Notas iniciais
Oii pessoal! Espero que gostem desse capítulo!

Congelei, minhas pernas ficaram meio bambas e eu praguejei em silêncio.

Arregalei os olhos.

– p-pai. — gaguejei.

– sabe, Cassie, eu cheguei mais cedo e imagine minha surpresa ao ver que um dos meus filhos não estava no quarto!- ele saiu de perto da janela, onde estivera me vendo, e se aproximou. — Dean não sabia me dizer onde você estava.

– eu... Eu... — não consegui falar nada.

– quem é aquele garoto? Ele pode muito bem ser um monstro, sumiria com você e nós nunca saberíamos de nada.

– ele não é. — consegui dizer.

– você checou?- papai perguntou irônico.

– eu não posso sair por ai jogando agua benta ou cortando as pessoas, é loucura!- falei

– quando se é caçador isso não é loucura. -ele aumentou a voz.- quem era aquele garoto?

– ele é meu amigo. -retruquei.

Papai riu.

– amigo?- ele olhou pra Dean e Sam. — vocês saem por ai beijando suas amigas?

Se Dean não respeitasse tanto o pai, aposto que ele teria dito que sim.

– seu amigo pode estar possuído, não pode ser tão descuidada.

– eu não sou, eu não fui descuidada.

– você saiu no meio da noite, escondida, pra se encontrar com alguém que mal conhece isso pra mim é descuido.

Eu tinha quase certeza que papai não estava bravo porque Christian poderia ser um monstro, quer dizer, em parte era, mas aposto que boa parte daquela raiva era só ciúmes de pai.

Bem, ao menos eu esperava que fosse, porque isso me deixaria feliz.

– o senhor tem razão, me desculpa. — abaixei a cabeça. — eu não sei onde estava com a cabeça.

Ele pareceu ficar surpreso.

– eu deveria te deixar de castigo, mas... — ele olhou o quarto, famílias normais mandariam as filhas para o quarto e tirariam algo delas, mas eu não tinha um quarto e nem nada pra ser tirado, então... — não quero mais você com esse garoto, tudo bem?

Assenti.

Passaram-se alguns segundos.

– Dean disse que você foi suspensa por quebrar o nariz de um garoto.

– ele mereceu!- falei na defensiva.

– tudo bem, não estou brigando. Dean me contou o que aconteceu.

Assenti e me sentei no sofá.

– nós vamos embora?- perguntei, eu não queria ir antes de ter a chance de me despedir de Christian, sim, de modo algum eu deixaria de vê-lo.

– não, eu tenho outro caso aqui perto, então vamos ficar mais uma semana.

Não pude evitar o sorriso.

...

No dia seguinte, papai e Dean acordaram mais cedo para investigar um possível caso na cidade vizinha, eles pediram para que eu levasse Sam na escola, e depois fosse até a biblioteca local.

– leva o carro. — papai me jogou a chave do Impala.

– não!- Dean se levantou. — ela não sabe dirigir.

– eu sei sim.

– vocês podem ir andando!

– tá chovendo, e a escola é longe!- Sam entrou em minha defesa.

– tem guarda-chuva!- Dean tentou novamente. — pai!

Papai assistia a tudo com um sorriso no rosto.

– Dean... Cassie dirige bem...

– então eu vou!- Dean atravessou o quarto e arrancou a chave da minha mão.

– eu preciso de você aqui, Dean, e depois você não tem paciência para pesquisar em livros.

– é, Dean, você não tem paciência!- arranquei a chave da sua mão com um sorriso no rosto.

Dean me fulminou com o olhar.

– podemos ir? Eu vou me atrasar!- Sam chamou nossa atenção

– tchau, Dean!

– Eu juro Cassie, que se eu ver um arranhão no carro eu vou...

– tchau, Dean!- Sam e eu falamos juntos.

Entrei no carro seguida por Sam, eu conseguia entender a fixação de Dean pelo Impala, ele era ótimo.

Levei Sam até a escola, já ia pegando o caminho da biblioteca quando a porta do passageiro se abriu e alguém entrou.

– Christian!- gritei. — você me assustou!

– carro maneiro. — ele sorriu. — decidi fazer um protesto.

– oi?

– é, por causa da sua suspensão, só volto pra escola quando você voltar.

Ri.

– muito obrigada pelo seu apoio. — liguei o carro e abri a porta do passageiro. -mas sai.

–por quê?

– tenho coisas a fazer Christian.

– eu vou com você.

Ele não podia saber o que eu iria pesquisar, iria me achar louca.

– tem dinheiro?- perguntei.

– isso é um assalto?- ele brincou.

– eu quero café, e um bolinho, podemos conversar enquanto eu como e depois você toma seu rumo, tá?

– feito!- ele fechou a porta do carro e colocou o cinto. — sabe, a maioria das garotas diz que um bolinho é calórico demais.

Revirei os olhos.

– faço exercício o bastante pra queimar as calorias do bolinho.

Sai com o carro, paramos em um café, bem perto da biblioteca.

– meu pai nos viu, ontem à noite. — comentei quando nos sentamos em uma mesa.

– sério?- Christian ficou sem graça. — ele viu a gente se beijando?

Assenti.

– cara, isso é constrangedor.

Assenti novamente.

– Christian... eu vou sair da cidade, em breve.- falei depois de um tempo.

– mas... Você acabou de chegar!

– eu sei, mas essa é minha vida, tem sido assim desde sempre.

Christian se inclinou para mais perto de mim.

– eu quero te beijar. — ele sussurrou.

Oh, céus.

– Christian, tem muita gente aqui.

Ele se afastou um pouco.

– desde quando você é tímida, Winchester?

Afastei-me mais dele e tomei um gole do café.

– eu não sou só não acho o local certo pra isso.

Ele riu.

– claro que não. — olhei pra onde Christian olhava, a algumas mesas de distância, um casal quase se engolia. — você não pareceu tão tímida ontem à noite

– tenho que ir. — me levantei, não gostei do jeito que ele falara comigo. — até mais, eu acho.

– espera!- ele entrou na minha frente. — desculpa, eu não tenho jeito pra falar com garotas.

Ele parecia sincero.

– eu gosto de você, Cassie. — Christian sorriu. — muito.

– eu também gosto de você, e isso é um problema. — suspirei.

Acontece que caçadores não podem amar porque isso, isso pode ser usado contra nós a qualquer momento, a maioria caçava sozinho exatamente por isso, era raro uma família de caçadores como a minha.

– por quê?- ele perguntou.

Aproximei-me dele e beijei sua bochecha, eu iria embora logo e não queria sofrer.

– adeus, Christian.

Seus olhos brilharam de um jeito estranho.

Sai do café com lagrimas nos olhos, entrei no carro e, assim que me afastei um pouco comecei a chorar.

Eu odiava a vida que levava, eu só queria ser normal! Queria ter mãe, queria ir a festas, e queria levar bronca da minha mãe por uma nota baixa, queria ser fã de uma bandinha adolescente e brigar com meus irmãos por qualquer coisa besta.

Eu queria.

Cheguei à biblioteca e estacionei no subsolo, onde ficava o estacionamento, peguei o elevador pra subir pro terceiro andar (porque o prédio também abrigava uma delegacia, no primeiro andar, e alguma outra coisa, no segundo andar) eu ainda chorava.

O elevador parou no primeiro andar e alguém entrar, eu demorei um tempo pra ver quem era: Samantha.

– Winchester?- ela arqueou a sobrancelha. — tá chorando?

– me deixa em paz, tá?- limpei meu rosto com as costas da mão.

– você tá bem? A delegacia é aqui, se é isso que tá procurando. — me surpreendi ao perceber que ela não falava com escarnio ou algo assim, ela parecia mesmo sincera.

– eu tô indo pra biblioteca. — falei.

– certo. — ela assentiu. — esse elevador é tão lento.

– não foi à escola?- perguntei um tempo depois.

– eu fui suspensa. — Samantha deu de ombros. — Mark falou que eu fiz com que ele colocasse o pé pra você cair.

Assenti.

O elevador abriu no terceiro andar, saímos juntas.

– então, tchau. — Samantha pareceu perceber com quem falava, porque falou, sínica.- mande lembranças para seu namoradinho, Christian.

Recuperei-me da surpresa logo, e devolvi, no misto tom.

– vou mandar, e vou mandar também que investiguem esse elevador, porque provavelmente ele tem alguma magia que deixa as pessoas civilizadas.

– provavelmente, você conseguiu ficar lá dentro sem quebrar o nariz de ninguém.

– sorte sua, porque só tinha você lá dentro para eu quebrar o nariz.

– troglodita!

– aprendeu essa palavra ontem? Foi difícil?

Seu rosto fico rubro.

– Samantha?-uma mulher no balcão chamara, ela lia um livro grosso e parecia muito com Samantha. — veio me visitar?

– mãe. — ela sorriu e caminhou até o balcão.

Revirei os olhos e fui pesquisar o que tinha que pesquisar.

...

Papai dissera pra procurar sobre casos em que alguém era acusado de assassinato, mas alegava que não fizera aquilo, e que tinham álibi, foi isso o que aconteceu na cidade vizinha, com duas pessoas.

Pesquisei em jornais antigos e depois parti para os livros, achei algo interessante:

"Metamorfos são criaturas capazes de tomar a forma de qualquer pessoa."

– Metamorfos!- falei sozinha.

Arranquei a parte em que dizia como matá-los e sai da biblioteca, peguei o elevador para descer e novamente encontrei Samantha.

– tá me seguindo, Winchester?- ela apertou o botão que levava ao estacionamento.

– claro que tô- falei irônica.

As luzes do elevador piscaram e, com um tranco, o elevador parou.

– ai meu Deus!- Samantha gritou. — o que houve?

Olhei pra cima, aquilo podia ser um fantasma, mas aquele elevador era velho, provavelmente era só falha mecânica.

– falha mecânica. — apertei o botão do primeiro andar. — o que fazemos?

Ela me olhou, depois começou a bater na porta desesperadamente.

– socorro! Socorro! Me ajuda, Winchester.

Encostei-me na parede do elevador, só havia duas coisas que eu temia nessa vida: aranhas e lugares fechados.

Samantha parou de gritar e se se encostou à parede também.

– você tá bem?

Comecei a ficar sem ar.

– ai meu Deus! Você é claustrofóbica!

Ela começou a abanar as mãos na frente do meu rosto.

– já vão nos tirar daqui, não morra até lá, Winchester. -ela ficou em silêncio por um instante — vamos conversar!- Samantha se afastou um pouco. — como é o nome da sua mãe?

A olhei como se ela fosse louca e me sentei no chão.

– Mary. — respondi depois de um tempo.

– minha mãe se chama Rose, ela é bibliotecária e a sua?- ela se sentou ao meu lado.

– ela morreu. — falei. — vai espalhar isso pra escola toda?

– não. — ela riu. — eu sinto muito.

– certo. -respirei fundo. — porque ta sendo legal?

– eu sou legal... Às vezes.

– isso não é um truque, certo? Quero dizer, não vai cair sangue em mim nem nada.

– não, que horror!- ela franziu o cenho. — Winchester, eu sei que fui meio chata com você, mas não foi por que não gostei de você nem nada, foi por causa do Christian.

– tá, eu sei, a escola o odeia. — revirei os olhos.

– você nunca se perguntou por quê? Nenhum ódio é gratuito.

– eu já passei por muitas escolas, adolescentes são cruéis, e muitas vezes, o ódio é sim gratuito. — dei de ombros.

– olha, vou aproveitar que estamos aqui, e vou te contar a verdade, e acredite Christian não é odiado gratuitamente.