Notas iniciais
Olá! Como prometido, volto aqui com outra fic de LiS, esta não é oneshot. Eu ainda não decidi muita coisa nela, como a real classificação, ou mesmo os ships que vão rolar soltos pela fic, mas a ideia original é ser um pricefield leve e bonitinho com algumas insinuações de amberprice. Porém minha criatividade é um mistério e tudo pode mudar, então preparem-se!
Obs: Importante! A cidade ainda é Arcadia Bay, ainda será uma cidadezinha parada, mas não vai ser a mesma coisa mostrada no jogo! Muito da paisagem, dos personagens(principalmente em estilo de vida) e coisas em geral mudarão aqui. Qualquer cenário descrito com semelhança ao jogo é mera coincidência(?)
Espero que gostem!!

O despertador tocou e a única coisa que eu pensei foi em jogar o cobertor por cima de mim mesma e me esconder do resto do mundo pelo menos esse dia todo. Algo me dizia que meu dia seria péssimo, mas levantei com toda a elegância e controle para não jogar o maldito celular na parede e me trocar de uma vez, pois a minha intuição ultimamente andava péssima.

Olhei no espelho e um olhar vidrado enfeitado com olheiras e umas leves sardas logo abaixo me olhou de volta. Abri um sorriso sonolento para o reflexo.

- Ora, olá cara de zumbi.

Ficar acordada até tarde fazendo lição talvez não tenha sido boa ideia. Fui para o chuveiro torcendo para que este tivesse um milagre escorrendo ao invés de água, pois se eu aparecesse no serviço com aquela cara, ouviria um belo sermão.

Minha rotina é meio bagunçada às vezes. Na maior parte do tempo, vou para minhas aulas de manhã e o serviço vem logo à tarde. Porém, ao menos duas vezes por semana eu preciso fazer o horário inverso. Ao menos por sorte a cafeteria onde eu trabalho tem poucos funcionários e a dona me adora, assim ela aceita a troca de horários muito bem.

Hoje, era dia das aulas primeiro. Coloquei meus costumeiros jeans e casaco e caminhei até a universidade. Por muita sorte, consegui moradia em um lugar muito próximo da universidade e da própria cafeteria, assim em ambos os casos, posso simplesmente ir a pé para qualquer lugar. Me distraí demais com os próprios pensamentos e esbarrei em alguém na entrada, quando fui olhar para pedir desculpas, já fui logo cortada por alguém com tom muito debochado, um tom que eu conhecia muito bem.

- Maxine Caulfield, a falsa hipster que está sempre presa ao seu próprio mundinho. Me admiro como ainda admitem tipos como você neste lugar, talvez o nível da universidade esteja decaindo muito.

Sim, Maxine Caulfield é meu nome. Porém, se você me chamar de Maxine, serei obrigada a matá-lo. Eu prefiro Max. Atualmente tenho 19 anos e há 3 meses fui largada pelos meus pais nesta cidade onde nada acontece, chamada Arcadia Bay. A cidade tem uma variedade incrível de ricos metidos, caipiras, vândalos e pescadores. Uma bela e estranha mistura. Vivendo sozinha, precisei arrumar um emprego de meio período na cafeteria, assim conseguia pagar as despesas de casa. As despesas da universidade meus pais ainda importavam-se em pagar. Ao menos a melhor coisa da cidade era o professor de meu curso, Mark Jefferson, um fotógrafo muito famoso talvez mesmo em outros países, e de quebra, ele ainda é muito bonito.

Essa simpatia em pessoa em quem esbarrei era Victoria Chase. Do tipo de garota rica e mimada, ela não me suporta por toda a minha simplicidade, e por, logicamente, eu receber elogios de Jefferson sem ter que ficar puxando o saco dele.

Desde pequena eu amo fotografia, mas esse meu semestre estava provando-se um desafio capaz de rever todos os meus conceitos sobre tal amor. O tempo passou mais rápido do que eu poderia imaginar, e logo Kate Marsh estava à minha mesa, esperando.

Kate é um amor de pessoa. Do tipo super gentil que ama ajudar os outros. É muito reservada, porém sempre conversamos bastante. Todos os dias Kate se oferece para me acompanhar até a cafeteria. Ela gosta muito de ajudar por lá, e sempre recusa qualquer dinheiro que lhe é oferecido, eu admiro muito a bondade dela. Com minhas coisas arrumadas, caminho até minha casa para deixá-las por lá e seguir caminho até a cafeteria. Lá, sou recebida com um sorriso brilhante de Joyce, a dona da cafeteria.

- Se não é Max Caulfield e sua amiga muito gentil. Entrem, hoje estamos mais agitados, então se apressem e tomem seus lugares.

Fui aos fundos junto de Kate para me arrumar, o uniforme cheirava a café misturado à gordura, mas era um cheiro que eu tinha aprendido a me acostumar. Fui ao balcão e não me surpreendi com a quantidade de pessoas já esperando. Era sexta-feira e não tinha muito a se fazer à tarde numa cidade como Arcadia Bay. Muitas pessoas gostavam de vir tomar um café e comer alguma coisa em seu tempo livre.

Como costume, sempre que pediam algum café para a viagem eu perguntava o nome da pessoa e anotava no copo. Sentia-me em alguma espécie de Starbucks fazendo isso, e me divertia com as reações. Dependendo da paciência da pessoa, até fazia alguma caricatura no copo também. Mesmo eu não sendo mestre no desenho, eu sempre ouço dizer de pessoas que fazem coleções dos copos que eu desenho, e me sinto orgulhosa disso.

A porta abriu em um estrondo e me fez pular do lugar. Antes que eu pudesse registrar o que aconteceu, vi Joyce andar furiosamente até a porta e ficar à frente da pessoa do escândalo. Eu ouvia Joyce exasperar broncas, e pelo pouco que pude ouvir, quem quer que fosse, era a filha de Joyce. E as duas não pareciam dar-se muito bem. A discussão durou pouco e logo Joyce saiu batendo pés. A visão que se mostrou quando ela saiu me deixou paralisada no lugar. Ali na porta, com uma cara de péssimos amigos, estava uma garota de cabelo azul bem curto, a maior parte escondida por uma touca azul escura. Uma roupa bem punk em seguida, com direito a camisa rasgada com caveira, calça também rasgada, botas e até um colar de munição enfeitavam o resto da bela vista que eu apreciava. O tempo parecia ter parado, e eu só acordei quando um par de olhos azuis furiosos estava muito perto a me encarar.

- Ei, você.

Eu pulei de meu lugar e o olhar furioso amoleceu rapidamente, dando lugar a um sorriso bobo em seguida, um sorriso lindo, que lembrava o sorriso de Joyce.

- Relaxa, super assustada. Eu quero um chocolate quente pra viagem, ok?

- C-Claro.

Parabéns super Max, continue corando e gaguejando como uma garotinha adolescente super tímida. Ouvi uma risada da garota azulada e me virei para fazer o pedido sem coragem de olhá-la. Ela pacientemente esperou enquanto isso, e logo eu estava voltando ao normal enquanto caminhava para o balcão novamente, com o copo em uma mão e a caneta preta na outra, juntamente de um sorriso infantil.

- Qual seu nome?

- Huh?!

Ela arqueou uma sobrancelha desconfiada e confusa sobre a pergunta, eu ri baixinho e mostrei a caneta juntamente do copo para ela. Ela logo pareceu ligar as peças e abriu um sorriso já mais convencido.

- Eu falo o meu se me falar o seu.

Fui pega de surpresa pela fala e me atrapalhei com a própria fala.

- É-É Maxine... M-M-Max! Caulfield.

Ela riu em seguida e se abaixou um pouco no balcão, visto que eu desviei o olhar para baixo, ela arrumou uma ótima posição para conseguir me encarar, e o sorriso convencido só estava ainda maior em seu rosto.

- Tudo bem M-M-Max, eu me chamo Chloe. Chloe Price.

Mesmo ela parecendo debochar de mim, eu ainda sorri. Me apressei em escrever seu nome no copo e não deixei de lado a caricatura que imaginei ser perfeita para a azulada. Ela pegou o copo com um sorriso brilhante e me agradeceu, e eu acenei toda boba... Apenas para percebê-la caminhar na direção de uma garota muito bela que estava a esperá-la o tempo todo ali, sem dúvida ela poderia virar modelo facilmente. Ouvi uma breve conversa antes que elas saíssem, com Chloe abraçada na cintura dela. Rachel era o nome dela. E ambas pareciam muito próximas. Baixei o olhar tristemente para o balcão, e levou muito tempo até eu perceber que Chloe não havia pagado. Olhei para Joyce e me perguntei ela havia permitido isso, decidindo não puxar tal assunto e voltar ao trabalho, embora já não mais com o ânimo de antes, mesmo minhas caricaturas já agora não saíam mais, e algumas pessoas com rostos familiares pareciam ir embora decepcionadas.

O meu horário estava quase acabando e eu estava visivelmente furiosa. Havia sido um péssimo dia de trabalho pois gastei ele inteiro apenas me lamentando por estar com ciúmes de uma garota cujo só o nome eu conhecia. As pessoas já estavam parando de vir e eu estava apenas limpando o balcão, quando alguns trocados junto um papel caíram nele e me assustaram, logo olhei para cima e dei de cara com Chloe, ela estava sorrindo de uma forma que derretera completamente minha fúria, e antes que eu pudesse falar alguma coisa, ela piscou para mim e saiu andando sem dizer quaisquer palavras.

Quando parei de ficar sonhando acordada, guardei o dinheiro e resolvi ver o que tinha no papel, curiosa. Me surpreendi quando ali eu vi o que parecia ser um número de celular, junto de algo escrito.

''Gostei da caricatura, você parece uma pessoa bem legal, Max. Sei que você não trabalha amanhã, que tal dar uma volta? Não aceito não como resposta. ’’

Abri um sorriso tão brilhante que parecia iluminar a cafeteria inteira. Não cheguei nem a reparar no sorriso entendedor de Joyce logo a minha frente, a partir deste momento, todo o resto da minha noite foi gasto pensando em uma certa garota de cabelo azul.

Notas finais
Chloe, não confunda a pobre Max! Espero vê-los no próximo ;)