A guerra das Runas

1 A suposta aliança


Notas iniciais
Oi lindos do meu coração, eu voltei ♥ Bom, esta história aqui é a anterior à outra que eu escrevi. Explica o motivo da Guerra e o começo das relações descritas em "Quando voltarmos para casa". Lembrando que vocês podem ler as duas separadamente, não tem nenhum problema. Uma é continuação da outra mas escrevi de uma forma "avulsa". Vou tentar explicar tudo certinho ao longo dos capítulos para que vocês possam entender tudo. Qualquer dúvida/opinião, podem deixar nos comentários.

Desde o início dos tempos, a Runeterra sempre foi tomada por caos e guerras.

Os piores conflitos aconteciam no supercontinente de Valoran, pois ali existia uma diversidade de raças e povos muito grande, o que acabou se tornando a principal causa de tudo.

Noxus e Demácia sempre foram as principais potências da Runeterra (e de Valoran, consequentemente). Ficavam em lados opostos do mapa, e exatamente em seus centros, encontravam-se os dois Nexus, que sustentavam toda aquela dimensão.

Os Nexus eram sustentados pela aura dos habitantes. Enquanto o de Demácia necessitava de paz para permanecer estável, o de Noxus alimentava-se de caos e ira.

Nenhuma das duas potências aceitavam as decisões da outra, e brigavam para decidir qual das duas deveria governar Valoran. E estes conflitos acabavam sempre em empates, que custavam vidas e estavam destruindo a Runeterra.

Então a Liga foi criada. Um acordo foi assinado: qualquer “intriga” deveria ser resolvida em um campo de batalha (Summoner’s Rift), e nunca fora dele. Noxus e Demácia assinaram o acordo, mas ele se aplicava para todos os povos.

Para lutar, os melhores guerreiros de toda a Runeterra foram escolhidos. Em campo, nenhuma vida era perdida, pois um feitiço lançado pelos magos mais poderosos de Valoran garantia a salvação daqueles que lutavam. Mas mesmo sem perdas, havia sempre um lado (um país, no caso) vencedor. Para vencer, bastava destruir o Nexus inimigo (que na verdade era uma imitação dos Nexus originais, com metade do tamanho).

E, no fim, os campeões ficavam conhecidos pelas suas quantidades de abates e mortes.

Noxus e Demácia foram os países que mais utilizaram Summoner’s Rift. Houve paz, de certa forma. E o principal: menos perdas.

Mas a paz nunca dura para sempre.

Lux

Lux estava correndo para se esconder. Tinha acabado de ver o pescoço de seu irmão ser atravessado por um cutelo. Não importava o quanto a garantissem que ela o veria de novo mais tarde, aquilo sempre a machucava e a desgastava emocionalmente.

Ela estava pensando nisso quando ouviu passos na água do rio, que estava a poucos metros de distância. Desistiu de correr, pois estava machucada, e entrou no primeiro arbusto que encontrou. Rezou pela própria sorte enquanto passos pesados se aproximavam cada vez mais.

De repente, os sons cessaram, e Lux ouviu uma voz jovem e masculina:

— Já olhei aqui, ela não está. Pode ir até o Nexus deles, continuarei procurando para que ela não te impeça de destruir.

A loirinha sentiu um certo alívio, mas teve medo de olhar e continuou ali. Os passos pesados começaram a se afastar e, de relance, ela viu Urgot se distanciando.

— Se eu fosse você, sairia daí. – A voz falou novamente, e Lux pulou de susto. – É sério, estes caras ligam mais para quantos eles matam do que vencer a guerra.

Ela não soube o que responder. Até que duas mãos abriram o arbusto onde estava e, quando olhou para cima, viu o rosto amigável de um jovem loiro. Ele lhe estendeu a mão, mas Lux se levantou sozinha, com receio.

— Por que fez isso? – Ela questionou, desconfiada.

— Você é ingrata, sabia?

— E você sabia que eu não morreria de verdade. É a sua primeira batalha? Mesmo se fosse, deveria saber que saímos ilesos no final.

— Não tão ilesos assim. De qualquer forma, dói. E, dependendo da forma como você morre aqui, acaba ficando com sequelas feias.

Lux parou para pensar. Por mais que ela já tivesse batalhado muitas vezes, ela nunca se acostumava com as dores e com os machucados. Fora de campo, ela estava cada vez mais desgastada. Começou a questionar se realmente valia a pena morrer tantas vezes por Demacia. Se Garen pudesse ouvir seus pensamentos, a repreenderia. Para ele, nada importava mais do que seu povo.

— Obrigada. – Ela sussurrou, depois de algum tempo em silêncio.

— Disponha. Você é de Demacia, certo?

— Sim. Luxanna Crownguard, mas pode me chamar de Lux. Muito prazer. E você...

— Ezreal, de Piltover.

— Piltover... contra Demacia? – Lux surpreendeu-se. Piltover e Demacia costumavam ser aliados.

— Piltover e Noxus, desta vez.

— Como assim? Eu não estou entendendo. Por quê?

— Questões políticas não são compartilhadas conosco. Só me mandaram vir para cá. Vim forçado. De qualquer forma, não confio nesses caras.

— Quais "caras"?

— Todos eles que governam os países. Eles deixam as pessoas alienadas, a vontade deles é sempre imposta no povo. Você também não deveri...

Um estrondo interrompeu a fala de Ezreal: era o Nexus do time demaciano sendo destruído.

— Acho que não teremos muito tempo para conversar. – Ezreal comentou, olhando para a direção de onde vinham os sons.

Segundos depois, Lux acordou. Estava deitada em uma espécie de cápsula incubadora, como acontecia todas as vezes que uma batalha acabava.

Olhou para o lado e viu, na capsula vizinha, seu irmão. Diferentemente dela, ele estava mais desgastado, e havia uma cicatriz onde ele havia sido morto pelo cutelo.

Lux suspirou e fechou os olhos. Não aguentava mais participar daquilo tudo.

De repente, uma enfermeira abriu sua cápsula.

— Você está estável, mas me informe se sentir algo diferente. Aqui estão os papéis para retirar o seu dinheiro. Teve um bom desempenho, Lux. – a moça sorriu, sendo simpática.

Enquanto retirava o ouro que havia ganho por seu “desempenho”, Lux decidiu que falaria com Garen. Queria sair da Liga, mas além disso, sentia que algo estava errado com relação a Piltover e Demácia.

Mais tarde, entrou no palácio de Jarvan IV. Atravessou o pátio (que era aberto ao público) e entrou nos corredores, ignorando qualquer guarda que tentasse questioná-la. Parou em frente a uma porta alta e dourada, de acesso restrito, e então começou a discutir com dois guardas que impediam sua passagem.

— Está tudo bem. – Lux ouviu uma voz conhecida atrás de si. – Deixem ela entrar.

Garen vinha se aproximando com alguns papéis na mão. Ele tinha uma reunião marcada com Jarvan.

— Senhor? – Um guarda perguntou, com receio de obedecer.

— Não se preocupe. É só a minha irmãzinha. – Garen sorriu, e Lux revirou os olhos. Ele parecia não notar que ela queria falar sobre algo importante.

Quando entraram, Garen perguntou o que ela queria.

— Falar com Jarvan. – Ela respondeu, de forma fria e sem se importar.

— Eu sei, espertinha. – Garen riu. – Ou você não estaria indo para a sala dele. Mas é sobre algo em particular?

— Você é curioso demais.

— Sou o General de Demácia. Acho que merecia ficar sabendo do que se trata.

Os dois continuaram caminhando por um corredor, até que chegaram na porta da sala de Jarvan.

Garen entrou primeiro, deixando seus papéis na enorme mesa que preenchia o centro da sala. Jarvan apareceu segundos depois.

— Lux. – ele sorriu ao ver a garota. – Que surpresa!

Lux deu um sorrisinho falso, e foi direto ao assunto:

— O que aconteceu entre Noxus e Piltover? – Ela perguntou, e Jarvan parou de olhar para os papéis em cima da mesa. – Para ser mais específica, por que lutamos hoje?

— Nada de especial. Por que a pergunta? – Jarvan tentou passar tranquilidade.

— Eles fizeram uma aliança, certo? E você sabe o que significa. Mesmo assim, resolveu deixar em segredo.

Garen olhou para ela. Estava se dirigindo a um rei de maneira inadequada. Mas, além disso, ele também não sabia sobre a aliança.

— Lux, escute. Não há nada confirmado ainda e...

— Majestade, eles lutaram juntos em campo. E estamos tão desinformados que estamos indo lutar sem saber contra quem. – Lux começou a falar mais rápido. – Além disso, só pode haver um motivo para eles terem feito uma aliança.

— Estão se preparando para uma guerra. – Garen falou baixo, enquanto seguia a linha de raciocínio da irmã. – Por que não nos disse isto antes, Jarvan?

Jarvan suspirou. Não sabia exatamente o que responder.

— Eu só desconfiava. Tive certeza hoje. – Depois de alguns segundos, ele conseguiu se explicar. — De qualquer forma, eles não deviam ter feito um tratado sem nos comunicar. Vai contra as regras.

— Se você tivesse mantido o povo informado, isto não estaria acontecendo. – Lux disse, e seu irmão a repreendeu com o olhar.

— Por que Noxus iria querer uma guerra? – Garen perguntou, depois de tirar os olhos da loirinha. – Especialmente fora de Summoner’s Rift.

— Você conhece aquele povo. Eles não têm juízo, são todos assassinos. – O rei respondeu.

Garen acreditou naquela ideia. Demacianos costumava odiar noxianos, e vice-versa. Mas instantaneamente as palavras de Ezreal ecoaram na cabeça de Lux. “Não confio nesses caras”. A loirinha desconfiava de seu próprio rei.

— Devíamos investigar. – Ela comentou. – Talvez tenha algo mais... Talvez Demácia tenha feito algo errado.

— Te garanto que não. – Jarvan, patriotista como sempre foi, respondeu imediatamente. – Nosso povo é reconhecido pelo senso e justiça. Mas, para que se sinta aliviada, mandarei uma equipe com um mensageiro até Noxus.

— Uma equipe?

— Sinto que se o mensageiro for sozinho, não retornará com vida.

— Isso é uma suposição. Noxus não executaria um mensageiro. Mandar uma equipe seria uma ofensa.

Jarvan ficou em silêncio. Para ele, Noxus era um país selvagem, repugnante e violento.

— Se for assim, u quero ir. – Vendo que ele não diria mais nada, Lux continuou.

— O quê?! – Garen arregalou os olhos.

— Quero saber exatamente o que está acontecendo. – Ela se justificou.

Jarvan olhou para ela. Não se parecia nem um pouco com a garotinha tímida que ela fora quando mais nova.

— Vou montar uma equipe. – Ele cedeu, porque percebeu que Lux não desistiria da ideia. – Darei um jeito de colocar você nela. Provavelmente viajarão amanhã, então fique preparada. Mas lembre-se: mantenha sigilo, tenho certeza de que não é nada demais e o povo demaciano não precisa se preocupar à toa.

Lux sentiu-se aliviada e satisfeita.

— Obrigada, majestade. – Ela fez uma referência antes de sair da sala, deixando Garen e Jarvan a sós.

— Sua irmã é uma pessoa complicada. – O rei de Demacia comentou, enquanto voltava a olhar os papéis na mesa.

— Eu vou também.

Jarvan suspirou.

— Corrigindo: vocês dois são complicados! – Ele disse, olhando para Garen. – Perdeu o juízo? Você não pode ir numa missãozinha assim! É perigoso. Você é o General de Demácia, é necessário que fique aqui.

— E ela é minha irmã. – Garen aproximou-se da mesa, falando seriamente, e Jarvan percebeu que seria obrigado a colocá-lo na equipe.

— Prepare-se para a viagem, então. – Ele suspirou. — Vai ser longa.

Zed

Zed olhou para cima, tentando enxergar através das copas das árvores. Cerrou os olhos, e não demorou até avistar a ilha flutuante.

O ninja começou a pensar como subiria até lá, pois era alto demais. Estava escuro e, lá em cima, as árvores em volta da construção central formavam sombras por toda parte. Mas era distante demais, e Zed não sabia se suas técnicas tinham tamanho alcance.

Só que ele amava desafios. E, obviamente, iria forçar até conseguir.

Por este motivo, ele também não tinha observado o território antes. Estava escuro, Zed confiava em si mesmo, e sabia que conseguiria vencer qualquer coisa que tentasse enfrentá-lo.

Fechou os olhos e concentrou-se num ponto com sombra lá em cima. Segundos depois, quando reabriu, estava na ilha.

Sorriu, satisfeito. “Fácil demais” pensou. E então começou a atravessar a pequena floresta em volta do templo.

Era um templo antigo de madeira, desgastado, que servia de fortaleza. Estava tudo silencioso, alguns vagalumes passeavam e todo o local parecia estar escuro.

Zed se aproximou devagar, estranhando o silêncio. As portas eram de metal e estavam fechadas, mas uma janela estava apenas encostada. Lá dentro não havia nenhum sinal de luz, e Zed não hesitou em aparecer lá, deixando uma sombra para trás.

Ele estava no centro da construção: um pátio com pisos de porcelana, cercado por pilares. Uma tocha na parede esquerda iluminava mal o lugar e, sentada bem no meio do salão, havia uma mulher, de costas para Zed. Ela estava meditando, flutuava e algumas esferas roxas pairavam ao seu redor.

— Então os Ionianos estão tão desesperados a este ponto? – Ela disse devagar, sem mexer um fio de cabelo.

Zed não respondeu. Na verdade, ele ficou curioso, pensando em como ela havia percebido sua presença. Ele era como uma sombra, poucas pessoas podiam notá-lo.

— Não finja que não está aí. Sei exatamente onde está. – A mulher continuou falando de costas.

O ninja resolveu entrar no jogo dela. Era só uma mulher. Que perigo poderia oferecer?

— Tem certeza? – Ele sussurrou. – Exatamente onde estou? – Sussurrou novamente, após deslocar-se num piscar de olhos para outro canto escuro do salão.

— Você se move rápido. Mas ainda sei onde você está. Diga-me: quanto te ofereceram por minha cabeça?

— É tão óbvio assim?

— Você não é o primeiro. – A mulher riu. – E não será o último.

De repente, as esferas que estavam ao lado dela foram, numa velocidade impressionante, até o local exato onde o ninja estava, tentando prensá-lo contra a parede.

Zed se moveu mais rápido ainda para outro canto escuro. E as esferas destruíram a parede onde ele estava antes. O ninja ficou até um pouco assustado, pensando o estrago que elas fariam se ele não tivesse bons reflexos.

A mulher se levantou devagar e virou-se para o ninja. Ele finalmente pôde vê-la direito: cabelos prateados iam até a cintura, seus olhos brilhavam num tom púrpura e estavam quase cobertos por uma tiara (pelo menos para o ninja, aquilo era uma tiara) de cor cinza escura, quase preta. Ela usava roupas estranhas, que Zed nunca tinha visto antes: roupas de couro, deixavam boa parte do corpo da mulher a mostra. As mãos dela brilhavam como os olhos: era daquela maneira que ela controlava as esferas.

Syndra abaixou a tiara devagar, cobrindo os olhos por completo. E então mais esferas surgiram e começaram a perseguir Zed.

Ele não conseguiria chegar perto dela, porque, além de estar no único local iluminado do salão, ela parecia ter seus sentidos ampliados quando cobria os olhos. Estava cada vez mais difícil desviar das investidas dela.

— Por que você não sai das sombras e luta como um homem de verdade? – Syndra disse, enquanto parava o movimento das esferas. – Só sabe se esconder?

Não havia nada que Zed odiasse mais do que ser subestimado. Aquela provocação de Syndra fez com que ele começasse a rir da forma mais cínica que conseguia e saísse das sombras andando.

— Não me leve a mal, mas eu só estou brincando com você.

Mesmo com os olhos cobertos, Syndra podia visualizar o ninja em sua mente. E ela sorriu de satisfação, pensando o quão fácil seria matá-lo.

— E eu só estava me aquecendo — respondeu, enquanto concentrava sua energia.

Teemo

— Eu já disse para voltarmos! – Tristana falou baixo para não chamar atenção, mas estava com raiva.

Teemo ignorou todo o nervosismo dela e continuou andando devagar, tentando não fazer barulho, passando por arbustos e árvores queimadas.

— É proibido chegar perto, seu idiota! – A garota continuou. – Aliás, é proibido entrar nesse lado dessa droga de floresta.

— Não vamos chegar tão perto assim. – Teemo finalmente disse alguma coisa.

— Se o Conselho descobrir, vou dizer que foi sua culpa!

Quanto mais eles caminhavam, mais o ambiente em volta parecia destruído: as árvores estavam totalmente queimadas, no chão haviam apenas cinzas.

De repente, encontraram o que Teemo estava procurando: uma casa de madeira bem velha, um pouco queimada e silenciosa. Estava de dia, mas lá dentro parecia ser escuro e Tristana estremeceu só de olhar. Piorou quando ela viu, em volta da casa, pegadas enormes.

— Te... Teemo! – Ela gaguejou, sussurrando para que só pudesse ser ouvida por ele. – As pegadas.

Teemo engoliu seco quando as viu. Mas não iria desistir, tinha chegado até ali.

Ele começou a se aproximar. Ao redor da casa não haviam arbustos nem árvores, apenas terra e as pegadas. Teemo saiu de seu “esconderijo”, colocando a cara na luz do sol, parando a poucos metros da porta de madeira queimada.

Tristana continuou nos arbustos queimados, rezando pela sorte do amigo e tremendo de medo a cada som suspeito.

— Oi. – Teemo falou alto e de forma desajeitada. Ele não sabia como dizer. – Eu sou Teemo. Aquela ali é a Tristana.

Quando Tristana ouviu seu nome sendo mencionado e todo o seu esforço para se esconder indo por água abaixo, sentiu vontade de matar o garoto.

Teemo esperou alguns segundos e então, através de uma fresta, ele viu um par de olhos. Mas não eram olhos comuns: eram exatamente das mesmas cores que uma chama. Na verdade, parecia que havia uma chama em cada um deles, se movimentando e encarando Teemo como se quisessem devorá-lo.

O garoto engoliu seco e estremeceu, mas continuou:

— Eu soube que você é sozinha. E que tem que procurar a própria comida. – Então ele começou a retirar sua mochila das costas devagar, para que não assustasse o que quer que estivesse dentro da casa. – Mas nesta época do ano a comida é escassa até em Bandópolis, imagine aqui.

Teemo retirou uma cestinha de dentro da mochila. Nela, haviam sanduiches vegetarianos (porque yordles não comiam carne), frutas, vegetais e até doces caseiros.

Os olhos cor de fogo continuaram encarando Teemo, e ele se aproximou para deixar a cesta na porta. Quando o fez, o par de olhos recuou, e Teemo percebeu que precisava manter certa distância.

— Desculpe. – Ele disse, depois de deixar a cesta no chão, voltando para o lugar onde estava.

Esperou por alguns segundos, mas nada aconteceu.

— Olha, — ele continuou – todos dizem que você é má, mas eu já te vi uma vez. Não acho que uma garota como você possa ser malvada. Acho que você é sozinha e precisa de amigos. Então... se precisar, eu e a Tris adoraríamos falar com você.

Ele esperou mais um tempo, e então foi embora, junto com Tristana, que o xingou de volta por todo o caminho até Bandópolis.

A garotinha da casa de madeira esperou meia hora para pegar a cesta. Quando ela viu o conteúdo, seus olhos ficaram verdes, como costumavam ser quando ela não se sentia ameaçada/quando estava calma.

Teemo estava certo: ela não era uma pessoa má, era apenas sozinha.

Caitlyn

— Ela é uma boa pessoa, e passou por todos os tipos de testes e treinamentos. – Bob tentava acompanhar a xerife, que caminhava apressada.

— Por que eu sinto que está escondendo algo de mim?

Bob engoliu seco e fechou a pasta. Antes que Caitlyn abrisse a porta para entrar na sala, ele a segurou.

— Olhe, você vai precisar ser compreensiva e paciente com ela. Mas fique sabendo, ela é diferente. – Explicou.

Caitlyn levantou uma sobrancelha. Aquilo era um mau sinal.

Então abriu a porta, e ficou parada quando viu quem estava lá dentro.

Era uma mulher, cheia de tatuagens, com cabelo curto e rosa, raspado em uma das laterais. Ela estava fumando, sentada de mau jeito e com as pernas em cima da mesa. Caitlyn respirou fundo para não ter um ataque cardíaco.

— Tem certeza de que não temos mais ninguém interessado no cargo? – Ela perguntou para Bob, tentando parecer calma.

O secretário apenas balançou a cabeça negativamente, entregou a pasta amarela para a xerife e saiu da sala, fechando a porta.

Caitlyn suspirou e foi se aproximando da mesa, enquanto a mulher de cabelos cor de rosa a observava dos pés à cabeça com um sorrisinho de canto.

— Bem... – Caitlyn sentou-se na cadeira oposta e começou a falar, revirando os olhos ao perceber que sua ilustre companhia não tiraria os pés da mesa. – Seu nome é Vi, certo?

Vi apenas assentiu com a cabeça.

— Já foi uma das criminosas mais procuradas de Zaun, montou uma gangue, envolvida com o incidente da mina seis meses atrás.... – Caitlyn lia a pasta e seu desgosto aumentava a cada palavra.

— Bons tempos. – Vi sorriu, e Caitlyn revirou os olhos.

— Mesmo assim te chamaram para a Liga.

— A Liga não se importa se o que você faz é bom ou ruim. – Ela começou a explicar, jogando o cigarro no chão. – Desde que seja forte, eles te colocam para lutar.

Até que fazia sentido, Caitlyn pensou. Então fechou a pasta (porque cansou de ler aquela extensa e repugnante ficha) e continuou:

— Diga-me, por que eu deveria deixar você trabalhar comigo?

Vi soltou uma risada irônica, tirou os pés da mesa e ajeitou-se na cadeira, aproximando-se de Caitlyn.

— Você parece não gostar muito de mim, docinho.

Caitlyn levantou as sobrancelhas. Era óbvio que uma parceira como Vi só lhe traria mais problemas.

— Bem... – Vi continuou. – Para começar, você teve a impressão errada. Sobre o meu passado, eu disse que foram bons tempos, mas não disse que sinto falta deles.

— Seu passado? O incidente com a mina aconteceu seis meses atrás.

— As pessoas mudam, bebê. Para mim, é passado.

Caitlyn revirou os olhos pela milésima vez. E Vi voltou a falar.

— Outro detalhe importante: você não tem mais ninguém para te ajudar. Eu soube que seu último parceiro desistiu assim que se encontrou com a psicopata do cabelo azul.

— O que sabe sobre ela?

— Sei que ela causa problemas.

— Exatamente iguais aos que você causava.

— Exatamente o contrário dos que eu causava. Por acaso leu sobre as coisas que eu fazia? Digo, existe alguma coisa além desta pasta ridícula? – Ela apontou para o objeto na mão de Caitlyn.

— Não existe diferença entre um criminoso e outro para mim.

Vi respirou fundo e começou a prestar atenção em suas luvas de couro preto, já que eram mais interessantes do que a discussão com a xerife idiota. Caitlyn ficou olhando, se perguntando por que ela usava luvas.

— Preciso de um tempo para decidir. – A xerife quebrou o silêncio.

Vi começou a se levantar, pegando sua mochila do chão e caminhando em direção a porta.

— De qualquer forma – Caitlyn continuou a falar, impedindo-a de sair da sala. – Eu ligo para você, mesmo que for para dar más notícias.

— Vou amar receber sua ligação. – Vi piscou para ela, enquanto sorria, e Caitlyn tentou processar o que acabara de entender, pensando de que forma ela deveria interpretar aquilo.

Diana

Ela estava correndo pelo rio, procurando qualquer inimigo para matar. Estava decidida a ganhar aquela “guerra”.

De repente, no horizonte, viu outra pessoa vindo correndo na mesma intensidade que ela. Não parou de correr também: mataria quem quer que fosse, mesmo que estivesse lutando pela Ilha das Sombras.

Quanto mais Diana corria, melhor podia visualizar a pessoa que vinha também: usava uma armadura dourada. Carregava uma espada e um escudo. Quando a serva da Lua a reconheceu, parou de andar.

Era Leona, e ela parou assim que reconheceu Diana também. Elas não se encontravam desde o declínio da Aldeia do Sol.

— Você é realmente uma pessoa sem honra. – Leona começou a dizer com rancor. – Lutando pela Ilha das Sombras por dinheiro. De qualquer forma, eu não esperava menos.

— Fácil falar quando sua querida terra ainda te acolhe. Você fez o favor de espalhar merda para todo o Monte Targon. De que maneira lutarei por ele depois do escândalo que você causou? Acha mesmo que a sua preciosa montanha me chamou para a liga? Vim por mérito próprio.

— Mérito? Matar 5 velhos e causar uma guerra civil não pode ser considerado mérito.

Diana sorriu. Não gostava muito de discutir com Leona, mas naquele dia estava realmente estressada e cansada da ex enchendo o saco. Então continuou:

— O importante é que eu destruí a tribo mais antiga e mais poderosa do Monte. De brinde, parti o coração da guerreira mais forte dos Solari. Desculpe, amor, mas para mim isso é um mérito.

Leona estremeceu de ódio e preparou seu escudo e espada. Não esperava tal reação vindo de Diana, pois a Lunari costumava baixar a cabeça todas as vezes que ouvia algo parecido.

— Eu vou acabar com você. – A ruiva gritou, e Diana não parecia sentir medo.

— Pode vir. – Ela sorriu de novo, deixando Leona vermelha de raiva.

Então as duas correram uma em direção a outra, chocando suas armas e iniciando o primeiro combate real desde que haviam se conhecido.

Notas finais
Espero que tenham gostado, xuxus! Até o próximo capítulo ♥ O link da outra história:https://fanfiction.com.br/historia/739568/Quando_voltarmos_para_casa/