A flor e a espada
5 Capítulo 5
Bulma seguiu ao longo do rio com os trapos do rapaz, apertavam forte o tecido em suas mãos,.
ela seguia em busca do melhor lugar para deixar os farrapos à mostra.
Olhou para os lados em busca de qualquer movimentação.
Usando um pouco de força ela rasgou mais as roupas e agachou-se rapidamente para grudar a peça em um arbusto a beira do rio.
Respirou fundo e se levantou olhando ao longo do rio, sentindo-se vitoriosa por concluir seu plano, girou sobre os pés para da meia volta e retornar, quando deu de cara com alguém.
Yamcha, um dos soldados de alto prestígio de seu pai.
Ela estacou de repente, o coração acelerando dentro do peito.
O corpo dela travou por um instante.
O que será que ele havia visto?
-Bulma?
Ela alisou seu vestido buscando conforto.
Precisava transparecer tranquilidade.
- O que está fazendo tão longe do palácio?- ele a questionou curioso.
O olhar dele a examinava da cabeça aos pés.
-Eu? Vim procurar amoras silvestres...- Ela disse a primeira coisa que veio à mente.
-E encontrou?
Bulma agitou a cabeça negativamente.
-Não... Acho que não está na época.
Nesse momento, a mente dela se iluminou de repente, dessa vez ela faria daquele limão uma limonada.
-Yamcha, você sabe de quem poderia ser isso aqui?- Ela apontou as vestes no arbusto.
O jovem soldado se agachou e pegou os restos de pano, notando as manchas de sangue.
Ele analisava a peça com cuidado, o corte feito a lâmina, os rasgos e sorriu de lado, com quem fez uma descoberta.
- Eu acho que sei do que se trata, vou levar ao palácio para mostrar ao seu pai, acho melhor você me acompanhar.
Aquele não era um convite, como Bulma percebeu, mas já estava tarde, talvez a companhia dele fosse realmente necessária.
Ela o acompanhou confiante de que aquilo fosse o suficiente para despistar a localização do foragido.
Yamcha a acompanhou até o palácio em meio a conversas amenas, Bulma agradeceu e seguiu para o seu quarto para se preparar para o jantar.
Bulma logo foi chamada em seu quarto para juntar-se a seu pai. Quando ela chegou à sala de jantar deu de cara com o jovem soldado, ela o cumprimentou novamente e sentou-se próximo a seu pai.
Ela se mantinha fora dos assuntos principais, evitando trocar olhares com seu pai ou com Yamcha, mas logo seu pai a incluiu.
- Bulminha minha filha, eu pedi para que tivesse cuidado lá fora, o que estava fazendo perto do rio?
-Eu estava procurando amoras silvestres, e acho que nem percebi que me afastei demais dos jardins do palácio.
Yamcha a observava durante a explicação a seu pai, aquele olhar a fazia se sentir ligeiramente desconfortável.
Era como se ele quisesse descobrir seus segredos mais profundos.
- Sorte a sua que encontrou o jovem Yamcha, poderia ser alguém perigoso.- O pai a alertou.
- Verdade Bulma, a floresta pode ser bem perigosa... — o olhar dele se demorou nela novamente- ...ainda mais para quem anda sozinha.-O tom de voz de Yamcha não pareceu um cuidado.
Soou como ameaça.
- As roupas que você encontrou, não me tranquilizam.- Retomou o pai para Yamcha.- Eu só acredito que o samurai morreu quando trouxerem o corpo diante de mim.
Bulma levou o copo aos lábios com mais pressa do queria demonstrar, a comida agora parecia sem gosto.
Assim que terminaram o jantar, a jovem seguiu para o seu quarto andando de um lado para o outro.
Ela queria interpretar o que seriam aqueles olhares de Yamcha, e seu pai que não conseguia acreditar que aquelas roupas encerrariam as buscas ao foragido.
Se jogou de costas sobre a cama, como quem mergulha num abismo, o teto acima dela parecia distante demais, como se o mundo ficasse maior de repente. O coração esmagado dentro do peito, sentia-se culpada e ao mesmo tempo cúmplice daquilo.
Tudo aquilo era responsabilidade dela.
Ou irresponsabilidade.
Ela precisava resolver aquele problema, sua mente girava pensando em como resolver aquilo.
Ela sabia que precisava retornar à cabana.
Mas pela primeira vez teve a nitida impressão de que não estava mais um passo a frente.
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