A herdeira das Sombras: entre luz e sombras
7 Capítulo 7 - A jornada começa
Luna, ainda segurando a mão de Meissa, segue o caminho em silêncio. Seus pensamentos estão em uma confusão silenciosa, enquanto Meissa, com a mente um turbilhão, observa suas mãos entrelaçadas, tentando entender o que sente naquele momento, mas a sensação é vaga, indefinida.
Ela olha furtivamente para Luna, perguntando-se por que se sente tão atraída por ela. "Ela é minha melhor amiga... mas há algo mais nela que me deixa confusa, algo que não consigo explicar", pensa Meissa, com os olhos fixos nas mãos de Luna, que continuam segurando as suas de forma terna.
Luna, percebendo o olhar de Meissa, sorri de maneira calorosa, mas seu próprio coração também está em conflito. O peso da situação e a proximidade de Meissa mexem com ela de uma maneira que não consegue entender. "Meissa é uma amiga incrível, mas ultimamente, algo mudou. Ela tem sido diferente. Será que ela sente o mesmo?", se pergunta Luna, com o coração apertado.
As palavras entre elas fluem naturalmente, mas uma sensação estranha paira no ar. Meissa tenta disfarçar sua confusão com um sorriso tímido, mas o peso não desaparece. A tensão cresce, e ambas sentem que precisam falar sobre aquilo, mas a dúvida e o medo de arruinar a amizade as paralisam.
Meissa tenta se convencer: "Devo contar a ela o que estou sentindo? E se isso acabar com tudo? Não quero perder nossa amizade."
Luna, por sua vez, luta contra seus próprios medos: "Será que ela sente o mesmo? Preciso saber, mas e se for arriscado? Eu não quero arriscar o que temos..."
Enquanto a noite avança, o silêncio entre elas se torna mais pesado. O dilema emocional paira no ar, como uma sombra que não pode ser afastada. Elas se olham furtivamente, trocando olhares que dizem mais do que qualquer palavra.
Meissa não aguenta mais a tensão interna. "Eu não posso continuar assim, me sentindo cada vez mais distante e confusa. Talvez seja hora de falar, de ser honesta com ela."
Luna, igualmente tensa, sente que chegou o momento de encarar a verdade. "Talvez seja hora de saber se ela sente o mesmo. Se não sentir, ainda assim, preciso saber. Não posso viver em dúvida."
A noite chega ao fim enquanto o sol começa a surgir, mas ambas sabem que, em algum momento, a conversa que precisa ser feita não poderá mais ser adiada. No entanto, antes que qualquer uma delas consiga iniciar o diálogo, Luna olha para o lado e percebe que Meissa desapareceu.
Ela corre até o lago mais próximo, onde se depara com uma visão que a deixa em choque. Seu reflexo na água revela sua infância: seus cabelos ondulados e ruivos, seu vestido roxo gasto e alguns cortes em seu rosto, marcas de uma época que ela pensava ter deixado para trás.
Ethan, em uma mansão que ele jurou nunca mais ver, abre os olhos. Ele olha ao redor, vendo-se vestido com roupas caras, em um ambiente que traz à tona lembranças dolorosas. Sua mãe, que ele pensava ter perdido, está lá, penteando seu cabelo. A visão é quase demais para ele. Ele sente um aperto no peito, e a vontade de chorar o domina.
Maia está conversando com seu irmão, mas algo estranho acontece. A floresta ao redor deles começa a ficar enevoada, o que a faz se sentir desconfortável. Ela grita pelos seus amigos, mas ninguém responde. A ansiedade a consome, e, em um impulso, começa a correr. Porém, antes que possa ir longe, alguém a agarra.
Maia, surpresa, fala quase em um sussurro: "Mae?"
A mulher não responde, mas Maia percebe, com um misto de confusão e medo, que está diante de uma cena muito familiar. Quando olha para uma poça de água próxima, vê seu reflexo... como criança.
Alex boceja, ignorando a conversa animada de sua irmã. Ele fecha os olhos por um momento e, ao abri-los, se encontra dentro de uma casa caída aos pedaços. Seu pai está lá, gritando enquanto vendia frutas. Alex olha, atônito, e se aproxima, sem entender o que está acontecendo. O homem o olha com um sorriso nostálgico e, de repente, o pega no colo.
Pai de Alex: "O meu garotinho está melhor?"
Surpreso, Alex vê seu corpo de criança, sentindo-se um estranho dentro da própria memória.
Meissa, por sua vez, sente um ardor insuportável em seus pulsos. Ela olha para os ferimentos e os vê sangrando, enquanto a freira a observa com olhos duros, reprimindo qualquer tentativa de fuga. Meissa tenta se mover, mas seu corpo não responde. Tudo ao seu redor parece distorcido. Ela está de volta à sua infância, com os pulsos atados, cercada por crianças.
O que ela vê nos olhos da freira não é mais um rosto de autoridade, mas uma figura sinistra que a assombra.
Em cada um desses cinco universos, os pensamentos de todos são os mesmos:
"MAS QUE MERDA?"
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