A garota Winchester
5 A história de Christian
Notas iniciais
– parece meio surreal Winchester, mas eu já fui como você. — Samantha olhou para as suas unhas pintadas de rosa e suspirou.
– como eu?- arqueei a sobrancelha.
– é: meio nerd, esquisita e feia.
– com certeza surreal.- concordei ignorando do que ela me chamara.
– bem, nessa época, eu não tinha muitos amigos, mas tinha esse garoto, ele tinha muitos amigos, não chegava a ser popular, mas estava no topo e ele gostava de mim, eu gostava dele, e ai começamos a namorar. Já sabe de quem eu tô falando, certo?
– Christian?- perguntei sem acreditar, não conseguia imaginar o Christian que eu conhecera com amigos.
– é. — Samantha assentiu. — Christian e eu nos tornamos namorados, mas éramos mais que isso, éramos cumplices, éramos melhores amigos, eu jurava que um dia casaria com ele.
A olhei de boca aberta, Christian e Samantha? Céus...
– e o que aconteceu depois?- perguntei depois de um tempo
Ela abriu a boca para responder, quando ouvimos batidas na porta do elevador.
– tem alguém ai? Aqui é o técnico, vou tirar vocês dai em quinze minutos.
– estamos aqui!- Samantha gritou, porque eu não conseguia falar nada, porque ainda tentava digerir o que ela dissera e porque ei lembrei onde eu estava. — por favor, ande logo com isso!
Ela olhou novamente para suas unhas perfeitas e olhou pra mim.
– onde estávamos?
– o que aconteceu com você e Chris... — comecei
– ah, sim. — Samantha me interrompeu. — bem, e ai veio as férias de verão. Eu fui viajar, ele foi viajar e nós ficamos um tempo sem nos falar, eu voltei uns dias antes dele, e um boato sinistro rolava por toda a cidade.
Ela fechou os olhos, por um instante.
– diziam que os pais de Christian tinham sido mortos na noite de natal, diziam que eles haviam sido encontrados sem a cabeça.
Abri a boca, espantada, mesmo com tudo que eu já vira na vida, nunca estou pronta para noticias assim.
– e era verdade?
– era.
– Christian me disse que seus pais morreram em um acidente de carro.
– ele sempre foi um bom mentiroso. — Samantha deu de ombros. — de qualquer forma, ele tava diferente quando voltou.
– é o que se espera quando se perde os pais. — falei irônica.
– eu sei Winchester!- Samantha me olhou brava. — não é isso que quero dizer, o que quero dizer é que ele mudou muito mesmo, não ficou triste nem nada do tipo, na verdade, ele tava agindo como se não se importasse, nem ao menos foi no enterro, e se recusou a dizer a policia o que acontecera, ele era a única testemunha.
Ela fez uma pausa.
– ele voltou para a escola uns meses depois, batia em todo mundo que dizia sinto muito e tava me ignorando, fingindo que eu não existia.
– e então?-perguntei, porque ela parara de falar.
– então um dia, na aula de história, o professor disse que sentia muito.
Engoli em seco.
– Christian surtou, tirou uma arma da bolsa e atirou no professor, por sorte ele errou, mas ai ele apontou a arma pra mim.
Eu estava chocada com tudo aquilo, Christian atirara em um professor!
– bem aqui. — Samantha indicou o coração. — e apertou o gatilho.
A olhei espantada, lembrando-se do que ela me disse no meu primeiro dia de aula "ele já te mostrou sua arma?".
– a arma travou. — a garota chorava. — por um segundo eu pensei que o cara de quem eu gostava ia me matar, e ele ia!
– eu sinto muito!- dei batidinhas em seu ombro.
– a história não terminou. — ela limpou o rosto com um lenço que tirara da bolsa. — Christian foi mandado para um reformatório, cortaram o cabelo dele e tudo, mas ai ele foi solto uns meses depois e voltou para a escola, eu tinha acabo de entrar para a torcida e era popular, estava quase superando e ele voltou.
Pude sentir a raiva que ela sentia por Christian, Samantha o amara, e ele tentara mata-la.
Estava prestes a dizer que sentia muito quando com um tranco, o elevador voltou a andar, em direção ao térreo, Samantha se levantou e saiu assim que a porta abriu, mas não sem antes gritar por cima de seu ombro para mim:
– fica longe dele, Deus sabe que ele é louco.
...
Assim que voltei para o hotel me tranquei no banheiro, Dean correu para ver se o carro estava bem e papai estava distraído lendo algo.
Lavei meu rosto, e sentei no chão, encostada na porta, não desconsiderei a opção de que Samantha mentira, mas aquilo realmente parecia verdade.
Outra coisa que me intrigava foi o fato de os pais de Christian terem sido decapitados, será que eles eram vampiros?
Com tremor, lembrei-me do natal de três anos atras, o mesmo dia em que os pais de Christian haviam sido mortos.
Nós estávamos na casa de Bobby, já era quase noite e papai e Dean haviam ido caçar.
– tio Bobby?- entrei na sala com cheiro de cerveja em que ele sempre estava.
– sim, Cassie?- Bobby me olhou, eu adorava conversar com ele porque ele me escutava de verdade, não ficava fingindo que ouvia como papai. — Papai e Dean já tão voltando? Nós nunca passamos um natal sem Dean.
– eles já devem estar voltando, foram resolver um caso numa cidade vizinha.
– o que eles foram caçar dessa vez?- me sentei no sofá, esperando para ouvir a história.
– vampiros, um casal. — ele suspirou.
– algum problema?
– só estou um pouco preocupado, o meu colega que me passou a caça disse que eram vampiros novos e que tinham um filho jovem ainda.
– ele vai ficar órfão?- perguntei incomodada.
– bem, os pais dele estão deixando muitas crianças órfãs, matam sem piedade nenhuma.
Olhei em volta do banheiro, assustada, papai e Dean mataram os pais de Christian e ele sabia.
De alguma forma, eu sei que ele sabe.
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