A flor e a espada
6 Capítulo 6
Após uma noite de sonhos torturantes, Bulma perdeu a hora da aula de etiqueta.
Desceu agitada e já recebendo olhares de reprimenda da preceptora do dia, a mulher elegante de cabelos arrumados num coque firme a olhava com pesar.
— Perdão Lady Chichi, dormi mal essa noite.
—Dá pra ver pela cara amarrotada.— Disse com desdém.
—Sua cara não está tão melhor que a minha...— Ralhou Bulma.
Chichi engoliu a provocação, pois precisava muito daquele serviço após fazer um casamento com um jovem lutador, pois agora eles contavam com renda das aulas.
Porém o que Bulma não contava que a cada erro durante a aula ela levaria pequenas varadas nas mãos.
É obvio que naquele dia ela errara muito.
Assim que finalizou aquela aula, Bulma pensou que finalmente conseguiria escapulir, chegou Gohan para repor a aula.
Com seu coração apertado e aos pulos, ela fez a aula toda e finalmente achou sua brecha para sair.
Com a desculpa de ir colher flores no jardim, ela saiu com sua serva pelos quintais e num momento de distração se embrenhou pelo caminho da floresta adentro.
Acostumada a estas peripécias , logo ela encontrou o caminho até a cabana, tentou ser cuidadosa, com os olhos atentos com medo de ser vista por alguém.
Naquele dia ela encontrou um objeto que lhe chamou atenção.
Brilhante no meio do mato, lá estava ela.
A espada do guerreiro.
Ela carregou consigo até a porta da cabana, mas achou mais prudente esconder por perto, afinal de contas ela não daria a arma ao guerreiro foragido.
— Pensei que não viesse mais...— Ele a provocou.
Hoje ele parecia melhor, sentado no futon, até a cor de pele parecia mais saudável.
— Eu não te daria esse prazer...— Ela tratou de provocar.
Mas sua mente assimilou essa melhora como o melhor cenário possível, visto que, ela precisava que ele fosse logo embora dali.
Ela se adiantou e seguiu pela cabana organizando os materiais do curativo, sem muita conversa. Ele notou que ela parecia mais apreensiva.
Logo, os dedos gelados dela tocavam a sua pele fazendo subir nele um arrepio por seu corpo.
Ele não recuou.
Bulma também não.
Por um instante a cabana pareceu esquentar de repente. Bulma precisou abrir levemente os lábios como quem busca ar.
E então os olhos dela se encontraram, e por um longo segundo os dois não desviaram.
O silêncio que se seguiu tinha algo de diferente, palpável. Algo estranho que não se podia nomear.
A respiração dela do nada errou o caminho.
Então o rubor veio, tingindo a face dela de vermelho.
Ela pigarreou, desviando o olhar rápido, sentia um certo desconcerto como se houvesse feito algo errado.
— Está melhorando bem rápido. — Ela disse antes de fechar notando que a ferida parecia bem sequinha por fora.
Antes que ela pudesse se afastar, ele segurou seu pulso.
O toque não era brusco, porém era firme o suficiente para não deixá-la se soltar.
Os olhos azuis da garota se arregalaram naquele instante, o coração dentro do peito parecia galopar de tão forte.
— Essas mãos...—Ele disse num tom baixo e quente, não são de uma garota do vilarejo...
Usando de um pouco de força ela conseguiu puxar de volta suas mão.
—Eu nunca disse que era...— Ela tentou usar um tom mais frio.
Vegeta sorriu de lado, sabia que a tinha tirado do eixo.
Bulma se afastou rápido e foi preparar algo para ele comer. Ela seguia entretida no preparo quando percebeu a movimentação dele ao tentar se levantar.
Alarmada resolveu se aproximar preocupada quando ele a repeliu.
— O que quer fazer? Acha que sou tão fraco que preciso de ajuda.
O tom ríspido a atingiu em cheio, mas mesmo assim ela não arredou pé.
—Ótimo, caía e abra esses pontos de novo. Ela retrucou cruzando os braços sobre o peito.
Após dar dois passos pra frente, ele sente tontura por ter ficado parado tempo demais, seu corpo vacila e por sorte Bulma o acolhe.
—Você não devia agir com tanta imprudência.— Ela ralha com ele.
— Você que é você pra falar de imprudência?
—O que quer dizer com isso?
— Protegendo alguém a quem desconhece...
Bulma engole seco, sabia que ele estava certo, bem certo.
Seu pai queria ver o cadáver dele à sua frente.
Ela passa o braço dele por cima de seu ombro o apoiando, o calor do corpo dele irradiava para ela. Uma proximidade que incomodava. O cheiro de cabelos limpos chegou até as narinas dele preenchendo os pulmões, corpo reagindo instantaneamente ao toque dela enquanto ainda lutava para se manter de pé. Quando ele e ela acabaram se enroscando no longo kimono dela o fazendo tropeçar e quase cair.
Ela o agarrou com firmeza se colocando de frente, os rostos quase se tocando, a ponto de um sentir a respiração do outro.
—Acho que está bom de exercício hoje. — Ela diz se afastando dele.
Após ajudá-lo a voltar ao lugar, ela retoma os preparativos da refeição, dessa vez não parecia tão segura de si, as mãos trêmulas e um pouco desajeitadas não passaram despercebidas pelo rapaz.
Ela caminha até ele com o ensopado fumegando, entrega de longe sem querer mais contato.
—Está com medo de mim?— Ele provoca.
—Medo?
—Sim...está tremendo?
—Faça-me o favor, eu tenho mais o que me preocupar...
—Se eu fosse você eu temeria.
— Sorte a sua que eu não tenha medo, caso contrário você hoje seria comida de urso...— Ela devolveu.
Antes que a troca de ofensas pudesse continuar, um barulho do lado de fora chamou atenção dos dois.
Ambos ficaram em silêncio se encarando um longo tempo.
— É melhor você ir embora.— Sua voz denunciava uma certa preocupação.
Ela apenas confirmou com a cabeça.
Ela cruzou a porta, mas deu meia volta antes de ir, pegou a espada do guerreiro e entregou a ele antes de ir.
—Cuide-se.
—E você?
Ela hesita por um instante.
—Eu sei me virar. —
Ela responde e sai.
Mas dessa vez ela não tinha tanta certeza.
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