A flor do inverno

16 A profundidade de um coração


Notas iniciais
— Desculpem qualquer erro de português — Desculpem a demora — Espero que gostem

Início da noite , palácio de lorde Frederick — Canaban

Lin havia se banhado e terminava de se preparar para o jantar, porém dessa vez iria jantar na companhia de seu noivo, mas isso era de fato curioso, a princesa se questionava mentalmente, afinal, quais seriam as intenções do lorde com essa atitude?

Além do lorde, Lin também passou a pensar em Nora com outros olhos, desde seu último encontro nada amistoso com a governanta, ela teve um pressentimento ruim e a estranha sensação de que aquela mulher é ainda mais perigosa do que aparenta ser.

Depois de pronta Lin foi direto para a sala de jantar, ao chegar lá se deparou com uma mesa mais do que farta, porém não fora isso que chamara sua atenção e sim Frederick. O lorde não estava vestido com a impecável elegância de sempre, pelo contrário, seus cabelos estavam desalinhados, sua camisa estava com alguns botões abertos e dobrada até os cotovelos de forma desleixada.

Lin também percebeu alguns papéis sobre a mesa, o que significava que mesmo naquele momento não havia descanso para os negócios ou que os mesmos eram urgentes demais para serem ignorados mesmo na hora do jantar.
Frederick recebeu Lin de maneira cortês, ele a cumprimentou com um beijo em uma das mãos e um sorriso gentil nos lábios.

Era inegável que o lorde era um homem muito bonito e agindo da maneira como estava, poderia facilmente seduzir qualquer mulher, porém, para Lin aquilo não era um empecilho, não cederia ao lorde mesmo que fosse o homem mais charmoso da face da terra, a questão ali era outra.

O que a estava incomodando não era o lorde em si, Lin não saberia explicar bem o por quê, mas algo na aparência de Frederick, naquele momento, fazia com que ela se lembrasse de outra pessoa. Lupus.

Mesmo tentando se concentrar na conversa, a princesa não conseguia, mas ao menos estava mais fácil encará-lo, já que em sua mente imaginava outro:

Frederick: Eu não pensei que poderíamos ter um momento como esse — sorriu

Lin: Um momento como esse? — perguntou séria saindo de seus devaneios

Frederick: Sim, o jantar, a conversa tranquila, essa é a primeira vez que você dirige a palavra á mim sem aquele olhar de receio — bebericou um pouco de vinho enquanto encarava Lin por cima da taça

Lin: Acho que quero me acostumar á você — mentiu

Frederick: Então devo me considerar com sorte...

Lin queria poder dizer ao homem á sua frente que ele nunca á teria, mas como seria impossível no momento, ela manteve sua conduta carismática e o jantar rumou para seu fim da mesma maneira que começou, de forma pacífica.

Assim que terminou sua refeição a jovem pediu licença e foi direto para o quarto com a intenção de se deitar, enquanto vestia sua camisola a jovem agradecia mentalmente aos céus pelo jantar que fora livre de perigos.

Já deitada, Lin aguardava pelo sono e quando seus olhos finalmente começavam a querer se cansar a porta do quarto se abriu e para seu espanto era Frederick. Por alguns instantes Lin se assustou e quase o expulsou dali, porém se recordou de que aquele não era seu quarto, então optou por sair ela mesma dali.

Quando a jovem ameaçou se levantar foi impedida pelo lorde que com gestos pediu para que ela se acalmasse e continuasse deitada, receosa pelo que poderia vir a seguir a jovem se mantinha totalmente alerta, não fazia ideia do que o lorde pretendia, mas já esperava pelo pior:

Frederick: Não vim lhe atacar, se é o que pensou, estou cansado demais para tal ato, na verdade eu apenas decidi ficar um pouco em meu quarto — cansaço era evidente em seu rosto

Lin: Entendo, afinal este quarto lhe pertence, a hóspede aqui sou eu, mas eu insisto, prefiro que você fique só.

Frederick: É tanto meu quanto seu, fique e não se preocupe comigo — se sentou a beira da cama e tirou a camisa que vestia o que fez com que Lin desviasse os olho dele por um momento — você tem sido paciente comigo e mesmo não querendo tem feito coisas apenas para manter a paz por aqui.

Lin: É o que pensa? — ainda incomodada com a aproximação do lorde, manteve sua postura rígida.

Frederick: Você acha que eu não percebo nada, mas eu percebo, acho que devo lhe agradecer por isso, ao menos você está tentando.

O lorde não a encarou apenas sorriu e passou uma das mãos em seus cabelos, ele se deitou e passou a encarar o teto. Vendo a maneira franca como ele estava levando a conversa, Lin arriscou-se em dizer algumas coisas que estavam presas em sua garganta:

Lin: Se você fosse alguém melhor, talvez, eu não tivesse que fazer nenhuma tentativa — disse séria

Frederick: Eu nunca serei melhor, já não posso mais ser, mas ao menos posso oferecer coisas boas, um palácio, tudo que o dinheiro pode comprar.

Lin: E isso serve para que? De que adianta tanto dinheiro e coisas materiais se não houver o principal — gesticulou com as mãos e se sentou na cama mantendo as pernas cobertas — o poder não serve de nada sem o amor e a confiança!

Frederick: Foi assim que eu aprendi, não só aprendi como já vi acontecendo, o que move as pessoas são as riquezas e o poder.

Lin: Você deveria rever seus conceitos, seus bens podem acabar!

Frederick: Eu tenho consciência disso, mas não posso desfazer tudo o que já fiz e muito menos fingir á mim mesmo que consigo redenção.

Lin: Talvez se você tentar consiga — disse de maneira firme

Frederick: Olhe para você, está na defensiva, como pode me dizer que tenho concerto?

Lin: Se me sinto assim diante de você é por que você me deu motivo, mas isso não muda o fato de que você pode acabar com tudo isso.

Frederick: Por isso não posso perder você...

Lin pretendia estender aquela conversa e entende-la, porém, Frederick mal terminou suas palavras e caiu no sono ali mesmo ao seu lado, ela não soube o que pensar por alguns instantes, afinal, estaria ele se arrependendo de tudo o que fez ou aquilo seria uma mentira para iludi-la?

A jovem se viu numa encruzilhada; um lado seu gostaria de acreditar que, talvez, no fundo aquele homem não fosse de todo o mal, porém um outro lado seu clamava por vingança e não apagava de sua mente as barbaridades que havia presenciado no alojamento e nas mãos de Nora.

Os princípios de Lin á impediam de cometer um crime, mas as circunstâncias para tal ato eram favoráveis; Frederick dormia ao seu lado e havia um punhal em cima da estante, só o que a princesa precisava era de um pouco de coragem e crueldade para consumar o ato.

Por mais que Lin desejasse fazer justiça com as próprias mãos, jamais se perdoaria se o fizesse, ainda que Frederick tenha cometido e ainda cometa vários crimes, não caberia á ela julgá-lo por conta disso.

Madrugada, castelo da rainha Cordélia — Ernas

Cordélia caminhava calmamente pelos corredores de seu castelo, ela passou pelo pátio principal e as masmorras, seu destino era chegar a torre afastada, lugar que outrora fora o lar de Lin, mas que agora abrigava outra pessoa.
Sorrindo a rainha chegou até a torre e bateu na porta algumas vezes, em seguida ergueu um vaso que estava próximo e retirou a chave da imensa porta de metal para enfim abri-la.

Com um sorriso nos lábios e muita satisfação, a rainha analisou bem a pessoa que ali estava antes de começar a falar:

Cordélia: Boa noite traidorazinha — seu tom era de puro deboche — vim lhe visitar!

Lá dentro uma figura franzina presa por grilhões se esforçava para encarar a mulher diante de si, era Relga, que agora era residia ali, sem direito a se quer ver a luz do sol.

Segundo as leis de Ernas os traidores da coroa são punidos com a morte, mas essa lei pode vir a mudar de acordo com a vontade de seu governante, e a vontade da atual governante era torturar e matar a jovem lentamente como vinha fazendo:

Cordélia: Deixe essa carinha de tristeza pra lá, vamos anime-se!

Relga: O que quer de mim? — sua voz saiu baixa e fraca, resultado de sua má alimentação

Cordélia: Eu soube que você já não é mais a mesma e eu não gostaria que você morresse sem uma visitinha minha — sorriu — agora que está ai, deve se sentir muito arrependida de sua traição, não é mesmo?

Relga: Não me arrependo de nada do que fiz! — tentou ser o mais firme possível

Cordélia: Olha, eu não gosto de ser portadora de más notícias, mas saiba que seus esforços foram em vão, a bastarda está morta — gargalhou

Relga: Pare com suas mentiras! Vá embora e me deixe morrer em paz!

Cordélia: É verdade Relguinha — se aproximou e a segurou pelo queixo — aquela imunda com o qual você se sujou para proteger, está morta! A dama negra me contou.

Relga: Você fez isso não foi, pagou outro para matá-la?

Cordélia: Eu não paguei ninguém! Para ser sincera não me importo, aliás, agradeço e até recompenso aquele que tirou a vida dela caso eu o encontre — sorriu — agora vou me retirar, eu só vim me certificar de que você esteja pagando por tudo que me fez de mal.

Sem olhar para trás Cordélia caminhou rumo á porta sorrindo, estava satisfeita por ter importunado Relga e mais ainda por saber que a notícia sobre a morte de Lin havia feito muito mal á ela.
Relga, por outro lado, queria ter forças para ofender a rainha com todas as palavras de baixo calão que conhecia, porém só o que foi capaz de fazer foi observar a mesma sair pela porta, logo, lágrimas que se formaram em seus olhos e ela não foi capaz de conte-las.

Com a porta trancada, o escuro novamente consumiu a torre, mas Relga já havia se habituado á ele, na verdade naquele momento a jovem estava desgostosa demais para se importar com qualquer coisa e por alguns instantes apenas se permitiu chorar, não só pelo destino cruel que acreditava ter sido o de Lin, mas também pelo seu.

Relga se sentia cada vez mais fraca e sabia que não conseguiria sobreviver mais do que alguns dias, então se permitiu chorar, coisa que não havia feito desde que fora parar ali, ela chorou por tudo e mais um pouco, deixou toda a dor física e mental sair por suas lágrimas.

Horas depois e já sem lágrimas para chorar, Relga passou a encarar a luz da lua que passava pelas pequenas frestas da janela, aqueles pequenos feixes de luz eram como um bálsamo na noite, porém enquanto os observava ela notou algo de diferente, havia um brilho dourado que não condizia com o brilho metálico da lua.

A prisioneira fez um grande esforço para tentar alcançar o objeto, ela esticou um de seus pés fazendo com que a corrente se esticasse também, chegando ao seu máximo e com isso conseguiu alcançar objeto trazendo-o para perto. Quando finalmente conseguiu pega-lo com uma de suas mãos notou que era um objeto pontiagudo e longo, um grampo de cabelo.

Início da manhã, palácio de lorde Frederick — Canaban

Lin abriu os olhos lentamente e se espreguiçou, ao faze-lo percebeu que sua companhia da noite anterior continuava ali. O lorde dormia profundamente á poucos centímetros de distância dela, então sem fazer movimentos bruscos a princesa saiu da cama, tudo para não acordá-lo.

Tomando cuidado para não fazer muito barulho a princesa se banhou e se vestiu, depois de pronta seguiu rumo a porta de maneira silenciosa, antes de sair deu uma última olhada em Frederick para se certificar que o mesmo ainda dormia e assim que confirmou fechou a porta atrás de si.
Fora do quarto Lin respirou fundo, para ela a noite anterior havia sido um teste complicado e confuso, ainda não sabia o que havia sido tudo aquilo, mas também não estava disposta á ficar ali para saber como iria terminar.

A jovem rumou para a cozinha apressada, pretendia comer alguma coisa e procurar por Lourenço, no caminho encontrou Malva, a criada trazia sua costumeira bandeja de café da manhã e seguia para os aposentos do lorde. Ao ver Lin, a criada lhe ofereceu o dejejum, porém a mesma o recusou, porém pediu para que ela levasse a bandeja ao seu destino e que avisasse o lorde de sua saída ao mercado, pois pretendia verificar os preparativos de seu vestido, com um aceno positivo a criada compreendeu o recado e seguiu em frente.

Diante da porta Malva fez menção em bate-la, porém fora impedida por Nora que tomou a bandeja de suas mãos e deu ordens para que ela se retirasse, a criada á obedeceu, mas antes de ir deu o recado de Lin.

Nora ainda vestia sua longa camisola de rendas azuis, curiosamente seus cabelos estavam soltos, coisa incomum, visto que a mulher quase nunca mudava seu costumeiro coque alto e dificilmente vagava de camisola pelo palácio. Devagar a governanta entrou no quarto, ela deixou a bandeja numa estante qualquer e em seguida seus olhos se fixaram no lorde.

Frederick dormia profundamente, seus cabelos espalhados pelo travesseiro, coberto da cintura para baixo. Nora o olhou da cabeça aos pés e em seguida se sentou na pequena poltrona de veludo frente á cama, a mulher permaneceu ali o observando por pelo menos uma hora, ela só parou quando o próprio acordou e percebeu sua presença ali:

Nora: Meu lorde eu vinha justamente para acordá-lo — se levantou e manteve sua postura altiva de sempre

Frederick: Acho que dormi demais — levou uma das mãos ao rosto — onde está Lin?

Nora: Ela saiu, disse que iria ver como estava indo a confecção de seu vestido — não escondeu seu mau humor ao falar de Lin

Frederick: Espero que ela fique mais bonita do que já é — sorriu

Nora: Está convicto de que ela é a melhor para você — perguntou desconfiada

Frederick: Eu á amo Nora — disse com sinceridade

Nora: Entendo — suspirou profundamente — eu lhe trouxe o café da manhã.

Frederick: Obrigada, o que seria de mim sem você? — sorriu — agora devo me apressar, não deveria ter dormido tanto!

O lorde sorriu para sua governanta e com pressa foi se aprontar para sair. Nora permaneceu em silencio por alguns instantes, estava pensativa e encarava o vazio, depois de alguns bons minutos sozinha com seus pensamentos, ela sorriu e saiu do quarto com um certo de ar de determinação no rosto.

Um pouco distante dali a princesa e o anjo seguiam trilha adentro rumo ao comércio, um pouco atrás deles ia Heldren. O guarda passou a segui-los desde que os mesmos saíram do palácio, as ordens de Nora haviam sido claras, ele deveria espiona-los e descobrir seus segredos.

Em dado momento, já quase chegando as redondezas do comércio da vila, o guarda se aproximou um pouco mais do dois, estava crente que se estivessem acontecendo algo seria no comércio que iria descobrir.

Lourenço e Lin cavalgavam rápido, porém isso não impediu que o anjo sentisse algo de diferente, ele pensou em parar o cavalo e olhar á sua volta, mas ao invés disso cavalgou mais rápido, tão rápido que Heldren os perdeu de vista.

O guarda permaneceu incrédulo, não conseguira acompanhar os dois, com raiva ele desceu de seu cavalo e chutou algumas pedras que ali estavam, mesmo se sentindo derrotado ele pretendia continuar sua missão, sabia que o rumo dos dois era o comércio e era para lá que iria, porém assim que montou em seu cavalo teve um inesperada surpresa:

Lourenço: Perdido Heldren? — sorriu

O guarda levou um das mãos á bainha de sua espada ao vê-los atrás de si, assustado custou a crer no que via, em momento algum os ouvira se aproximar, não havia escuto um ruído se quer, então como haviam chegado ali?

Ainda Incrédulo, Heldren demorou um pouco para conseguir falar, mas assim que o fez, usou de uma desculpa qualquer:

Heldren: Eu estava voltando para o palácio — disse desconfiado

Lourenço: Entendo, nós estamos indo para o comércio.

Lin: Aqui Heldren — estendeu a mão, nela havia um pequeno buquê de margaridas — se vir Frederick, entregue á ele, eu mesma as colhi — disse sorridente

Os dois seguiram adiante deixando Heldren perplexo, o guarda demorou alguns instantes para seguir de volta ao palácio, enquanto o fazia pensava no que havia acontecido e onde poderia ter errado.

Em sua cabeça era difícil aceitar que havia sido, de certa forma, tapeado pelos dois, justo ele que sempre fora astuto, como não os viu ou ouviu chegarem? E como iria encarar Nora após seu fracasso?

Centro da vila — Comércio de Canaban

Lourenço e Lin caminhavam despreocupadamente entre as muitas barracas da feira, os dois seguiam em direção á casa de Elesis para a reunião, no caminho riam do que havia acontecido anteriormente, imaginavam a cara de frustração de Heldren ao ser pego em sua pequena armadilha.

Ao se aproximarem da casa de Elesis viram Ronan e Harpe os aguardando, os quatro se reuniram e antes de qualquer coisa Lourenço os avisou sobre os novos aliados, num primeiro momento Ronan se surpreendeu, não esperava a ajuda dos demônios, mas confiou no anjo e ficou grato por mais essa ajuda.

Enquanto os quatro conversavam, Dio e Lupus chegaram, Lin não escondeu sua admiração ao vê-los, foi ela quem se encarregou de fazer as apresentações. Reunidos, todos seguiram para a casa de Elesis, lá a jovem os atendera com um enorme sorriso no rosto e Lin fez o mesmo de antes e apresentou á ela os demônios.

Feitas as devidas apresentações e cumprimentos, todos seguiram para o jardim da casa, mas não sem antes conferirem a movimentação ao redor, para se certificarem de que mais ninguém estava a par daquela pequena reunião.

Já no jardim, Elesis veio á frente para contar as novidades de sua vigília:

Elesis: Creio que devemos agir rápido, desde ontem tem tido muita movimentação nas minas, vi muitas carroças seguindo para lá, será que estão estocando algo ou pretendem transportar?

Lin: Não sei se isso significa alguma coisa, mas Frederick estava trabalhando em casa, parecia muito cansado, talvez ele esteja empenhado em terminar algo, não sei dizer o que.

Lourenço: O que pensa em fazer Ronan? — todos encararam o príncipe á espera de seus planos

Ronan: Vamos tomar as minas dele, creio eu que o dia do noivado será a ocasião perfeita para a invasão; primeiro por que não posso permitir que Lin seja prometida á este crápula — disse sério — e neste dia a guarda estará praticamente toda no palácio fazendo a segurança dos convidados, as entradas estarão quase livres.

Harpe: Temos muitos homens que ainda são fiéis ao rei, conseguiremos dominar as minas com facilidade.

Lupus: E quando ele perceber que caiu na armadilha? Pensaram nesse detalhe?

Ronan: Quando isso acontecer, ele virá e nós vamos lutar! — disse confiante

Dio: Isso vai ser divertido! — sorriu

Lin: Vocês cinco, contra todos os guardas? — exclamou surpresa

Elesis: Eu poderia lutar se você me convidasse para a festa Lin, me dê um convite para que eu possar estar lá! — disse confiante

Ronan: Você não precisa de convite, se aceitar minha companhia — sorriu

Elesis nada disse, apenas assentiu com a cabeça confirmando o convite, por alguns instantes todos se olharam com um certo ar de graça no rosto:

Lourenço: Então agora somos seis, ainda temos que traçar cada passo com cuidado, não podemos cometer nenhum deslize ou seremos alvos fáceis.

Lin: Não se esqueçam que neste dia eu enfrentarei minha pior inimiga — todos voltaram suas atenções á Lin — Cordélia vai estar presente e eu não sei como será a reação dela ao me ver. Eu estive pensando numa maneira de ao menos encará-la á altura, estarei usando algo nostálgico no meu noivado. Para todos será apenas um vestido de festa, mas para ela será uma afronta, temo por sua reação.

Ronan: Não creio que ela se atreverá á lhe apontar o dedo ou mesmo causar uma confusão, o palácio estará repleto de nobres, fazer alarde por sua presença seria o mesmo que mostrar á todos que você vive e ela não quer isso.

Dio: Ela tentara algo contra você, só vamos precisar ficar de olho nela para tentar interceptar seus movimentos.

Ronan: E sobre meu pai, descobri que ele está mesmo enfeitiçado, mas sei como desfazer a magia, vou aguardar o momento certo para isso.

Elesis: Eles não terão chance contra nós!

A reunião se estendeu por mais algumas horas, mais algumas questões foram levantadas e discutidas, todos os detalhes do plano foram estabelecidos e aprovados por todos. A reunião se estendeu até a hora do almoço, Elesis gentilmente ofereceu de comer á todos os presentes e a reunião que se iniciou séria acabou por terminar de maneira descontraída, com um belo almoço entre amigos.

Após a refeição, todos se reuniram na frente da casa de Elesis, Lin aproveitou esse tempo para ir até a barraca de Rey, como sempre fizera quando estava por ali, não era muito distante da casa da ruiva, então Lourenço não viu perigo em deixa-la ir sozinha.

Lin se aproximou da barraca com um belo sorriso de cumprimento, ela pediu um maço de alfaces para Rey, mas esta por outro lado, á cumprimentou cabisbaixa e parecia manter certa distância, ela vestia uma longa capa roxa com capuz por cima de seu costumeiro vestido camponês. A princesa não entendia o comportamento fechado de Rey e não conseguiu ficar inerte quanto á isso:

Lin: Aconteceu alguma coisa Rey? Precisa de algo? — disse preocupada

Rey: Não, estou bem, aqui está o maço de alface que me pediu — sem contato visual, ela apenas estendeu a mão entregando o produto

Lin: Tem certeza? Perdoe-me pela insistência, mas você me parece perturbada

Rey: Estou bem, me deixe em paz...

Sem que Lin pudesse entender, Rey rapidamente pegou todas as hortaliças que conseguiu carregar e fechou sua barraca, a jovem saiu correndo rumo ao bosque que cercava o mercado sem olhar para trás ou dizer o que estava acontecendo, Lin não se deu por vencida e á seguiu.

A jovem de cabelos róseos desceu um pequeno barranco e seguiu desviando dos muitos arbustos que ali existiam, Lin seguia em perseguição e gritava para que ela parasse de correr, mas Rey ignorava totalmente seus apelos, estava desesperada e muito perturbada.
Sua corrida só cessou quando seu capuz se enroscou em um galho e ela acabou perdendo o equilíbrio e caindo. As folhas de suas hortaliças ficaram espalhadas pelo chão e Rey teve um pouco de dificuldade para se levantar, Lin a alcançou e lhe estendeu a mão:

Lin: Céus, o que está acontecendo com você? Se machucou? Me desculpe por correr atrás de você, mas você não me parece bem! — disse aflita

Rey: Estou bem, a culpa não é sua — lágrimas se formaram em seus olhos — eu não podia mais ficar lá, não podia!

Lin: Mas por que? Alguém lhe fez mal? Do que estava se escondendo?

Rey andou de um lado á outro preocupada e a todo instante passava as mãos por seu rosto e cabelos, ela não queria se abrir para Lin, mas se sentia sufocada e com muita vontade de desabafar, como se lutasse contra si mesma:

Rey: Eu gostaria de poder lhe contar, mas eu não posso, sinto muito...

Rey caiu de joelhos e Lin a amparou, a jovem chorava copiosamente e repetia várias vezes "não posso", a princesa se sentia angustiada diante da situação, não sabia o que estava acontecendo, mas o que quer que fosse, gostaria que passasse logo, era difícil ver alguém chorando tanto sem poder fazer nada.

Sem que as duas percebessem Lupus se aproximou, Lin estava que de frente o viu primeiro, o demônio observou as duas por alguns instantes intrigado e só então decidiu se pronunciar:

Lupus: Rey, é você?

Ao ouvir a voz de Lupus, Rey ficou imóvel, suas mãos ficaram tremulas, sua respiração mais forte e seu estado de panico ficou ainda mais visível, temendo que a jovem fosse se alterar ainda mais, Lin tentou acalmá-la sem sucesso.

Lupus caminhou para mais perto ficando diante das duas, ele olhou para o rosto de Rey e assim que o fez sua expressão fora de total surpresa, o demônio permaneceu incrédulo a presença da moça e Lin não compreendia o que acontecia ali.
Ao vê-lo tão próximo, Rey se pôs de pé e pela primeira vez desde que saíra da feira ergueu seu rosto, ela olhou para Lupus e sem dizer nenhuma palavra o abraçou, Lupus por sua vez correspondeu ao gesto e a apertou em seus braços.

Lin observou a cena sem entender muito bem o que significava tudo aquilo, porém seja o que fosse, em sua mente, estava claro que entre os dois existia alguma coisa.

Notas finais
— Gostou? Não gostou? Comente, é importante para mim s2 — Até o próximo capitulo