A filha de Camus!
12 Armadura de aquário!
Notas iniciais

Jun corria a toda velocidade comigo nos braços, mais tudo que eu enxergava era aquela imensidão branca, tentei limpar o sangue que escorria da minha testa banhando meu rosto,e a ferida não parecia que queria estancar, minha cabeça latejava e meu braço doía, mais nada comparado a minha perna, aquela sim era um dor lancinante.
–Calma Alana, logo chegaremos em casa e você estará segura. –Jun tentava me tranquilizar mais eu sentia o nervosismo em sua voz.
–Como chegaram até onde nós estávamos? –perguntei tentando me entreter, queria esquecer a dor nem que fosse por um misero segundo.
–Sentimos o cosmo do Sensei aumentar, então seguimos para onde vocês estavam, quando chegamos lá vimos você correndo de um homem estranho e o mestre lutando com outro, mais quando tentamos nos aproximar de você mais dois homens surgiram a nossa frente. E acabamos nos enrolando numa luta, só paramos quando ouvimos o seu grito de dor, todos se arrepiaram, e o Sensei criou uma distração, uma barreira quase impenetrável de gelo que manteve todos ocupados enquanto íamos atrás de você. –era Julian que me detalhava o ocorrido.
–O sensei vai destruir tudo, ele estava com muita raiv... –Jun parou abruptamente.
–Pensei que não chegariam nunca, pensarão que iriam fugir com a garota? –disse um rapaz de longos cabelos vermelhos, e olhos azuis, ele parecia ser do tamanho de Hyoga, ao seu lado estava um rapaz menor, mais com o mesmo tom de cabelos, seus olhos eram de um castanho quase negros e este nos olhava friamente. –Deixem a garota e nós os deixaremos viver.
–Nossa missão é protege-la, nunca a entregaremos a vocês. –eu podia sentir a firmeza na voz de Julian, mesmo não nós gostando ele morreria ali para me proteger.
–Escolha errada garoto. –dizendo isso o menor dos ruivos partiu para cima de nós e Julian se pois a frente enfrentando-o.
O mais alto veio para cima de nós, Jun não tinha como se proteger comigo nos braços, ele iria receber o ataque em cheio, eu puder ver o poder que aquele homem havia juntado na mão para nós atacar, Jun não sobreviveria a um ataque direto daquele, eu iria me colocar a frente e receber o ataque, não queria ninguém mais morrendo ou se machucando por mim.
"Me desculpe papai! Me desculpe Hyoga" -foi a ultima coisa que pensei, ante de me impulsionar para frente de Jun.
E algo inusitado aconteceu. Uma armadura dourada apareceu a nossa frente, e foi nela que o homem socou (não havia mais tempo para parar o golpe), quebrando imediatamente sua mão, ele urrou de dor, e eu vi o sorriso que se formou no rosto de Jun.
–Seu pai ainda te protege Alana. –ele me colocou gentilmente no chão. –Fique aqui e não se mecha sua perna pode piorar, eu vou acabar rápido com isso, a armadura de aquários protegera você.
E como ele disse aconteceu, a armadura se pós a minha frente como se tivesse vida, e eu podia sentir uma força acolhedora dela, eu já estava tonta com tudo aquilo, eu podia ouvir os gritos e os sons de ossos se quebrando, mas não tinha mais forças para olhar, agora que a adrenalina havia abandonado meu corpo eu só sentia a dor, e a segurança que nada de mal me aconteceria, e foi essa minha última lembrança, de olhar para aquela enorme armadura em minha frente e sorrir.
XXX
Acordei olhando para aquele teto de madeira que havia se tornado tão familiar para mim, senti uma dor alucinante quando tentei me levantar e antes que eu pudesse me conter eu gritei de dor.
–Alana? –Jun e Julian invadiam meu quarto com o rosto marcado pela preocupação.
Eles procuraram, esquadrinharam meu quarto como os olhos, provavelmente esperando encontrar mais alguém ali, mais vendo que não havia ninguém se aproximaram da minha cama e se sentaram nela me olhando preocupados. Eles não estavam bem, tinham vários arranhões em várias partes do corpo, Jun estava com o olho esquerdo roxo e Julian tinha um serio corte no lábio inferior.
–Você está bem? –Jun me perguntava carinhosamente.
–Sim, mais a dor na minha perna está insuportável. –ele suspirou.
–Limpamos seus ferimentos, mais seu joelho está quebrado, precisa ser colocado no lugar, mas nenhum de nós se atreveu a tentar, podemos machuca-lá seriamente se aplicamos muita força. –eu notei que tinha curativos no meu braço e cabeça, e eles tinham tentado fazer uma tala em minha perna.
–Obrigada, por tudo, sei que vocês estão machucados por minha causa! –falei olhando-os. -Se tiver algo que eu possa fazer por vocês.
–Você pode limpar a casa no meu lugar. –disse Julian feliz, e Jun deu-lhe uma tapa na cabeça, e este gemeu. -Eu só estava brincando. -eu rir com aquilo.
–Retardado, nós somos futuros cavaleiros, não lutamos para receber recompensas. -brandou para o irmão. -Além do mais não foi sua culpa, os marinas sempre tentam encontrar nosso local de treinamento, você foi só uma desculpa que usaram para nos atacar.
–Mais foi uma luta muito boa. –os olhos de Julian brilhavam de excitação ao falar.
–Eles tentam encontrar esse lugar, mais é tão complicado assim chegar aqui?
–Só os cavaleiros de Atena, ou aqueles que treinam para assumir esse cargo podem chegar a um dos local de treinamento como esse, são vários espalhados pelo mundo, os locais de treinamento dos cavaleiros são protegidos com o cosmo de Atena e por isso os outros, "tanto pessoas normais como cavaleiros de outros deuses" não nós encontram. –me explicou Jun. -Vamos preparar algo para você comer, pois não podemos te dar remédios com você de estomago vazio, além do que você perdeu muito sangue, então até preparamos tudo tente descansar ok?
Obrigado. –eles se levantaram e se dirigiram a porta. – Julian!
–Sim. –ele me olhou e Jun nos deixou a sós.
–Obrigado por está me ajudando e por ter se arriscado tanto por mim.
–Ei, só eu posso implicar com você. –ele disse sorrindo. –Além do mais, sejamos sinceros, se algo te acontecesse o Sensei nos mataria.
–Não é para tanto. -rir da cara assustada dele.
–Você não o conhece, não imagina do que ele é capaz por você. –ele deu maligno, se eu em algum momento tive dúvidas disso, elas foram sanadas hoje. -Ele com certeza fará aquele garoto se arrepender de ter nascido.
–Você acha que ele está bem?
–Nem por um milésimo de segundo eu duvido disso. –e dizendo isso ele saiu.
Eu fiquei mais tranquila, estava preocupada por acordar e Hyoga não está ali, eu o queria do meu lado, ele me passava segurança e carinho, mesmo não o amando me sentia cada dia mais apegada a ele, e agora mais uma vez ele estava lá fora lutando para me proteger, isso me deixava extremamente angustiada.
Passei a mão pelos meus longos cabelos loiros tentando arruma-los, ficar deitada não ajudava a diminuir minha dor, então eu tinha que procurar algo que me distraísse. Fiquei pensando em tudo o que tinha me acontecido, não só na luta, mais nas palavras de Isidoro. Saber que Hyoga tinha matado meu pai e que possivelmente eu me pareço com sua mãe são coisas que eu precisava entender (engolir), precisava saber se eram verdades (ou até que ponto não eram), e só ele poderia me dizer e explicar com clareza tudo isso. Eu não seria mais covarde, eu perguntaria a ele, esclareceria de uma vez por todas as minhas dúvidas, ele nunca mentiu para mim (que eu saiba pelo menos não), e sempre colocou meu bem estar em primeiro lugar, eu devia isso a ele, minha confiança.
Passei vários minutos pensando, até que ouvi passos pesados subindo a escada, imaginei que fosso o Jun com minha comida e remédios, graças a Atena, aquela dor na perna estava terrível. Ele bateu na porta e eu dei permissão para entrar, mais tamanha foi minha surpresa quando Hyoga apareceu a porta com uma bandeja cheia de frutas e biscoito nas mãos. Ele tinha alguns hematomas roxos nos braços, e um bem leve na bochecha, mais no mais estava bem, eu suspirei em alivio.
Eu sabia que naquele momento sorria feito criança para ele, estava muito feliz por ele está ali e bem, ele me estudou olhando-me da cabeça aos pés, seu rosto era impassível. Hyoga colocou a bandeja em cima da cômoda e veio se sentar do meu lado.
–Como você está Alana? –ele falou frio e isso me incomodou, então tratei de tirar o sorriso.
Hyoga não havia me olhado nos olhos em nenhum instante, nesse momento ele encarava meu joelho fora do lugar, e eu pude ver uma pequena chama de ódio crescendo no seu olhar.
–Hyoga! –eu me inclinei um pouco e tentei segurar sua mão, mais ao fazer isso um choque perpassou todo meu corpo, e eu gemi de dor, mais ainda assim consegui me segurar e não gritar, mas não pude fazer o mesmo com meu rosto que se contorceu pela dor . –Eu... eu estou bem. E você?
–Dessa forma? –ele riu amargo, apontando para mim. –Você mal consegue se mexer sem se acabar em dor. E ainda por cima se preocupa comigo.
Hyoga passou a mão em seus cabelos loiros embreando-a ali, era. perceptível seu nervosismo.
Me inclinei novamente fazendo o possível para aguentar as pontadas na perna e enfim consegui pegar sua mão, apertei-a e ele pareceu surpreso, mais mesmo assim não me olhou. Então mesmo contrariando a vergonha, e a dor que sentia, me inclinei totalmente para frente para alcançar seu rosto e puxei seu queixo delicadamente o fazendo me olhar, e me doeu mais do que qualquer dor física vê-lo com aquele olhar triste.
–Pare de se esforça, você só sentirá mais dor. -ele olhava para o outro lado, e sua voz agora estava um pouco mais grossa, me repreendendo.
–Por que está assim? –em nenhum momento eu o libertei e ele não fez esforço algum para que eu o soltasse. –Eu estou bem, estou aqui com você não estou?
–Você foi machucada, seu joelho está quebrado, e se não fosse a armadura de aquário só os Deuses sabem o que poderia ter lhe acontecido. –ele não gritava, pelo contrário sua voz agora era baixa e podia ouvir um fio de desespero. –Eu deveria lhe proteger, eu jurei que não permitiria que nada de mal lhe acontecesse e...
Eu o puxei para um beijo, no começo ele não correspondeu, mais depois se deixou levar, foi um beijo calmo cheio de carinho, meu coração palpitava como louco, eu podia ouvi-ló, bem como o de Hyoga que estava no mesmo ritmo acelerado.
–Eu estou bem, graças a você eu estou viva, e estou aqui. Não se julgue tanto, não me faça me sentir um fardo para você, mais do que eu já me sinto. –eu estava de olhos fechado, com a testa colada com a dele, e nossos narizes se tocavam, eu podia ouvir sua respiração lenta. –Você não sabe o quão feliz eu fiquei por você ter entrado aqui, eu estava tão preocupada com você. Por favor pare.
–Pequena, você não é, nunca foi e nunca será um fardo para mim. –ele alisava minha bochecha, enxugando as lágrimas que caiam sem minha permissão. Sua voz era calma e triste, eu abri os olhos e me deixei levar pelos oceanos azuis dos dele.–Eu me sinto o pior dos cavaleiros por não conseguir proteger você, por te fazer passar por tamanha dor.
–A culpa não é sua, bem como eu sei que não é minha. Ambos sabemos que o sangue que eu carrego é desejado, ambos sabemos que estes foram os primeiros de muitos outros cavaleiros que virão, mais se toda vez que isso acontecer eu não puder me proteger e você, Jun e Julian tiverem que enfrentar tudo sozinhos nada de bom terá nesse futuro. –eu estava irritado comigo, pois era minha culpa tudo isso está acontecendo, e ele ainda se culpava. Ele apertou minha mão e eu continuei o olhando, não queria quebrar o contato visual, ele precisava entender que eu falava sério. –Então por favor não se culpe, vamos treinar mais arduamente para que da próxima vez que isso acontecer ambos estejamos preparados.
Ele me sorriu, um sorriso de aquecer o coração, segurou minha mão firme e balançou a cabeça afirmativamente.
–Vamos treinar arduamente a partir de agora, mais no que depender de mim, você nunca mais vai passar por isso novamente. –ele falou firme.
–Hai Sensei. –ele riu com isso, mais depois ficou sério e olhou para meu joelho.
–Você confia em mim?
–Com minha vida. –ele me olhou surpreso por eu nem ter pensado para responder.
–Vou colocar seu joelho no lugar, vai dor muito, mais vai passar rápido eu prometo. –ele me olhava sério.
–Tudo bem! –eu puxei o travesseiro e me deitei mordendo-o. –eu senti quando Hyoga encostou as mão no meu joelho, tremi por inteira, mais ele se inclinou até mim e beijou minha testa remendada.
–Me perdoe. –e com um rápido movimento ele colocou meu joelho no lugar, pude ouvir o crack, foi a maior dor que já senti, eu gritei tão alto que mesmo com a almofada na boca abafando o som da minha voz, eu tinha certeza que todos na casa tinham escutado. Hyoga enfaixou meu joelho e me abraçou, ficou ali comigo até que a dor diminuísse ao aceitável.
–Obrigada. –eu disse numa voz cansada.
–Você tem de comer e tomar um remédio para dor. –e dizendo isso, ele foi a cômoda pegar a bandeja. Eu comi apenas as frutas (uvas e mamão) e tomei o remédio (nimesulida), quando ele pegou a bandeja para sair do meu quarto eu o segurei pela mão.
–Podemos conversar.
–Seria melhor você descansar um pouco pequena.
–Eu não conseguiria dormir enquanto não soubesse toda a verdade, por favor.
Ele me olhou sério, e suspirou, pareceu entender que eu não desistiria então colocou novamente a bandeja na cômoda e se sentou na cama me encarando de frente.
–Sobre o que quer conversar?
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