A filha da feiticeira
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Margot não se assustou ou se surpreendeu com o fato de se tratar de um fauno, já que todas as criaturas que habitam em Nárnia são um tanto... Exóticas.
–Margot! Quanto tempo que não a vejo! –Disse o fauno alegremente, como se fossem amigos distantes.
–Desculpe-me senhor, nós nos conhecemos? – Margot estava confusa, não se recordava deste senhor, mas ele agia como se a conhecesse há bastante tempo.
–Acredito que a senhorita não se recorde mim, pois era muito pequena quando nos encontramos, há muitos anos atrás. –Disse o fauno – Meu nome é Remo, senhorita, Remo Baldessin – Margot conhecia esse nome. Só não se lembrava de onde.
– De onde o senhor me conhece? – Perguntou Margot com curiosidade
–Eu achei você na floresta, ainda muito pequena. Estava chorando muito então a levei para minha casa. Cuidei de você durante alguns dias.
Margot não entendia. Se esse senhor havia cuidado dela, por que ela foi parar de volta a floresta?
–Se o senhor cuidou de mim por que me levou de volta para a floresta? –Perguntou Margot franzindo os cílios.
– Ah Margot, eu não podia ficar com você... –Remo deu uma pausa para Margot falar porem ela permaneceu em silencio, e ele voltou a falar. –Você é uma menina muito especial. Tão especial que não podia permanecer ao meu lado.
Uma onda de raiva tomou conta de Margot. Por ela ser tão especial, ele não pôde tomar conta dela e a jogou em uma floresta escura e fria, quando ela era apenas uma menininha.
–Então por eu ser tão especial você me abandonou no meio da floresta? Uma criança! –Disse Margot fazendo gestos com as mãos.
–Eu não abandonei você. Eu a deixei na floresta para que a feiticeira branca a pegasse. Eu avisei a Feiticeira sobre sua existência. –Disse o Fauno abaixando a cabeça.
–Então foi o senhor que pediu para que a Feiticeira branca me adotasse. –Disse Margot mais para si do que para o fauno Remo.
–Sim Margot, fui eu.
–Mas o que o tenho de tão especial que o senhor não poderia ter ficado comigo? -Perguntou Margot muito confusa.
–Isso é uma história muito complicada. Peço que se sente. –Remo aponta para um sofá em frente à poltrona onde ele estava sentado. Margot se senta no sofá marrom claro, cheio de almofadas pretas e amarelas. Enquanto Remo se senta na poltrona enfrente a ela, Lincon entra na sala com uma bandeja de chá e alguns biscoitos, depois de colocar a bandeja na mesa de centro que separa o sofá onde Margot esta sentada, da poltrona onde está o fauno. O criado se retira deixando Margot sozinha novamente com o fauno.
–Bem Margot, seus pais verdadeiros morreram logo após o seu nascimento, eles foram assassinados por algumas pessoas que moravam na mesma vila que eles. – Os pais de Margot foram assassinadas por seus próprios vizinhos? Mas por quê?
–M-meus pais verdadeiros — perguntou – M-mas por que?
–Você nasceu de uma forma diferente, você era um bebe diferente- começou Remo –Tudo que você tocava virava gelo Margot.
– Como assim? Senhor Remo eu não estou entendendo. –Margot olhava torto para o fauno, como se ele fosse um louco.
–Você tem o poder de transformar coisas em neve. Por isso a feiticeira precisava de você. Precisava do seu poder.
–Mas eu não me lembro de transformar nada em neve –Falou ainda não acreditado nas palavras do fauno
–Isso por que a feiticeira sempre enchia com seus poderes uma vara mágica – Ela se lembra de a feiticeira sempre levar uma vara de madeira com a ponta de vidro para o quarto de Margot para que ela a segurasse. Margot não conseguia acreditar que a feiticeira branca só cuidou dela esse tempo todo por causa disso.
–Então você está me dizendo que a feiticeira só estava comigo por causa desses meus “poderes’’?
–No começo sim, mas depois ela passou a amá-la como uma filha – os olhos de Margot começaram a encher de lagrimas
–Mas então, esses poderes vão voltar? –Disse tentando esconder as lágrimas.
–Sim Margot, mas não vai ser tão fácil. –Disse pegando uma xícara de chá.
Margot ficou em silencio por alguns minutos, enquanto o fauno terminava seu chá. Não conseguia tirar tudo aquilo da cabeça, como ela poderia ter o poder de fazer as coisas congelarem? Era como se tudo isso fosse um sonho, onde em qualquer momento ela poderia acordar em sua cama no castelo e ver novamente o rosto da sua mãe. Isso era o que ela mais queria, não queria transformar nada em gelo e sim poder ter a sua mãe de volta. Ela sentiu de novo aquela sensação de ardência nos olhos e sabia que logo as lágrimas viriam, então decidiu parar com esses pensamentos.
– O que eu tenho que fazer senhor Remo? – Perguntou Margot olhando para cima impedindo as lagrimas de descer.
– Primeiro você terá que treinar por alguns anos para que seus poderes possam voltar. – O fauno começou a explicar. – E depois você hiberna. — Nesse momento Margot olha fixamente para o fauno e franze as sobrancelhas.
– Hibernar? –Disse ainda franzindo as sobrancelhas. –Por quanto tempo?
–É difícil dizer. Dias. Meses. Anos. Vai depender do seu desempenho nos exercícios.
–E quando vamos poder começar?
–Em algumas semanas... Agora, tenho que resolver alguns outros problemas. – O fauno se levanta da poltrona e caminha até a porta. Margot logo se levanta e vai correndo até a porta onde o fauno estava a atravessar.
– Como em algumas semanas? O que o senhor vai resolver? Não pode resolver outra hora? – Disse Margot tudo de uma vez.
– Me desculpe senhorita, mas eu também tenho meus problemas para resolver. – O fauno entra na carruagem e vai embora.
Margot agora está sozinha na porta da torre. Ela agarra a borda de seu vestido cinza claro e chuta uma pedra para longe dando um gritinho de raiva. Margot se vira e entra, e sobe uma escada que dá direto em um grande quarto nele há uma única janela, um guarda roupa grande, uma cama enorme com lençóis vermelho vinho, uma grande quantidade de almofadas e uma cortina de renda amarrada na parte de cima da cama. Margot se joga na cama e afoga sua cabeça com as almofadas. Alguns dias se passam e Margot não tem mais notícias de Remo. Ela está sentada no jardim atrás da torre quando escuta algumas vozes, ela se levanta e vai caminhando devagar em direção as vozes. São as vozes de Lincon e Winy. Eles estavam conversando atrás de algumas arvores porém eles estavam longe e Margot não conseguia entender direito sobre o que falavam. Então, ela se aproximou mais um pouco e se escondeu atrás de uma árvore.
–Então eles já estão lá. – Disse Winy uma das criadas que viera com ela para a torre.
– Sim, eu soube que vão ser coroados reis e rainhas de Nárnia hoje mesmo. Eles estavam falando dos filhos de Adão e das filhas de Eva. Eles estão sendo coroados reis e rainhas. Margot não conseguia acreditar que estava ouvindo isso, os assassinos de sua mãe, agora reis de Nárnia. Lágrimas brotaram em seus olhos e escorreram pelo seu rosto. Ela não podia deixar isso acontecer, tinha que acabar logo com isso. Margot saiu de seu esconderijo e voltou para a torre sem que a vissem, na frente da torre ela pegou Foster, seu lindo cavalo branco.
–Aonde vamos senhorita? –Perguntou Foster.
–Vamos para Cair Paravel. –Margot monta em Foster e começa sua jornada.
Quando já anoitecia, Margot pôde ver um grande castelo na beira do mar. O castelo de Cair Paravel era bem maior do que o que ela vivia. Ela deixou Foster em uma árvore perto da floresta e pediu para ele esperar ela ali e foi andando até o castelo. Como ninguém sabia da existência dela, não seria nenhum problema entrar no castelo. Chegando mais perto ela pode ouvir fozes e risadas, porém o que mais chamou sua atenção foi às vozes em coro gritando “viva ao rei Pedro’’... “viva a rainha Susana’’... “viva ao rei Edmundo’’... “viva a rainha Lúcia’’... Quando Margot ia entrando no castelo algo a surpreendeu: Em sua frente havia um enorme leão.
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