Margot foi adotada por uma feiticeira aos seus 5 anos. Ela foi criada em segredo, nunca saía do castelo onde vivia com a rainha do gelo, Jadis. Conhecida como a feiticeira branca que era temida por toda Nárnia. Margot nuca conheceu sua verdadeira mãe, nunca soube por que sua família a rejeitou, mas Margot sabia que havia encontrado um novo lar com a feiticeira branca, nunca soube o porque de a feiticeira a ter escolhido como herdeira, nunca pensou que havia algo de especial em si mesma. Mais as coisas mudaram completamente quando ela descobriu que sua mãe adotiva, a mulher que lhe adotou e deu amor e carinho, estava morta.

— Me diga quem Lincon? – Perguntou Margot com as lagrimas escorrendo pelo rosto.

— Foram os Reis e Rainhas... quero dizer... os da profecia minha senhora.- Disse Lincon um dos criados do castelo.

— O-os Filho de Adão e as filhas de Eva? – Diz Margot ainda chorando.

— Sim, minha senhora. – Diz o criado. Margot enxuga suas lagrimas com a manga de seu vestido cor de neve, e fica de costas para o criado.

— Como? – Pergunta engolindo o choro.

— Foi durante a guerra, minha senhora. Foi atacada por um dos filhos de Adão, o mais velho se não me engano. -Respondeu o criado.

— Me deixe sozinha Lincon. – Diz Margot friamente para o criado que o fez sem mais delongas.

Margot ficou sozinha com seus pensamentos, o quarto estava iluminado somente pela luz do dia que entrava pela janela pequena. Ela se recordava dos 9 anos que havia vivido junto com sua mãe adotiva. Havia uma sensação de ardência nos olhos, indicando que ela estava prestes a chorar. Não conseguia suportar a dor de perder a sua única família, a única que lhe acolheu quando estava perdida no meio de uma floresta congelada, em Nárnia, prestes a morrer de fome.

Margot é apenas uma menininha perdida na floresta escura correndo de alguma coisa que não consegue ver, devida escuridão a sua volta. Ela tropeça em um galho preso no chão, e cai na neve, levanta a cabeça e olha em volta. Com os olhos fechados, uma foz vem em sua cabeça. Ela reconhece essa voz. É a mesma voz que contava histórias para ela antes de dormir, em um castelo muito longe dessa floresta congelante.

— Me vingue! – Diz a voz da feiticeira branca.

— M-mas como? – Perguntou Margot assustada.

— Eu treinei você minha guerreira. Liberte o poder preço em você – Diz a feiticeira.

— E-eu não entendo mamãe. Do que está falando? – Perguntou Margot confusa.

— Na hora certa você irá saber minha querida – diz a voz.

Margot acorda com batidas fortes na porta de seu quarto, se senta na ponta da cama e passa a mão nos olhos.

— Entre. – Diz sonolenta. A porta do quarto se abre e um anão com barbas longas e negras, e um chapéu pontudo na cabeça, entra no quarto.

— Minha senhora não vai descer para o café? – Pergunta o anão.

— Não estou com fome – Diz Margot.

— Mas, minha senhora, precisa se alimentar – insistiu o anão.

— JÁ DISSE QUE NÃO QUERO! – Diz com um grito – Me deixe sozinha. VA EMBORA! – Diz Margot com raiva

— Como quiser senhora. – Diz o anão saindo do quarto.

Margot fica sozinha no quarto novamente, ainda não acredita que dormiu por tanto tempo. Margot volta a deitar na cama, fecha os olhos e lembra da voz da feiticeira branca “liberte o poder preso em você. ” O que será que ela quis dizer com isso. “Me vingue. “

- Eu vou te vingar mamãe. Eu prometo.- Disse Margot baixinho para si mesma.

Margot sai do quarto e desce para a cozinha. A cozinha está vazia, nela tem uma mesa gigante com muitas frutas, bolos, pães, sucos de todos os tipos, biscoitos e muitos outros tipos de comidas diferentes. Ela se senta na ponta da mesa e pega um copo de suco de maça e começa a bebericar o suco, cerca de 2 minutos depois, Lincon e mais dois Criados do Castelo (uma moça de cabelos negros e olhos claros, e um lobo de pelagem cinza) entram na cozinha.

-Minha senhora, precisamos conversar – disse o lobo.

— Pode falar – Disse Margot.

— A senhora não pode mais ficar no Castelo, creio que não é mais um lugar seguro. A feiticeira branca ordenou que sua existência fosse um segredo. – Disse o lobo.

-Deixar o castelo? Mas, para onde iriamos? — Perguntou Margot

— Existe uma pequena torre no meio da floresta. A senhora pode viver lá.- disse Lincon se metendo na conversa

- Eu não vou me esconder. Eu vou atrás dos filhos de Adão, e vou fazer eles pagarem por tudo que fizeram com ela –Margot sentiu seus olhos arderem, e uma lagrima surgiu em seus olhos

- Creio que não será possível, minha senhora. –Disse o lobo

— E porque não? –Perguntou Margot confusa

— Minha senhora é para sua segurança. A senhora terá sua vingança, mas não agora. –Falou o lobo.

— E quando... quando terei minha vingança? –Agora as lágrimas escorrem pelas bochechas

— Logo. Agora vamos tem alguém esperando a senhora na torre. –Diz o lobo

— Quem me espera na torre? –Quis saber Margot

-A senhora saberá quando chegar lá.- Falou o lobo dando as costas para a cozinha.

Margot estava confusa não sabia o que fazer, não queria deixar o local onde crescera, mas não tinha escolha. Teria que deixar o castelo. Mais lagrimas surgiram em seus olhos, não teve como segura-las, e as lágrimas escorreram pelo seu rosto. E não parava de pensar em quem a esperava naquela torre, algo lhe dizia que alguma coisa ia acontecer.

Margot está no quarto colocando seus vestidos e alguns pertences em um baú de viagens, ainda não acreditava que teria que deixar tudo isso para trás. Depois de arrumar suas coisas desceu as escadas e entrou em uma carruagem, Lincon vinha atrás com seus pertences e os colocou na parte de trás da carruagem. Depois de cerca de uma hora de viagem, Margot consegue ver uma grande torre em meio a floresta. Era uma torre velha, com os tijolos verdes de musgo, porém muito atraente. A carruagem para e Margot desce, parando em frente a torre.

— Entre minha senhora, tem alguém esperando. –Disse Lincon recolhendo os pertences da parte de trás da carruagem.

Margot caminha devagar até a porta da torre, coloca a mão na maçaneta da porta e a gira. Entrado na torre, Margot se depara com uma sala bem agradável e aconchegante, com uma lareira acesa e um tapete de pele no chão. Em uma poltrona, ela encontra alguém sentado de costas para a porta onde ela estava. Margot caminha até a poltrona onde o homem está sentado.

- Olá? –Disse Margot chamando a atenção do homem que estava na poltrona. O homem se levanta da poltrona e se vira para Margot, e ela logo percebe que na verdade não se trata de um homem e sim de um fauno, metade homem e metade bode.