A filha dos Semideuses.
4 Capitulo 3-Novo amigo.
Notas iniciais
Descemos e meu pai e Lucas estavam na sala.
–Vocês demoraram. O que estavam fazendo?- Perguntou meu pai
–Conversando, assim como você e Lucas, eu acho. -Sim, mas agora vamos comer, estou com fome.
Eu e minha mãe descemos o último degrau da escada e fomos em direção à cozinha e os meninos atrás. Sentamos à mesa e servimos-nos com lasanha. Até que eu falei, tentando fazer com que minha voz não falhasse:
–Mãe, pai e Lucas, desculpa por tudo. Minha intenção não é magoar vocês. Sinto muito que, mesmo que confiem com toda certeza nas históriasque me contam, eu não consigo confiar. Alguma realmente me diz que tem algo de errado. E essa alguma coisa não vem da cabeça, vem do coração, e eu mais que tudo confio nele.
–Emma, você não pode nos julgar por algo que não é verdade.-Lucas retrucou. Eu não suportava mais carregar aquela história da caixa dentro de meu peito.
–Pessoal, eu vou dormir. Amanhã é segunda e eu não posso ter um noite mal dormida. Depois terminamos essa conversa.
Me levantei deixando meu prato ainda com comida sobre a mesa. Enquanto subia as escadas pude ouvir um: "Emma, volte aqui!". Mas nem liguei. Naquela hora tudo que se passava na minha cabeça era: Não posso decidir nada aqui, nessa casa. Olhei no relógio e era 22:00, liguei a televisão e fiquei assistindo algumas séries.
Olhei de novo e era 23:30.
Peguei meu notebook e fiquei vendo vídeos. Olhei mas uma vez 00:00.
–Filha o que deu em você?-Minha mãe entrou o meu quarto quase arrombando a porta.
–Nada mãe! Sei que posso parecer grossa, mas eu quero ficar sozinha.
–Como quiser, Emma. -Ela saiu de meu quarto, nervosa e ao mesmo tempo triste.
Não queria magoa-los, mas não iria viver com uma mentira.
Comecei a ler "Extraordinário' e quando menos esperei já era 01:00. Resolvi então que queria sair de casa. Coloquei uma calça jeans, uma regata branca e uma jaqueta
Sai do quarto nas pontas dos pés, já que todos estavam dormindo. Desci as escadas e fui em direção à porta, peguei minha bicicleta, meus fones e saí ouvindo música.
Em 10 minutos eu estava no parque. Era um parque muito arborizado, com um pequeno lago no meio onde tinha várias carpas e alguns bancos perto do lago.
Eu desci da minha bicicleta e fui me sentar em baixo de uma árvore, ainda ouvindo música.
Estava olhando para o lago, vendo o reflexo da lua cheia, quando senti alguém puxando um de meus fones.
–O que faz aqui uma hora dessas?-Um garoto perguntou.
Ele devia ter uns 18 anos, cabelos pretos de lado, olhos azuis e barba por fazer. Ele era lindo.
–Ué, não te devo satisfação. Mas como vim aqui para tentar me acalmar, estou só pensando. E você?
–O mesmo que você.-Ele respondeu. Sem nem me pedir permissão, se sentou ao meu lado e colocou meu fone em seu ouvido. +
–Fale mais sobre você- Pensei um pouco no iria falar para ele, mas no fim, acabei escolhendo informações básicas.
–Me chamo Emma Santiago, tenho 15 anos, estou no primeiro ano do ensino médio. Gosto de ler, tirar foto de paisagens, ouvir música e tudo mais. E você?-Era o essencial sobre mim.
–Meu nome é Alexandre, pode me chamar de Alex ou Xandy. Tenho 16 anos, estou no segundo ano do ensino médio. Gosto de andar de skate, não gosto de ler, gosto de ouvir música e acho coisas de romance muito clichê.-Foi só que ele disse.
–Clichê? É fofo. — Retruquei.
–Sim, e o fofo é clichê. Bom, cada um com suas opiniões.-Calei-me, como ele disse: a opinião era dele.
Olhei para o céu, e comecei a prestar atenção nas estrelas.
Resolvi voltar para casa, ele era um estranho que atrapalhou meu momento de pensar.
–Olha tenho que ir. -Falei me levantando.
–Eu te levo.
–Estou de bicicleta. — Falei, e no mesmo instante, ele se levantou também.
–Eu também. Então vamos juntos.-Ignorei-o e subi na bicicleta, em dez minutos estava em casa de novo.
–Obrigada. -Tentei arranjar uma forma de me despedir, mas estava difícil.
–Tchau. -Falei abrindo o portão.
–Tchau.- Terminei de abrir o portão e subi.
Era 2h50. Já era bem tarde da madrugada. Resolvi dormir. Não tomei banho, apenas me troquei e deitei. Ouvi um barulho na porta que dá para a sacada e fui ver o que era. Olhei para baixo e vi uma pedrinha, nela estava enrolado um papel onde continha um número, com uma assinatura escrita: Xandy.
Não sei por que, mas ele mexeu comigo. Poderíamos ser amigos.

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