A flor do inverno
15 Desconfiança e ciúme
Notas iniciais
Início da manhã — Castelo da rainha Cordélia — Ernas
Niana a melhor costureira da corte havia chegado no castelo praticamente junto com o sol, desde então a mulher só fez desenhar modelos de vestidos dos mais variados e segurar tecidos dos mais nobres até os mais comuns para que a rainha pudesse escolher tudo ao seu gosto.
Cordélia estava impaciente, pois estava em dúvida sobre quais cores e tecidos usar em seu mais novo vestido, havia se habituado a deixar esse tipo de coisa nas mãos de Lin ou de Relga, mas ambas já não estava mais ali á seu serviço.
Depois de alguns bons minutos Cordélia decidiu optar por suas cores preferidas; vermelho, preto e branco, os tecidos escolhidos foram seda, cetim e renda. Depois da escolha Niana tirou as medidas da rainha e em seguida partiu direto para seu atelier, tinha pressa em começar logo o trabalho, tremia só de pensar na possibilidade de desapontar a rainha e ter que pagar por isso.
Sozinha em seus aposentos, Cordélia se dirigiu a sacada e permaneceu ali por alguns instantes admirando a bela vista de seu jardim, ela aproveitou os minutos sozinha para organizar seus pensamentos e planos futuros.
Sem bater na porta ou pedir licença, Sier entrou no quarto e sem restrição abraçou sua rainha, ela correspondeu ao carinho do mesmo com um beijo e ambos permaneceram ali trocando algumas caricias até que Cordélia pôs-se a falar:
Cordélia: Como está nossa traidorazinha? — sorriu
Sier: Cada dia mais fraca, já até cansou de me ofender e tentar se livrar dos grilhões, acho que não dura um mês, porém estou fazendo o possível para que dure.
Cordélia: Pois faça, quero que ela sofra muito mais- gargalhou por alguns instantes — encomendei o vestido mais belo que o dinheiro pode pagar, semana que vem terei o prazer de mais uma vez esmagar minhas inimigas! — sorriu
Sier: Você adora festas não é mesmo?
Cordélia: Claro que sim querido, me vestir á altura, ser cortejada e elogiada, tem algo melhor que isso? — o homem nada disse, apenas fitou com interesse a mulher diante de si — sou o que á de melhor para você?
Sier: Ainda tem alguma dúvida quanto á isso? — disse sério — a única coisa que me chateia é não ter nascido no mesmo nível em que você, pois eu gostaria de me livrar daquela criatura com a qual me casei e tornar você minha esposa de verdade!
Cordélia: Não se preocupe com isso, logo terei dois reinos só pra mim, farei de você alguém á altura — sorriu confiante
Sier: Isso é bom e ao mesmo tempo ruim, quero que tenha tudo que deseja, mas detesto pensar na hipótese de te ver casada com outro — disse sério
Cordélia: Não fique com ciúmes, ele vai morrer assim que eu obtiver o trono — fez uma breve pausa — ele e o filho arrogante!
Sier: Não vai ser muito estranho quando os dois se forem assim em datas tão próximas?
Cordélia: Infelizmente os dois serão vítimas de acasos, sem qualquer suspeita, sou boa em esconder quando necessário... Diferente de Lupus que faço questão de matar e farei questão que todos saibam!
Floresta próxima ao palácio de Frederick
Lin sentiu um leve arrepio percorrer seu corpo, nem mesmo os sons da floresta puderam lhe tranquilizar, ela não sabia o que viria a seguir, mas temia pelo pior, conhecia bem a relação tortuosa que existia entre anjos e demônios.
Tanto Lupus quanto Lourenço não esboçavam qualquer tipo de emoção ao se encararem e para Lin aquilo era como uma bomba relógio, não conseguia se quer imaginar o que poderia fazer caso houvesse um confronto entre os dois. Temendo o pior a jovem interveio:
Lin: Lupus este é meu amigo Lourenço — apontou para o mesmo — Lourenço este é meu amigo Lupus — repetiu o gesto
Lourenço: Não fique nervosa Lin — disse sério percebendo a inquietude da princesa
Lupus: Não vamos nos matar, se é o que pensou — completou também de forma séria
Lin: Ora então por que estão tão sérios? — exclamou preocupada
Lourenço: Instinto, ainda que não estejamos mais em guerra.
Lupus assentiu e a expressão em seu rosto se suavizou assim como a de Lourenço. Lin suspirou levemente ao perceber que o clima pesado estava se dissipado, porém notou que ambos se observavam, com certa curiosidade:
Lupus: Você ao que parece não pertence a ordem do santuário, não age como eles.
Lourenço: Hoje não, mas um dia pertenci, eu era um dos soldados de elite do arcanjo Duel, porém há um bom tempo atrás deixei o santuário e parti junto dos rebeldes liderados por Zephyrum — observou Lupus por alguns instantes — e você não parece fazer parte do clã da cruz de prata.
Lupus: Não mesmo, assim como você nós também tivemos motivos para abandonar o clã maior e seguir os princípios em que acreditávamos, por sorte estávamos certos.
Lin observou os dois com certa alegria, ela não entendia nada sobre os clãs que citaram, mas de certa forma estava feliz por vê-los interagindo, mesmo sendo diferentes em muitos aspectos ainda possuíam coisas em comum, aquilo era um colírio para seus olhos, porém, mesmo querendo prolongar aquele encontro, ainda tinha um lorde á encarar:
Lin: Desculpem-me atrapalha-los, mas preciso saber, ele lhe mandou aqui não é? — encarou o anjo receosa
Lourenço: Não, eu não sei se ele já sabe, estive fora a noite toda á sua procura, então só saberemos quando retornarmos
Lin: Me perdoe por isso, você me pediu para ficar e não fazer nenhuma bobagem e no entanto eu fiz, mas saiba que fiz muitas descobertas — disse confiante — e caso ele esteja procurando por mim, que venha, estou pronta para encara-lo! — disse de maneira firme
Lupus: Não faça nenhuma bobagem, já lhe disse que aquele homem é podre! — disse sério
Lourenço: Pelo que vejo você sabe de tudo — Lupus assentiu — vou confiar em você como Lin confia — disse de maneira firme
Lupus: Estamos do mesmo lado — disse sério — e foi bom te-lo encontrado, pois quero que saiba que vou, aliás, vamos ajuda-la também.
Lin se surpreendeu ao ouvir tais palavras, não só pela ajuda que era mais do que bem vinda, como também por saber que veria Lupus novamente, pois até então, acreditava que aquele estava sendo seu último encontro com o demônio:
Lourenço: Temos pressa, mas amanhã logo pela manhã nos reuniremos próximos ao mercado de Canaban na casa de uma aliada, você pode vir?
Lupus: Nós estaremos lá — Lourenço o olhou confuso — um amigo também vai gostar de participar disso.
Lin: Eu o conheço Lourenço, é confiável, na verdade eu devo minha vida á ele
Lupus: Você vai gostar de saber como ela o conheceu — Lin lançou um olhar de repreensão á Lupus
Lourenço: Assim que chegarmos ao palácio farei um interrogatório — sorriu
Lin e Lourenço partiram rumo ao castelo, mas não sem que Lin agradecesse mais uma vez pelo cuidado e hospitalidade com que fora tratada na casa de Lupus. E assim os dois seguiram apressados para o palácio, cortando as trilhas pelo caminho tão rápido quanto o vento.
Assim que avistaram os portões perceberam a presença de Frederick próximo do mesmo, com ele também estavam alguns guardas, como se estivessem reunidos ali para algum propósito. Lin já imaginava que seria por causa dela, mas em sua cabeça já havia ensaiado algumas desculpas e histórias para tentar enganá-lo. Decidida á enfrenta-lo por conta própria, a princesa pediu á Lourenço paciência e colaboração, seja o que for que ela dissesse pediu ao anjo que confirmasse:
Frederick: Ora se não é minha noiva desaparecida — disse com um sorriso nos lábios
Lin: Desaparecida, eu? Não entendo o que me diz — uma expressão confusa transformou seu rosto
Frederick: Cheguei junto do sol e não lhe encontrei em lugar algum, quase pedi que meus homens fossem atrás de você, não o fiz por que notei que Lourenço também não estava aqui — encarou o anjo com seriedade
Lin: E agiu certo, eu o despertei muito cedo para que me acompanhasse num passeio pela floresta. Ontem depois do jantar sofri um pequeno acidente enquanto me banhava — ergueu as mãos mostrando as ataduras que as envolviam — acabei despertando antes do sol e me senti incomodada, então fui interromper o sono de Lourenço e ele fez o favor de me acompanhar no meu passeio.
Frederick: Você está bem? Como isso aconteceu? — se mostrou preocupado
Lin: Um vidro de essência floral se quebrou em minha mão, mas não foi nada demais
Frederick: Espero que até semana que vem suas feridas já estejam totalmente curadas — Lin o olhou confusa — eu não te contei antes, mas eu já enviei os convites do nosso noivado — retirou um convite de um dos bolsos e o entregou para a princesa
Lin: Como é bonito — disse sorrindo, mas logo a expressão de seu rosto mudou — e quando pretendia me avisar? Se já é semana que vem, que tempo eu tenho para me preparar? Preciso providenciar um vestido á altura, vou agora mesmo ao atelier da Lire!
Frederick: Tem certeza? — disse surpreso
Lin: Sim, aliás, vai precisar de Lourenço para alguma trabalho? Ele pode me acompanhar?
Frederick ficou tão surpreso ao ouvir as palavras de Lin que quase não conseguiu dizer nada, ela parecia muito interessada no noivado e parecia realmente irritada por não ter sido avisada antes, como se ter tempo para se preparar fosse mesmo muito importante para ela. Aquela atitude foi bem diferente do que o lorde esperava de sua parte e ele não escondeu sua alegria ao vê-la dessa forma:
Frederick: Ele deve lhe acompanhar para qualquer lugar que desejar, você não deve andar sozinha. Compre quantos tecidos precisar e não se preocupe com valores, faça tudo ao seu gosto.
Lin: Obrigada, eu não posso vestir qualquer coisa, virão muitas pessoas importantes, quero causar boa impressão.
Frederick: E você irá, isso não será nem motivo para discussão,mas agora se me der licença tenho coisas á fazer, eu só vim por você, pois queria que soubesse da novidade — sorriu — antes que eu me esqueça, esta noite estarei aqui para o jantarmos juntos.
Antes de partir o lorde se aproximou de Lin , sem pressa ele segurou seu queixou e a beijou, sem ter como reagir a jovem permaneceu imóvel e sentiu um frio lhe percorrer a espinha ao sentir os lábios do lorde nos seus, neste instante ela clamou ao céus para que aquilo terminasse logo.
Mesmo após a partida de Frederick, Lin continuou imóvel e sem reação, ela só voltou a si quando sentiu a mão de Lourenço lhe tocando o ombro. O anjo percebeu o quanto a princesa havia se abalado com aquele contato tão íntimo e inesperado.
Assim que foi desperta de seu transe Lin passou as mãos no lábios e cuspiu várias vezes fazendo caretas:
Lin: Sinto-me enojada — exclamou
Lourenço: Eu não imaginava que ele faria algo assim — se sentiu mal pela amiga
Lin: Pelo menos ele acreditou em mim e nos deixou livres por hoje — sorriu vitoriosa
Lourenço: Eu acreditaria em você se não soubesse de tudo, você foi muito convincente — fez uma breve pausa — o que significa essa súbita vontade de ter um vestido novo?
Lin: Esse vestido faz parte dos meus planos, te conto depois — sorriu — e também quero uma folga pra você, enquanto eu estiver no atelier você irá descansar, não pense que não notei seu cansaço, se está assim é por minha culpa.
Lourenço fez menção em falar, mas parou quando percebeu a presença de Nora. A governanta era seguida por seus leais guardas e seu semblante denotava raiva e inquietude:
Nora: Garota você pode te-lo enganado, mas a mim não engana — exclamou desafiante enquanto ficava á poucos passos de Lin — se você o trair eu acabo com você!
Lin: Trai-lo? Por que eu faria isso? — disse em tom de deboche
Nora: Garotas perdidas como você são alvo fácil de cobiça alheia, nem mesmo um guarda-costas como Lourenço é capaz de lhe impedir, mas saiba que isso eu não vou permitir!
Um riso baixo escapou dos lábios de Lin ao perceber o sentido da conversa, de fato havia uma traição acontecendo, mas não do tipo que Nora imaginava:
Lin: Já terminou? Eu adoraria ficar aqui discutindo com a senhora, mas eu tenho mais o que fazer, tenho um vestido para encomendar, pois sou a futura Lady Von Vignole, espero que não se esqueça disso!
Lin foi em direção a Lourenço ignorando Nora, a governanta sentiu tanta raiva que quase mandou seus guardas levarem a jovem para o quarto do castigo, porém se o fizesse não sabia quais consequências lhe atingiriam, nem queria pensar na hipótese da ira de Frederick pairando sob sua cabeça, então, pelo menos naquele momento, ficou em silêncio.
Um pouco distante dali Lin e Lourenço seguiam seu curso, dada uma certa distância do palácio a princesa pediu para que Lourenço parasse, o anjo atendeu seu pedido, mas não entendeu o motivo, porém para sua surpresa a princesa lhe pediu para guiar o cavalo.
De inicio o anjo estranhou, pois acreditava que a mesma nunca havia cavalgado na vida, porém Lin já havia sim, na infância passeava pelos campos floridos com o pai e guiava sua pequena égua muito bem. Zen, o cavalo de Lourenço, não era tão pequeno quanto a égua que tivera na infância, mas ela já havia notado o quanto era dócil, então com a permissão de Lourenço tomou as rédeas:
Lourenço: Tem certeza do que está fazendo? — perguntou desconfiado
Lin: Faz anos que não guio, mas eu ainda bem lembro bem como se faz — sorriu — e você precisa descansar, então pare de fazer perguntas e apenas aprecie a vista.
Lin conduzia Zen muito bem, não corria tanto quanto Lourenço, mesmo por que naquele momento não havia pressa, mas se mostrou muito habilidosa. Além disso Lourenço sentia algo de diferente na jovem, sua aura estava tranquila e em paz, como se sua energia tivesse sido renovada.
Ao chegarem nas proximidades do mercado Lourenço apeou de seu cavalo e em seguida ajudou Lin a descer, eles deixaram o animal pastando por ali e seguiram para o mercado, no caminho os dois foram conversando e Lin contou tudo o que havia acontecido na noite anterior e sobre como conheceu Lupus, mas assim que terminou de responder as perguntas dele, foi a vez dela começar a perguntar:
Lin: Você e Lupus falaram sobre algumas coisas e eu gostaria de entende-las melhor, de quais clãs estavam falando?
Lourenço: O santuário e a cruz de prata foram os primeiros clãs criados por nossos antepassados, no início ambos se repeliam, porém, com o passar do tempo a ganância se apossou de seus governantes, um alegava que o outro possuía mais poder e por conta disso uma guerra foi iniciada.
Ela durou dez longos anos e foram perdidas muitas vidas, tanto na luz quanto na escuridão, a matança só acabou quando alguns generais de ambos os lados se uniram secretamente e dominaram a luta, foi criado um tratado de paz entre entre nossas raças.
A partir dai outros clãs foram criados, muitos de nós e deles, passaram a viver espalhados, alguns até vivendo entre os humanos.
Lin: Eu li um pouco sobre o assunto, ainda bem que isso acabou — disse solidária
Lourenço: Por sorte eu nasci bem depois desse tempo sombrio, eu cresci em meio a proposta de paz, acreditando nas leis do santuário.
Lin: Então por que você saiu de lá?
Lourenço: O motivo de minha saída foi um de meus superiores, uma rejeição amorosa que resultou numa vingança fútil e pessoal que infringia as regras.
Lin: Regras? — disse confusa
Lourenço: Sim, temos regras, assim como vocês, ainda que exista paz entre nós e os demônios, pelas regras, nunca poderíamos viver em conjunto ou unir nossos poderes, mas principalmente, não podemos de maneira alguma nos relacionarmos afetivamente com eles.
Lin: Por que isso? O amor é algo tão lindo...
Lourenço: Nós não podemos, o fruto de um relacionamento como esse é muito perigoso — disse sério — não seria nem anjo, nem demônio, porém mais forte que os dois. A luz o rejeitaria tanto quando a escuridão.
No santuário um pecado como esse é punido com a morte ou coisa pior, assim como na cruz de prata, quem comete tal pecado é julgado pelos seus superiores. É engraçado falar sobre esse assunto, pois foi justamente por causa disso que decidi seguir os rebeldes.
Lin: Ele se apaixonou por um demônio? — perguntou curiosa
Lourenço: Não, mas houve um anjo que sim.
Lin: E o que houve com esse amor?
Lourenço: Como todos os outros, foi destruído. Ela deve estar morta, eu não assisti ao seu julgamento ou quis saber sobre, mas duvido muito que não tenha sido executada. Sobre o demônio, eu soube que foi julgado, porém não foi morto e isso causou muita raiva no arcanjo.
Lin: Mas se ele foi julgado pelos demônios, o arcanjo deveria ter aceitado o julgamento ainda que não concordasse!
Lourenço: Ele não soube lidar com a rejeição, quando soube que o coração dela pertencia á outro e justamente o qual julgava inimigo, ele enlouqueceu. Sua sede de vingança foi tanta que ele nos reuniu, eu e mais dez soldados de elite, ele mentiu para nós, disse que um demônio havia invadido o santuário, em resumo, poderíamos caça-lo e matá-lo por invasão de território como mandam as regras.
Acontece que enquanto caçávamos nos encontramos com o então líder dos rebeldes, o arcanjo Zero Zephyrum, ele abriu nossos olhos, nos contou o verdadeiro propósito por trás daquela caçada e a partir dali eu descobri que estava sendo usado e que matar aquele demônio era errado, aquilo tudo não passava de uma vingança fútil de alguém que não foi capaz de superar a rejeição.
Lin: Seria uma enorme injustiça, não entendo por que você é considerado um rebelde — questionou
Lourenço: Por que eu desobedeci uma ordem direta e abandonei meu lar sem permissão, portanto, sou um rebelde. Mas por outro lado, agora sou livre e posso andar e ir para onde eu quiser, o que me fortalece é saber que não sou o único, que existem tantos outros como eu, que também abandonaram o santuário.
Lin: É comum os opostos se amarem? Você já se apaixonou?
Lourenço: Não podemos escolher por quem vamos nos apaixonar e sim, eu já amei alguém, mas ela ficou no santuário, eu sai por defender os princípios em que acredito, ela ficou lá pelo mesmo motivo.
Os dois caminharam mais um pouco e logo avistaram o atelier; uma loja não muito grande, com paredes tingidas por cores fortes e um letreiro grande de madeira com o sobrenome Eryuell talhado nele. Ao baterem na porta uma jovem loira de semblante gentil a abriu, era Lire a dona da loja e melhor costureira de Canaban:
Lire: Bom dia, como posso ajudá-los? — disse sorridente
Lin: Eu gostaria de encomendar um vestido para meu noivado, mas gostaria de saber se tem alguma possibilidade de estar pronto até a semana que vem.
Lire: Venha, preciso que decida o modelo, os tecidos e preciso tirar suas medidas, se ele não for muito complexo, creio que consigo entrega-lo até alguns dias antes.
Lin e Lire ficaram alguns bons minutos trocando ideias e tirando medidas, a jovem princesa já tinha em mente o modelo á ser confeccionado, então com ajuda de um papel e tinta se dispôs á desenhar o modelo para facilitar o trabalho da costureira.
Enquanto Lin desenhava, Lire trouxe alguns biscoitos e chá de cortesia, ela ofereceu para a jovem e em seguida para Lourenço, mas o mesmo havia adormecido em um dos sofás de espera.
Em uma das minas de Frederick
O lorde companhava o descarregamento de mais uma pilhagem feita por seus capangas, dentre as muitas mercadorias estavam roupas nobres, armas e jóias. O lorde olhava para tudo aquilo com um sorriso triunfante nos lábios, para ele cada pilhagem bem sucedida era como vencer um rei dentro de seu próprio quintal:
Frederick: E não imaginava que encontraríamos algo de útil em Frostland, mas veja só tudo isso Nora, aquele pequeno reino está ficando cada vez mais rico, acho que em breve farei uma visita aos Frost.
Nora: Seria interessante meu lorde, soube que eles tem um negócio promissor e por coincidência, são joalheiros.
Frederick: Imagino que devem ter alguns tesouros para mim — sorriu — em breve os visitarei, preciso olhar de perto tudo que eles tem á oferecer.
Nora: Meu lorde, desculpe-me por essa intromissão, mas você pretende mesmo se casar com aquela garota?
Frederick: Sim Nora, há algo de errado? — disse sério
Nora: Eu só gostaria de ter certeza que ela é a escolha certa para você — sorriu
Frederick: Você é sempre muito cautelosa, mas creio que nesse caso você esteja equivocada, Lin não é do tipo de mulher com as quais você está acostumada, seria bom se você se acostumasse a presença dela, logo era será minha mulher e tão dona de tudo quanto eu.
Sem se despedir o lorde passou a caminhar mina a dentro e Nora permaneceu no mesmo lugar, estava pensativa e só depois de alguns minutos decidiu chamar um de seus guardas:
Nora: Venha aqui Heldren, tenho um trabalhinho para você, gosta de espionar garotas travessas?
Heldren: Gosto muito, principalmente se elas forem bonitas!
O guarda sorriu ao pensar na ideia e a governanta não perdeu tempo em lhe contar os detalhes de seus planos...
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