A escolhida

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Eu levei um milênio pra escrever esse capítulo... Aproveitem...

— Já estamos chegando? — Perguntou alguém.

— Aqui está tão chato... Ei, não toque no meu cabelo com essas mãos imundas!

— Relaxa, gatinha. Essas mãos foram feitas apenas para tocar você... Ai! — Se ouviu o som de uma tapa. — Seu tapa dói mais do que eu pensava.

"Essas vozes... Eu não entendo, onde eu estou?”

— Sei... "Tocar" não é? Só assim nós ficamos sabendo. — Se pôde ouvir uma risada, mas nada se via, apenas a total escuridão...

— Acorda! — Algo atingiu a cabeça de Lucas, o fazendo abrir os olhos...

... E ele simplesmente não acreditava no que via na sua frente.

— G-Gabi! — Ela estava com os braços cruzados e parecia estar com raiva, mas Lucas não se importou.

Lucas a abraçou com força, não se podia medir a felicidade que estava sentindo por vê-la mais uma vez...

Mas isso só tornava as coisas ainda mais estranhas.

— Ei! O que você pensa que está fazendo? — Perguntou Gabi, tentando se soltar.

— Vocês dois! Voltem para os seus lugares agora! — Lucas desfez o abraço e olhou ao seu redor.

A professora estava sentada em um dos bancos da frente do ônibus, Sophia e Rafael estavam sentados um do lado do outro, Mari e Amelia olhavam para os dois, cochichando e rindo entre si. Daniele dormia abraçada a Enzo que estava sonolento. Tom jogava seu vídeo game enquanto escutava música com os seus fones de ouvido, Matheus apenas observava o que acontecia do fundo do ônibus com Ana ao seu lado.

— Estão todos aqui... — Falou Lucas ainda tentando entender o que estava acontecendo.

— E onde poderíamos estar? No Alasca comendo pinguins no espetinho enquanto fugimos de um urso polar? — Perguntou Mari.

— Esquece isso, apenas me respondam... Eu dormi esse tempo todo? — Perguntou Lucas.

– É cara, você dormiu a viagem toda. — Falou Rafael enquanto ria.

— Deixa que eu te atualizo. — Começou Mari. — Quando chegamos àquela mansão, vimos que tinha uma placa dizendo que aquilo estava em reforma, então não quisemos perder mais tempo e saímos. Estamos voltando para o colégio.

— Nossa... Que loucura. — Disse Lucas rindo um pouco. — Eu sonhei que estávamos naquela mansão, monstros nos atacavam à noite e não conseguíamos sair. Rafael, Sophia e Aninha tinham morrido, e... — Ele olhou para Gabi, que observava a paisagem pela janela do ônibus, então ele desviou o olhar. — Parecia tão real... — Disse Lucas, em um tom triste.

— Como assim eu morri? — Perguntou Sophia, assustada.

— A-ainda bem que não entramos naquele lugar... Eu não quero morrer! — Gaguejou Ana, quase chorando.

— Relaxa, Aninha. Ficar ouvindo as histórias malucas da Amelia da nisso. — Disse Rafael, se recostando mais no encosto do assento.

— Malucas? Quando você for raptado por ETs, você vai se arrepender de não ter escutado o que eu dizia. — Falou Amelia virando o rosto.

Alguns começaram a conversar sobre como seria assustador ficar trancado em um lugar cheio de monstros, e se gabavam dizendo que saberiam como sobreviver.

Já outros...

— Ei, Lucas... — Chamou Gabi, ainda olhando a paisagem pela janela. — O que aconteceu comigo, sabe... No seu sonho?

— Não aconteceu nada. — Disse Lucas, de cabeça baixa. Gabi se sentou ao seu lado e se aproximou mais dele.

— Mentiroso. — Acusou Gabi, puxando os cabelos de Lucas, o fazendo levantar a cabeça e olhar para ela. — Agora me diga de uma vez, o que aconteceu comigo?

— Se eu contar, vai fazer alguma diferença para você? É só que... — Lucas deu uma pausa, e olhou nos olhos de Gabi. — Eu fiz algo que queria muito, mas as coisas não saíram como eu queria...

— E você como sempre desistiu logo no primeiro fracasso, não foi? Não esperava mais de um inútil como você — Provocou Gabi, dando uma risada, mas logo ficou séria. — Se você fracassou, tente de novo! Se algo te impede de continuar, vença esse obstáculo com todas as suas forças!

— E se o que eu desejo também envolver outra pessoa?

— Então, se o que você deseja não impedir a outra pessoa de ser feliz... Lute, não só por você mais pelos dois!

— Muito obrigado, Gabi. Você não sabe o quanto me ajudou. — Lucas sorriu, e Gabi sorriu em resposta. — Sabe, por um lado estou feliz que tudo aquilo tenha sido só um sonho. Eu posso recomeçar, e dessa vez eu vou conseguir... Eu te prometo!

— Legal, que bom que... Ei! Você não disse o que aconteceu comigo! — A porta do ônibus se abriu, e a professora mandou que todos saíssem. — Me espere, seu idiota!

Aos poucos os alunos saíram do ônibus, na frente deles o colégio os aguardava, e as nuvens de chuva já davam espaço para os raios de sol do meio dia.

Lucas parou por um momento para apreciar aquela paisagem, a sensação de estar livre era algo indescritível, parecia que finalmente o abismo que o separava do mundo havia sumido...

— Lucas, cuidado! — gritou Gabi atrás dele.

Mas o abismo havia voltado para atormentá-lo mais uma vez.

Um buraco profundo e sem fim tomava aos poucos o lugar do chão, e ele crescia cada vez mais. Lucas correu para alcançar Gabi que estava quase sendo puxada para o buraco...

Mas os dois não puderam escapar daquela imensidão escura e sem fim.


***

Sua visão estava embaçada, uma forte dor percorria pelo seu corpo, conseguia escutar alguns barulhos, mas não conseguia os distinguir. Aos poucos a sua visão foi clareando, e os barulhos se tornaram uma voz familiar...

— O que eu faço? O que eu faço? Eu sabia que deveria ter ficado no meu quarto. Agora monstros verdes vão me sequestrar, e depois vão sugar o meu cérebro e arrancar as minhas tripas, depois vão amarra-las nos meus braços e pernas para me usar como marione... te... U-u-um zumbi! Chispa daqui!

— Ai! — Um sapato foi arremessado, acertando a cabeça de Lucas. O mesmo ainda estava se levantando.

— Vá embora marionete. Não irei deixar que arranquem as minhas tripas! Gosto delas do jeitinho que elas estão!

— O que você está falando? — Após se recuperar da batida,

Lucas viu uma garota descalça que estava segurando um dos sapatos em sua mão. A escuridão não o deixava ver claramente o rosto da garota, mas ele sabia de quem era aquela voz.

— Amelia? Espera, eu não sou uma marionete!

— Prove, qual era o meu apelido quando eu tinha 6 anos?

— Amy.

— Não prova nada, seu zumbi-marionete sem tripas!

— Você está vendo algum sei lá o quê amarrado em mim para eu ser uma marionete?

— Ok, mas o que prova que você não é um zumbi?

— Sei lá. — Lucas deu de ombros. — Espera, quem fez isso? — Ele olhou para os seus braços, os dois estavam enfaixados. — Era um veneno mortal... Como eu ainda estou vivo?

— Então você não está morto, já é um começo. — Amelia calçou o sapato que estava segurando, e foi até Lucas para pegar o que havia jogado.

— Você já me encontrou assim?

— Foi... Ei, cadê a Aninha e a Sophia? E o resto do povo?

Lucas ficou em silêncio por um momento, como que procurando as palavras certas para dizer aquilo.

— "Todos estão mortos", qual a dificuldade de dizer isso?

Lucas se assustou com aquela voz. Um vento frio tomou conta do lugar. Os dois olharam em volta procurando a pessoa que havia falado.

— Parece até que estão cegos.

— Relaxa, aqui está tão escuro que nem sei como eles tão se vendo.

— E-ei... Olhem para trás de vocês.

Amelia e Lucas se viraram, três pessoas estavam atrás deles, sorrindo e sem nenhuma ferida ou sangue em sua pele.

— Rafael...

— Ana... Sophia...

— Bingo! — Falou Sophia, rindo.

— Vocês não poderiam estar aqui, vocês estão...

— Mortos? Pois é, e olha onde fomos parar, não é? — Brincou Rafael.

— Desculpe... Eu não consegui escapar, os monstros eram muito fortes... — Murmurou Ana de cabeça baixa.

— Mas se vocês estão mortos, como estão aqui? Como podemos ver vocês? — Perguntou Lucas.

— S-são fantasmas que vieram para nos matar! — Amelia disse, assustada.— Por que, mundo cruel? Por quê? — Ela choramingava.

— Calma! Nós nunca faríamos isso com vocês! — Disse Ana, tentando acalmá-la.

— Bando de ingratos. Tivemos o trabalho de vir até aqui para salva-los e é assim que nos agradecem! — Falou Sophia virando o rosto.

— Vamos parar de papo furado? Pois bem, como Sophia disse viremos salvar vocês. Achamos uma porta secreta, lá tem uma passagem que dá para a saída!

— E como vocês conseguiram achar essa “saída”? — Perguntou Lucas, desconfiado.

— Ai ai... As várias vantagens de ser um fantasma. — Falou Sophia, enquanto andava até uma estante de livros que havia naquele cômodo. — Empurrem isso. Atrás dele tem a porta com a tão desejada liberdade!

— Sério? Então temos que avisar para os outros. — Disse Amelia, se virando para sair, mas Ana ficou em sua frente.

— É melhor vocês saírem primeiro. Algum monstro pode vir atacar vocês no caminho de ida. Nós iremos avisar aos outros sobre a saída. — Falou Ana.

Lucas mesmo desconfiado decidiu obedecê-los e emburrou a estante. Atrás dela havia uma porta que estava fechada.

— Nós finalmente vamos poder sair? Sabe... Eu ainda não consigo acreditar. — Confessou Amelia, pensativa.

— Não... — Lucas estava prestes a tocar na maçaneta da porta, mas parou. — Você vai, eu não vou sair daqui sem os outros.

— Você é idiota? — Gritou Sophia, irritada. — A chance de sair está na sua frente e você vai deixar escapar? É a sua última chance!

— Mas vocês não disseram que iriam chamar os outros para sair também? — Perguntou Lucas.

— B-bem... Eu menti está bem? A porta só pode ser aberta uma vez! Vão logo! — Disse Ana, ela assim como os outros parecia nervosa.

— Eu já disse, não vou sair daqui sem os outros! — Disse Lucas, em um tom sério. — E mesmo que a porta não possa ser aberta de novo, eu não saio sem achar Gabi, nem que eu tenha que morrer para isso!

— Então você vai morrer... E vai ser pelas minhas mãos! — Gritou Rafael, que estava prestes a atacar Lucas.

— Fantasmas, não é?

Todavia, algo atingiu a sua cabeça, e Rafael começou a se desfazer, seu corpo virou uma fumaça negra que logo desapareceu na escuridão.

— Mentirosos! — Um objeto foi lançado contra a cabeça de Sophia, e o seu corpo também virou fumaça.

— Q-quem está ai? — Perguntou Ana assustada, olhando para os lados.

— Você é uma mentira... Eu sou a verdadeira, eu estou viva!

— O... quê? — Uma lâmina cortou-a em dois, e o seu corpo desapareceu assim como o dos outros.

— E-eu... Estou viva...

— Aninha! — Os dois não acreditavam no que viam. Ana estava caída no chão de joelhos chorando, e Matheus estava ao seu lado segurando uma espada enferrujada.

— Desgraçados! — Exclamou Matheus, com raiva. — Eles estavam levando vocês para uma armadilha. Atrás daquela porta tem uma sala sem saída coberta por um gás mortal. Eles iriam trancar vocês lá, sozinhos. Se tivesse mais pessoas com vocês talvez o plano falhasse, por isso não queriam que vocês chamassem os outros.

— Você conseguiu escapar — Disse Lucas, aliviado. — Mas ainda temos que encontrar a Gabi...

“Kuroi... Do que eu sou feita?”

Uma voz ecoava pelo lugar...

“Eles os mataram e todos viraram nada... Se eu os criei quer dizer que também sou nada?”

— A voz está vindo dali, vamos! — Disse Matheus, apontando para um corredor.

Todos correram pelo caminho indicado e chegaram até a última porta do largo corredor.

O lugar tinha um longo tapete vermelho no meio da sala, nele estava sentada uma garota de longos cabelos brancos, sua pele era pálida, sua expressão sem vida desaparecia aos poucos ao apreciar as estrelas pela grande janela em sua frente.

— Vocês são pessoas, não são? Ou são apenas ilusões como todos os outros? — Perguntou ela sem tirar os olhos da grande janela.

— Quem é você? — Perguntou Matheus, segurando sua espada com força.

— Sou apenas uma comedora de sonhos... Não... De lembranças, doces e amargas lembranças que fazem vocês humanos ingratos viverem... — Ela fechou os olhos por um momento. — Se os humanos pudessem tocar as estrelas, será que eles deixariam de desejá-las, de apreciá-las?

— Do que você esta falando? Onde está a Gabi? Responda! — Falou Lucas.

— Eu não entendo. Vocês humanos deixam de apreciar aquilo que podem alcançar, aquilo que está bem na frente de vocês... Mas desejam aquilo que é inalcançável, aquilo que é impossível... Por isso querem tanto obter a liberdade? — Ela deu uma leve risada, abrindo os olhos. — As lembranças de Gabi eram tão doces, tão cheias de vida... Mas os daquela garota eram tão frias a amargas... As duas encaravam o mundo lá fora de um jeito diferente, mas as duas eram humanas... Então elas tiveram o mesmo fim.

— O que você fez?

— Nenhum de vocês merecem a liberdade, nenhum! Estar dentro desse lugar é assustador, não é? Era isso que as duas tinham em comum, o medo de ficarem presas, a perda da liberdade as fizeram desejar isso mais do que tudo! M-mas... — Ela abaixou a cabeça e começou a chorar. — Mas vocês não aproveitavam a liberdade, não aproveitavam tudo o que tinham para aproveitar. Tudo o que estava ao alcance de vocês... Por quê? Eu queria tanto poder sentir isso pelo menos uma vez. A luz do sol me tocando, a chuva me cobrindo, as flores me agraciando com o seu perfume, a ventania me fazendo tremer... Sinto que fico cada vez mais viva a cada lembrança que absorvo, mas eu nem sei o que eu sou... Talvez eu seja apenas uma das minhas ilusões...

— Os fantasmas... Meu sonho... Tudo foi você? — Perguntou Lucas.

— Sim. — Ela levantou a cabeça; já havia parado de chorar. — Achava que você estava morrendo, então queria te dar um sonho bom, um em que você pudesse desfazer os seus erros.

— E porque você faria isso?

— Porque eu tenho as memórias de Gabi, e era isso que ela desejava para você. Mas não se preocupe, eu não quero matar alguém como ela, eu nunca matei. Não é isso que eu quero! Eu quero fugir daqui, eu quero mudar! Eu quero viver! Por favor, me levem daqui, eu imploro!

— E como podemos confiar em você? — Matheus correu até ela e apontou a lamina da espada para o pescoço da garota. Ela não demonstrava nenhuma reação, não se movia, pois sabia que poderia morrer a qualquer instante.

— Eu posso levar vocês para onde Gabi está. — Lucas ficou sem fala, seu olhar estava vidrado naquela garota que poderia ser qualquer coisa, mas ele tinha certeza que ela não era humana,

Mas isso não importava naquele momento.

— Muito bem, vamos. — Disse Lucas, em tom sério.

— Mas Lucas, não podemos confiar nela. Ela pode estar tentando nos matar! — Falou Amelia.

— Mas se não confiarmos nela, então em quem vamos confiar? — Perguntou Lucas e Amelia apenas ficou em silêncio.

— Sem gracinhas. — Disse Matheus, afastando a espada do pescoço dela.

— Obrigada. — Ela se levantou e sorriu. — Eu finalmente vou saber o que eu sou, me pareço tanto com uma humana, mas eu não sinto as coisas que vocês sentem, e isso é tudo o que eu mais quero, sentir sem precisar das lembranças de outros para isso, eu quero sair, eu quero...

— Eu posso dizer o que você é... Um monstro, você é apenas um monstro. E todo monstro deve obedecer ao seu criador. — Um jovem falou no canto da sala com os braços cruzados e com a sua face escondida pela escuridão.

— Mas eu posso pensar! Tenho tantas ideias, tantos sonhos... As lembranças daquelas pessoas me deixaram mais alegre, mais viva e mais...

— Calada! — O jovem gritou, e a garota olhou para ele com medo. — As feras agem pelo instinto, caçam as suas presas e as devoram sem piedade. Os monstros podem até ter aparência semelhante à humana, mas são criados apenas para seguir ordens. Mas de todos eles, apenas as criaturas podem pensar, apenas nós podemos raciocinar. Mas você desobedeceu as minhas ordens assim como eu desobedeci ao meu mestre e eu não vou me igualar a você. — O jovem deu uma risada. — Você não quer tanto tocar a luz do sol? Então aproveite, e lembre-se: você nunca chegará aos pés de uma criatura, sua coisa desprezível.

O jovem sumiu, e uma luz fraca começou a invadir aquele cômodo. A garota olhava para a janela com um grande sorriso no rosto.

Até que a luz tocou a sua pele que começou a queimar. Ela gritava de dor enquanto a sua pele se desmanchava em cinzas que ao tocar o chão desapareciam.

— Não! — Lucas segurou o braço da garota e a afastou da luz da janela, mas a pele dela não parava de queimar.

— Eu sou apenas um monstro e nenhum monstro é capaz de sobreviver à luz do dia sem morrer. Mesmo sem encostarmos na luz, a própria presença dela já faz o mesmo efeito, e não temos como escapar, pois todos os lugares tem luz. — A garota sorriu, fechando os olhos enquanto caiam incontáveis lágrimas de dor. — Consigam alcançar o inalcançável, mas a liberdade só pode ser alcançada com o sacrifico... Eu desobedeci ao meu criador por não matar aquela garota, então alcancem-na no lugar encharcado pelo sangue de...

E nesse momento, ela não conseguia mais falar, pois todo o seu corpo virou cinzas na frente de todos.

— E-ela... Morreu? — Perguntou Ana com lagrimas nos olhos.

— Acho que ela nunca esteve viva. — Falou Amelia.

— Não, ela estava mais viva do que qualquer fera, monstro ou criatura dessa mansão — Disse Lucas, saindo daquela sala, os outros apenas o seguiram.

Todos os móveis estavam no lugar, os espinhos da armadinha que prenderam Lucas e Gabi também desapareceram, tudo estava idêntico ao dia anterior, como se nada tivesse acontecido.

— “Alcancem ela no lugar encharcado pelo sangue...” Espera! — Lucas parou e todos olharam para ele. — A Gabi deve estar na enfermaria!

Lucas saiu correndo na frente, ele precisava confirmar aquilo.

Quando chegou na enfermaria, tudo estava no lugar, as prateleiras, os remédios...

— Mas como...

—Eu queria explicar antes, mas você correu e eu não consegui — Falou Ana, ao lado de Lucas, observando a garota de cabelos longos e loiros deitada na maca com o corpo coberto de sangue.

— Ela está viva? — Perguntou Lucas olhando para Ana. — Se ela tivesse morta o seu corpo já teria subido.

— Sim, eu consegui... — Fisse Ana, sorrindo. — Quando eu acordei ontem à noite, eu estava com muito medo. Então eu vi uma saída, peguei uma cadeira e coloquei encima de uma mesa para conseguir alcançar o duto de ventilação, eu conseguia entrar sem problemas, mas arrastar Sophia era muito difícil, ela não acordava e parecia que tinha algo querendo arrancar a porta, então eu me lembrei de algo. Eu tinha um gato, e eu percebi que ele só corria atrás do ratinho quando ele ainda estava vivo, pois quando ele não se movia o gato desistia dele. Então eu peguei uma bolsa de sangue que estava guardada em um dos armários e a sujei para parecer que estava morta, ai aquelas feras não iriam atacar.

— Parece que o seu plano deu certo, pequena heroína! — Disse Mari entrando na enfermaria junto com Tom, Enzo e Daniele.

— E-eu só fiz o que todos vocês fariam — Ana disse com vergonha, mas desviou o olhar quando viu Matheus sério, diferente de todos os outros que sorriam para ela.

— Você salvou a Sophia! Imagina a cara dela quando ficar sabendo disso. Vai ser hilário! E ela ainda vai ficar totalmente grata a você! — Falou Amelia, rindo.

— Não! — Ana gritou, os outros ficaram surpresos com a reação dela. — Eu não quero que ela mude, não quero quem me trate diferente. Tudo isso que está acontecendo, monstros vindo atrás de nós, amigos morrendo, é tudo tão assustador... Eu quero que pelo menos uma coisa fique como era antes, eu não me importo quando ela fala aquelas coisas para mim, não mais...

— Nós te entendemos, Aninha — Daniele disse, sorrindo.

— Já sei! A piscina! — Lucas falou, saindo correndo dali, e todos o seguiram novamente.

Menos aqueles dois...

— Você consegue enganar a eles, mas não a mim — Acusou Matheus, sério, olhando para Ana.

— C-como assim?

— Antes de te encontrar saindo do duto de ventilação na sala de jantar, eu entrei na enfermaria e vi toda aquela cena. Não foi por causa do que você fez com Sophia que ela está viva agora. Você esbarrou no armário de remédios e derrubou eles, o cheiro dos remédios estava impregnado pela enfermaria toda e por uma incrível coincidência quando a fera arrombou a porta ele não entrou, você sabe por quê?

— Por causa do cheio forte dos remédios... M-mas eu tentei ajudar. Eu tentei fazer alguma coisa certa. Eu tentei ajudar! Eu tentei! — Ana saiu correndo enquanto chorava, Matheus apenas a olhava se distanciar dele.

***

Assim que chegaram na piscina, viram Gabi deitava na beira da mesma, então todos a levaram para o quarto dela para que pudesse descansar.

Lucas ficou no quarto, sentado em uma cadeira ao lado da cama esperando Gabi acordar. Ela não tinha nenhuma ferida e não estava mais pálida, o que deixava Lucas mais tranquilo.

— Onde... Eu estou? — Questionou Gabi com uma voz rouca e abrindo um pouco os olhos.

— Você acordou, estou tão feli...

— Você é a garota com as espadas? Onde ela está? Ela disse que te ajudou e que iria me proteger... Mas me proteger de que? Até porque nós estamos na escola não é? — Gabi riu.

— Como assim?

— Espera, onde estamos? — Perguntou Gabi olhando em volta. — O que estou fazendo aqui?

Notas finais
Comentem por favor, enquanto isso eu vou recolher os meus ossinhos muidos das mãos de tanto digitar e esquever no meu caderninho de esboço/desenho T-T