Notas iniciais
— Desculpem qualquer erro de português — Desculpem a demora — Espero que gostem

Madrugada, castelo da rainha Cordélia — Ernas


Assim que foi avisada da chegada de sua encomenda, Cordélia foi pessoalmente busca-la, acompanhada por seu leal comandante, Sier.
Trevor e Heldren apearam de seus cavalos e seguiram em direção ao pátio central, eles mantinham a garota o tempo todo escondida dentro de um saco, uma maneira sútil de passarem despercebidos tanto pelas fronteiras, quanto pelos olhares dos guardas, afinal estavam carregando uma pessoa e por mais que tenha sido um pedido real isso nunca é visto com bons olhos.
Quando notaram a presença da rainha, ambos lhe fizeram uma reverência e retiraram o saco que cobria a garota, a rainha analisou-a minuciosamente e em seguida entregou á Trevor um saco repleto de moedas, antes dos dois homens retornarem á Canaban entregaram a rainha um convite dourado á mando de Frederick.

Cordélia guardou o convite entre o decote de seu espartilho e em seguida seus olhos se voltaram aos pequenos olhos verdes da garota á sua frente, Sier observava a cena sem entender muito bem as intenções de sua rainha, estava curioso com o que viria a seguir.
A rainha tinha o que precisava e sem demora seguiu para seu quarto ordenando que Sier viesse junto e trouxesse a garota. Já em seus aposentos a ela foi até sua estante, moveu o livro de capa azul e a passagem para o pequeno porão foi revelada.
Cordélia entrou e fez sinal para que Sier a seguisse, por alguns instantes o comandante ficou surpreso, ele não fazia ideia de que havia uma passagem ali, nem que haviam tantas coisas escondidas nela, a prateleira cheia de ervas foi o que mais lhe chamou a atenção:

Cordélia: Não tenha medo querido, são só algumas coisinhas que me são indispensáveis — pegou uma taça de cristal, seu punhal e o livro de capa negra abrindo-o numa página já marcada, em seguida fez o ritual de sempre — peço que fique em silêncio agora e não faça nada se eu não mandar.

Apreensivo o comandante apenas seguiu as ordens da rainha, sabia que seja lá o que ela estivesse fazendo se tratava de magia e nem mesmo ele sendo o melhor espadachim do reino seria tolo de se meter com isso:

Cordélia: Eu invoco a dama negra das trevas, eu invoco a dama negra da verdade, venha até mim chama da noite e me mostre o que eu quero ver — ao ver a sombra se manifestar e tomar forma de uma silhueta feminina, tanto Sier quanto a garota loira se assustaram:

"O que queres hoje Cordélia?"

A voz onipresente deixou a garota apavorada e Sier teve de segura-la, porém até mesmo ele estava inquieto, nunca havia presenciado tal coisa na vida:

Cordélia: Quero a forja da flecha celestial, eu tenho a alma celeste — a sombra moveu os dedos como se folheasse as páginas de um livro invisível e em seguida entregou uma página negra á Cordélia — obrigada, agora poderia me mostrar Lupus?

"Sabes que não posso, ele tem a proteção da escuridão, nem mesmo eu poderia invadi-la"

Cordélia: Certo, então me mostre a bastarda!

"Não consigo vê-la, está entre este lado e o outro"

Cordélia: Ela está morrendo? — gargalhou — não acredito!

"Está por um fio, já não pode mais ser vista"

Cordélia: O destino me poupou o trabalho, mas confesso que tinha planos, queria tortura-la e humilha-la de todas as maneiras possíveis e só então permitiria que morresse, porém não tenho o que reclamar, a maldita bastarda teve o que mereceu!
Agora posso seguir plena com meus planos de me casar e com minha vingança contra aquele demônio arrogante!

"Cuidado com o que desejas, não tome decisões erradas, não perturbe a paz de quem não conhece"

Cordélia: Já vai começar com suas ladainhas? — revirou os olhos — sei o que estou fazendo dama, não se preocupe!

A sombra moveu os dedos e como mágica desapareceu no ar como se nunca tivesse estado ali, Cordélia pegou a página e se dirigiu a prateleira de ervas, ela retirou alguns frascos de lá e em seguida levantou um pequeno tapete que estava no chão revelando um alçapão, ela o abriu e fez sinal para que Sier a seguisse.

Mais uma vez o comandante se surpreendeu, estava em um local secreto e dentro do mesmo havia outro ainda mais secreto, quais segredos mais Cordélia escondia?

Ao descerem as escadas de pedras Cordélia voltou para trás e se certificou de que o alçapão estava bem fechado, Sier e a garota iam na frente tendo o caminho iluminado por tochas que se ascendiam conforme caminhavam.

A impressão que Sier tinha era de estar entrando em uma caverna, um covil. A porta era de metal e estava muito bem lacrada, lá dentro o espaço era amplo e um tanto quanto escuro mesmo com várias tochas acessas. Ali haviam muitas prateleiras repletas de frascos, punhais, cálices e outros materiais exotéricos, era quase que como o cômodo anterior, porém com muito mais espaço e coisas desconhecidas.

Curioso Sier deixou a garota por alguns instantes e passou a caminhar e olhar as coisas ali presentes, seus olhos percorriam tudo com fascínio, ele não entendia nada de magia, mas achava todas aquelas coisas estranhas aos seus olhos muito belas. O comandante estava curioso e pretendia perguntar o motivo de estarem ali, mas quando moveu os lábios para faze-lo, percebeu algo atrás de uma das prateleiras que o deixou sem fala.

Ao se aproximar ele pôde ver um enorme receptáculo de vidro, porém o que realmente o assustou fora seu conteúdo; ali além de água também havia uma mulher, ela parecia estar dormindo, aparentava ter pouco mais de vinte anos, feições delicadas, cabelos bem longos e prateados, seu vestido era branco e em seu pescoço havia um colar de coloração rubra, aparentemente um pingente de rubi.

O receptáculo parecia funcionar com uso de magia, pois possuía um estranho brilho esverdeado e a água dentro dele estava em constante movimento o que fazia com que os cabelos e as rendas do vestido da mulher se movimentassem lentamente, quem á visse ao longe acreditaria que a mesma estava levitando.

Sier não fazia ideia de por que ela estava ali e nem quem era, mas para ele aquela era a mulher mais linda que já vira na vida, mais bonita que Cordélia:

Cordélia: Impressionado querido? — interrompeu Sier de seus devaneios

Sier: Eu só fiquei surpreso, nunca vi algo assim, o que ela faz ai? Está morta?

Cordélia: Ela apenas dorme... Você nunca se perguntou o por quê de eu nunca envelhecer? — passou os dedos pelo rosto do homem que permaneceu calado — você já mudou um pouco desde que lhe conheci e eu no entanto continuo do mesmo jeito.

Sier ouvia as palavras da rainha e relembrava sua vida desde que havia chegado ali, de fato Cordélia não havia mudado em nada, o corpo, a pele, os cabelos, tudo nela era igualmente jovial como quando se conheceram, ele imaginava que utilizava de alguma magia, mas ainda tinha dúvidas sobre isso:

Sier: Como á mantem ali? É dela que tira a beleza?

Cordélia: Não tiro sua beleza e sim sua imortalidade, por isso me mantenho assim — encarou o receptáculo com certa arrogância — ela está ali graças á uma magia muito poderosa e antiga, ela não é humana, se fosse teria morrido com menos de um mês, humanos são frágeis, sua vidas e beleza também.

Sier: Já houve uma humana ai dentro? — colocou uma das mãos no vidro

Cordélia: Sim, muitas! — olhou para a garota loira constatando o medo da mesma antes de continuar — desde que minha mãe me presenteou com essa dádiva eu sempre tive esse problema, eu tinha que sair a cada vinte dias para procurar uma moça tão bela quanto eu e coloca-la ali. Fazer isso sempre foi um incomodo terrível. Depois de muito procurar encontrei uma bruxa muito poderosa que me mostrou a solução definitiva para esse problema, o preço foi altíssimo e me envolvi com algumas pessoas que não deveria, mas no fim valeu a pena, olhe para ela, é imortal, é bela por natureza e sempre será, ela já nasceu assim.

Sier: Você a inveja? — não conseguiu evitar a curiosidade

Cordélia: E quem não? Quem não gostaria de nascer bela e imortal? — suspirou pesadamente e pegou duas flechas de madeira — agora traga-me a garota, vamos começar o ritual!

Sem pressa Cordélia retirou as amarras e a mordaça da jovem que estava extremamente assustada, em seguida despejou o conteúdo dos frascos numa tigela que estava sobre uma pequena mesa de madeira, em seguida pegou um frasco grande que continha um líquido rosado e despejou um pouco junto das ervas misturando tudo.

Sorrindo para a garota Cordélia se aproximou e a fez beber o conteúdo da tigela, depois de alguns instantes a garota fechou os olhos como se fosse desmaiar, mas ao invés de cair no chão começou a levitar e uma luz azulada á envolveu, embaixo de si estranhos diagramas surgiram e Cordélia iniciou o ritual colocando as flechas encima do diagrama e lendo o conteúdo da página negra:

Cordélia: Alma pura que me é oferecida, sejas o bálsamo daqueles que são bons, seja a cruz daqueles que são maus, dê me o teu poder e torne-se minha arma — a luz em volta da garota se inflamou e se tornou amarelada, as flechas brilharam e levitaram — seja o poder que tira a vida da luz e das trevas, obedeça a voz de quem as trouxe aqui, e pegue o que lhe é de direito — a rainha apanhou um punhal e cortou a palma de sua mão deixando seu sangue cair sobre o diagrama — transforme-se!

A garota gritou de dor enquanto se contorcia no ar, a luz á sua volta se tornou muito forte para ser vista á olho nu, Sier não escondeu seu choque ao presenciar a cena, mas se manteve calado.
Aos poucos a voz da garota se esvaiu e tanto o diagrama quanto a luz em volta de si foi gradativamente diminuindo até desaparecer. O corpo inerte da jovem caiu no chão com força, sua vida já não existia mais, porém as flechas que outrora eram comuns, agora irradiavam uma luz branca e intensa.
A rainha sorriu vitoriosa ao perceber que a forja havia dado certo, agora tinha nas mãos as armas para concretizar sua vingança:

Cordélia: Você é um bom arqueiro não é querido? — Sier se manteve calado ainda se recuperando da cena anterior e fez apenas um sinal positivo com a cabeça — de um jeito no corpo dessa menina e vamos traçar o plano de busca pelo maldito caçador, não importa onde esteja!
Vê estas flechas? Quero que acerte uma delas no coração daquele infeliz, pois assim terei certeza de que não irá sobreviver entendeu?

Sier: Sim minha rainha, como desejar!

Madrugada, floresta de Canaban

Lin viu sua vida inteira passando diante de seus olhos; os sonhos, as descobertas, os momentos tristes e também os alegres, tudo isso indo embora junto com suas lágrimas. Ela juntou os braços e se encolheu como se quisesse se proteger, não havia mais nada o que fazer ou pensar.

Seu corpo estava despencando rápido e ela já havia se rendido á morte, de olhos fechados imaginava como seria morrer e torcia para não sentir mais dor do que já estava sentindo, queria que sua morte fosse tão rápido quanto sua queda.
A jovem apenas aguardava pelo fim, porém como num sonho bom, de repente Lin não sentiu mais o vento gélido estapeando sua pele, nem mesmo sentia o peso de seu corpo sendo empurrado para baixo, parecia que tudo havia terminado e uma sensação de conforto lhe invadiu, como se alguém á envolvesse num abraço.

Já estava morta? Talvez, não dizem que do outro lado não se sente nada? Mas ainda doía muito, cada partezinha de seu corpo estava reclamando de dor...

Com receio Lin abriu os olhos, temia o que poderia ver, mas precisava saber o que estava acontecendo consigo. Quando o fez percebeu que de certa forma realmente recebia um abraço, um amparo, estava no braços de um rapaz, porém não era um rapaz comum, este possuía olhos e cabelos cor de vinho, suas vestes eram elegantes e de cor escura, definitivamente não era humano:

Lin: Isso é um sonho? Estou morta? Quem é você? — sua voz saiu muito baixa

Dio: Não é um sonho, mas quase foi um pesadelo, por pouco você não escaparia — olhou para baixo observando os poucos metros que faltavam para o solo — me chamo Dio, mas você não me parece estranha, já nos conhecemos?

Ao olhar para baixo Lin se assustou, percebeu que não estava no chão, notou as asas negras de Dio batendo sutilmente os mantendo no ar, foi inevitável não se agarrar á ele por medo de cair, o demônio sorriu ao ver o medo da jovem e devagar passou a voar em direção ao topo do penhasco:

Lin: Estamos indo para cima? — perguntou surpresa — vamos cair!

Dio: Sim, vamos chegar logo lá em cima, não, nós não vamos cair — sentiu a garota se encolhendo ainda mais em seu braços

Lin: O que fará comigo? — perguntou receosa

Dio: Por que o medo? Se eu lhe quisesse mal não á teria salvo, não acha? E o que mais eu poderia lhe fazer, você está muito ferida, já deve estar sentindo toda a dor que poderia. Agora relaxe um pouco eu vou te levar para meu lar, lá vamos curar você.

De fato Lin se sentia literalmente destruída, sua queda fora violenta e cada parte de seu corpo estava dolorido, sem contar o cansaço que já a havia dominado, ela precisava dormir. Por outro lado também queria poder correr dali, não sabia á quanto tempo estava naquela floresta e já imaginava a fúria do lorde sobre si.

Por mais que quisesse ter forças para voltar ao palácio, Lin não tinha e não demorou para suas vistas começarem a escurecer, ela nem sabia se o demônio falava a verdade, mas não poderia negar que estava confortável em seus braços. Logo seu corpo não se moveu mais, a dor á estava incomodando, porém ia diminuindo á medida em que o sono se aproximava, ela apenas permaneceu ali quieta.

A última coisa que viu antes de fechar totalmente os olhos fora o crucifixo roxo no pescoço de Dio, por alguns instantes se perguntou como o mesmo conseguia usa-lo, já que o símbolo era usado contra demônios, para enfraquece-los, porém antes que pudesse pensar numa resposta plausível o sono á levou sem que ela pudesse resistir, por hora só esperava que ao despertar não passasse por mais nada de ruim.

Á poucas horas do amanhecer, palácio do lorde Frederick — Canaban

Lourenço retornou ao palácio e tudo parecia estar tranquilo, após se banhar e comer o mesmo se preparava para dormir, porém ouviu batidas em sua porta, era Malva a criada responsável por atender Lin:

Malva: Desculpe-me atrapalhar seu sono nesta madrugada senhor, mas vocês chegaram bem? — a criada trajava suas vestes de dormir, visto que havia acordado apenas para saber a informação

Lourenço: Nós? — perguntou confuso

Malva: Você e a senhorita Lin, ela jantou e depois disso eu não á vi mais, quando fui até seus aposentos lhe servir a ceia ela não estava lá, não sei se agi da maneira correta, mas como o senhor também não estava, imaginei que estivesse junto de você, eu estava preocupada.

Lourenço: Quem mais sabe sobre isso? — disse sério

Malva: Ninguém senhor

Lourenço: Desculpe — me por isso Malva — com delicadeza ele segurou o rosto da mulher e a fez olhar em seus olhos — esqueça essa conversa e tudo o que aconteceu esta noite, vá dormir.

A criada fez a vontade do anjo e o mesmo se manteve por alguns instantes pensativo, o dom mais uma vez havia agido de maneira turva, sem demora o jovem se vestiu e procurou por Lin em todos os cantos do palácio, assim que percebeu que ela não estava na propriedade do lorde, foi até seu cavalo e seguiu floresta adentro determinado á encontra-la mesmo que fosse preciso utilizar de seus poderes para isso.
Caso o lorde chegasse em casa e não encontrasse Lin seria terrível, ele poderia castiga-la ou coisa bem pior, Lourenço se sentiu culpado, afinal Lin estava envolvida com tudo aquilo não só por sua teimosia, mas também por que ele á colocara ali, se algo de ruim lhe acontecesse ele não conseguiria se perdoar.

Inicio da manhã — Elyos

Lin abriu os olhos lentamente, por alguns instantes permaneceu quieta na cama querendo retomar seu sono, porém notou que aquela não era a cama do lorde e nem o quarto, tudo ali era diferente.
As cores predominantes eram frias, o quarto era bem claro e arejado, se fosse pensar num dono para ele pensaria em um rei, apesar de que mesmo que tudo ali fosse muito bonito e requintado em nada se parecia com a extravagância de um rei.

Devagar Lin se levantou da cama, notou que seu corpo já não doía como antes, seus ferimentos haviam sido tratados e já não vestia mais os trapos da noite passada, agora usava um vestido branco de tecido bem leve e mangas longas.
Lin estava confusa, só conseguia se lembrar com clareza de tudo que aconteceu antes de enroscar a barra de seu vestido no arbusto, a partir disso tudo em sua cabeça era um nó entre a realidade, um sonho e um pesadelo, ela se lembrava do demônio que á havia salvo.

"Vou te levar para meu lar"

A frase veio á mente como uma grata resposta, talvez o demônio tivesse cumprido com sua palavra e aquele era seu lar. Lin se dirigiu a porta do quarto com intenção de procurar por seu salvador e saber onde estava, queria agradece-lo e partir imediatamente para Canaban.

Assim que saiu do quarto se deparou com uma bela visão, não só o quarto era muito bonito como também toda a arquitetura da casa; o corredor onde estava era amplo, suas paredes eram brancas e a enormes janelas ostentavam longas cortinas de um tom de bem claro de azul.

Lin estava maravilhada com tudo o que via, nunca havia estado num lugar tão bonito quanto aquele, se antes chegou a pensar que o lugar pertencia á um rei agora tinha certeza, pois aquele lugar era enorme, parecia ser um palácio.

Ao chegar na escadaria principal ela se deparou com outra bela vista; as escadas eram de mármore e vasos repletos de rosas e orquídeas de várias cores decoravam tudo. O centro do teto era composto por vidro, permitindo assim que a luz entrasse diretamente ali.

Encantada com a visão Lin nem se quer percebeu que estava sendo observada, só o fez quando ouviu passos e logo que percebeu quem era quase não acreditou, se não fosse pela expressão nada amigável em seu rosto, Lin arriscaria dizer que se tratava de uma ilusão:

Lin: Como pode isso — incrédula o encarava — o que você faz aqui Lupus?

Lupus: Eu moro aqui, você está em minha casa, em Elyos, Dio pediu que ficasse aqui, pois acredita que por me conhecer, você se sentiria mais confortável — cruzou os braços impaciente mantendo as mãos escondidas nas mangas de sua camisa preta — agora me responda; por que que você está sempre envolvida nas coisas mais perigosas e estúpidas, senhora Lady von Vignole?

Lin: Como disse? — a palavra Lady a assustou — como sabe sobre isso?

Lupus: Acha que Dio estava ali aguardando você se atirar para salva-la? — sorriu irônico — seu futuro marido nos enviou um convite dourado para um pequeno evento em comemoração ao seu noivado — fingiu surpresa — não me diga que não sabe a data de seu próprio noivado?

Lin: Realmente não faço ideia ainda, mas deixe-me explicar, as coisas tomaram um rumo muito diferente do que eu previa, não é o que parece...

Lupus: E o que era pra parecer? Para quem queria acabar com ele, se tornar noiva é realmente algo bem distinto

Lupus seguiu em direção á um corredor lateral á escada que dava para a sala de estar, Lin o seguiu meio envergonhada, lá o jovem demônio se sentou no sofá e manteve o semblante sério, Lin não precisou de palavras para entender que precisava explicar o que estava acontecendo. E assim a princesa o fez, contou com detalhes tudo o que havia lhe acontecido desde a noite da confraternização, contou todos os planos, falou de seus aliados e todas as descobertas que havia feito:

Lupus: Eu sinceramente não acreditava que você iria tão longe com isso.

Lin: E deixar aquele homem livre para fazer o que quiser? Não!

Lupus: E o que acha que vai lhe acontecer se esse plano de vocês falhar?

Lin: Considerando que ele é um cretino, espero o pior do pior, mas prefiro acreditar que conseguiremos acabar com ele!

Lupus: Você é tão... — por alguns instantes não soube que palavras usar e apenas sorriu — irresponsável, inconsequente, teimosa e forte

Lin: Eu sei que parece absurdo, mas eu simplesmente me cansei de ser uma ninguém... Eu só quero lutar, ainda que eu não consiga nada, quero poder dizer que lutei e estive viva.

Lupus encarou Lin por alguns instantes, ele tentava compreender a gana insistente na jovem, ela mal havia se recuperado da queda quase fatal e no entanto parecia mais forte que nunca, aquilo era admirável, ainda mais vindo de uma pessoa que tinha todas as razões para ter desistido de tudo.
Antes que Lupus ou Lin pudessem iniciar outro assunto, Dio apareceu na sala sorrindo ao ver os dois ali:

Dio: Bom dia amigos — Lin sorriu e Lupus nada disse ou fez

Lin: Bom dia Dio e muito, mas muito obrigada mesmo, você me salvou e eu não sei como posso lhe pagar essa divida — o abraçou mesmo sem saber se poderia.

Dio: Ora não foi nada, eu estava no lugar certo na hora certa — se encurvou um pouco e achando um gesto bonito da parte da albina o retribuiu.

Lin: De um tempo pra cá, eu venho acumulando dividas com demônios, vocês sempre salvam minha vida, sinceramente não sei como farei para quitar essa divida.

Lupus: Tente não se meter em confusão ou atividades mortais e talvez você pague uma porcentagem da minha — disse sério

Dio: A minha já está paga, esse abraço sincero já está de bom tamanho — se aproximou de Lin e cochichou em seu ouvido — ele parece um cara mau, mas tem bom coração e aposto que também aceita um abraço.

Lupus: Você faz parecer que eu não consigo te ouvir, mas infelizmente eu consigo Dio — se levantou indo em direção á porta — vamos para o jardim, meu pai nos aguarda para o café, antes de ir você tem que comer alguma coisa.

Os três seguiram para o jardim, Lin observava os dois demônios á sua frente, eles não eram diferente por natureza, mas suas personalidades eram muito distintas; Dio mantinha uma postura séria, mas ao tempo era transparente em suas ações, os olhos marcantes mostravam exatamente o que sentia, não escondiam sua essência desafiadora e tanto quanto selvagem.

Lupus por outro lado era uma incógnita, uma oscilação, os olhos rubros não deixavam escapar nenhuma emoção, mas possuíam uma intensidade imensa, isso estava fazendo com que Lin se interessasse ainda mais pelo demônio. A jovem princesa tinha a impressão de que o destino sempre os unia, pois quando já o estava quase esquecendo acabavam por se cruzarem novamente, seja pela mão de uma rainha maldosa, um lorde cretino ou um anjo de asas negras.

Notas finais
— Até o próximo capitulo — Gostou? Não gostou? Comente e faça uma autora feliz s2