A garota Winchester

3 Decoração de natal e nariz quebrado.


Notas iniciais
Muito obrigada a todos aqueles que comentaram no capítulo anterior, me deixaram muito feliz *--*

O terceiro dia de aula foi com certeza o pior.

Assim que eu entrei na sala-inglês- Samantha começou a fazer piadinhas, eu sentia uma vontade incontrolável de fazê-la calar a boca com uns bons tapas, mas lembrei do que Dean dissera-que um tapa meu poderia arrancar um dente dela- e era verdade, e isso seria covardia, e eu não era covarde.

Mas lá pro meio da aula, ela tacou um papel na minha carteira, era um desenho nojento (Chris e eu, nos beijando), mas devo admitir que ela desenhasse bem.

Amassei o papel e me levantei, andei até a onde ela estava sentada e dei um soco em sua carteira, ela parou de rir na hora.

– só vou lhe dizer uma coisa, garota—apontei o dedo na cara dela. — Mas uma gracinha dessas e eu te faço engolir esse desenho, e se eu ouvir mais uma piadinha com meu nome no meio, eu vou te dar aquele tapa que você disse que eu dei, e acredite, não vai ser bom pra você.

Samantha deve ter ficado muito assustada, porque não disse nada no inicio.

– você acha que eu tenho medo de você, Winchester?

– eu teria se fosse você.

Ela ia falar mais alguma coisa, mas eu me virei, peguei minha mochila e sai da sala.

Passei o resto da aula de inglês no banheiro, eu consegui ficar invisível nas outras aulas, mas no intervalo...

Peguei a bandeja com a comida e já ia sair do refeitório quando alguém colocou o pé na minha frente, eu cai no chão, de cara na bandeja, por sorte não havia nada melequento o bastante ali, mas o suco de uva da caixinha estourou e manchou parte da minha blusa.

O refeitório todo ria.

Olhei pra cima, crente de que tinha sido Samantha que me fez cair, mas não foi Samantha que estendeu o pé.

Foi um cara que parecia meio velho pra estar na escola, ele usava a jaqueta do time da escola, e estava sentado ao lado de Samantha, é claro.

– tropeçou, Winchester?- Samantha me olhou com escárnio.

O único motivo de eu ainda não ter batido em Samantha foi porque ela não tinha chance nenhuma contra mim (não estou sendo arrogante, mas é a verdade.). Mas aquele cara era umas três vezes maior que eu, bater nele não seria covardia.

Levantei-me com calma, me virei para ele, e, com um movimento rápido, acertei em cheio seu nariz.

Ele gritou quando o sangue se espalhou por sua jaqueta, Samantha gritou também.

– machucou?--perguntei sínica antes de ser arrastada para fora do refeitório pela inspetora.

Eu fui suspensa por três dias, mas ainda tinha que aguentar o resto do dia.

– problemas no paraíso?- Christian sentou ao meu lado na arquibancada, eu deveria estar na aula de ginastica, mas eu tinha atestado médico-providenciado pelo tio Bobby- que me deixava fora das aulas.

– vai se ferrar. — o olhei brava. — o que faz aqui?

– cabulando. — ele deu de ombros. — ouvi dizer que você ameaçou Samantha, e bateu em Mike Morris, é verdade?

– sim, eu quebrei o nariz dele. — sorri.

Christian riu.

– onde aprendeu a fazer isso? Eu aposto que sua mãe nem deixava você assistir Tom e Jerry porque achava violento demais.

Desmanchei o sorriso e olhei para o campo, a professora era linha dura e mandava as garotas darem voltas e voltas na quadra.

–minha mãe morreu.

– ah, Cassie, eu não sabia, desculpa...

– tudo bem. -o interrompi. — eu era muito pequena e nem me lembro dela direito.

– o que aconteceu?

– a casa em que morávamos pegou fogo. — fechei os olhos, tudo o que eu lembrava daquele dia eram gritos.

Ele ficou um tempo em silêncio.

– eu também perdi minha mãe. — o olhei. — e meu pai, eu tinha 14 anos.

Meu Deus, eu não podia imaginar a dor de perder os pais ao mesmo tempo, e isso fazia tão pouco tempo.

– eu sinto muito. — olhei para o campo novamente. — o que aconteceu?- fiz a mesma pergunta que ele me fizera.

– acidente de carro. — Christian respondeu rápido demais, e depois mudou de assunto. — mas e você? Porque não ta fazendo a aula?

– tenho asma. — era mentira, mas foi isso que me tirava da ginastica.

Ele ergueu uma sobrancelha e se levantou

– é melhor eu ir. — ele foi descendo a arquibancada, mas parou no ultimo degrau e me olhou. — sabe, Cassie, eu trabalho em um boliche e eles vão começar a decorar para o natal, digo, eu vou decorar, vai ser hoje, depois de fechar. Quer me ajudar?

Isso é um convite?

– que horas?- perguntei, duvidava que Dean deixasse.

– depois das dez.

– me da o endereço, talvez eu vá.

– aqui. — ele tirou um cartão do bolso e me entregou. — até mais.

– até.

O olhei indo embora, ele andava de um jeito engraçado e fofo.

...

– suspensão? Levou suspensão?- Dean não sabia se ria ou me dava bronca.

– você tinha que ter visto Dean!- Sammy falava animado no banco de trás do carro. — deu pra ouvir o nariz dele quebrando, e ele chorou!

Ri. Dessa parte eu não sabia.

– Cassie, não pode sair por ai quebrando narizes. — Dean fazia esforço pra não rir.

– eu não pude evitar!- falei rindo.

Dean acabou rindo também.

...

– estamos bem, pai, certo, ok. — Dean falava com papai no telefone, eu não tirava os olhos do relógio, 21h30min, eu queria que ele fosse dormir logo, uma vez que estivesse dormindo, seria mais fácil pra eu sair, eu ficaria no máximo uma hora, depois voltaria. — Sammy já está dormindo, Cassie também. — eu estava fingindo, na verdade. — eu sei certo, boa noite, pai.

Ele desligou o telefone e entrou no quarto, fechei os olhos, o observei sentar na cama e tirar os sapatos, depois ele se deitou e se cobriu.

Esperei até às 21h50min, para me levantar, eu estava de pijama, peguei a roupa que separara e fui até o banheiro.

Vesti um vestido preto, que ia até um pouco acima do joelho, uma meia calça, coturno e uma jaqueta de couro, penteei o cabelo e até passei lápis de olho.

–eu deveria me arrumar mais vezes. — falei ao me olhar no espelho, eu estava linda.

Sair do hotel foi bem fácil, eu levava um canivete no bolso da jaqueta, e spray de pimenta também, o boliche ficava a umas duas quadras dali, e Christian me esperava na porta.

– oi. — ele me olhou de cima a baixo quando me aproximei. — pensei que não viria.

– não posso ficar muito tempo. — avisei. — sai escondido.

– garotas rebeldes, minhas preferidas!- ele falou e eu ri.

– então, vamos ou não entrar?

Demos a volta e entramos pelo fundo, o lugar estava vazio, mas havia caixas por todo lugar, abri uma, enfeites de natal.

– eu amo natal. — sorri. — é uma pena que não o comemoro há um tempo, meus irmãos não gostam de natal.

– eu gostava de natal até uns três anos atras.

– foi quando seus pais...

– aham, era natal.

Ele abriu uma caixa e tirou umas bolinhas de dentro.

– então, onde fica a arvore?- mudei de assunto.

Nós nos divertimos muito montando a arvore, havia uma lanchonete no boliche, e ele fez para mim um lanche enorme.

Quando me dei conta, já era meia-noite.

– preciso ir!- desci da escada em que eu estava usando pra colocar uns enfeites na parede.

– o que? O feitiço acaba a meia noite, Cinderela?

– ta tarde, Christian.

– eu te levo.

– pra que? —vesti a jaqueta, que eu tirara. — sei me proteger, fica ai, terminando a decoração.

– então deixa eu te levar até a esquina.

– vamos logo.

Saímos do boliche, a temperatura caíra.

– onde você mora?- ele perguntou.

– no Castle rock.

– é um motel.

– é um hotel. — o corrigi. — vou sair da cidade em breve mesmo.

Christian acabou me levando até a frente do hotel.

– em que andar fica seu quarto?- ele olhou para cima, o prédio tinha três andares.

– no segundo.

Ele me olhou, seus olhos azuis brilharam, ele colocou a mão atras da minha cabeça, e desfez o coque que eu fizera.

– eu disse pra usar o cabelo solto.

Sorri.

Christian se aproximou de mim, não demorou muito e estávamos nos beijando.

Eu já havia beijado algumas vezes, mas a maioria das vezes eu não senti nada e mal conhecia o cara, mas com Christian era diferente, eu o conhecia-mais ou menos- e acho que nós éramos amigos, e eu gostava dele.

– é melhor eu ir. — falei quando nos separamos.

– claro. — ele sorria. — até amanha, Cassie.

– até amanha, Christian.

Ele me observou entrar no hotel, eu tinha um sorriso estupido no rosto, abri a porta do quarto em silêncio, ia em direção do banheiro quando a luz da salinha se acendeu, Dean estava na sala, Sam também.

– quem era aquele garoto, Cassie?- e papai também.

Notas finais
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