A garota do time 7 - Livro 1

15 Capítulo 15 — País da Onda


Eles haviam deixado a fronteira entre Konoha e Iwa algumas horas. Usando as árvores como trampolim, pulando de galhos em alta velocidade. Sasuke seguia na frente e Kakashi na retaguarda enquanto os outros dois membros do time iam ao meio.

Às vezes, Sasuke olhava para trás preocupado, como quisesse ter certeza que a única integrante feminina do esquadrão não desmaiou de exaustão. Naruto estava tão próximo dela que por pouco não esbarraram. Ele estava pronto para segui-la caso caísse.

A preocupação deles não era exagerada. Harumi estava realmente cansada, mas não pretendia amolecer agora. Se ela pedisse para parar ou ser carregada, a sua mente iria repassar a batalha contra os ninjas de Iwa, o fato de ter feito a sua primeira morte. Harumi não queria pensar no fato que arrancou uma vida, mesmo que isso garantiu a segurança de seus companheiros de Konoha e às duas crianças.

Pela distância, eles tinham bons quilômetros a percorrer, por isso seguiam sem parar. Precisavam estar no país da onda no máximo em 3 dias.

— Porque a urgência da missão? — Harumi perguntou a Naruto. Ela precisava distrair a sua mente.

— O time 5 foi enviado para acompanhar um construtor de ponte. Segundo o velho, era para ser uma missão simples, mas teve complicações no caminho — explicou Naruto.

— O cliente mentiu. Escondeu o fato com assassinos atrás dele — disse Sasuke. Ele diminuiu os passos para participar da conversa.

Harumi franziu a testa. Não pode negar o estar angustiado ao recordar que aquele era o time de Aiko. Mesmo que a amizade tivesse terminado, ainda não queria que nada acontecesse com a adolescente.

— Por que a jounin prosseguiu com a missão? — Harumi perguntou. — Se o cliente mentiu, o contrato é inválido.

Sasuke grunhiu em desgosto. — Normalmente sim, mas aparentemente a jounin se achou capaz de lidar com a situação.

Naruto acenou:

— Bem, ao menos ela teve a decência de pedir ajuda.

Harumi olhou para trás e encontrou o olhar entediado de Kakashi. — Ainda suponho que não deviam enviar o time genin para salvar outro time genin. É meio… irresponsável?

Kakashi soltou uma risadinha. — Os demais ninjas capazes estão fora em missão ou feridos. O Hokage enviou um ANBU capaz na frente. Seremos apenas apoio.

Kakashi seguia alguns passos atrás com o livro laranja na mão. Sua atenção retornou ao livro que estava lendo, enquanto dividia a atenção em observar o redor e na conversa do trio.

Naruto e Sasuke informaram a Harumi sobre a missão. Que por decisão descuidada do Jounin o time 5 prosseguiu com a missão, mesmo após enfrentar os irmãos demônios e descobrir que o cliente mentiu sobre a gravidade da missão.

O velho não tinha renda para pagar nada além do custo de uma missão de Rank-C, por isso mentiu. Aparentemente, algum bilionário chamado Gatou, dono de uma empresa de navegação, estava saqueando a economia de Nami no Kuni. Sua empresa monopolizou rapidamente o controle das importações e exportações do país. À Terra das Ondas foi transformada em um estado desolado e devastado pela pobreza. Gatou contrabandeava drogas e outras formas de contrabando para o país, como uma das muitas maneiras de quebrar e controlar seu povo.

Ao menos, o Jounin enviou uma mensagem informando ao Hokage sobre as mudanças na missão e a necessidade de reforço.

— Neh, Harumi, desde quando você aprendeu a escalar a árvore? Lembro-me que não sabia na floresta da morte. — Naruto resmungou com curiosidade.

Harumi olhou ao redor, tentando fazer de desentendida. Ela não era estúpida. Sabia que Sasuke e Naruto tinham dificuldade de interagir com outros adolescentes e genins. Que não sabiam confiar em outras pessoas, por isso, podiam ser bastantes possessivos com as famílias e poucos amigos que tinham.

Ela suspirou.

— Pensei que ficariam felizes.

— Estamos! — Naruto afirmou.

Sasuke deu um tapa na nuca do melhor amigo. — Não convenceu nem um jumento. Eu lhe disse, sutileza.

Harumi tentou segurar o riso, mas não teve sucesso — Vocês dois são nada discretos para ninjas. Kurenai-sensei me ensinou quando mostrou aos seus genins — ela explicou com cuidado, escolhendo sabiamente as suas palavras. — Pensei que ficariam felizes, isso significa que continuo me esforçando.

Suas palavras surpreenderam os dois garotos e os deixaram envergonhados. Kakashi que espionava a interação entre os dois alunos, soltou uma risadinha debochada.

Kakashi sorriu divertido, Naruto rosnou e Sasuke olhou com desprezo. Harumi foi a única que teve uma grande reação diante das palavras do homem.

— Olá, Corvo — disse Kakashi alegremente. — Não devia estar protegendo os patinhos feios?

Naruto soltou uma alta risada diante das palavras de desprezo de Kakashi, mas Sasuke o parou dando tapa na nuca.

Kakashi apenas cantarolou. — Não devia ter deixado Souja-sensei sozinho, vá que ele se machuque novamente.

O ANBU riu por detrás da máscara.

— O time 5 pode sobreviver sozinhos por uma hora. — Ele então se moveu em direção a Vila, seguidos pelo time 7. O ANBU e Kakashi conversaram sobre a missão e o que ocorreu, e os três adolescentes ouviram atentamente.

Eles chegaram à vila. A pobreza era bem aparente. As casas quebradas e carentes de reformas. Os esgotos abertos ao ar livre. Havia mendigos dormindo pelos cantos e becos, e tanta sujeira pelas ruas.

O Jounin do time 5 era um homem simples com cabelos castanhos e o rosto singular. Os olhos opacos se moveram de Kakashi ao ANBU, antes de fixar em Sasuke e Naruto.

O time 7 acompanhado pelo ANBU e Souja estavam reunidos na sala da modesta casa do construtor de pontes, os demais estavam dormindo profundamente.

— O Sharigan Kakashi? Nesta escassa missão de rank-C?

Kakashi não disse nada, mas Naruto era incapaz de ficar calado.

— Sua culpa, pois não conseguiu lidar com missão rank-C simples a transformando em classificação elevada.

— Naruto não é elegante jogar na cara das pessoas seus erros, — Alfinetou Sasuke.

Kakashi manteve-se calado, enquanto Harumi estava pasma com as palavras de seus companheiros. Ela sabia que os dois tinham gênios fortes, porém não os imaginou perdendo o controle assim. Eles mais que ninguém, sabiam como as coisas funcionavam.

— Qual a situação aqui? — Kakashi finalmente se pronunciou,

— Talvez os genins devessem sair? — Souja sugeriu olhando para os três adolescentes.

— Meus genins podem lidar com estresse de uma missão. São meus soldados.

Harumi olhou desajeitada para a mesa. Na correria de uma missão para outra, ela não teve oportunidade para parar e considerar o fato que matou alguém. Toda vez que parava, a sua mente, retornava aquele momento quando jogou a kunai com precisão na cabeça do ninja Iwa.

Por isso que Kakashi alegou que ela poderia lidar com estresse? Por que era uma assassina agora?

— Muito bem! — disse o homem — A situação e o seguinte, — ele tomou um gole do chá, antes de continuar — A Gato Corporation é uma sociedade de navios mercantes. Ele também lida com intimidação, controle de rotas, trafico e escravos. Nós devemos proteger Tazuna-san enquanto ele terminar de construir a ponte.

Sua voz foi diminuindo de tom a medida que falava, indicando sua preocupação. — No caminho, enfrentamos os irmãos demônios. Foi difícil, mas pudemos lidar com eles... meu erro foi acreditar poderíamos concluir a missão.

— Deviam ter seguido protocolo é retornado para Konoha — disse o Corvo.

Alguns dias após enfrentamos o demônio da Névoa Sangrenta. Só sobrevivermos por sorte, mas acabei ferido. Ele acabou pior, pois um caçador ninja apareceu e o matou.

— Então qual é o problema? — Kakashi perguntou virando enfadonhamente outra página de seu Icha-Icha.

— A ponte está quase concluída. Gatou não permitira que sua mina de ouro esvazie… ANBU Corvo manteve-se calado em todo o momento, analisando a reação de todos. — falou Souja.

— É isso é nosso problema, porquê?

Naruto olhou ferido para o homem que era seu tio-adotivo e professor.

— Kakashi-nii-san... Eles vão morrer. Não devemos ajudar?

Kakashi suspirou.

— Eles pagaram por missão rank-C de acompanhamento e isso foi feito. Hokage nos enviou para auxiliar o time 5 em seu retorno — sua voz era fria desprovida de qualquer sentimento.

— Se formos agora, o construtor vai ser morto — disse Souja, — Não podem…

— Não foi essa missão que nos contratamos — disse Kakashi.

Harumi encolheu os ombros enquanto soltava um suspiro. Pela lógica, ela sabia que Kakashi tinha razão. Konoha não era uma aldeia de caridade, as missões realizadas deviam ser pagas. O Construtor Tazuna pagou por missão de acompanhamento, e isso foi feito. O homem certamente usou todas as suas economias para isso, e ela duvidava, que ele tivesse dinheiro para pagar por uma missão de proteção e eliminação do problema ‘GATOU’, contudo, não deixava de ser cruel abandona aquele homem e o vilarejo a próprio sorte.

— Eles poderiam sair daqui, — sugeriu Sasuke — Estão próximos à fronteira de outros Países.

— Você abandonaria a sua casa? Seu clã e Konoha? — indagou Harumi e acabou ganhando atenção de todos. — Essa é à terra deles, suas famílias têm histórias aqui e a ponte é esse fio de esperança. Não vão deixar até que não reste mais nada — ela não era fria, mas ela sentia muito por aquelas pessoas e queria ajudá-los, mas também era lógica e via o quadro completo da situação.

Souja respirou. — Hatake, você e o ANBU podem lidar com eles. Eliminar Gatou… eu sei que…

— Não, essa não é a nossa obrigação.

Naruto olhou ferido e Sasuke rosnou irritado.

Corvo pigarreou. — Voltamos amanhã para Konoha.

Um som de vaso caído ganhou atenção dele. Ao olharem para direção do disturbou, depararam com um homem idoso segurando uma garrafa de bebida. — Não queria bisbilhotar, estava apenas… não conseguir dormir.

Souja sorriu.

— Esse é Senhor Tazuna, o construtor da ponte.

O homem moveu cambaleando até a mesa ocupada pelos shinobis. Ele abaixou de forma desajeitada e prostrou de joelhos em frente aqueles ninjas.

— Senhor, não precisa… — Souja quis levantar para ajudar o homem a se recompor, mas Corvo o impediu, segurando seu braço.

— Eu imploro, por favor, nos ajude. Somos pobres e realmente não temos como pagar, mas se nós abandonar, vamos morrer. — As lágrimas descia descontrolada pelo rosto enrugado. — Somos idosos, crianças e aleijados abandonados a própria sorte. Essa ponte é a nossa esperança…

— Lamento senhor, mas não somos organização de caridade, não podemos — afirmou Kakashi.

Naruto rosnou e levantou pronto para briga arduamente com aquele homem que considerava um tio e professor, porém, Harumi falou primeiro:

— Sabe o que acontecerá quando a ponte for concluída? Gatou vai apossar dela — disse a adolescente — A questão não é somente construtor a ponte, e eliminar seu obstáculo para a sobrevivência do País da Onda.

Tazuna levantou o rosto e encarou aquelas expressões sérias. — Mas o que devemos fazer, morre? Fugi?

— Quais suas pretensões para a ponte? Ela será útil para ligações de dois continentes. Quem controlar a ponte terá avanço monetário. — explicou Harumi. Os homens daquela pequena sala ficaram calados escutando uma menina de 11 anos fala com segurança.

Tazuna enxugou grosseiramente as suas lágrimas. — A ponte é do povo da Onda… Nós…

— Vocês não têm um Vila Shinobi para protegê-los, seu Daimyo se vendeu para Gatou. O que garantir que não fará isso novamente depois?

Naruto olhou pasmo. — Haru-chan…

Kakashi deu um pequeno sorriso e os demais não sabiam como reagir.

— Por isso não deixaram morrer? Por que não temos dinheiro para pagar? — gritou Tazuna.

Harumi suspirou.

Sua avó sempre lhe disse: um shinobi inteligente escolhe as suas batalhas. Ela não tinha certeza se estava sendo inteligente agora. Kakashi já disse o veredito. País da Onda iria morrer. Mas aqui estava ela criando um plano estúpido porque queria ajudar aquelas pessoas.

— Meu sensei disse, Konoha não é órgão de caridade, realizamos missões por dinheiro. Que tal uma proposta?

— O que está sugerindo? — Souja perguntou irritado. — Não pode aproveitar-se dessas pessoas carentes… Isso é…

— Calado — ordenou Kakashi. — Deixe a minha genin fofa falar.

Harumi fez uma careta para seu sensei. Aquele homem era confuso de entender.

— Não estou sugerindo que se curvem e sejam explorados por outro. — Harumi disse com cuidado — É um negócio. Konoha pode oferecer proteção para seu vilarejo e ponte, não somente agora, mas pelos próximos anos. Em troca, recebemos uma porcentagem de todo pedágio que cobrará para a travessia pela ponte.

— Não vamos cobrar para as pessoas usarem a ponte.

— Por que não? — Sasuke perguntou. — Vocês estão deixando de comer para construir essa ponte. Depredando as suas próprias casas para isso.

— Apenas queremos nos libertar de Gatou.

— Não seja ingenuo, senhor. Outras Vilas e País vão querer passar por aqui. Essa ponte facilitar comércio de muitas regiões. Deve pensar não somente a sobrevivência, mas no crescimento do seu vilarejo — disse Harumi.

Kakashi bateu as mãos.

— Vamos dormir. Estamos todos cansados. — ele virou para o homem — Pense nisso e nos dê uma resposta amanhã cedo.

Tazuna acenou. Seu semblante estava confuso, mas também havia brilho de possibilidade.

— A casa é pequena, mas podemos dividir. Minha genin está dividindo quarto com a filha de Tazuna, sua aluna também pode… — Souja começou a sugerir.

— Eles vão acampar no quintal. — interrompeu Kakashi, e antes mesma de terminar de falar, seus três alunos já saiu da casa para providência acampamento — A vida de ninja não deve ter conforto.

—oÕo-

Sua língua tinha gosto estranho enquanto caminhavam em direção a ponte. Tazuna tomou sua decisão. Aquele homem simples e ingenuo queria sobreviver, ele queria que suas pessoas pudessem viver, assim aceitou trocar de carrasco: Gatou por Konoha. Ao menos, o negócio com a aldeia da folha, parecia mais promisso.

O Corvo apresentou ao homem um contrato simples para ser assinado, ainda não era o documento oficial, mas aquele pedaço de papel esclarecia que Tazuna contratava Konoha para missão proteção e segurança da ponte, construtor e o vilarejo, e como pagamento, um contrato de pedágio pelos próximos 5 anos seria assinado em breve.

Kakashi parecia feliz quando ordenou que seus alunos fossem para a ponte com o time 5.

Naruto e Sasuke pareciam incomodados, talvez, devido à presença irritante dos seus fãs do time 5.

Enquanto seguiam pelo vilarejo, partiu o coração de Harumi. As lojas estavam quase vazias, as crianças famintas e os mendigos jogados pelos cantos.

— Moça, você tem algo para eu comer? — uma garotinha pediu com as mãos estendidas.

Partiu seu coração.

Harumi vasculhou seus bolsos e encontrou algumas barras de ração ninja. Apenas 3 unidades. Ela deu para a menina, que saiu apressada, segurança aquela estranha comida como tabua de salvação, e com medo que os outros vissem e roubassem dela.

Ela queria pode ajudar mais.

Há uma maneira.

Existe?

Devemos matar Gatou.

Não posso matar um civil.

Você já matou alguém. Um shinobi. Qual difícil seria matar um homem gordo e velho?

Harumi temeu o caminho que seus pensamentos seguiam. Ela não tinha certeza se estava ficando louca e falando consigo mesma, porque, aquela voz em sua mente parecia de outra pessoa. Alguém em simultaneamente familiar e desconhecido.

— Neh, Sasuke-kun, fomos incríveis. Lidamos com os irmãos demônios... — A voz estridente de Aiko lhe trouxe para a realidade.

Por um segundo, Harumi escolheu estar realizando aquela missão junto da sua ex-melhor amiga da infância.

A estrada da ponte apareceu. Havia homens corpulentos e até idosos trabalhando com suas roupas simples e desgastadas.

Sasuke estava realmente lançando olhares mortais para os outros genins, um para Aiko e outro para Hachibi, pois ambos pareciam estar em uma competição para conquistá-lo.

— Uchiha-sama, é verdade que pode usar o Sharigan para observar o futuro? — Hachibi perguntou com os olhos em misto de adoração e inveja. Era estranho assistir aquilo.

Sasuke habilmente encarou Naruto, dizendo pelo olhar, para não matar o garoto chato.

— Então, como Harumi está se saindo? Ela ainda não se matou, isso é bom — Aiko disse com tom alegre — Ela não sabia nem lançar um kunai na academia, acredita?

Harumi franziu a testa. Se ela estivesse recordando bem, ela ajudou Aiko a aprender a lançar a arma.

Não queria escutar a voz irritante de Aiko, ela adiantou os passos, e parou ao lado de Naruto.

O terceiro membro do time 5 havia ficado na casa do construtor, ele e seu sensei Souja. Eles ficaram responsáveis por proteger Tsunami e Inari, enquanto Kakashi e Corvo sumiram para fazer sabe lá o que...

— O que está acontecendo? — Harumi indagou.

Naruto grunhiu. — É sempre assim. Esses bajuladores. Pelo visto, os dois fazem parte do fã clube Uchiha.

Harumi assentiu, e então observou os trabalhadores da ponte. Todos pararam para assistir à cena. Hachibi e Aiko começaram a briga porque um queria atenção exclusiva de Sasuke-sama.

— Essa missão seria uma dor de cabeça? — Harumi indagou.

— Nem me fale. Tiver que lidar com o outro chatoninho pela manhã. Pelo menos ele não veio — Naruto suspirou. Podia falar com sua amiga para se afastar.

Harumi encolheu os ombros. — Ela não é minha amiga, há muito tempo nos afastamos. Eu achava Sakura e Ino horrível de assistir, esses dois são piores.

Ela podia sentir uma dor de cabeça chegando. Pela estimativa de Tazuna, a ponte estaria pronta em 15 dias. Harumi duvidava que aguentaria duas semanas disso.