Notas iniciais
Yey! Você ainda está aqui (: Não abandona a história não que agora é a parte final e surpreendente! Algumas coisas vão ficar em aberto e vai caber a você imaginar o que aconteceu. Isso mesmo. Mais detalhes nas notas finais. Boa leitura ^^

Eu precisava me distrair e não pensar mais nisso pelo resto da noite, para a minha própria sanidade. Levantei-me e fui pra cozinha vasculhar alguma coisa para comer. Achei uma lata de coca-cola e um pacote de biscoitos e depois sentei no sofá.

Lucky estava deitado do meu lado dormindo profundamente em seu sono canino. Normalmente ele estaria pulando em cima de mim tentando pegar a comida.

Peguei o controle e comecei a procurar algo interessante para assistir na TV. Felizmente estava passando o meu desenho preferido e isso me distraiu por meia hora.

Depois que o desenho acabou olhei para o relógio redondo ao lado da TV. Eram nove e quinze. Não era tarde, mas mesmo assim eu me sentia cansada, ou talvez só quisesse ir dormir para esquecer esse pesadelo e acordar de manhã em segurança com o sol iluminando o meu quarto e com meus pais em casa.

Desliguei a TV, joguei a lata e o pacote no lixo da cozinha, desliguei as luzes da sala, da cozinha e do corredor, fui para o meu quarto e fechei a porta.

Lucky já estava deitado embaixo da cama me esperando. Toda noite ele ficava ali e dormia comigo. Ele nunca ia para fora nem nada. Ficava ali a noite toda, e para me certificar de que ele estava ali mesmo eu sempre colocava a minha mão para fora da cama perto dele e ele a lambia como se dissesse que eu estava segura e que não precisava me preocupar.

Arrumei a cama e fui desligar o interruptor que ficava do outro lado do quarto. Desligar a luz não era um problema, pois meus pais faziam isso toda a noite por mim. Mas hoje eles não estavam aqui e eu precisava fazer isso sozinha.

Sim, eu tenho medo do escuro. Na verdade eu não sei ao certo do que eu tenho medo. Talvez esse seja o problema. Nunca se sabe o que há no escuro porque você não pode ver. Se qualquer criatura estiver chegando perto de você não tem como vê-la e, portanto você se torna uma presa vulnerável.

Eu sempre acreditei que Lucky podia me proteger de qualquer coisa que viesse me pegar no escuro, afinal ele podia ver melhor no escuro e tinha um olfato bem melhor do que o dos humanos.

Tomei coragem, respirei fundo e desliguei o interruptor. Logo quando a luz se apagou, atravessei o quarto correndo, pulei em cima da cama e me cobri com o cobertor.

“Consegui” pensei alegremente.

Coloquei a mão para fora do cobertor para me certificar de que Lucky estava ali. Ele lambeu a minha mão com a sua língua gosmenta e ela ficou toda babada.

“Agora eu não tenho com o meu preocupar” pensei tentando me acalmar “Lucky está aqui e vai me proteger de qualquer assassino idiota e criatura que entrar nesse quarto”

Foi assim que eu consegui dormir, tranqüila com o fato de Lucky estar perto de mim.

Algumas vezes durante a noite eu acordei assustada, mas bastava colocar a mão perto do chão que Lucky a lambia e assim eu voltava a dormir satisfeita depois de alguns minutos.

Ainda meio inconsciente, ouvi um barulho de uma torneira pingando água. O barulho de início não me incomodou, mas depois de um tempo eu acordei totalmente e resolvi levantar e ir desligar a torneira. Afinal não se deve desperdiçar água.Levantei da cama ainda meio sonolenta e liguei o interruptor. A luz, porém não acendeu. Olhei o relógio em cima da cômoda e vi que ele estava desligado e não mostrava a hora. “Que bom, a luz saiu”.

Mesmo assim resolvi esquecer por um momento o meu medo do escuro e ir ao banheiro desligar a torneira.

Dirigi-me a porta e vi que ela estava aberta. Não me lembrava ao certo se havia ou não fechado ela. Andei pelo corredor que estava completamente escuro e cheguei ao banheiro que estava um pouco iluminado pela luz da lua.

Olhei para a pia e vi que a torneira estava fechada, porém o barulho da água pingando continuava. Percebi que o barulho vinha do box do banheiro. “Talvez alguém tenha deixado o chuveiro meio aberto”.

Fui em direção ao chuveiro e abri as cortinas brancas de flores.

O que havia ali dentro me deixou paralisada e de olhos arregalados. Não era o chuveiro que estava pingando. Minha mente não conseguiu de imediato processar o que os meus olhos viam.

Lucky estava preso pelas patas a uma corda e essa corda estava amarrada no chuveiro, e ele estava... morto – a julgar pelo fato de que as suas costelas não se mexiam. Havia vários cortes pelo seu corpo e como eram todos regulares pareciam ter sido feitos por uma faca, mas o pior era um corte profundo no pescoço no qual saía muito sangue e escorria pelo focinho e caía no chão, dando o barulho de água pingando.

Na parede feita de piso branco ao lado do chuveiro havia algo escrito em sangue com uma caligrafia horrível, como se alguém tivesse escrito isso com os próprios dedos. Mesmo paralisada de medo consegui entender o que as palavras queriam dizer:

“Assassinos tambem sabem lamber”

Não era Lucky que estava embaixo da minha cama...

Fiquei paralisada de medo e terror por alguns segundos olhando a cena macabra. Minha mente não conseguia raciocinar nada direito. De repente me dei conta de que devia me mexer para tentar salvar a minha própria vida.

Corri em direção à porta, mas as minhas pernas não me obedeciam e se mexiam lentamente. Eu não sabia onde me esconder, só que devia sair dali o mais rápido possível e tentar chamar ajuda.

Quando cheguei na frente da porta do banheiro ouvi passos pesados e lentos vindos do corredor. Quem quer que fosse não tinha pressa para matar e também sabia que eu estava sem saída. Eu não precisava nem ver o seu rosto para saber quem era o meu perseguidor.

Esperei sem me mexer enquanto os passos lentos se tornavam mais próximos. Todos os meus instintos me diziam para correr, porém o lado racional da minha mente dizia que se eu ficasse parada seria melhor, talvez ele me matasse mais rápido porque se eu corresse sem dúvida ele ficaria com raiva. E também, de que adiantava correr?

A única certeza nesse momento que eu tinha era de que Lucky não estava mais aqui para me proteger.

Notas finais
Você meu caro leitor deve estar se perguntando como o assassino entrou na casa e como ele matou o pobre Lucky sem acordar a garota. Comente a sua opinião, quem sabe ela não é muito melhor que a minha. Enfim, se você gostou da história favorite-a! E qualquer coisa comente ai em baixo. Obrigado mesmo por ter lido tudo ><
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!