo. As árvores altas e antigas pareciam esconder segredos nas sombras, e o som de seus passos ecoava levemente pelo terreno árido. As meninas, uma de cada vez, trocavam olhares, ainda tentando entender o que estava acontecendo. Meissa, sempre a mais curiosa, não conseguia conter a empolgação.
- Bom, — começou Meissa, quebrando o silêncio, — eu acho que está mais do que óbvio o que está acontecendo aqui. Luna, você realmente não consegue evitar trazer problemas para o seu caminho, não é?
As feiticeiras, que ainda estavam em estado de confusão, coraram e riram sem graça. Luna apenas suspirou.
- Concordo. Bom, vamos para a base antes de responder as nossas perguntas.
Ela começou a caminhar mais rápido, liderando as meninas pela trilha que conhecia bem. Mas, de repente, Luna parou bruscamente e bateu a mão na testa.
- Ethan vai me matar por trazer vocês — murmurou, irritada consigo mesma.
Naquele instante, ela fez uma rápida prece mental, pedindo para qualquer divindade a proteger da fúria de seu amigo. No entanto, quando chegaram à porta de entrada do castelo, Luna não teve tempo para mais orações. Lá estava Ethan, esperando com a expressão de poucos amigos.
- Nossa, que déjà-vu... — comentou Luna, rindo da própria ironia. Não conseguia deixar de se lembrar da morte de seu pai e de como foi encontrada por Ethan naquela mesma porta. Sua vida, de fato, não seguia uma linha reta, e o humor não a deixava escapar.
Ela ergueu uma das mãos, como quem apresenta as convidadas.
- Bom, trouxe convidadas, e uma parece que precisa urgentemente falar comigo, enquanto a outra é a nossa mais nova rebelde no nosso bando. Eu a roubei da igreja e trouxe um rapaz desacordado.
Ethan, exasperado, se engasgou ao olhar para a mulher de vermelho, que estava com os outros. Ele suspirou pesadamente e, sem perder tempo, abriu a porta para todas elas entrarem. Luna ficou ali, boquiaberta com a rapidez do gesto. Ethan a olhou sem paciência, mas seu tom era uma mistura de exaustão e resignação.
- Vai mudar algo se eu disser? Você já as trouxe aqui, qualquer coisa a matamos e jogamos seus corpos aos lobos.
Luna sorriu de canto, mas a resposta dele a fez perceber que suas travessuras sempre teriam consequências. O grupo entrou no castelo, e logo as ordens de Ethan se seguiram. Ele pediu para um dos homens chamar Alex e Maia e levar o rapaz desacordado para um quarto de hóspedes, onde deveria os avisar de que estariam prontos para agir, caso precisassem eliminar duas pessoas ou três caso o homem desacordado fosse um inimigo .
Alex e Maia logo chegaram, e Maia, ao ver as novas visitantes, não conseguiu segurar a risada.
- Você fez de novo, Luna. Você parece aquelas mulheres que trazem gatos pretos para suas casas só porque os acharam bonitos.
A diversão de Maia logo foi interrompida pelo semblante cansado de Ethan, enquanto Alex tentava se manter calmo.
- Bom, quem queria dizer algo para você, Luna? E quem são elas? — Alex perguntou, com a voz tranquila, mas seus olhos atentos.
Foi a mais velha entre as feiticeiras que se adiantou, dando um passo à frente.
- Olá, muito obrigada por me receberem. Me chamo Iris , e vim conversar com Luna, pois Lykaios está em perigo e ela, em minha visão, pode ser a única a nos ajudar. Ela pertence a Lykaios.
As palavras de Iris caíram como uma bomba no centro da sala. Luna e Ethan trocaram olhares rápidos, a mente de Luna disparando em diversas direções.
- Como assim eu pertenço a um lugar chamado Lykaios? — Luna perguntou, a ansiedade invadindo sua voz. — E como assim visão? Existem outras pessoas com um dom? Além de mim?
Enquanto ela tentava processar tudo, a confusão ao seu redor aumentava, com Meissa interrompendo com ainda mais perguntas.
- Peraí, espera aí... Existe mais gente como a Luna? Como assim uma visão? O que está acontecendo aqui?
Iris, com os olhos sérios, respirou fundo e começou a contar a história que todos precisavam ouvir.
- Há mais de 150 anos, bruxos, espíritos, elfos e outros seres viviam em harmonia em Seraphine, até que uma invasão de humanos destruiu nossa paz. Esses humanos começaram a nos usar como escravos, nossas mulheres como concubinas, até que, finalmente, nos mataram — ela pausou, e todos sentiram a gravidade de suas palavras. — Eles tinham armas que não entendíamos. Foi um genocídio de nossas espécies... E depois nos refugiamos em Lykaios, onde os espíritos se sacrificaram para proteger o local.
Luna, atenta, ouvia cada palavra, mas a ansiedade aumentava. Ela estava se sentindo esmagada com a pressão. E foi quando Iris continuou falando sobre o sonho e o bebê...
- ... E há um mês atrás, tive outro sonho... Eu vi uma guerra, sangue, e meu povo morrendo. E você, Luna, estava no centro, nos protegendo... Mas você...
Luna, ainda tentando processar as palavras de Iris, foi interrompida de repente por um som ensurdecedor. Uma pedra gigante despencou sobre Iris a esmagando totalmente , quebrando a tranquilidade do momento. O som do impacto reverberou pelas paredes, e o caos logo se instalou. Os soldados de Nicolas começaram a invadir o castelo, espalhando terror por todos os cantos.
Meissa, diante da cena de destruição, não conseguiu controlar a onda de náusea que tomou conta dela. Ela vomitou no chão, mas não teve tempo de se recuperar. Maia, sempre protetora, se colocou à frente de Meissa, tentando garantir sua segurança, enquanto Alex, com um movimento rápido, puxou sua espada, correndo para se juntar à batalha.
Ethan, com seu arsenal de "bugigangas", seguiu logo atrás, entrando na luta com uma rapidez surpreendente. Luna, com um grito, não hesitou. Ela fechou os olhos por um momento e, com as mãos erguidas, começou a convocar os mortos-vivos. O ar ao seu redor ficou pesado e denso, e os mortos surgiram, respondendo à sua convocação, lutando contra os soldados que tentavam invadir o castelo. Luna estava dando conta da situação, mas sentia suas forças começando a se esvair. Controlar os mortos-vivos era exaustivo, e ela já começava a sentir o peso do esforço.
Foi quando algo, ou melhor, alguém, apareceu atrás dela. O som de uma espada cortando o ar fez com que Luna se virasse rapidamente, desfazendo o feitiço e desviando de um golpe que passou de raspão por seu rosto. Ela olhou para seu atacante e congelou. Ali, diante dela, estava seu irmão, Nicolas, com os olhos cheios de raiva.
- Luna, a culpa é sua. Você matou nossa mãe, depois matou nosso pai e, no final, me tirou minha mãe de mim, sua vadia desgraçada! Eu vou te matar e vingar ele!
O grito de Nicolas rasgou o ar, e ele avançou contra Luna, a espada erguida. Ela fechou os olhos, esperando pelo golpe, já que, no fundo, sabia que ele era seu irmão, e não queria machucar mais ninguém de sua família. Mas o golpe nunca veio.
Luna, com os olhos ainda fechados, sentiu algo estranho. O som do vento cortando o ar e um leve cheiro de sangue a alertaram de que algo havia acontecido. Ela abriu os olhos e viu seu irmão, Nicolas, sem cabeça, caindo no chão, o sangue jorrando da ferida recém-cortada. Ao lado dele estava Meissa, com a espada ensanguentada, o rosto pálido e sem expressão. Luna sentiu um calafrio percorrer sua espinha, sem saber se aquilo era alívio ou terror.
Ethan e Alex se aproximaram rapidamente das três mulheres, ofegantes, mas ainda em alerta.
- Precisamos sair daqui agora — disse Ethan, com a voz grave e séria. — Os soldados fugiram, e os de Nicolas... bem, a maioria está morta. A outra metade fugiu ao ver o líder caído.
Alex, sem fôlego, olhou para Luna e perguntou com urgência:
- Luna, dê suas ordens. Vamos para onde? Vamos agora.
Mas Luna não respondeu. Ela estava em choque, seus olhos fixos em Meissa, que ainda não parecia reagir à situação. Isso fez Maia perder a paciência. Ela gritou pela primeira vez em toda a sua vida, a raiva transbordando.
- LUNA, ACORDA! NÃO É O MALDITO MOMENTO PARA VOCÊ TER UMA CRISE! VOCÊ É A LÍDER, NOS DÊ UMA MERDA DE ORDEM, PORRA!
O grito de Maia cortou o silêncio pesado e trouxe Luna de volta à realidade. Ela piscou, olhou ao redor, e, depois de alguns segundos de reflexão, seu olhar se firmou com determinação. Ela finalmente falou, como uma sentença.
- Vamos a Lykaios.
Ethan imediatamente discordou, com uma expressão cética no rosto.
- Discordo. Nós não sabemos nada sobre esse local, e quem sabia... bom, virou isso — ele apontou para a poça de sangue e órgãos esmagados que se espalhavam debaixo da pedra que havia caído.
Luna, com uma calma inusitada, respondeu com uma confiança que não era sua usual, mas que parecia ter surgido do mais profundo de sua alma.
- Nós não sabemos, mas tem alguém que sabe.
Ela tinha uma ideia. Luna se virou rapidamente e começou a correr, sendo seguida pelos outros cinco, que agora estavam unidos pelo instinto de sobrevivência e pela busca por respostas. Ela correu pela floresta, sentindo o vento frio em seu rosto, até que se ajoelhou no chão, sem parar. Lá, ela fez uma prece silenciosa, pedindo aos espíritos que sempre a guiavam quando mais nova, para guiá-los até o que restava de Lykaios, o unico lugar onde poderia ter a respostas.
Notas do altor:
Olaaa kitsu com vão? Bem o que acham que vai acontecer a parti de agora?
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