A garota do time 7 - Livro 1
16 Capítulo 16 - Um ninja nunca para de treinar
Harumi nunca quis agradecer tanto pelos pequenos milagres recebidos. O dia anterior foi irritante. Lidar com os genins do time 5 bajulando Sasuke e Naruto foi uma experiência horrorosa que não queria experimentar. Nunca foi tão grata a Kakashi quando o Jounin anunciou na manhã seguinte que o time 7 iria treinar naquele dia e que o time 5 devia vigiar a ponte e a Tazuna.
Aiko e Hachibi choramingam alegando quererem ir juntos para o treinamento, mas Souja os parou. Aparentemente os dois jounins combinaram dias intercalados para o serviço de segurança e treinamento.
O Esquadrão 7 estava em uma clareira da floresta próxima à casa de Tazuna. Kakashi tinha um olhar feliz, o que significava torturar.
— É hora do treinamento especial. Primeiro preciso ter certeza do quê vocês sabem — Ele olhou seus alunos — Sasuke! Naruto! Eu tenho consciência que sabem subir nas árvores e andar sobre as águas.
Naruto sorriu e coçou a nuca.
— Sim, ficamos entediados com exercícios de árvore e perturbei minha mãe, até que ela nos ensinou a andar na água. Alguns meses antes de nos formarmos.
— Entendo! Harumi-chan, você aprendeu escalada nas árvores com Kurenai? — Kakashi perguntou.
A garota acenou um ‘sim’ com a cabeça.
Kakashi sorriu para a garota.
— Você não pode sempre depender de Fuuinjutsu. É importante que desenvolva outras habilidades. O treinamento de arvorismo, andar sobre a água ou folhas são ótimos para controle de chakra e até para aumentar as reservas.
Os olhos castanhos de Harumi se arregalaram surpresos, porque Kakashi estava finalmente ensinando algo que não envolvesse taijutsu ou testes de sobrevivência.
— Eu quero que você suba na árvore para poder observar o seu desempenho — Kakashi instruiu.
Harumi queria recusar, mas apenas acenou. Ela fez o selo de carneiro com as mãos e focou o chakra nas solas dos pés, então correu para a árvore. Os olhos de seus companheiros acompanharam sua atividade. Quando alcançou certa altura, Harumi pulou da árvore.
— Muito bem! Acredito que Kurenai-san a ensinou bem. Menos uma coisa para mim — disse Kakashi — Okay! Sasuke e Naruto, quero que vocês façam um reconhecimento pelo vilarejo. Observem qualquer coisa que possa ser suspeita, e principalmente, não se distraiam com brincadeiras, mantenham a guarda — orientou.
— E Haru-chan? — Naruto perguntou curioso.
O homem mascarado riu.
— Ela estará comigo, mas antes… — ele disse, pescando algo na bolsa de equipamentos, e revelou quatro folhas de papel.
Naruto perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente:
— Que diabos são esses? — Um olhar de horror passou por seu rosto. — Oh não! Por favor, não me diga que isso é uma prova escrita!
Harumi gemeu.
Ela quase ficou feliz em considerar que Kakashi iria realmente lhe ensinar algo útil.
— Acalme-se. Este é um teste, mas não um escrito — explicou Kakashi, balançando a cabeça — Estas são folhas de papel forjadas a partir de árvores especiais, alimentadas com chakra há muitos anos. Elas ajudam a determinar qual é a afinidade elementar primária de vocês.
— Afinidade elementar primária? — Harumi questionou.
— Existem cinco tipos básicos de chakra usados no ninjutsu. As Cinco Grandes Nações Shinobi foram nomeadas em homenagem a eles. Fogo, vento, água, raio e terra. Todo mundo tem um elemento pelo qual naturalmente se inclina. É mais fácil de acessar. Ao focalizar seu chakra no cartão, ele informará qual você possui.
Kakashi adicionou seu chakra a uma das cartas. Ela estremeceu e amassou.
— Viu? Meu elemento principal é o raio, então o papel ficou enrugado, em resposta ao meu chakra. Se o papel queimar, então fogo! Se cortado ao meio, Vento. Ser molhar, então água. E, finalmente, se for terra, se desfaz em pó — O Jounin disse — A maioria do clã Uchiha tem afinidade com fogo e os Uzumaki com o vento.
Naruto pegou o cartão e olhou-o curiosamente por um momento. Então ele concentrou seu chakra nele com um pequeno grito. O papel se dividiu no meio.
— Ah! Parece que seu elemento principal é o vento, assim como seu pai — observou Kakashi, em um tom satisfeito.
— Posso tentar? — Sasuke perguntou, dando um passo para frente.
Kakashi entregou uma folha para o garoto, com um sorriso. Sasuke olhou com cuidado e depois concentrou um pouco de chakra nas pontas dos dedos e viu o papel enrugar.
— Suponho que Sasuke é o elemento raio. Sorte sua, eu tenho muitos jutsu em meio arsenal — disse com sorriso para o garoto, que fez Sasuke recuar um passo, prevendo que seu sensei o faria sofrer para aprender — Agora, Harumi!
A garota pegou cautelosamente o papel e aplicou o chakra. Inicialmente o papel não fez nada, e Harumi estava crente que ela não tinha elemento nenhum, mas seu papel ficou molhado e depois se desfez em pó.
Kakashi coçou a cabeça.
— Eu julgo que você tem duas afinidades primárias. Normalmente, um ninja tem apenas um elemento principal e pode aprender os outros depois com mais facilidade.
— Uau Haru-chan — Naruto disse — Você é incrível.
Kakashi bateu as mãos.
— Amanhã ensinarei a Naruto e Sasuke um jutsu com base em seus elementos principais, contudo, hoje eles vão monitorar a aldeia — Ele apontou. Naruto foi arrastado por Sasuke, enquanto reclamava o quanto isso era injusto.
Harumi gemeu quando se deparou com os olhos de Kakashi sobre ela — E nós... — disse, apontando para ambos — Vamos para o rio!
Ela queria gritar. Não queria ir ao rio, ela não tinha boas lembranças daquele lugar. Se arrastando, ela seguiu um Kakashi sorridente.
—oÕo-
Várias horas depois, quando o sol desaparecia no horizonte, Harumi afundou novamente nas águas geladas. Ela quebrou a superfície em busca de ar. Encontrava-se molhada e com frio. Não foi nada divertido.
Após ensinar o básico, Kakashi estava sentado contra uma árvore e dormiu, deixando a garota sozinha em seu treinamento.
Foi preciso muitas tentativas e erros para que Harumi conseguisse ficar pelo menos dois minutos de pé sobre a água. Não foi preciso dizer que rapidamente ela dispensou o moletom e as sandálias, já que não paravam de cair no rio.
— Isso é o suficiente por hoje — disse Kakashi, juntando as muletas — Você fez um grande progresso.
Harumi saiu do lago e torceu seu cabelo, tirando o excesso de água. Ela não queria agir como uma criança mimada, mas estava realmente irritada.
— Não seja assim, Harumi. Você progrediu muito mais rapidamente do que qualquer Jounin poderia ter...
— Mentira. Eu sei que estou muito abaixo de Naruto e Sasuke — ela disse com tom irritado, sem coragem de encarar o homem — Estou sempre correndo atrás deles. A última aprender as coisas.
— Confie em mim, você vai alcançá-los. Você é uma criança talentosa — Kakashi disse confiante — Naruto e Sasuke treinam desde crianças em níveis elevados… Você acabou de se formar na academia, mas já está à frente dos seus outros colegas.
— Eu… só queria ser melhor… — Harumi murmurou. Seus olhos arderam com lágrimas que ameaçavam cair.
— Você é extraordinária em Fuuinjutsu. Suas habilidades superam as minhas. Tem duas afinidades que combinadas serão indestrutíveis. — Kakashi disse — Apenas não desista e continue se esforçando. Não pense em alcançá-los.
Harumi corou de prazer envergonhado quando concordou. — Ok. Mas vou começar amanhã de manhã.
— Eu não esperaria nada menos. Vamos para casa.
Harumi recolheu suas sandálias e o moletom preto, antes de seguir em silêncio ao lado do seu sensei. Ela se sentia mais calma depois das palavras do homem. Não que quisesse ficar pescando elogios, mas as palavras de incentivo foram importantes.
—oÕo-
Naruto deu um suspiro silencioso de alívio, enquanto caminhava em direção a casa do construtor e a sua família, conversando com outros trabalhadores da ponte, enquanto os dois genins seguiam atrás.
— Você está calado — Sasuke afirmou.
Naruto lançou um olhar irritado para nada em particular. — Eu estou preocupado. Isso não é mais uma missão de Rank-C...
— Ficaremos bem. Kakashi é um ninja forte. Poderoso — Sasuke disse em um tom baixo e descuidado — E os genins time 5 que estou preocupado, eles vão se matar.
— Você é um idiota.
Sasuke bufou.
— Preocupado com Nohara? Pensei que não se importasse com ela.
— Eu disse que daria uma chance a ela… e até agora, não me desapontou. — Naruto disse levemente irritado. — Ela é… até legal, para uma garota.
— Não seja machista… sua mãe vai tirar sua pele — Sasuke disse divertido.
— Não estou sendo — Naruto gritou e cruzou os braços — É apenas… estou tão acostumado com as garotas sempre gritando seu amor… nos comprando presentes… tão fúteis.
Sasuke ofereceu-lhe um sorriso vaidoso. — Sim, eu sei o que quer dizer — ele disse baixinho.
— Estou ansioso para aprender minhas habilidades de vento amanhã. — Naruto disse empolgado, e cruzou as mãos atrás da cabeça, andando de forma despreocupada ao lado do seu amigo.
—oÕo-
As dobradiças da porta rangeram quando ela empurrou a madeira antiga. Seus olhos pousaram sobre as pessoas ao redor da pequena mesa, desfrutando de uma refeição simples, mas quente.
— Haru-chan, você voltou — gritou um animado Naruto. Ele encarava a garota do seu time como se ela fosse uma tábua de salvação em mar revolto. — Cadê Kakashi-Nisan?
Harumi suspirou.
— Ele desapareceu assim que chegamos aqui — ela murmurou. Agora sabia o motivo do sensei sumir, parecia que o poderoso Jounin não queria lidar com a pequena família, o time 5 e as reclamações de Naruto e Sasuke.
— Kakashi-nisan é um traidor — resmungou Naruto enquanto tentava se afastar de Hachibi que estava perto demais dele.
Sasuke parecia estar tendo uma constipação estomacal pelas caretas que fazia. Souja-sensei parecia sem graça e o ANBU Corvo olhava tudo por detrás da sua máscara com imenso interesse.
— Oh, tadinha, está toda molhada — Tsunami, a filha do construtor, levantou e aproximou-se de Harumi — Vá tomar um banho quente e troque de roupas — Ela empurrou a menina pelos ombros gentilmente, — Aiko, porque não mostrar o quarto para ela?
Aiko fez uma careta descontente, indicando que não queria sair do lado do herdeiro Uchiha.
— Eu posso ir sozinha, — anunciou Harumi e saiu da sala antes que Tsumani insistisse. Harumi não queria lidar com Aiko.
Ao entrar no banheiro, Harumi fechou a porta e encostou as costas na madeira branca lascada. Seu corpo foi deslizando até que ela acabou sentada no chão. Encolheu suas pernas e abraçou-as contra o corpo. Ela fechou os olhos e suspirou fundo várias vezes.
Harumi queria estar em momento, pois se mantivesse ocupada não pensaria no fato que tinha matado um homem. Desde a missão na fronteira até agora, não teve muito tempo para considerar as suas ações. Ela sabia que tinha sido treinada para tornar-se uma assassina, mas isso não mudava o fato que saber e executar havia um abismo muito grande.
Ela abriu os olhos e encarou o ambiente. Havia apenas um chuveiro, pia e vaso sanitário. Tudo simples, mas extremamente bem cuidado e limpo. Ignorando a dor dos seus músculos, ela moveu-se para retirar as roupas molhadas e tomar um banho.
Depois de se limpar e comer algo, pretendia retornar à clareira para treinar. Harumi precisava treinar mais para se tornar forte, e principalmente, manter-se ocupada para não pensar no que tinha feito. Não era o momento para ter um ataque de pânico ou crise de ansiedade.
—oÕo-
Harumi estava tão cansada que não percebeu adormecer. Ela esgueirou para fora da casa depois de jantar e ajudar na lavagem dos pratos. Temeu que Sasuke ou Naruto poderiam tentar pará-la ou segui-la, por isso, foi para uma clareira diferente do que treinaram pela manhã.
Nas duas primeiras horas, ela repassou as katas de taijutsu ensinadas por Gai-sensei. Seguiu os movimentos de kung-fu lentamente e com cuidado, tomando cuidado para executá-los com perfeição e garantiu memorizá-los.
Após um grande gole de água, ela retirou as roupas, ficando apenas com top preto e um short curto preto e seguiu para o lago. Harumi estava determinada a dominar a técnica de andar pela superfície das águas naquela noite.
Harumi perdeu a conta de quantas vezes ela afundou naquela água fria, porém, continuou levantando e treinando. Somente quando seu corpo não podia mais mover-se um dedo, ela cedeu e deitou na grama, em meio uma cama de pequenas flores e capim alto.
Devido ao cansaço de seu corpo, o sono veio sem qualquer sonho ou pesadelo, algo pelo qual era grata. Seu corpo relaxou e a respiração estava calma. Naquele cenário, rodeada por árvores, pássaros e o som do lago, ela relaxou.
Sua mente foi forçada a retornar das profundezas da inconsciência quando uma sensação de perigo passou por seu corpo. Movida pelo instinto, ela sacou uma kunai e apontou para um pescoço branco enquanto sua outra mão segurou um pulso, ainda de olhos fechados.
As pálpebras se abriram e os olhos castanhos encaram a pele pálida, os lábios rosados e os cabelos lisos e castanhos que adornavam um belo rosto. A pessoa a encarava com certo parvo.
Harumi sentou e suspirou.
— Desculpa, — ela murmurou e abaixou a arma que apontava para o pescoço da pessoa ‘desconhecida’ — Mas não devia abordar alguém assim.
— Oh, me desculpe. O sol está bem forte e sua pele parece sensível. Só quis lhe acordar — disse a jovem vestida um kimono rosa e cabelos castanhos soltos.
Harumi observou que a pessoa carregava uma cesta com diversas ervas e tinha um colar preto ao redor do pescoço.
— Sim, eu acabei adormecendo.
Ela olhou para si mesma e percebeu que vestia apenas roupas de malha preta, que sua barriga e pernas estavam a mostrar. Se encolheu de vergonha devido aos membros finos e desengonçados. — O que faz aqui? Não devia estar sozinha aqui, é perigoso.
A pessoa riu com graciosidade — Era você que estava dormindo aqui. Eu conheço bem a região e sei evitar os homens daquele homem.
— Que homem? — Harumi perguntou de forma desentendida.
A pessoa colocou uma mecha atrás da orelha e sorriu — Gatou! Seus capangas estão pela floresta e vilarejo. Todos têm medo deles.
Harumi levantou os braços e espreguiçou — Sim, por isso lhe disse para não ficar aqui.
A pessoa apontou para a faca que a garota de cabelos curtos ainda segurava. — Você é ninja? Um daqueles que veio ajudar a construir a ponte?
— Eu… algo do tipo. Acho! Sou novata nessa coisa de ninja e lutas. Mas para proteger as pessoas que me são importantes, tenho-me esforçado.
— Sim! Devemos fazer tudo que podemos por nossas pessoas importantes — disse a jovem de kimono rosa e então se ergueu — Já colhi ervas o suficiente, devo ir.
— Você é curandeira ou algo do tipo? — Harumi perguntou.
— Tenho algum conhecimento. Estou cuidando da pessoa mais importante no mundo para mim — disse com suavidade — Como se chama, ninja-san?
Harumi sorriu e levantou, retirando pequenas gramas grudadas em seus braços e pernas — Me chamo Nohara Harumi, e você?
— Prazer em conhecê-la Nohara-san — sua voz era suave e gentil, mas seu sorriso nunca alcançou seus olhos. — Me chamo Haku! Tenho que ir.
— Oh, sim! Tenha cuidado no seu retorno.
Haku acenou e moveu-se, dando as costas para Harumi. Alguém leigo consideraria um ato simples e sem medo, mas não passou despercebido por Harumi os ombros tensos e os dedos prontos para ação. Esse pequeno detalhe, denunciou para Harumi que aquela pessoa não era um civil ou uma pessoa fraca.
— Nos veremos novamente, Haku-san!
— Claro!
Harumi permaneceu na mesma posição, em guarda, até que sentiu o perigo sumir e a voz na sua cabeça parar de falar de ‘matar’. Ela não sabia o que era isso, mas sentia medo, medo que estava criando uma dupla personalidade ou algo assim.
— Você deve retornar! O time 7 está com o dever de proteger a ponte e o construtor.
Uma voz masculina quebrou o silêncio da floresta.
Harumi não se assustou ou moveu da posição, ainda olhando para o caminho pelo qual ‘Haku’ se afastou.
— Neh, Corvo-san, você também sentiu isso? — Harumi perguntou com calma.
— Hn! O que seria? — O homem vestido de preto e com máscara de porcelana perguntou com interesse duplo. Ele queria saber qual era a preocupação da garota e quando foi que ela percebeu a sua presença. Ele duvidava que o coletor de ervas percebeu que ele estava ali, então, como a sentir sabia?
— Aquele deve ser o ajudante de Momochi Zabuza. Ele é perigoso, muito.
— Não posso negar. Não devia dormir fora, ele poderia ter lhe matado.
Harumi virou o rosto e encarou o misterioso homem ao seu lado. Reparou em seus cabelos pretos curtos e a máscara com características da ave negra — Você me protegeria, já que como perseguidor me observou ontem a noite toda. Você viu? Dominei a técnica de andar sobre as águas com chakra — Ela sorriu e moveu-se para recolher suas roupas e vesti-las, deixando um abismado ANBU parado a encarando.
—oÕo-
Harumi suspirou feliz quando acordou na manhã seguinte. Um bom jantar quente, um bom banho e um ótimo sono fariam isso com qualquer pessoa. Ela trocou o pijama por suas roupas habituais de trabalho e notou que Tsunami já havia acordado.
Enquanto os rapazes dormiram na sala, Harumi dividiu o pequeno quarto com a filha do construtor. Ainda era um saco de dormir no chão, mas ao menos tinha um pouco de privacidade. Ao chegar à cozinha, ela percebeu que todos estavam sentados à mesa totalmente arrumados. Todos, exceto Inari. Ela ficou preocupada com o garoto. Ele era muito novo para ter pensamentos tão pessimistas.
— Escutem — disse Kakashi. — Continuaremos o treinamento pelos próximos dias. No entanto, durante esse período, quero que um de vocês acompanhe Tazuna-san até a ponte, em turnos rotativos. Algum voluntário para a primeira vigília?
Naruto e Sasuke se entreolharam. Harumi suspirou. Ambos estavam com sangue quente demais e queriam melhorar. Certamente, loucos para aprender os jutsu elementares que Kakashi prometeu.
— Suponho que vou fazer isso. — disse Harumi em tom resignado.
— Obrigado, Harumi. Em seguida será Naruto, depois Sasuke, e depois repetimos o ciclo. No que diz respeito ao treinamento, idealmente, quero que todos vocês briguem um contra o outro na água até o final da semana, utilizando todas as habilidades que vocês possuem.
Seu olho solitário voltou-se para Harumi. — A ponte está perto da água. No horário do almoço, treine um pouco. Isso aumentará seu controle de resistência e chakra. Você já viu como realizá-lo, correto?
Harumi assentiu.
— Bom. Naruto, vou começar a lhe ensinar um novo exercício de controle.
— Ah… Kakashi-Nii, eu quero jutsu.
— Tudo em seu tempo. O elemento vento é mais difícil, e não tenho grande conhecimento dele. Vou ajudá-lo no controle para que tenha facilidade de aprender os ninjutsu depois.
— E Sasuke, vou passar-lhe alguns exercícios para o elemento raio. — disse Kakashi. — Tudo bem, equipe. Vamos trabalhar.
As coisas aconteceram exatamente como Kakashi pretendia enquanto os genins treinavam.
Harumi conseguiu imitar eficazmente a caminhada na água, ainda que a insegurança a fizesse desequilibrar às vezes. Ela continuou seus exercícios sempre que a oportunidade de treinar não era impedida por sua função de segurança da ponte e Tazuna.
Sasuke absorveu os exercícios de raio como esponja, ainda mais por estar usando o Sharingan para acelerar seu aprendizado.
Foi Naruto quem melhorou mais, graças à sua determinação. No final do terceiro dia, ele conseguiu cortar completamente a folha, enquanto utilizava a habilidade de caminhar na água.
Isso levou Kakashi-sensei a entregar a Naruto seu primeiro pergaminho de ninjutsu, que o garoto estava muito orgulhoso de receber. Fuuton: Daitoppa foi um ninjutsu de ataque Rank-C incrivelmente versátil.
Kakashi também havia dado uma aula em grupo, ensinando-lhes a técnica do Fluxo Chakra. Naruto se concentrou em transmitir seu chakra de vento para kunai e shuriken, mas seu chakra se dissipou ou perdeu sua borda afiada. Sasuke dominou o básico sobre a técnica, mas usando seu chakra da natureza do raio corroeu suas armas, então ele se absteve. Harumi também dominou a técnica e começou a experimentar a forma que seu chakra assumia dentro de kunai e shuriken. De alguma forma, ela conseguiu formar kunai feitas de água que poderiam cortar como a lâmina de aço.
—oÕo-
No final do quarto dia, o time 7 aproveitava a brisa noturna da varanda da casa do construtor. A lua pairava acima deles, e eles desfrutavam de um refresco feito por Tsunami. Eles tinham ficado no dever de proteger a ponte e o construtor naquele dia, algo bem chato e sem muita ação.
Sasuke estava sentado com os braços cruzados sobre o peito.
— Zabuza provavelmente estará aqui em breve — disse ele com um tom casual, do qual Kakashi ficaria orgulhoso — Com seu cúmplice.
— Eh, ele pode trazer quem quiser. Vamos lidar com eles e quem mais vier junto — disse Naruto, com um sorriso devorador, exibindo seus caninos.
— Me preocupo com o time de fracotes. Ser eles serão mortos — declarou Sasuke.
Harumi sorriu.
— Está preocupado com seus fãs — Ela brincou, mas apesar do tom leve, a veia assassina que não esquarteja Aiko não passou. A cada dia, a sua ex-amiga falava mais e mais coisas que a magoava ou irritava.
Tsunami enfiou a cabeça pela porta da frente, olhando para o grupo.
— Harumi-chan — ela chamou, — Desculpe interromper, mas você se importaria de me ajudar na cozinha por um momento? Estou fazendo onigiri e quero ter certeza de que há o suficiente para todos.
— Claro, Tsunami-san — Harumi ofereceu com um sorriso educado.
Antes que eles pudessem voltar a conversar, outra presença se registrou em seus sentidos. Sasuke fez uma careta, em um canto da grade externa que cercava a casa. Como se sentisse que ele havia sido descoberto, Inari espiou pela parede e encontrou os olhos escuros do Uchiha com os seus.
Sasuke encarou o garoto firmemente, perguntando secamente: — Algo que você precisa?
— Por quê?
— Como? — o shinobi perguntou cansado. Ele não estava de bom humor. Mas, quando ele estava?
— Por que vocês ficam... — o garoto começou em silêncio, antes de explodir — Por que vocês se esforçam tanto? Não importa o quanto tentem, vocês morrerão se for contra Gatou! Não percebem isso?! Ao enfrentar os fortes, os fracos só acabam sendo mortos!
No meio de seu discurso, as lágrimas começaram a escorrer livremente pelo rosto de Inari, enquanto ele chorava. Sasuke desviou o olhar do garoto chorão e olhou para o lago. Ele esperou Inari se acalmar um pouco antes de falar.
— Você está certo sobre uma coisa: os fortes sempre esmagam os fracos. — Sasuke concordou. — Mas sua percepção de força e fraqueza é falha. Esse Gatou, que você tanto teme, não é nada. Nada além de um verme. Um parasita que se alimenta do terror de suas vítimas. O choro não o deixará mais fraco, apenas o tornará mais forte.
— Como você pode dizer isso! G-Gatou é...
— Nada — Sasuke repetiu — Qualquer um da minha equipe poderia matá-lo com um movimento do pulso. Não é Gatou quem você realmente teme. A ideia de algo... de alguém que pode fazer com você o que quiser — Sasuke disse, apertando o punho.
Naruto ficou calado enquanto o herdeiro Uchiha dizia.
Sasuke não sabia exatamente porque estava dizendo essas coisas. Talvez tenha sido por causa da história que o construtor da ponte lhes contou algumas noites depois.
— Você tem que decidir se deve ou não ser forte, Inari, porque ninguém pode fazer isso por você. A dor da perda pode torná-lo mais fraco. Ou pode torná-lo mais forte. — Sasuke deu de ombros. — Depende de você decidir o que há na sua vida.
Inari parou de chorar e enxugou os olhos. Com uma voz estridente, ele perguntou: — E como você poderia saber disso? Como você poderia saber que sua equipe não vai morrer?
Sasuke virou a cabeça e olhou Inari nos olhos, carvão sobre carvão.
— Porque nunca mais vou permitir que meus camaradas morram. Mesmo que isso me custe a minha vida.
O garoto olhou arregalados — Eu quero ser forte como vocês — confessou Inari. — Eu quero proteger minha casa, porém não sei como. Não sei como ser forte.
— Você pode começar nunca mais mostrando suas lágrimas — Naruto aconselhou — Caso contrário, você não poderá usar isso — ele estendeu uma kunai para ele. Inari agarrou timidamente a maçaneta e segurou a arma, que agora lhe pertencia — Use isso se for necessário. Mas você só pode usá-la se não tiver medo — Ele se levantou e acenou para Sasuke o segui-lo. Os dois deixaram Inari sozinha ponderando suas palavras.
Sasuke tirou as sandálias antes de entrar na cozinha, para lavar as mãos para o jantar. No caminho, ele quase esbarrou em Harumi.
— S-Sasuke-kun — Harumi se assustou.
Ele parou para ver a aparência da garota. Ela tinha descartado o casaco e usava um avental bege em sua frente, dando à kunoichi uma aparência doméstica. As bochechas estavam levemente coradas por causa do calor da cozinha, e seus lábios rosados se abriram levemente enquanto ela ofegava, fazendo com que seu peito subisse e caísse rapidamente. Ela segurava um prato de onigiri.
— Tudo bem? Cadê os outros? — Harumi perguntou. — O jantar está pronto!
Sasuke se afastou antes mesmo de voltar a si. Ele piscou
— Eu vou avisá-los! — ele disse e retornou à varanda. Ele não sabia dizer porque ultimamente vinha reparando na garota.
Naruto encarou a cena confusa. Era a primeira vez que ele viu Sasuke agir estranho diante de uma garota. Como se estivesse envergonhado ou algo assim.
Ele iria descobrir o que estava acontecendo com o seu melhor amigo. Ah, se ia.
—oÕo-
Harumi acordou de madrugada assustada quando uma mão estava em sua boca. Seus olhos se arregalaram e sua mão se moveu por instinto para a kunai debaixo do seu travesseiro. Sua respiração acalmou quando sua visão se acostumou com a escuridão e ela viu os traços do seu sensei.
O homem fez sinal de silêncio e retirou a mão da boca da garota.
— Kakashi-sensei?
Ela ocupava uma barraca de camping com seus companheiros de time. Kakashi realmente proibiu eles de ocupar a hospitalidade da família do construtor. Harumi tinha a sensação que o Jounin queria apenas evitar aborrecimento, pois os genins do time 5, pareciam adorar Sasuke e Naruto.
O homem de cabelos grisalhos acenou para fazer silêncio e saiu da tenda. Sem saber ao certo se era para acompanhar ou não, Harumi levantou e o seguiu para fora.
A noite estava fria. A brisa fazia a copa das árvores dançarem. Não havia nenhum som na aldeia, as luzes estavam apagadas e somente a luz da lua como farol.
Harumi andava alguns passos atrás de Kakashi com sua mente curiosa para saber para onde estava sendo levada, mas ainda assim, não fez a pergunta.
Kakashi parou próximo ao início da ponte.
— O esconderijo de Gatou está localizado naquela ilha, além da ponte — Kakashi disse pausadamente — Tudo seria mais simples e limpo se ele fosse eliminado.
Harumi olhou com curiosidade para a ilha distante. O País da Onda tinha diversos arquipélagos espalhados, alguns acessíveis, e outros, armadilhas suicidas.
— Porque o senhor e o ANBU não cuidam dele? Vocês têm experiência em missões de assassinatos.
Kakashi suspirou dramaticamente. — Não temos ordens diretas para realizar, e também, não podemos deixar a proteção do construtor.
Ela olhou descrente para seu sensei. Tinha plena ciência que se Kakashi quisesse matar o empresário, ele poderia fazer isso em menos de uma hora. Harumi odiava que Kakashi gostava de jogar enigmas.
— Quer que nós três o matamos? — ela indagou desconfiada.
Kakashi riu com desdém.
— Por favor. Sasuke com sua moral de justiça nunca mataria um civil desprotegido e Naruto diz que não confia nas pessoas, porém acredita que elas possam mudar.
Não passou despercebido pelo adolescente que o seu instrutor não incluiu seu nome naquele discurso. Kakashi não disse nada em defesa que ela não mataria. Se fosse sincera, Harumi já matou alguém. Não era um civil, mas um shinobi treinado, mas ela ainda retirou outra vida sem pensar muito ou teve arrependimentos. Um peso que estava evitando pensar ficando ocupada com treinamento e o dever da missão. Ela sabia que em algum momento teria um colapso com isso.
Kakashi bateu as palmas das mãos, — Enfim, retorne e descanse um pouco.
Harumi desviou o olhar da distante ilha e encarou o homem que se afastava com uma postura relaxada. Hatake Kakashi parecia um homem simples, mas, na verdade, era bem complicado entender suas ações e até pensamentos.
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