A garota sonserina the slytherin girl
6 CAPÍTULO SEIS - Inside My Mind
Notas iniciais
—...É um insulto que uma aluna tente usar legiminência em mim! Mesmo sendo você... Alguém que a tenha aprendido em grau avançado para sua idade...
Ela quase estremeceu enquanto Snape ergueu o canto da boca, sorrindo maliciosamente... Mas não lhe daria a satisfação de demonstrar isto, enquanto ele continuava a falar pausadamente e em tom perigoso...
—A senhorita... ousa duvidar... da minha Oclumência!? Eu devia... invadir a tua mente... e brincar um pouco... para ensiná-la a ser mais humilde!
—Oras, não me ameace! Como um diretor e professor de Hogwarts certamente não faria isso a uma aluna!
—Tem certeza que não...senhorita?
Ela mal sabia porque havia dito aquilo depois de tudo que já havia visto e ouvido recentemente naquela escola, ao menos o que podia se lembrar... Mas agora lhe incomodara o olhar frio e cínico dele, com as sobrancelhas erguidas na resposta...
Ele moveu-se um passo para trás, e a encarou... As duas ônix brilhantes e intensas lhe analisando da cabeça aos pés... Foi então que ela se lembrou estar diante de um Comensal da Morte, embora não soubesse bem como possuía essa certeza...
A respiração vacilou, mas esforçando-se para que o olhar atento dele não captasse seu temor repentino, ela colocou discretamente uma das mãos dentro do bolso e segurou a varinha...
—Pensei que...não precisasse de uma varinha...para executar oclumência, como não precisa para legiminência... Será que isto demonstra que a senhorita não é tão boa oclumente assim...?
Ela se espantou ao ver por suas palavras que ele percebia que sua mão intencionava alcançar a varinha... E ao vê-lo provocá-la sentiu aquele arrepio pela espinha tomando-a novamente, mas ainda não pretendia mostrar-se insegura... Então sacou a varinha olhado-o séria, ainda que se sentisse na verdade acuada...
—Está... me desafiando... abertamente...?
A fala lenta, grave e sarcástica diante de si fez sua mão vacilar e a varinha tremer por um instante... Porém já era demasiado tarde para considerar o "mal feito não feito"... Ela respirou fundo e sussurrou entre dentes:
—Oclumens!
—Bom, deixe-me primeiramente lhe dizer...as consequências...de um oclumens mal sucedido...
Ele caminhava a passos curtos diante dela, de um lado para o outro observando-a, exatamente como uma serpente prestes a dar-lhe o bote... Com sua voz grave aveludada, dizia em um tom gélido e mortal:
—Um bom legiminens não precisa se quer ser dito em voz alta... pode penetrar sua mente sem prévio aviso...e transpor facilmente as defesas de um oclumens mal sucedido...sondá-la em instantes...
A mão dela segurando a varinha o seguia juntamente com seus olhos, enquanto ele sibilava diante dela e continuava a falar pausadamente, grave e aparentemente sem emoção:
—...E então confundir... enlouquecer... trazer a tona lembranças e emoções esquecidas... mesmo e principalmente as mais incômodas... Ou seja, fazer o que bem entender!
Aquelas palavras, ditas por aquela voz e daquele modo por aquela pessoa, em si já eram suficientes para invadir sua mente, ou até mesmo sua alma... Ela sentia sua respiração curta e sem ritmo na garganta, tal qual seu coração...
Contudo a garota sonserina respirou profundamente mais uma vez, apertando a varinha entre os dedos e procurou ignorar completamente as batidas fortes e apressadas sentidas em seu peito... Não haveria chance ou tempo para arrependimento... Não podia recuar!
No momento seguinte um turbilhão de sensações pareceu invadir-lhe... As paredes e todos os móveis a sua volta pareceram dissolver-se... Não se via mais no gabinete da direção, as estantes de livros que estiveram atrás de si não mais estavam lá...
Cenas desconexas passavam rapidamente como flashes diante de seus olhos, e ela já não sabia para onde olhar... Curvou-se ofegante e segurando a cabeça de ambos os lados...Sentia-se desnorteada... Gemia alto e estava visivelmente assustada... Um arrepio forte parecia tomar todo o seu corpo...
Então, quando ia gritar ocorreu-lhe outra coisa... "Para quê desespero?" Talvez aquilo até a ajudasse, uma vez que não possuía lembranças ou memória significativa alguma... E uma vez que sequer podia ver o seu diretor, revidar também não era uma opção...
Entregou-se... Suspirou, soltou os braços ao longo do corpo e tentou relaxar... Deixou-se deslizar até o chão e logo sentiu-se sentada no mesmo... Ainda ofegava, mas agora era diferente... Não sentia mais a imensa tontura e a quase loucura de antes...
Teria se tornado algo...agradável...? Não sabia dizer... Contudo ainda uma experiencia por demais intensa... Procurava concentrar-se nas cenas a sua volta, a cada instante um lugar diferente, era a o que parecia... Passou então a notar vozes em cada uma delas...
Em uma distinguiu a si mesma com o próprio Snape... Em um lugar que parecia um aposento, contudo passou-lhe rápido demais para que pudesse distinguir algo mais... Depois viu-se com ele novamente, num local que parecia um laboratório, ele lhe ensinava a fazer uma poção...
E em segundos já estava num local que reconheceu como o Ministério da Magia, pessoas a sua volta, mas não houve tempo de reconhecer ninguém...Viu e sentiu um homem ao seu lado...seria seu pai...? Antes que pudesse saber estava no salão comunal da Sonserina, onde procurou olhar em volta...
E em seguida a cena havia mudado, para um local que reconheceu como o salão comunal principal de Hogwarts, as quatro longas mesas diante da dos professores a frente, e ela sentada naquela que pertencia a sua casa, com outros alunos e alunas... Tudo se desfazia em segundos, era impossível discernir muita coisa...
Em instantes em outro local e então já estava em outra situação, sendo abraçada calorosamente por alguém que não podia distinguir, pois ao tentar tudo já se fora rápido demais... Seria alguém de sua família ou outra coisa...?
Trazia repentinamente desta última lembrança uma sensação de aconchego... "Mas seria de fato uma lembrança? Ou ilusão... Dentro de minha mente!" Cada uma daquelas cenas seria Snape brincando como prometera, e inventando tudo aquilo para enganá-la sarcasticamente...? Não havia ainda como saber...
Foi quando viu-se recostada a uma estante de livros, e ofegante por completo... Suor lhe escorria pela testa... Sentiu-se levar a própria mão ao pescoço, de encontro ao objeto que carregava ali preso a uma fina corrente...
Ao apertá-lo entre uma das mãos com firmeza pôde sentir-se concretamente presente no próprio corpo novamente, embora cada uma das sensações e percepções que experimentava fossem igualmente reais... A fronteira entre o real e o mental já não lhe existia!
A outra mão ainda abandonada ao chão ao lado do corpo, quando sentiu a varinha sob ela e a segurou entre dedos trêmulos... Tentava puxar o ar para os pulmões, mas sentia-se totalmente ofegante e suada...
Quando, suspirando ainda de olhos fechados assustou-se, pois sentiu um par de mãos grandes e de dedos bem feitos tocar-lhe a face suavemente de ambos os lado... E logo alcançar-lhe a nuca, notoriamente tentado ergue-lhe a cabeça...
Ao abrir os olhos deu de encontro com outros negros, a centímetros dos seus... E será que era impressão sua, mas via certa preocupação neles...? Deveria ser somente impressão... Pois ainda assim eles mantinham certo mistério indecifrável e a costumeira severidade...
O nariz adunco também quase encostava ao seu... O que parecia lhe causar um desconforto que ela preferiu ignorar, junto com sua própria respiração ainda sem ritmo, que iria acalmar-se posteriormente aos poucos...
Ficou ali imóvel por instante, sentindo aquelas mãos segurarem suavemente sua face... Em seguida recobrou um olhar indiferente e disse com aparente desdém:
—Não...me toque! Depois do que fez... Não me toque!
Severus Snape ergueu uma das sobrancelhas, retomando também a sua indiferença e seu semblante enigmático habitual... Enquanto se afastava em silêncio observava a garota retirar a mão de uma pedra ônix legítima com formato oval, pendurada num colar em seu pescoço, na qual teve tempo de reconhecer gravada na parte da frente uma cobra verde...
Enquanto a garota se colocava de pé, encarando-o com semblante pouco amigável durante cada segundo, e logo recolheu seu medalhão para dentro da camisa e a varinha que ainda segurava para dentro do bolso das vestes...
Olhou-o, já sem medo, e indagou séria e sem nenhum traço de insegurança, com suas próprias sobrancelhas erguidas:
—Se meu castigo já terminou, posso me retirar?
—Pode!
Ela virou-se ainda com semblante fechado e caminhou a passos despreocupados sem nada dizer até chegar na entrada, mas antes de alcançar a escada que levaria até a gárgula que lhe serviria de elevador e também guardava a porta do gabinete, ela ainda ouviu a voz grave mais em sua cabeça do que em seus ouvidos...
—Cuidado para não ser vista por ninguém...E... A senhorita precisa treinar oclumência!
Não se virou para olhar o dono das palavras, que lhe soavam com um tanto de ironia, mas seguiu seu caminho controlando a raiva e pensando... que precisava elaborar uma forma para despedaçar um certo Diamante Negro! Não lhe importando o quão duro ele fosse!
Continua...
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