Notas iniciais
Sim, as coisas vão ficar mais interessantes...

“Que ótimo” pensei comigo mesma olhando ao redor da cozinha “Agora eu estou sozinha aqui”. De repente eu ouvi um latido familiar vindo do meu quarto. Lucky! Pensando bem eu não estou tão sozinha assim. Corri em direção do meu quarto e abri rapidamente a porta gasta de madeira.

Ao me ver os olhos de Lucky repentinamente brilharam, ele se abaixou com as duas pernas da frente me convidando a brincar com ele. Depois ele teve um ataque histérico e começou a correr em volta do meu quarto. Eu ri e tentei perseguir ele, porém ele era muito rápido. Cada vez que eu me aproximava um pouco dele ele aumentava a distância entre nós. Por fim ele pulou em cima da minha cama e deitou de barriga pra cima ofegante. Eu me sentei ao lado dele.

– Caramba, como você é rápido! – falei pra ele. Ele até pareceu entender porque me olhou nos olhos com uma intensidade que não parecia humana.

Seus olhos eram marrons bem grandes e ele tinha quase o mesmo tamanho que um Poodle. Seu pelo era macio e longo com algumas manchas escuras espalhadas pelo corpo, o restante era de um branco muito claro que sempre nos permitia saber se ele se meteu no barro – o que sempre ocorria com muita freqüência e mamãe sempre ficava enraivecida.

Suspirei com a idéia de que eu ainda tinha toda a noite pela frente. Olhei em volta para ver se encontrava algo útil para se fazer. Havia vários brinquedos espalhados pelo chão, desde bonecas até uma meia perdida sem par, a cômoda estava cheia de papéis de aula, lápis e canetas e em cima da cama havia vários desenhos que mais cedo eu havia feito.

Considerando essa bagunça o mais correto á se fazer era arrumar o quarto.

“Mais tarde”. Pensei me levantando da cama.

Eu tinha uma longa noite pela frente e nenhuma idéia construtiva do que fazer. Ocorreu-me o mais obvio á se fazer. Assistir TV. Eu não gostava muito de TV, porque pra mim havia coisas muito mais interessantes pra se fazer do que ficar plantada na frente da tela como um zumbi.

Acendi as luzes da sala e liguei a pequena TV, depois me sentei no sofá.

A mulher ruiva do telejornal estava anunciando uma notícia. A tarja embaixo dizia “Assassino foge da prisão”. Em seguida apareceu uma imagem do presídio de onde o assassino havia fugido. Surpresa percebi que conhecia o lugar. Ficava ao Norte, mais ao interior.

A nossa casa ficava á 30 minutos do centro da cidade. Não era uma cidade uma grande, tinha cerca de 30 mil habitantes e havia mais verde do que casas. As montanhas daqui sempre me encantaram, eram altas e ladeadas por árvores, principalmente pinheiros. Não havia pastos nem plantações por aqui, a maioria das pessoas trabalhava no centro da cidade. As casas daqui eram simples, quase sempre de madeira e de apenas um andar, como era o caso da nossa.

Voltei minha atenção ao telejornal.

“... conhecido como Jack Hetfield, fugiu do presidio de segurança máxima em Green Valley, no bairro de Danville. A policia de Green Valley já foi acionada e todas as regiões e cidades próximas já estão em estado de alerta. Ainda não se sabe ao certo como Hetfield fugiu, já que não foram encontrados buracos nem violações na proteção de arame que cerca o presídio.

“Se você ver esse homem – apareceu na tela uma foto de um homem com um uniforme laranja aparentando ter entre 30 e 40 anos, moreno, cabelo curto e mal cuidado, olhos cruéis e pequenos e uma cicatriz longa no lado direito do rosto – ligue imediatamente para a policia. Tranque todas as portas e janelas e evite ir á lugares isolados e próximos ao presídio.”

“Hetfield foi preso por assassinar sua mulher e seus dois filhos e já tinha sido suspeito de um homicídio contra um jovem. É considerado um homem frio e agressivo. Não entre em pânico. Apenas tome as medidas de segurança, pois logo a policia irá encontrá-lo. Agora vamos saber a previsão do tempo para hoje...”.

Fiquei encarando a televisão paralisada e com a boca meio aberta.

Não pude evitar que o pavor me dominasse. Senti-me mais sozinha do que nunca e fiquei xingando mentalmente aquele estúpido casamento. Um assassino psicopata estava a solto enquanto meus pais estavam se divertindo e eu sozinha em casa no meio da noite.

De repente uma imagem me veio à mente...

Um homem alto moreno e ameaçador andando pela rua de barro com uma roupa laranja. Ele avista uma casa de madeira com grandes janelas de vidro na frente e pensa que essa é a melhor escolha, pois a casa se encontra distanciada das outras e ninguém vai ouvir nada. Ele anda em direção a casa e bate com força na porta.

Como ninguém o atende pega uma pedra e atira na janela que se quebra facilmente. Entra na casa pela janela e encontra uma menininha indefesa escondida atrás do sofá. Ele pega a sua enorme faca reluzente e um sorriso cruel aparece no seu rosto marcado e...

Com um salto afugentei esse pensamento para bem longe.

Notas finais
Agora sim está ficando legal, não está? O que acharam do assassino? O "Hetfield" foi pra zuar um pouco, admito kkkkk