A filha de Camus!
15 Em briga de marido e mulher não se mete a colher!
Notas iniciais

Eles me olharam horrorizados, e tive de usar todas as minhas forças para não me acabar de rir de suas caras de "patetas assutados", então me segurei e fingi uma postura seria e dura, tentei imitar ao máximo a que Hyoga sempre fazia quando e a nos ensinar.
–Você escutou tudo que dissemos? –Jun se recuperava do susto e se levantou do sofá me olhando sério.
–Não tudo, eu estava descendo as escadas quando ouvi vocês falando sobre o tumulo do meu pai. –eu não estava mentindo, apenas, bom, omitindo a parte que fiquei parada escultando.
"Eles não precisam que eu diga o óbvio né"
–Então resolveu escutar a conversa escondida. –foi a vez de Julian falar, mais ele estava achando muita graça na situação, e a prova disso foi que relaxou a postura encostando-se ainda mais no sofá. –Vejo que a princesinha não é tão besta como imaginei.-minha reação foi apenas lhe estirar lhe a língua infantilmente e ele riu ainda mais.
–Alana sinto muito, mais não podemos fazer isso sem a permissão do Sensei, se ele não te leva lá, é por que ele com certeza deve ter seus motivos! –ele veio em minha direção e colocou a mão no meu ombro e suspirou. –Desculpe.
–Mas eu tenho o direito de ir lá! -falei exasperada!
–Diga então isso a ele. -Jun olhou feio para Julian.
–Nós intendemos perfeitamente como se sente, e em nenhum momento achamos o contrario, apenas entenda que não podemos fazer isso, pois como já lhe disse antes, isso é algo que apenas o Sensei pode fazer. -explicou-me calmamente Jun.
–Mas....
–Sinto muito! – e falando isso ele saiu em direção a cozinha, dando o assunto por encerrado!
–Droga. –eu falei exaltada.
Eu olhei irritada para Julian que apenas deu de ombros, então me dirigi para fora da casa revoltada, aquilo estava me deixando frustrada. Eu queria poder ir ao tumulo do meu pai, mais por que inferno Hyoga não iria querer me levar lá? Sem dúvida o mais provável é que ele não me levaria lá, para não me colocar em risco.
Tentei puxar o ar para controlar meu nervosismo, e olhei para frente procurando algo que me acalmasse, mais ver aquela imensidão branca não me ajudou em nada, e foi ai que eu me dei conta de como sentia uma tremenda falta da minha vida, dos meus amigos, da minha mãe...
–O que faz aqui pequena? Já tomou café? –me assustei com o sussurro em meu ouvido, então pulei para o lado assustada, e ele me olhou desconfiado. –Está tudo bem? -eu estava tão compenetrada em meus pensamentos que não o ouvi se aproximar.
–Sim, estou bem, só sem fome! –falei suspirando.
–Você acabou de se recuperar, precisa comer pequena! –ele levantou a sobrancelha em forma inquisidora, e seu sorriso de lado lhe dava um ar sexy.
"Pare de pensar que ele é sexy, foco ok?!"
"Calada maldita"
–Desculpe, mais realmente não estou a fim. –falei um pouco rude.
–Tudo bem. –ele me olhou ainda me analisando e suspirou derrotado. –Então vamos começar a treinar, me siga.
Caminhamos alguns metros, o suficiente para não vermos mas a casa, percebi que estávamos perto quando pude ver um gigantesco bloco de gelo, e quando eu digo "gigantesco", eu estou sendo injusta por falta de palavras para definir aquilo. O bloco de gelo era do tamanho de um apartamento de 6 andares, imagino que estava fazendo cara de idiota pois Hyoga que me olhava de lado, colocou um sorriso que não mais saia de sua boca.
–Acordei cedo para pegar isso para o seu treinamento. –ele falou alegre.
–Pegar? Você trouxe esse monstro para cá sozinho?
–Sim. –por que eu ainda me surpreendia com força de um cavaleiro?
–O intuito é você quebrar isso... -ele apontava para o bloco animado.
–O que? Isso é impossível. –falei horrorizada, e ele se virou para mim e sorria abertamente agora, como se eu tivesse feito uma piada, sério ele só podia estar mesmo curtindo com minha cara.
–Não para você.
–Hyoga, sejamos realistas, eu nem consegui me livrar do cara que quebrou minha perna, e se não fosse por você, teria me matado. –minha voz saiu um tom mais alto, eu estava me irritando cada vez mais com tudo aquilo.
–Ei fique calma pequena, eu não faria você fazer algo que eu não achasse possível ok! –apenas fiz que sim com a cabeça tentando me acalmar. –Bom, primeiro deixe eu lhe explicar que você não conseguiu deter aquele maldito por que além de estar com medo, você não sabia concentrar seu cosmo em um ponto especifico do corpo. E é isso que eu pretendo te ensinar.
E falando isso ele se dirigiu ao bloco e se concentrou atingindo o mesmo no meio, dividindo-o.
–Tudo o que você tem que fazer é concentrar o seu cosmo na mão, esvazie a mente e se concentre, depois atinja o alvo.
Fui em direção ao bloco de gelo, que de tão grande fazia sombra, tentei esvaziar minha mente e fazer como ele tinha dito. Me concentrei e bati no bloco, mas nada aconteceu, e ele riu.
–Concentre-se pequena e tente de novo. -fácil para ele falar.
Tentei várias vezes até que perdi a paciência e comecei a bater no bloco com toda a minha força, várias vezes, a fúria que me tomou foi tanta, que mal me dei conta quando os nós dos meus dedos começaram a sangrar formando uma linha de sangue no gelo.
–Qual o seu problema pequena? –ele me segurou preocupado. — Tenha calma
–Meu problema, serio que você está me perguntando isso Hyoga? –ele me olhou intrigado, tentando entender o motivo da minha súbita cólera. –Ótimo, então que tal começarmos pelo fato de eu estar no meio do nada, longe de tudo e de todos que conheço, de ter pessoas me odiando e tentando me matar pelo simples fato de eu existir. E ao invés de estar fazendo algo produtivo eu estou batendo num bloco de gelo gigante.
–Alana isso faz parte do seu treinamento, você precisa aprender a controlar seu cosmo. –ele falou exasperado e eu me soltei dele. –Me desculpe se não era isso que você queria, sei bem que não era aqui que você queria estar, mas...
–Não, você não sabe, você não entende, quanto mais eu demorar para aprender mais tempo vou ficar presa aqui. –enfatizei apontando para o chão, eu me sentia revoltada, amarga, triste, que merda...
–Abra os olhos Alana, esta é sua vida agora, deixe de ser uma criança mimada, você acha que isso é motivo para dar chilique, tem pessoas em situações piores que a sua. –ele havia finalmente se irritado, e eu o olhei com ódio.
–Pena para elas não é? –falei sarcástica, e ele parece perdido por um momento, até que seu olhar se transformou em puro desprezo, era a primeira vez que ele me olhava assim, mais não me intimidei, eu realmente queria brigar agora. E eu teria minha briga, já podia até sentir o sabor dela.
–Eu poderia esperar muitas coisas de você, mais não isso, egoísmo Alana? Essa não é você!
–VOCÊ NÃO ME CONHECE HYOGA, COMO PODE SABER O QUE EU SOU OU DEIXO DE SER? –eu gritei a pelos pulmões, eu podia ver que ele estava decepcionado comigo.
–Eu sei mais sobre você do que possa imaginar. –ele falou entre os dentes contendo a raiva. -Cuidei de você a sua...
–Eu. Não. Pedi isso....
Ele fechou sua mão em punho e se afastou de mim, vi quando respirava profundamente tentando se acalmar.
–Me diga, o que você realmente quer? O por que de tudo isso agora?! -respirei...
–Eu quero voltar para casa, e quero vê o túmulo de meu pai... -disse num fio de voz, mordendo o lábio inferior, eu sabia que estava sendo tremendamente infantil.
"Não diga, é mesmo?"
"Já mandei você se calar!"
–Sinto muito, mas isso não será possível. -ele veio em minha direção, mas eu me afastei. -Eu não posso te levar ao túmulo de seu pai.
–Não pode ou não quer? -o encarei amarga. Cravei minhas unhas na palma da mão tentando inutilmente me acalmar.
–Você tem que entender...
–NÃO HYOGA... Você que tem de entender... -apontei para ele que me olhava sério e frio. -Eu quero ir embora, não aguento nem mais um minuto aqui, e nem você e nem ninguém vai me impedir.....
–O que está acontecendo aqui? Alana você está bem? Nós ouvimos seus gritos. –falou Jun preocupado. Ele e Julian nós olhavam apreensivos. Mais eu nem lhes dei atenção, minha raiva ainda estava nublando meus pensamentos.
–Ei pirralha você não pode gritar com o Sensei, respeite-o. –Julian falou me puxando e me virando para o lado.
Foi tudo tão rápido que eu mal pude entender o que tinha acontecido, até que percebi Julian caído no chão a metros de distância de mim. Eu pisquei para tentar compreender o que tinha feito. Quando Julian tentou levantar começou a cuspir sangue, Hyoga e Jun foram correndo em uma hiper velocidade até Julian para ajuda-ló a se levantar. Eu continuava parada olhando para minha mão, a mão que usei para soca-lo no impulso por ter me virado, eu tinha concentrado toda minha raiva para bater nele pela ousadia de me tocar, mais nunca imaginei que o machucaria realmente, muito menos daquela forma.
–Julian fique calmo, respire, venha vamos para casa cuidar disso. –falava Hyoga o colocando no braço como sempre fazia comigo.
–Julian eu...
–Vá para casa Alana, depois conversaremos. –disse-me Hyoga com a voz gélida, aquilo era uma ordem, e eu apenas abaixei a cabeça e acatei.
Quando me virei para ir, eles já não estavam mais lá, então apenas segui o caminho que achei que era o certo.
Não sei por quanto tempo caminhei pensando no que tinha feito, sei que chorei arrependida e magoada...
–MAS QUE DROGA... -gritei para o nada e me deixei cair no chão
Não era minha intenção machuca-lo, por mais que brigássemos eu gostava dele, ele me fazia sentir em casa. Como eu tinha feito aquilo? Eu nunca tinha machucado ninguém, se era essa a minha força eu não queria usa-la nunca mais, machucar alguém não era algo que iria querer fazer, nem hoje nem nunca.
Como eu iria imaginar que eu era um risco tão grande, eu poderia machucar alguma amigo com um simples descuido, pois foi isso que aconteceu a pouco, um descuido, em um momento de fúria eu machuquei alguém, quem me garante que a próxima pessoa não seria minha mãe? E foi nesse momento que me decidi, eu não iria jamais, mesmo que minha vida dependesse disso, usar minha força novamente. E eu sabia no que essa decisão implicava para mim. Então mesmo que eu tivesse de morrer ali naquela imensidão branca, sem nunca mais ver meus amigos e família, se era esse o preço que eu deveria pagar para nunca mais utilizar minha força eu o faria de bom grado agora.
Levantei-me e continuei caminhando ainda por um bom tempo depois de ter parado de chorar, até me dar conta de que estava perdida, tudo ali era só branco, procurei pelo enorme bloco de gelo, mais não o encontrei, eu deveria ter me afastado muito, então resolvi seguir minhas pegadas para voltar para onde estava, e assim o fiz (sorte que não tinha nevado, ou eu não poderia fazer isso).
Depois do que me pareceram horas de caminhada, eu por fim consegui chegar novamente ao grande bloco de gelo, então me encostei nele e resolvi esperar até que alguém vínhesse me buscar. Mais assim que encostei no mesmo ouvi aquela voz gélida novamente.
–Achei que eu tivesse sido claro quando te mandei ir para casa. –Hyoga estava sentado em cima do bloco de gelo.
–Desculpe, eu não quis desobedece-lo, apenas me perdi. –falei sincera, e este pulou para o meu lado.
–Vamos. –ele não me olhou apenas caminhou a minha frente, e eu o segui.
–Como Julian está? –eu perguntei tímida.
–Ele ficará bem, só precisa descansar.
Eu não perguntei nem falei mais nada, apenas me limitei a segui-lo, e quando chegamos em casa fui direto para o meu quarto, onde passei o resto do dia, não saindo nem para comer nada.
–Alana posso entrar. –era a voz de Jun.
–Claro. -ele entrou com uma bandeja com sanduíche e suco.
–Você não comeu nada o dia todo, então resolvi trazer um lanche. -ele me sorriu singelo.
–Como está o Julian? –Jun me olhou e suspirou negando com a cabeça ainda sorrindo de leve.
–Está bem, amanhã já estará te perturbando novamente. –ele falou tentando fazer piada.
–Que bom. –tentei sorrir de volta mais acho que não foi convincente.
–Vou deixar a comida aqui tudo bem? –fiz que sim com a cabeça. –Boa noite Alana.
–Boa noite Jun, e obrigada.
–Não há de que, apenas não se culpe, isso poderia ter acontecido com qualquer um. –ele me dirigiu um sorriso terno e saiu.
Olhei para a bandeja, mas percebi que eu não estava com fome, então tentei dormir, levei um bom tempo para me livrar dos meus pensamentos de culpa e quando estava quase conseguindo ouvi batidas na porta.
–Entre. –falei me ajeitando na cama, então Hyoga entrou no meu quarto vestindo apenas uma calça de moletom preta, e meus deuses como ele estava sexy, ele olhou para a bandeja intocada e depois para mim.
–Você não comeu.
–Não.
–Posso saber o porquê? –ele ainda parecia com raiva.
"Sinto muito, mais depois do seu show até eu estaria"
–Não tenho fome. –falei sincera.
–Então pretende morrer de fome? –ele se dirigiu para frente da minha cama.
–Não, apenas não sinto fome. –dei de ombros, não queria brigar de novo, apesar de ele parecer bem disposto a isso, eu só queria ficar em paz no quarto.
–Deixe de ser uma criança mimada, você continuar com isso não vai resolver nada, apenas nos dará mais trabalho. –ele falou com raiva.
"Essa doeu!"
–Me desculpe, me desculpe. –eu não aguentava mais aquilo, apenas escondi o rosto entre as pernas e as enlacei com os braços me fechando num casulo e comecei a chorar. –Eu não queria machuca-lo... eu... eu só estava frustrada comigo mesma.
–Ei nós sabemos disso pequena! –ele veio até mim e me abraçou, então eu o agarrei, e enterrei meu rosto no meio de seu peito desnudo o abraçando como se ele fosse sumir dali a qualquer momento.
–Eu não sabia o que estava fazendo... não foi minha intenção... –eu soluçava, deuses como eu estava arrependida de tudo aquilo.
–Alana olhe para mim. –ele me afastou dele cuidadosamente, e esperou até que eu o olhasse. –Nem um de nós culpa você pelo que aconteceu, nem mesmo o Julian, todos sabemos que foi um acidente.
–Mas... mas ele cuspiu tanto sangue... se algo acontecer a ele eu nunca vou me perdoar... -eu tremia de tanto chorar.
–Nada de ruim vai acontecer a ele, ele está bem eu juro, agora por favor tente se acalmar um pouco..
Eu tentei fazer o que ele disse e soltei seus braços que eu nem me lembrava de agarrar, respirei fundo e quando estava mais calma limpei meu rosto.
–Agora trate de comer, não quero ver você doente. –ele se levantou e pegou meu lanche para mim. Me entregou a bandeja e eu a olhei por alguns minutos antes de comer o sanduíche. Enquanto isso ele se levantou da minha cama e saiu do quarto voltando minutos depois com uma caixinha de primeiros socorros.
Quando eu acabei de comer ele pegou a bandeia e a colocou em cima da comoda, e depois voltou a se sentar na cama e sem mais nem menos, puxou minha mão e começou a fazer um curativo nela, e foi aí que eu me lembrei que tinha ferido a mesma no treinamento.
–Alana me responda com sinceridade ok? –ele falou sem parar o processo de limpar a ferida da minha mão mas sua voz tinha um misto de raiva e dor que me fez observa-lo com cautela.
–Sim. –respondi prontamente.
–Você odeia viver aqui? –eu poderia esperar muita coisa mais não isso. -Você quer realmente voltar para casa?
–Não. –eu falei sincera, eu não odiava, apenas sentia falta da minha mãe e dos meus amigos. –Sinto muito pelo que falei mais cedo, eu apenas queria te irritar, e me perdoe por te gritado.
–Me desculpe também...
–Pelo que?
–Por ter sido um completo idiota quando entrei no seu quarto...
–No seu lugar, eu teria sido mais que idiota. -sorri amena.
Ele apenas me sorriu, e começou a enfaixar minha mão, ficamos em silencio, e quando ele terminou guardou tudo e se levantou pegando a bandeja e se dirigiu a porta para ir embora.
–Descanse pequena, amanhã voltaremos a treinar ok?
–Não.
–Não? –ele me perguntou incrédulo.
–Eu não quero nunca mais voltar a treinar.
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