A flor e a espada
3 Capítulo 3
Bulma entrou na cabana apressada olhando para trás como se estivesse preocupada. E de fato ela estava, afinal de contas ela tomou uma decisão louca de esconder um guerreiro ferido em sua cabana.
Ela relaxou assim que entrou, afinal de contas ele estava lá.
Vivo.
Pelo menos por enquanto...
—Olá! Que bom te ver acordado. —Ela disse ao se aproximar.
O rapaz a olhou desconfiado, e apenas grunhiu.
—Será que cortaram também a sua língua?— provocou, ela.
— Você demorou.— reclamou, ele.
—Bom dia pra você também, de nada por ter te tirado do meio do mato para os animais selvagens não te devorarem.—Ela cruzou os braços sobre o peito.— você é bem ingrato, sabia?
Os dois ficaram em silêncio durante alguns segundos, Bulma parecia ponderar se aquela havia sido a decisão correta.
Mas ela não tinha tempo a perder, abriu alguns recipientes e estendeu a ele um hashi para que pudesse se alimentar.
Percebendo que ele estava numa má posição o ajudou a sentar ouvindo o gemer de dor. Ela tentava ser o mais cuidadosa possível, mas o rapaz estava ferido num lugar bem incomodo.
—Eu sei que dói...—Ela tentou amenizar.— Se quiser posso te dar comida na boca.
—Eu consigo comer sozinho.— Ele disse em sua voz grossa.
Ela assentiu e entregou a ele os recipientes.
Ela aproveitou o momento em que rapaz se alimentava para organizar algumas coisas da barraca.
Assim que ele terminou, ela voltou para perto dele, ele a olhou com atenção novamente, aquelas definitivamente não eram roupas comuns, o cabelo arrumado num penteado elaborado e as vestes delicadas, de tecido fino. Aquela não era uma camponesa.
Quando ele terminou, Bulma recolheu os recipientes e os guardou na bolsa que trouxera, depois caminhou novamente até ele e o tocou afastando as vestes que cobriam a ferida.
—O que pensa que está fazendo? Ralhou ele.
—Eu vim aqui cuidar de sua ferida!
—Não me toque, eu nem sei o que fez comigo ontem, você me fez apagar!
—Eu disse a você que era um anestésico...talvez eu tenha exagerado na dose.—Ela provocou.
—O que vai fazer?
—Vou limpar e olhar como está seu ferimento.— Ela disse com simplicidade.
— Não sei se devo confiar.
—Acho que agora você não está em condições de querer escolher...ou melhor, o que você prefere ser tratado agora ou esperar infeccionar e morrer?
Ele grunhiu alto, sabia que estava encurralado ali, mal conseguia se mexer sozinho.
—Faça logo o que tem que fazer.
Bulma expôs o abdome dele e logo os dedos gelados tocaram a pele dele o fazendo se retesar. As mãos habilidosas expuseram o ferimento e assim que ela tocou limpar ele gemeu alto reclamando da dor.
— Ei, rapazinho,eu ainda nem comecei.—Ela o provocou.
—Mas está doendo.
Bulma passou uma esponja embebida em água morna por toda extensão do ferimento, parou alguns segundos observando a coloração e pele em busca de algum sinal de inflamação, ele a olhava intensamente, até que de repente os olhares se cruzaram fixos por alguns segundos, mas logo se desviaram.
—Quem é você?— Ele finalmente se perguntou.
—Pode se dizer que sou seu anjo salvador.—Ela desconversou. — Sua ferida foi muito grande, mas ao que parece não inflamou, vou fechar e te pedir que não tente nenhuma estripulias, senão os pontos se abrirão.
Dito isto ela cobriu novamente o ferimento com uma bandagem limpa.
Bulma saiu da barraca após deixar uma sopa preparada para o rapaz, ajudou a alinhar a cama mais próximo do fogareiro e próximo de tudo o que ele poderia precisar durante a noite.
Ao fechar a porta atrás de si para retornar ao palácio, apenas uma dúvida ecoava em sua mente.
Quem era o rapaz a quem ela havia salvo?
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