A flor do inverno

6 Mascaras I - A flor despedaçada


Notas iniciais
- Estamos começando uma etapa tensa da fanfic, muita coisa vai acontecer a partir de agora, então sugiro que não pisquem! — Desculpem qualquer erro de português — Espero que gostem!

A carruagem seguia rápida e balançava á todo instante, do lado de fora se ouvia risos, deboches e palavras chulas vindas dos comerciantes, eles já haviam apelidado suas “mercadorias” e palpitavam entre si os possíveis valores que conseguiriam com cada uma delas.

Do lado de dentro a penumbra criada pelas cortinas escuras nas janelas impossibilitava que as cinco garotas pudessem se encarar, mas em seus rostos além de lágrimas e medo também havia o constrangimento.

Aos poucos a velocidade da carruagem foi diminuindo e o som de várias vozes foi tomando conta do ambiente, Sam deu três toques na porta da carruagem abrindo – a em seguida com um largo sorriso na face, os outros rapazes foram descendo uma á uma das garotas e as puxando pelas cordas em que estavam presas fazendo – as caminhar mata á dentro por uma trilha.

Goeh e Guyle estavam à frente do grupo abrindo espaço, depois de caminharem alguns instantes se depararam com várias carruagens e cavalos que pastavam por ali indicando a presença de pessoas pelas redondezas, mais a frente havia duas pedras imensas que tinham mais ou menos dois metros de distancia uma da outra e entre elas uma “cortina” composta por folhagens diversas e muitas samambaias ao passarem por ela foi como se Lin e as quatro jovens estivessem adentrando outro mundo.

Mesas e cadeiras feitas de troncos de arvores se espalhavam pelo ambiente, mulheres vestindo aventais passeavam com bandejas por todos os lados, homens de aparências distintas ocupavam praticamente todo o lugar, alguns pertenciam à nobreza outros possuíam brasões em seus trajes o que significava que estavam ali á serviço de alguém.

No centro do recinto havia um palco improvisado e nele havia três garotas amarradas e amordaçadas, dois homens gesticulavam e entregavam moedas de ouro á uma mulher de longos cabelos dourados cujos lábios estavam fortemente tingidos de carmesim, após conferir o ouro a mulher empurrou as três garotas para dois homens que saíram dali sorrindo.

Sam se aproximou do palco e cochichou algo para a elegante mulher, em seguida Lin e as outras garotas foram levadas até lá e postas uma ao lado da outra, Billy veio á frente para cumprir seu papel no grupo; apresentar as mercadorias, usar as palavras para valoriza-las e aguçar os compradores.

Depois de atrair a atenção de todos com um bater de palmas ele iniciou seu pequeno show:

Billy: Boa tarde senhores, primeiramente eu quero agradecer lady Chrysna pelo espaço em seu leilão e agora vou lhes oferecer mercadorias de altíssima qualidade! – o loiro recebeu um sorriso da elegante mulher e abriu os braços mostrando as garotas no palco.

Deixem-me apresentar á vocês as cinco joias que trouxemos hoje: a primeira delas é essa ruivinha aqui – apontou para a jovem — olhem esses belíssimos olhos verdes e esse corpo maravilhoso, dizem que ruivas são quentes! – a moça manteve a cabeça abaixada e sentia seu rosto ferver de vergonha.

A próxima é a nossa bonequinha – ele apontou para a segunda garota — olhem para esses brilhantes olhos castanhos, esses lábios finos e bem desenhados, tão pequena, não parece feita de porcelana? – a garota chorava copiosamente e tentava inutilmente cobrir a face com as mãos.

Esta outra aqui é a nossa pérola negra — apontou para a terceira garota – dona dessa maravilhosa pele cor da noite e seios que enchem a mão! – a garota suspirou profundamente e manteve a cabeça baixa.

A próxima é o nosso raio de sol – apontou para a quarta garota — olhem esses longos cabelos dourados, rostinho corado e olhos cor de mel – a garota mantinha os olhos inchados pelo choro fixos nos homens á sua frente, parecia enforcar cada um deles em pensamento.

E por último, mas não menos importante temos a nossa raríssima flor do inverno! – Lin sentiu seu rosto se contorcendo de vergonha – olhem essa pele branca como a neve e lábios vermelhos como maça não é sempre que se encontra uma florzinha como essa!

Todos os homens presentes analisavam com cuidado cada uma das garotas ali expostas, eles circulavam o palco e alguns apontavam para elas enquanto conversavam entre si, Lin se sentia nua diante de tantos olhares famintos, sentia o coração bater tão rapidamente que pensava que á qualquer instante ele poderia saltar de seu peito, a jovem princesa se sentia como um objeto á venda e de fato ali era literalmente uma mercadoria:

Billy: Sejam generosos cavalheiros, temos as melhores garotas destas redondezas, os lances iniciais são de quinhentas moedas de ouro por cada uma!

Um pequeno alvoroço se formou, alguns homens gritavam valores altíssimos seguidos do apelido da garota que tinham interesse, moedas de ouro estavam expostas sob a enorme mesa de madeira e várias negociações estavam em andamento, não demorou muito para que todas as garotas fossem vendidas inclusive Lin. A jovem princesa observava aos prantos todo o movimento daquele lugar sem conseguir entender como aquilo poderia ser real, era impossível para ela compreender como pessoas negociavam e vendiam outras pessoas.

Depois de entregar uma quantia exorbitante de moedas para lady Chrysna, um homem alto que aparentava ter por volta de uns vinte e cinco anos cujo traje pertencia à corte caminhou em direção á Lin, ele sorriu para ela e a conduziu para fora do leilão. Do lado de fora as nuvens escuras e carregadas tomavam conta do céu, pingos finos de chuva tocavam a pele de Lin que tremia só de pensar em seu destino incerto.

A jovem princesa chegou a cogitar uma fuga, mas ao olhar para os lados ficava claro que seria uma grande tolice, além de estar amarrada, a mata á sua volta era extremamente densa e a única passagem livre era a trilha em que se encontrava. Sem opções Lin seguia caminhando ao lado do rapaz em direção á um cavalo de cor negra, com uma longa crina que pastava tranquilamente próximo á uma cerca.

Por mais que a situação fosse ameaçadora ao sentir as mãos do rapaz que lhe conduzia, Lin se sentia estranhamente bem, aquele jovem rapaz lhe transmitia uma sensação boa o que era desconexo, pois como alguém de bem e com boas intenções poderia comprar uma pessoa em um leilão clandestino

Percebendo a inquietude da garota o rapaz quebrou o silencio entre eles:

Lourenço: Meu nome é Lourenço senhorita – os cabelos do rapaz eram castanhos, seus olhos gentis eram da cor de avelãs e sua voz parecia melodia aos ouvidos de Lin – não tenha medo, não lhe farei mal algum – ele retirou as amarras e a mordaça da mesma que ficou surpresa com tal ato.

Lin: Onde está me levando? – o encarou intrigada e receosa.

Lourenço: Você pertence agora á um dos aristocratas mais importantes da corte de Canaban, lorde Frederick Von Vignole – pronunciava as palavras de maneira doce e sua expressão era serena

Lin: O que acontecerá comigo?

Lourenço: Confie em mim, eu escolhi você por uma boa razão – ele montou em seu cavalo trazendo Lin consigo – vou leva-la ao palácio dele agora, mas terei de pegar um atalho pela floresta, pois estamos atrasados, se segure bem!

Lin tentava colocar os pensamentos em ordem, mas só o que conseguia era ficar ainda mais confusa, o olhar e as palavras daquele homem eram doces, mas quais seriam suas reais intenções?

E o que significava seu pedido de confiança, confiar nele, por quê?

Tudo estava acontecendo rápido demais e mesmo tentando a jovem princesa não conseguia acompanhar o ritmo frenético em que as coisas aconteciam consigo, a poucas horas atrás estava caminhando sem rumo pela floresta em seguida fora mercadoria em um leilão e agora estava cavalgando sabe-se lá para onde com um homem que nunca vira na vida...

Lin estava exausta e lutava com todas as forças para continuar acordada, mas sua mente lhe ordenava algo que seu corpo se recusava.

Logo a sensação de bem estar dominou a jovem por completo e a mesma acabou dormindo nos braços de Lourenço, este por sua vez acomodou Lin próxima ao peito, dano-lhe mais comodidade e proteção e passou a cavalgar ainda mais rápido sem se importar com as gotas de chuva que estavam ficando mais frequentes.

Depois de alguns minutos eles chegaram a uma pequena trilha e passaram por várias carruagens que iam se aproximando, logo o jovem rapaz avistou o palácio que estava com seus portões abertos por conta de uma grande celebração, ele adentrou depressa e passou pelo majestoso portão de ferro que elegantemente exibia o brasão de Von Vignole; dois leões prateados e entre eles a letra V:

Lourenço: Moça acorde, nós já chegamos – tocou levemente o rosto da jovem que demorou um pouco para acordar

Lin: Onde eu... Que lugar é esse?

Lin ainda despertava de seu sono quando se deparou com a belíssima visão do luxuoso palácio de lorde Frederick Von Vignole que estava em festa; as janelas do salão principal estavam iluminadas e contrastavam de maneira delicada com o jardim cercado por cerejeiras de cores variadas, carruagens chegavam de todos os lados, a chuva não parecia incomodar os nobres que desciam elegantemente de suas carruagens sem pressa alguma. Se soubesse pintar Lin com certeza faria um quadro para guardar o momento:

Lourenço: Você irá participar da celebração, mas antes preciso te levar para madame Nora – o jovem cavalgou por uma trilha lateral que dava para os fundos do palácio, lá havia uma enorme mansão que só perdera em beleza para o palácio á sua frente.

Lourenço desceu do cavalo e em seguida ajudou Lin a descer, eles caminharam até a enorme porta de entrada da mansão, o jovem deu duas batidas na mesma e dois guardas robustos vestidos de cinza e com semblante sério a abriram, logo uma voz feminina e madura tomou conta do ambiente ela pertencia á uma mulher que tinha por volta de trinta anos, pele negra, lábios carnudos e semblante sério , ela caminhava lentamente em direção á eles, segurando elegantemente a barra de seu longo vestido azul:

Nora: Ate que enfim você chegou Lourenço, pensei que você não viria mais! – sorriu satisfeita – vejo que trouxe uma nova garota, como era sua primeira vez neste tipo de serviço pensei que você não conseguiria nada.

Lourenço: Não foi tão difícil encontrar aquele leilão depois de suas referencias e como pode ver ela é diferente das outras como você pediu – o rapaz sorriu gentilmente para Lin e sussurrou um pedido de desculpas em seu ouvido, a jovem ficou sem entender muito bem o que acabara de acontecer ali – agora devo ir, preciso me vestir de forma adequada para a celebração, com licença senhora.

Nora: Sim meu rapaz, se vista para o deleite de todas as senhoras desta corte – ela observou o jovem sair pela porta e depois voltou seu olhar para Lin analisando – a de cima á baixo – olá mocinha, eu sou Nora, mas para você sou Madame Nora e você agora é uma das garotas de lorde Frederick...

Notas finais
Até o próximo capitulo s2