A garota Winchester
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Andar por aqueles corredores nunca pareceu tão difícil, eu ainda não vira Christian, esperava que ele estivesse me ignorando.
Mas, com a minha sorte, é obvio que ele não estava.
– Cassie, nós podemos conversar?
Christian me alcançou quando eu caminhava até a sala de química, eu estava atrasada para a aula e o corredor estava vazio.
– qual o problema?- ele segurou meu braço, impedindo-me de andar.
– me solta, idiota!- o empurrei para longe. — o que você quer?
– conversar, está me ignorando!- olhei bem pra ele, passei noites pensando se ele realmente queria se vingar da minha família, e se ele realmente sabia sobre meu pai ter matado os dele.
– Samantha me contou. — eu disse por fim.
– contou o que?- ele perguntou, mas parecia saber muito bem o que.
– o que você fez você tentou atirar nela.
Ele fechou os olhos por um instante, quando os abriu, sua feição estava diferente, ele estava com... Raiva.
– eu tinha acabado de perder meus pais.
– outra coisa que ela me contou, você disse que eles tinham morrido em um acidente de carro! Porque mentiu?
– eu... — ele gaguejou. — eu...
– você é maluco!- gritei, perdendo toda a calma.
– eu sou maluco? Dois caras mataram meus pais, os decapitaram, eu vi tudo! Eu sou o maluco, sério?
– você sabe quem matou seus pais?- perguntei baixando a voz.
Ele ia responder, mas o inspetor nos viu bem na hora, e começou a gritar.
– hey, o que vocês estão fazendo ai? Já para a aula! Winchester? Você acabou de ser suspensa, quer ser expulsa? Francamente, como você chegou ao ultimo ano?
– conversamos depois. — digo incerta, antes de ir correndo para a sala de aula.
...
– Dean, posso te perguntar uma coisa?- me sentei ao seu lado no sofá, ele assistia um desenho qualquer na tv, Sam estudava no quarto, papai havia ido a cidade vizinha caçar.
– sobre o que?- ele abaixou o volume da tv e me olhou.
– você se lembra de... Uma caçada há alguns anos atras?- eu tinha quase certeza de que foi ele e papai que mataram os pais vampiros de Christian, mas eu precisava confirmar. — de uns vampiros.
– eu já cacei muitos vampiros, Cassie. — ele sorriu convencido.
– era um casal, foi com o papai. — revirei os olhos. — se lembra dessa, Blade?
– eu já cacei muitos vampiros casais com o papai.
– Dean, pelo amor!- gritei, perdendo a paciência. — foi na véspera de natal, Sammy e eu estávamos no Bobby...
– ah, sim, lembrei, mas e dai?
– esse casal tinha um filho?
– tinha, eu o vi na janela quando fomos embora. — dessa vez ele falou sério.
– mataram os pais na frente dele?
– não, eu nem sabia que eles tinham um filho até papai me contar, quando estávamos voltando, eu não sei se o garoto viu tudo, ele devia estar escondido.
Então havia sido eles mesmos.
Christian vira o carro, foi por isso que ele me perguntou se eu tinha outro irmão quando Dean nos deixou na escola.
– porque a pergunta?
– não é nada, eu só estava curiosa.
Levantei-me e vesti meu casaco.
– eu vou sair um pouco, tá?
– de jeito nenhum, papai disse pra não te deixar sair.
– Dean, eu preciso resolver uma coisa, tá?
Ele me olhou de sobrancelha erguida.
– você tá estranha, primeiro me pergunta desses vampiros e agora diz que precisa resolver uma coisa. O que houve?
– nada. — falei sem olha-lo.
– foi aquele garoto? Aquele que você beijou?
Na mosca.
– não. — balancei os braços. — é uma garota.
– uma garota?
– é, uma amiga, ela tá com problemas em casa, precisa da minha ajuda.
Dean pareceu pensar um pouco.
– e desde quando você tem amiga?
– Vai me deixar sair? Sabe que um não seu não vai me impedir.
Ele suspirou.
– volte antes que escureça.
Assenti, eu pensei em pedir um caso, mas ai já seria passar dos limites.
Sai do quarto correndo, cheguei ao estacionamento quase tropeçando e segui para o boliche onde Christian trabalhava.
...
– oi, Christian está?- perguntei para uma garota baixinha que trabalhava no boliche também.
– Ele saiu com uma garota ruiva. — ela parou de passar o pano no balcão e me olhou. — parecia bravo, nem falou aonde ia.
Ruiva? Samantha.
– a garota, ela que venho aqui?- perguntei.
– sim, ela veio com umas garotas.
– não faz ideia pra onde eles foram?
– não. — ela voltou a passar o pano no balcão, dando por encerrada a conversa.
Suspirei e sai do beliche, andei um pouco pela rua até que me aproximei de um beco atras da mercearia, gritos abafados vinham de lá, mas não havia ninguém próximo para ouvir.
Tirei minha faca do bolso e me aproximei, mal havia me aproximado o bastante e vi as duas pessoas paradas ali.
Christian e Samantha.
Aproximei-me mais, ele estava de costas para mim, então não me viu, continuei com a faca em mãos.
– solta ela, Christian.
Christian se virou, dando tempo para Samantha correr, não pra muito longe, porque ele foi mais rápido e a puxou pelo cabelo.
– Cassie, que bom que veio. Estava aqui dizendo para Samantha. — ele puxou o cabelo dela com força, que gritou. — cala a boca. Então, eu tava aqui dizendo para ela que foi muito errado da parte dela contar aquelas coisas pra você.
– solta ela!- repeti.
– tá.
Ele a jogou no chão, e ela se arrastou até a parede.
– tem coisas mais importantes pra fazer agora.
– tipo?- continuei com a faca erguida.
– é uma história engraçada, Cassie, o que eu descobri. — Christian levou a mão ao bolso interno do casaco que vestia. — eu saquei na hora que vi o carro, eu descobri que seu pai e seu irmão mataram os meus pais.
Samantha arfou no canto.
– você não entende... — comecei.
– não entendo?- ele gritou, e de dentro da jaqueta puxou um revolver. — eu vi tudo! Sei que foram eles. Sua família matou a minha, e isso é tudo que eu tenho que entender.
– o que vai fazer com isso?- apontei para a arma.
– eles tiraram meus pais de mim. — Christian gritou.
– não!-gritei de volta, porque não sabia o que dizer ou fazer. — não foi assim, abaixa a arma.
– eu gostava de você, Cassie. Aproximei-me de você porque vi você saindo do carro e queria vingança, mas eu comecei a gostar de você, e você me desprezou. — ele apontou a arma para mim. — eu espero que seu pai goste muito de você porque eu quero que ele sofra tanto quanto eu sofri.
Samantha gritou quando ele atirou.
Eu cai no chão, procurei sentir qualquer dor indicando onde a bala entrara, mas eu não senti nada, porque o tiro não me acertou.
Christian apontou pra mim de novo, mas hesitou, e isso foi tudo que eu precisei para ir pra cima dele.
Acertei-lhe uns dois socos no olho e outro no estômago, ele me acertou um soco no olho, eu nem senti direito, mas Christian conseguiu me encurralar na parede.
Encaramo-nos por um tempo, ele apertava meu pescoço com força, eu já ficava sem ar quando Samantha acertou alguma coisa nas costas dele.
Ele recuou, aproveitei para chutar sua mão que segurava a arma, o revolver voou longe, mas eu estava sem minha faca.
Os olhos de Christian estavam injetados de ódio, ele puxou Samantha, passou o braço pelo seu pescoço e riu.
Ele riu.
– dane se, eu quebro o pescoço dela e depois o seu.
– não faria isso.
– tenta a sorte. — ele apertou o pescoço dela.
Pelo canto do olho, vi a arma caída a poucos centímetros de mim.
– o que você quer?
– vingança.
– e como planeja conseguir isso? Não vai mata-la porque se fizer isso eu te mato.
– você nunca mataria Winchester.
– eu mato quem ameaça minha família.
Sabe se lá como, consegui alcançar a arma, apontei para ele, que riu.
– vai arriscar acertar ela?
Ele a apertou mais.
Respirei fundo, eu cresci aprendendo como matar monstros, eu cresci sendo ensinada de que monstros eram cruéis e deveriam ser exterminados, mas o que fazer quando o monstro é só alguém como você?
Dean me ensinou a derreter ferro para fazer balas, papai me ensinou a decapitar e Bobby me ensinou a desenterrar corpos e queima-los.
Mas ninguém nunca me ensinou a matar um humano.
Eu atirei.
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