A flor do inverno
12 O beijo da morte
Notas iniciais
Fim de tarde, palácio de Lorde Frederick — Canaban
Lin e Lourenço chegaram ao palácio e depois de averiguarem o movimento á sua volta foram discretamente para o jardim, o local já havia se tornado o ponto de encontro dos dois, visto que os guardas quase não passavam por ali. Desde que saíram da casa de Elesis muitas coisas passaram pela cabeça de Lourenço, algo o estava perturbando:
Lourenço: Eu tive um pressentimento ruim, não é algo que eu consiga lhe explicar, é um dom muito complicado, mas que nunca falha.
Lin: O que quer dizer? — perguntou confusa
Lourenço: Algo de muito ruim se aproxima e hoje enquanto falávamos com a Elesis algo me ocorreu, preciso investigar aquelas colinas, existe algo de errado ali e temo que Ronan acabe por encontrar pelo caminho.
Lin: Eu posso lhe ajudar, deixe-me ir com você! — disse decidida
Lourenço: Não! Você precisa ficar, é arriscado, nem mesmo eu sei o que encontraremos lá
Lin: É que eu gostaria de ajudar — recebeu um olhar de desaprovação por parte do anjo — mas se faz você se sentir melhor eu fico aqui...
Lourenço: Olha, entenda eu só quero que fique segura- disse sério — eu não sei por quanto tempo ficarei fora, você estará sozinha por aqui, então por favor não faça nada estúpido.
Lin: Não farei, mas se vocês dois estiverem em apuros, eu vou salvá-los! — disse confiante
Sorrindo Lourenço se despediu de Lin e a mesma decidiu seguir os conselhos do amigo, pelo menos por hora cessaria suas buscas pelo palácio e seguiria sua rotina diária.
Sem pressa a princesa se banhou, se vestiu e permaneceu nos aposentos do lorde até ser avisada sobre o jantar. Mais uma vez ela fez sua refeição sozinha, porém enquanto comia percebeu uma movimentação estranha pelo palácio, vozes e passas rápidos ecoavam pelos corredores, Lin maneou negativamente a cabeça, não queria se render á curiosidade, porém não resistiu por muito tempo.
Ela deixou a mesa discretamente e seguiu o som das vozes, elas vinham do corredor que dava para o escritório do lorde, alia estavam Nora e seus dois guardas, ela se escondeu atrás de um pilar e observou Nora dar ordens aos seus homens de confiança; Trevor e Heldren.
Mesmo sem entender uma palavra do que Nora dizia, Lin percebeu que se tratava de algo muito importante, pois á todo instante a governanta gesticulava e encarava os guardas de forma séria, depois de alguns minutos de conversa a governanta deixou os dois homens e se dirigiu á direção oposta á deles fazendo Lin se encolher por medo de ser vista.
Assim que Nora sumiu de vista, Lin procurou pelos guardas, porém eles haviam sumido, o que era muito estranho, pois aquele corredor terminava ali, a única porta existente naquele local era a do escritório do lorde e á frente uma parede ostentando um enorme quadro de alguma paisagem de Canaban.
Lin sabia que os guardas não entrariam no escritório sem permissão, então por onde haviam saído? Teriam desaparecido usando mágica?
Insatisfeita com o sumiço dos guardas Lin começou a procurar á sua volta por alguma passagem ou porta secreta, ela até mesmo ousou abrir a porta do escritório de Frederick, porém além de vazio o local parecia não ser visitado á alguns bons dias.
Suspirando derrotada a jovem encarou por alguns instantes o enorme quadro exposto na parede, ela já se preparava para voltar aos aposentos de Frederick quando notou que o quadro estava torto, nada que alguém percebesse de cara, mas com um pouco mais de atenção era possível perceber uma pequena brecha no cantinho esquerdo do mesmo.
Com alguma dificuldade a princesa moveu o quadro e para sua não tão surpresa ali havia uma passagem secreta, mais precisamente um túnel. Antes de adentrar Lin olhou á sua volta se certificando de que ninguém á vira e sem seguida foi descendo degrau por degrau.
A passagem era um pouco escura e estreita, Lin se perguntava como os dois homens haviam passado por ali sendo tão robustos como são, pensou por alguns instantes em como deveria ser desconfortável para eles, já que para ela que é muito menor estava sendo uma experiência ruim. Depois de alguns segundos caminhando a princesa se deparou com dois túneis mais largos, um á direita e outro á esquerda, ela os encarou por alguns instantes e na esperança de encontrar o caminho correto ficou em completo silêncio, pois esperava ouvir algum som que lhe indicasse uma direção, porém ao tentar escutar o som do túnel á direita, Lin se desequilibrou e caiu.
Sua queda fora tão rápida que a princesa nem se quer á viu, só soube que havia acabado quando sentiu o corpo se chocando contra a parede rochosa. Meio zonza Lin se levantou com certa dificuldade, não havia quebrado nada, mas se sentia dolorida. Quando finalmente se estabilizou e notou aonde havia ido parar, levou uma das mãos a boca.
O local era grande e bem iluminado, a partir dele haviam outros cinco túneis, mas Lin não estava chocada pelo tamanho do local e sim pelo que havia ali; inúmeras caixas empilhadas, peles, espadas, joias, mercadorias de todos os tipos, tudo organizado e empilhado em um padrão, ela não teve dúvidas aquele lugar era um depósito.
Lin observava tudo aquilo incrédula, eram tantas coisas, muitas com brasões de outros reinos, provavelmente roubadas, a jovem pensou em pegar alguma coisa dali para levar de prova para Lourenço, porém ouviu o som de vozes vindas de um dos túneis á sua frente e decidiu segui-las.
Ela entrou no terceiro túnel de onde acreditava que as vozes estavam vindo, seus passos eram lentos e quase inaudíveis, tochas iluminavam o caminho e gotas de água pingavam do teto rochoso. Alguns segundos de caminhada e Lin chegou á outro local muito amplo, ali estavam algumas mercadorias, papéis, mesas e cadeiras, dando a impressão de que negócios aconteciam ali.
Ao olhar um pouco mais a frente Lin pôde ver os guardas de Nora conversando com o que parecia ser um trabalhador da mina, a fim de ouvir o que eles diziam a jovem se esgueirou entre as caixas até ficar próxima o suficiente para enfim escutar a conversa:
Heldren: Ande mineiro, traga a alma e que seja feminina, ela exigiu que fosse — o homem saiu apressado entrando por um túnel estreito
Trevor: Que diabos essa rainha quer com essa tal alma?
Heldren: Não faço ideia, mas essa Cordélia é uma bruxa poderosa, viu o que fez com o rei? O homem parece uma criança perdida — Lin tapou a própria boca para que não ouvissem o ruído causado pelo susto.
Trevor: Para ser sincero eu tenho certo receio em ir até o castelo dela, tenho medo que me transforme em alguma coisa!
Heldren: Não seja idiota — gargalhou — o que uma rainha como aquela iria querer com você? Acha que ela gastaria sua magia a toa?
Lin não entendia bem o que ouvia, não sabia o que significava aquela conversa sobre alma, mas havia entendido perfeitamente que Cordélia havia feito algo com o rei e coisa boa não havia de ser:
Trevor: Pare de zombar de mim! Só quero terminar logo com este trabalho, estou cansado, já está tarde e ainda temos que ir para Ernas fazer essa maldita entrega. Sinto falta de voltar do trabalho e ter a companhia das garotas — suspirou pesadamente
Heldren: Ora deixe de reclamar, se quiser uma mulher basta pagar por ela. Pra ser sincero eu também sinto falta das garotas, mas sempre soubemos que o paraíso não duraria para sempre.
Trevor: Se não fosse aquele príncipe intrometido, ele faz perguntas demais!
Heldren: E você se importa? Ele que se meta e vasculhe o que quiser, estamos sempre um passo á frente, você está preocupado a toa, nosso lorde é muito esperto.
O mineiro retornou interrompendo a conversa dos dois, ele trazia consigo uma garota loira e bem suja, ela estava amordaçada e presa por grilhões, os guardas a levaram saindo por um dos túneis assim como o mineiro, porém este tomou um túnel diferente, talvez retornando para seu trabalho.
Lin permaneceu ali tentando assimilar todas as informações que acabara de receber, se havia entendido bem aquela garota estava a caminho de Ernas para ser entregue a Cordélia, mas qual seria o motivo? E o que ela havia feito com o rei?
Com um das mãos no peito ela sentia o ar lhe faltar, aquilo havia sido como um tapa em sua face, algumas coisas ela ainda não havia conseguido compreender, já outras estavam mais do que claras. Frederick sabia muito mais do que ela imaginava e o pior é que á havia enganado, pois ela realmente acreditava que as garotas haviam sido soltas pelo acordo do casamento e não por que ele já desconfiava das investigações de Ronan.
Mas qual era surpresa afinal, Frederick não é um homem sem caráter? O que se espera de alguém assim?
Lin sorriu desgostosa, era frustrante o que sentia, porém não era novidade que cedo ou tarde seria enganada por ele, sendo assim tentou ficar indiferente aos fatos e seguir em frente, precisava sair daquele lugar o mais rápido possível, se não a vissem no palácio seria catastrófico e precisava contar á Lourenço tudo o que havia escutado, avisar do perigo. Determinada a princesa seguiu pelo mesmo túnel que os guardas, os mesmos já estavam longe, porém era a única referência que tinha, então passou a caminhar por ele, mesmo sem saber se aquele caminho á levaria para fora dali.
Depois de meia hora de caminhada Lin chegou ao fim do túnel, ali encontrou uma escada feita por cordas e uma saída coberta por galhos e feno, a princesa subiu com certa dificuldade, quando chegou ao fim da corda tomou cuidado para não ser vista e assim que percebeu que não havia ninguém ali saiu para fora.
Lin não fazia ideia de onde estava, aquela passagem á havia levado para uma clareira no meio da floresta, a noite estava fria, porém o brilho da lua cheia clareava tudo o que facilitava sua visão. Lin percebeu várias trilhas ao seu redor, sinal de que ali era um lugar muito usado pelos guardas e quem sabe pelo próprio lorde. Antes de seguir seu caminho, ela tentou memorizar o lugar, queria poder retornar ali, quem sabe mostrar para Ronan e Lourenço.
A volta ao palácio seria complicada, pois ela não tinha a menor noção de que direção seguir, sendo assim optou por tentar tomar o caminho oposto á passagem pela qual havia vindo. Olhando com seu conhecimento quase nulo era difícil saber a direção correta, dentro do túnel ela tinha a impressão de estar andando em linha reta, mas não tinha como saber se isso era verdade ainda mais estando do lado de fora.
Determinada á chegar ao castelo ela apenas seguiu seus instintos, caso se perdesse e ela quase tinha certeza que isso iria acontecer, já estava pensando em um desculpa, algo como um passeio repentino que á levou para um caminho desconhecido, as chances de acreditarem em tal história eram quase nulas, porém até o momento não havia pensado em nada melhor.
Em algum lugar nas colinas próximas a mina de Frederick
Ronan estava escondido entre a rochas próximas á uma enorme clareira que ficava as beiras de uma das entradas da mina de Frederick, ele observava atentamente o movimento á sua frente; os guardas do lorde pareciam discutir algo muito importante com os guardas de seu castelo.
O príncipe se sentia traído ao ver aquela cena, os homens que juraram proteger a coroa, ali diante dele tramando junto do inimigo, sua vontade era confrontá-los, leva-los á julgamento, mas sabia que seria uma tremenda estupidez agir por impulso e raiva.
lourenço cavalgava depressa olhando tudo á sua volta procurando por Ronan, a sensação de que algo ruim se aproximava o estava deixando muito tenso, de todos os dons que possuía esse era o que menos apreciava, pois não era algo claro, sempre que tinha pressentimentos eles vinham nas entrelinhas, como algo oculto.
Depois de cavalgar bastante o anjo chegou no território das colinas, um alívio o tomou quando percebeu que o cavalo de Ronan estava no lugar de sempre, quando iam investigar naquelas colinas eles deixavam seus cavalos pastando um pouco distantes e seguiam apé, uma maneira de não serem percebidos caso os guardas estivessem nas redondezas.
Lourenço caminhou sorrateiramente entre as colinas e rochas, ele observava tudo minuciosamente, queria se certificar de que ninguém o estava vendo, depois de passar por alguns arbustos avistou o príncipe e foi falar com ele:
Lourenço: Ronan, que bom que te encontrei — o príncipe se assustou e levou uma das mãos a bainha da espada
Ronan: Não me assuste dessa maneira, você não viria para a vigília esta noite, o que houve?
Lourenço: Eu e Lin estivemos na casa de Elesis pela tarde, ela me contou que viu os guardas de Frederick indo e vindo da mina, mas sempre de mãos vazias — olhou para o mesmo lugar que Ronan vendo o movimento dos guardas — quando estávamos retornando ao palácio vimos os guardas de Ernas regressando de lá também. Desde esta tarde estou com um pressentimento muito ruim, algo está para acontecer, por isso vim até aqui, temia que fosse com você.
Ronan: Elesis está bem? — o anjo fez um sinal positivo — fico feliz e sobre seu presságio, não deixa de ser comigo, olhe para eles, nos traindo diante de nossos olhos — fechou os punhos com força, não conseguiu disfarçar a dor e a raiva que sentia — sabe de onde vieram? Do chão, existe uma passagem ali perto daquela rocha acinzentada — apontou na direção dos homens e do local da passagem
Lourenço: Então é assim que vivem, no subsolo como vermes!
Ronan: Eu não consegui ouvir direito, mas, está havendo uma reunião importante na quinta saída — deu enfase á pronuncia — e vão até meu pai lhe entregar algo.
Lourenço: Quinta saída... Quantas destas passagens não devem existir por ai? Quanto á seu pai, algum progresso?
Ronan: Nenhum, ele está cada dia mais distante, se você o visse, ele fala que estou imaginando coisas, que não existe nada de errado no reino. E o pior de tudo é que ele ainda fala sobre se casar com aquela rainha de Ernas, eu tentei tirar isso de sua cabeça e sabe o que ele me disse? Que estou ficando louco! Eu poderia jurar que ele está hipnotizado se você confirmasse.
Lourenço: Eu não sinto a presença de magia nele, mas não significa que não esteja lá, existem magias muito poderosas que podem ficar ocultas, já descobrimos tantas coisas que não me surpreenderia se seu pai estivesse de fato hipnotizado.
Ronan: Só consigo crer que esteja, ele não pode estar em seu estado pleno, me recuso á acreditar nisso! Mas a hora está próxima amigo, vou reunir todos os guardas que são leais á meu pai e invadiremos essa passagem no mais tardar em três dias — apontou para a mesma decidido — vou acabar com tudo isso!
Lourenço: Tenha calma amigo, pense com cuidado em seus passos, mas o que for fazer conte comigo!
Ronan: Obrigado amigo, agora vou retornar ao castelo, preciso saber o que foi levado ao meu pai, assim que souber do que se trata eu lhe digo e também já estarei com um plano traçado.
Lourenço: Eu vou voltar ao palácio para ver a Lin, vou contar as novidades á ela e ver como andam as coisas por lá.
Os dois se despediram e partiram de forma clandestina até seus cavalos, dali partiram em direções opostas obstinados á levar seus planos adiante.
Em algum lugar no meio da floresta de Canaban
Lin já estava andando á pelo menos uma hora, a pequena trilha á sua frente parecia não ter fim, á sua volta além das inúmeras e repetitivas arvores também havia um enorme penhasco. A princesa não aguentava mais caminhar e se perguntava se já haviam notado a sua falta, talvez poderiam até estar procurando por ela, mas torcia para que não estivessem, temia o que poderia acontecer consigo.
Com dificuldade ela escalou algumas rochas que estavam em seu caminho, porém quando estava quase terminando seu pequeno desafio ouviu o trotar de cavalos, sem pensar muito e agindo por impulso Lin saltou para o lado caindo em cima de alguns arbustos que ficavam próximos a beira do penhasco e rezou para que eles não á vissem ali.
Os dois cavaleiros ostentavam o brasão da coroa e passaram pelas rochas guiando seus cavalos com maestria, provavelmente acostumados com o trajeto, eles não notaram a presença de Lin, a mesma encontrava-se tão embrenhada nos arbustos que havia quase se misturado á ele. Mesmo após a passagem dos homens Lin ainda permaneceu escondida por alguns instantes, queria ter certeza de que não havia mais nenhum deles por ali e só depois de se assegurar sobre isso é que decidiu sair dali.
A princesa não contava que seria tão difícil se livrar dos arbustos, seu vestido havia se prendido aos pequenos galhos do mesmo, com muita dificuldade e danificando algumas partes de seu vestido ela foi conseguindo se soltar, quando finalmente conseguiu ficar de pé pôs se a caminhar, porém fora puxada de volta por um galho que insistiu em ficar preso á barra de sua vestimenta.
Lin tentou soltar o galho de forma paciente, mas como ele não queria ceder ela passou a puxar a barra do vestido com toda a força que possuía, o galho acabou por rasgar parte da barra e a força exercida por ela se tornou uma alavanca. Lin foi arremessada para trás e rolou colina abaixo em direção ao penhasco, no caminho passou entre arbustos e pequenas pedras, sua queda só cessou quando ela conseguiu se segurar num amontoado de grama.
Lin havia cravado suas unhas na terra junto ao pequeno monte de grama, ela se segurava com extrema dificuldade, sentia o corpo inteiro doer, alguns cortes se espalhavam por seus braços e pernas, seu vestido havia se transformado num amontoado de sujeira e retalhos.
A jovem reuniu forças e tentou se arrastar para frente, atrás de si havia uma queda da qual ela não gostaria de conhecer, porém estava muito difícil se segurar, seus dedos estavam escorregando e a cada segundo ela sentia o peso de seu corpo lhe puxando para trás.
Os arbustos mais próximos estavam um pouco acima de si, se conseguisse alcança-los conseguiria se levantar e sair daquela zona de perigo, porém depois de várias tentativas inúteis de se mover, ela se viu cansada e sem se mover do lugar, o ponto em que estava era desnivelado e arenoso, era como estar em uma rampa repleta de pedras e seu corpo ferido não estava ajudando em nada.
Lágrimas invadiram os olhos de Lin quando a mesma percebeu que não conseguiria sair dali, seus dedos estavam dormentes e seu corpo escorregava sem que ela tivesse controle, ela já havia imaginado sua morte de muitas maneiras, mas nunca pensou que terminaria daquela forma.
Lin viu seus dedos deixarem a grama escapar, em seguida viu a poeria se formando á sua volta, resultado de sua rápida descida ao penhasco, numa tentativa desesperada a jovem tentou gritar, mas sua voz saiu baixa e em tom de derrota. Num piscar de olhos a terra abaixo de si acabou e a princesa sentiu o vento frio da morte envolvendo seu frágil corpo, acima de sua cabeça estava a lua, linda, cheia e brilhante, parecia lhe presentear com a mais bela visão antes do fim de sua vida.
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