A flor do inverno
8 Máscaras III - Dançando com o demônio
Notas iniciais
Pingos finos de chuva caiam do céu, uma brisa levemente fria soprava nos rostos dos guardas do lado de fora do palácio, em seu interior a celebração continuava e parecia estar longe de acabar, já passava da meia noite e ninguém parecia estar preocupado com o tempo.
Não muito longe dali em uma das inúmeras clareiras de uma floresta próxima, uma luz intensa de cor arroxeada surgiu em meio ao nada, devagar a luz foi tomando forma e revelou-se um portal, dele saíram dois demônios, Lupus e Dio.
A passos lentos os dois tomaram o rumo do palácio enquanto conversavam entre si, ambos vestidos a caráter; Lupus usava um longo casaco em um tom de vermelho bem escuro, seus cabelos estavam parcialmente penteados para trás, visto que alguns fios insistiam em cair sobre sua face, já Dio ostentava um sobretudo preto cujos punhos exibiam detalhes em roxo, seus cabelos estavam desalinhados como de costume:
Dio: Eu estive pensando nas palavras de nossos pais — Lupus suspirou pesadamente — as palavras deles até que tem sentido, nós temos inúmeros motivos para não gostar muito dos mortais, mas quando os subjugamos estamos fazendo exatamente o que eles fazem conosco.
Lupus: Depois de todo esse tempo decidiu ouvir nossos pais? — sorriu — eu sei aonde quer chegar, mas não preocupe com isso irmão, não estou com raiva de estar aqui eu só não confio neles — passaram pelos portões do palácio — e fique tranquilo, farei o mesmo que você, já que estou aqui tentarei me divertir.
O profano sorriu ao perceber as intenções de seu amigo, Lupus sempre tivera uma personalidade complicada e muitas vezes confundida com rebeldia, mas Dio sempre o compreendera afinal sua personalidade quase nada difere do amigo.
Ao chegarem à enorme porta do salão viram os olhares temerosos dos guardas os analisarem, já estavam acostumados com isso, mas ainda assim parecia divertido em todas as vezes. Assim que as portas se abriram ambos adentraram o salão sendo observados por praticamente todos os presentes, um pequeno burburinho se iniciou e especulações também, alguns nobres já os conheciam enquanto que outros questionavam entre si as origens dos dois jovens.
Nora foi recepciona-los sendo seguida por alguns duques e lordes que papeavam com ela, uma pequena roda se formou ao redor dos dois demônios e perguntas referentes ás suas origens se iniciaram, coisa bem comum entre a supremacia da nobreza, tanto para preencher os protocolos da alta sociedade quanto para possíveis negócios, pois mesmo estando em uma festa alguns homens não perdem a oportunidade de fazer novos negócios.
Depois de alguns minutos de conversa, tanto Dio quanto Lupus estavam entediados, os dois logo deram um jeito de escapar da "roda das formalidades" e passaram a caminhar pelo salão em busca de distração ou simplesmente espaço para dialogar assuntos que não fossem voltados aos negócios ou toda aquela chatice aristocrática:
Lupus: Não compreendo essa formalidade barata dos humanos — fez uma longa pausa e tanto ele quanto Dio aceitaram vinho de um serviçal que por ali passava
Dio: Pelo menos tem vinho — bebericou um pouco e passeou com os olhos pelo salão notando olhares atirados de algumas damas — olhe só para elas, se eu fosse um pouco mais cretino já estaria me divertindo!
Lupus: Afinal de contas somos pecadores luxuriosos, nada mais justo que você crie seu harem particular — ambos riram da piada irônica enquanto ainda analisavam os presentes
Dio: Você fez uma piada? — colocou a mão na testa do amigo — está passando bem?
Lupus: Seu maior passatempo é testar minha paciência, vá dançar e me deixe em paz! — Sorriu
Dio: Vá você também, isso ainda é uma festa se esqueceu?
Lupus: Ora e não me esqueci eu só...
O jovem de olhos escarlate se calou e seu olhar se fixou em alguém em meio ao salão, Dio ficou curioso e olhou na mesma direção em que o amigo, porém o que ele viu fora apenas uma moça de cabelos prateados vestida como uma verdadeira dama da corte observando os casais dançarem pelo salão:
Lupus: Lin?!- exclamou em voz baixa
Dio: Eu gostaria de dizer que sei o porquê de você estar encarando aquela moça e estar falando sozinho, mas eu não sei... Importa-se? — gesticulou com os braços pedindo uma resposta:
Lupus: Foi para tirar a vida daquela garota que Cordélia havia me contratado — fez uma longa pausa — mas esta que vejo agora nem de longe se parece com a garota que conheci esta manhã, a alma que conheci era atordoada e sem vida, bem diferente desta que sinto agora.
Dio: A alma dela exala força — arqueou a sobrancelha — e você não me disse que ela era bonita...
Lupus: Você não ia dançar ou algo assim? — arqueou a sobrancelha
Dio: Já vou...
Dio deu as costas para o amigo sorrindo, Lupus deu um longo suspiro enquanto observava o mesmo partir em direção á uma velha dama sentada numa mesa sozinha, ela sustentava um olhar cansado e triste.
Dio sempre gostou de tirar damas mais velhas para dançar como uma forma de demonstrar que para a dança não importa a idade.
Lupus desviou o olhar do amigo e o voltou para Lin e por alguns instantes se manteve imóvel, estava pensativo e apenas observava as ações da garota.
A verdade é que o demônio se sentia intrigado com relação á jovem de cabelos prateados, não só por encontra-la coincidentemente ali no mesmo ambiente, mas também por sua alma que agora estava completamente diferente. O jovem demônio conseguia enxergar a vontade e a força emanando de Lin e isso o deixava curiosamente interessado na moça.
Do outro lado do salão Lin se mantinha firme e observava os passos de Nora com ansiedade, a jovem esperava pelo momento em que a governanta iria finalmente parar de recepcionar todos os que passavam pelas portas do salão e ir até o seu tão falado lorde.
Mas isso estava demorando muito, eram tantas as pessoas naquele salão e tantas outras chegando que a jovem princesa se sentia perdida e mal conseguia enxergar os rostos que á todo instante adentravam o recinto.
Lin passou a encarar a taça de vinho em suas mãos, o liquido rubro e encorpado era convidativo e mesmo sem ter experiência com bebidas alcoólicas a jovem cogitou dar um gole na bebida a fim de tentar aliviar um pouco a tensão, porem antes que pudesse sorver o liquido seus olhos se fixaram em algo, ou melhor, alguém que caminhava em sua direção.
A jovem princesa encarava o rapaz que caminhava em sua direção completamente surpresa e chegou a duvidar do que seus olhos viam, estaria enganada?
Não, não teria como se enganar, os olhos rubros à lhe encarar eram únicos, mas parecia até mentira estarem ali. Lin nunca pensou que fosse reencontra-lo, na verdade ela nem se quer havia cogitado essa possibilidade ainda mais estando no ambiente e na situação em que se encontrava:
Lupus: Não pensei que fosse lhe rever tão cedo, mas vejo que seu azar continua — encarou o pingente de esmeralda no vestido da jovem.
Lin hesitou em falar, tocou o pingente em seu vestido e percebeu que a joia nada mais era do que a marca de Frederick. Um sorriso frustrado brotou no rosto da jovem que encarou o chão por alguns instantes, ela procurava palavras que pudessem expressar o que sentia ou pelo menos explicar sua situação, mas não conseguia:
Lupus: Você não precisa falar, eu conheço bem a fama do anfitrião.
Lin: Você o conhece?
Lupus: Já tive o desprazer de encontra-lo algumas vezes, negócios, mas por que pergunta?
Lin: É mais complicado do que parece, sabe, não é como se eu quisesse estar aqui — a tristeza ficou estampada no rosto da jovem — mas preciso saber mais sobre ele, você precisa me dizer o que sabe! — as palavras saíram como ordens
Lupus: Eu preciso? — incrédulo Lupus custou a crer no que ouvia — não sei o que está acontecendo, mas não quero me envolver em problemas com mortais, não foi por isso que vim até você
Lin: Não quero parecer rude, tão pouco poderia lhe devo minha vida, mas por que veio então?
Lupus: Apenas quis conversar — omitiu o verdadeiro interesse — mas vejo que você tem suas próprias preocupações — Lupus já imaginava o motivo do apelo de Lin
Lin: Estou desesperada eu preciso parar este homem!
O jovem demônio permaneceu em silencio e não se sentia a vontade com o pedido repentino da jovem á sua frente:
Lupus: Eu já lhe disse, não quero me envolver nos assuntos de vocês! — ele se preparava para ir embora quando Lin o segurou pelo braço
Lin: Você está certo, você não tem nada com isso, nem é obrigado a me ajudar, porem você está aqui agora e eu não acho que seja a toa... Me conte o que sabe sobre ele — o encarou determinada e mais uma vez Lupus pode ver a luz emanando de sua alma — por favor, só me diga o que sabe e mais nada!
Ali estava, aquele era o motivo de sua curiosidade, mas agora Lupus tinha certeza, a luz emanando de Lin só significava uma coisa, que ela possui uma alma celeste.
Poucos humanos são agraciados com uma alma pura e forte o suficiente para se tornar celeste e muitas vezes os portadores de tais almas não vivem muito, pois acabam sendo caçados por mercenários, ladrões e caçadores de recompensas. Almas celestes valem muito no mercado negro, nas mãos certas são capazes de gerar muita energia mágica, logo é o item mais procurado por magos, bruxas e feiticeiras:
Lupus: O que te move é coragem ou simplesmente estupidez? Como pretende encarar um homem com o poder que ele tem sozinha? — Lin fez menção em falar, mas se calou ao sentir as mãos do caçador em volta de sua cintura — sei que irei me arrepender, mas falemos sobre isso enquanto dançamos você está sendo muito bem observada.
Lin logo percebeu o motivo do convite para a dança, se algo sobre o que falavam chegasse aos ouvidos dos guardas quem sabe o que poderia acontecer, mas mesmo sabendo que aquilo não passava de um disfarce a princesa se sentia estranha e ao mesmo tempo nostálgica, a última vez em que havia dançado fora com seu pai em seu aniversário de oito anos, muito tempo se passou depois disso e a jovem sentia como se já não soubesse mais como dançar ou que fosse se atrapalhar durante o processo.
Vendo a hesitação por parte de Lin, Lupus suspirou profundamente e guiou as mãos da mesma até a posição correta e por fim a segurou pela cintura de maneira que ficassem próximos o suficiente para enfim dançar:
Lin: Eu não sei se ainda sei fazer isso — sorriu constrangida
Lupus: Deixe-me te guiar — o tom de sua era doce e Lin não foi capaz de recusar.
E assim os dois passaram a dançar junto dos outros casais que preenchiam o salão, a princesa realmente se deixou conduzir por Lupus e não se arrependeu, ele à guiava com elegância e naturalidade, os dois pareciam flutuar devido a leveza de seus passos.
Lin tentou desviar o olhar do rosto de seu parceiro à todo custo, mas era difícil não encara-lo, estava diante de um ser que só conhecera em livros ou pelos contos de terror que circulam entre as pessoas, no entanto até aquele momento as histórias lhe soavam exageradas.
Pelo que havia lido nos livros e pela língua dos populares, Lin imaginava que demônios fossem desprovidos de calor e alma, porém Lupus era o oposto, seu corpo emanava calor e seus olhos eram tão intensos quanto as chamas de uma fogueira.
A princesa mal o conhecia, aquele estava sendo seu contato mais próximo e diga-se de passagem inesperado, porém ela não o via como inimigo ou como o tipo de criatura que descreviam, a verdade é que Lin nem sabia o que pensar a respeito, estava fascinada com o que via diante de si e quase se esqueceu de sua missão:
Lupus: Lin? — a albina demorou alguns segundos para responder
Lin: Sim — fez uma breve pausa, como se despertasse de um transe — perdoe-me pela distração, enfim, esta manhã depois que você me libertou eu tentei chegar em Ernas, mas fui pega por um grupo de homens que além de mim levavam consigo outras quatro garotas.
Fomos levadas à uma espécie de leilão e eu fui comprada por um dos lacaios desse homem desprezível!
Lupus: Como imaginei... Ao que parece quanto mais poder financeiro vocês humanos possuem mais acham que podem obrigar alheios às suas vontades.
Lin: Nem todos somos assim, mas você não deixa de ter razão, eu só gostaria de entender o por quê!!
Lupus: Creio eu que tem a ver com ganância, essa ânsia dos mortais pelo poder, de se sentirem superiores aos demais — Lupus conduziu Lin fazendo um leve rodopio, desta forma a jovem teve uma visão melhor do salão e pode observar os rostos dos presentes mais de perto — viu esses nobres? Reparou bem em seus rostos?
Neste momento estamos sendo julgados.
Lin: E por que seríamos julgados? Isso é uma festa, não uma corte julgadora, eu nem se quer os conheço!
Lupus: E acha que eles precisam lhe conhecer para isso? Lin você é mesmo tão ingênua assim? Isso aqui é uma jaula cheia de leões.
Lin prestou atenção nas pessoas à sua volta, os olhares eram sutis, mas estavam ali; julgadores, odiosos, libidinosos e alguns de desaprovação, como se fosse um pecado estar ali dançando:
Lin: Isso é tão estúpido!! Quanto mais coisas descubro mais sinto vontade de fugir daqui. Mas só o farei depois que acabar com Frederick!
Lupus: Frederick é o pior deles — uma pontada de raiva se manifestou na princesa — ele comercializa joias, tem liberdade no reino e muito prestígio na corte do rei, todos o têm como um homem de coração nobre.
O que poucos sabem é que ele utiliza dessa liberdade toda para comercializar produtos obtidos no mercado negro e também mulheres.
Lin: Como o rei não sabe disso? Como é possível que isso fique assim escondido?
Lupus: Alguns outros nobres compactuam do mesmo comércio ilegal que ele, os lucros são divididos, eles tem bons álibis e recebem ajuda tanto de dentro quanto de fora do castelo.
Lin: E todas essas garotas? Ninguém desconfia de nada, é isso que quer me dizer? — As palavras saíram ríspidas
Lupus: Vá e pergunte à qualquer uma delas quem são e o que fazem — aproximou o rosto ficando à centímetros do da albina encarando-a — Sabe qual será a resposta? Elas dirão que são damas de companhia da governanta e que Frederick cuida delas, dando-lhes um teto e estudos.
Lin: Exatamente o que fui instruída à dizer, Mas isso é mentira, eu vi, ele tem um dormitório nos fundos da casa, instrumentos de tortura e sabe-se lá o que mais! Só não entendo como ninguém percebe nada!
Lupus: Olhe para elas, olhe pra você; está bem vestida, alimentada, ele até mesmo colocou uma pedra preciosa em seu vestido. Acha que elas se rebelariam ou contrariam à alguém? Aquelas garotas não tem quem lute por elas, estavam perdidas ou pertenciam à outros reinos, é isso que ele busca. Eu realmente gostaria de não saber tanto sobre esse assunto, mas infelizmente eu sei!
Lin levou uma das mãos aos lábios de Lupus fazendo com que o mesmo se calasse, ela já havia ouvido o bastante, não conseguia mais escutar tudo aquilo, a situação era ainda mais sórdida e suja do que ela imaginava:
Lin: Quero saber onde ele está — a firmeza em sua voz surpreendeu Lupus
Lupus: Olhe à sua volta, tenho certeza que consegue encontra-lo por conta própria.
Lin passou a vasculhar novamente o lugar, seus olhos passeavam sem restrição, encaravam tudo e todos, mas não viam nada de novo, por esse motivo repetiu o processo várias vezes até que percebeu um olhar que não havia notado antes.
O olhar em questão pertencia à um homem que aparentava ter pouco mais de trinta anos, suas vestes eram elegantes e imponentes assim como a expressão de sua face. Ele estava de pé ao lado de alguns homens que pertenciam ao mesmo círculo social. Apesar do alvoroço que acontecia ao seu redor o homem mantinha seu olhar fixo em Lin:
Lin: Eu o encontrei...
Lupus: Espero que saiba o que está fazendo — a dança entre eles cessou e ambos se afastaram.
Havia chegado a hora, o nervosismo se fez presente e Lin teve que respirar fundo, não havia tempo para arrependimentos ou mesmo para desistir, depois de alguns segundos decisivos, Lin respirou fundo e à passos lentos passou a caminhar na direção de Frederick.
Lupus observou os passos da jovem princesa com certa curiosidade, ele quase ria da situação, porém estava admirado, pois nunca conhecera alguém com tal coragem, afinal era uma garota sozinha e sem nada indo confrontar um homem muito poderoso e com fortes aliados, aquilo era muita coragem ou seria estupidez?
De qualquer forma a causa era nobre, Lupus não deixou transparecer, mas homens como Frederick sempre o enojaram, ele nada tinha a ver com o mundo dos homens, porém não era cego, menos ainda inerte, já havia presenciado muita covardia e corrupção vinda do lorde e todos os que participavam do esquema sórdido dele:
Dio: Ela fugiu de você! — debochou, enquanto se aproximava do amigo
Lupus: Ela tem assuntos à resolver com o anfitrião...
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Quando Lin estava se aproximando de Frederick o mesmo passou à caminhar para fora do salão em direção as dependências do palácio, o lorde ia um pouco à frente sendo seguido pela princesa.
Os corredores do palácio eram amplos e muito bem decorados, Frederick tinha bom gosto e o interior de seu palácio refletia isso. Passados alguns cômodos o lorde parou diante de uma porta grande de madeira entalhada com suas iniciais:
Frederick: Por favor senhorita — com uma das mãos fez menção para que Lin entrasse, mesmo receosa a jovem entrou — fico muito feliz que tenha vindo à mim.
Lin: Desejo falar com o senhor!
A porta atrás de si se fechou e Lin observou com atenção os detalhes daquele lugar; era o escritório do lorde, tão requintado quanto o restante da casa, porém com a sobriedade de um lugar que fora criado para tratar de negócios.
Ali diante do lorde Lin se lembrou das palavras de Nora, Frederick era realmente um homem muito bonito, de traços fortes e belos olhos dourados, a barba não muito rala em sua face lhe dava um ar ainda mais altivo e elegante, seus cabelos eram negros e ondulados. Enquanto o avaliava a jovem princesa se perguntava mentalmente o motivo de tudo aquilo, para quê manter tantas mulheres reféns, já que aparentemente não parecia ser difícil para ele conquistar uma mulher:
Frederick: Sente-se por favor — se sentou numa poltrona e com um gesto ofereceu a poltrona ao lado para Lin
Lin: Estou bem de pé! Não vim aqui confraternizar com você, eu vim lhe pedir que liberte todas as garotas que mantém aqui! — Sua voz saiu firme e ela pode notar a surpresa nos olhos do lorde.
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