A escolhida

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Meu pc resolveu parar de vez e eu tive que fazer o capitulo pelo celular... Por isso a demora... Desculpem ;-;

“Os dias que se passam tão rápido e as noites que parecem uma eternidade trazem para mim cada vez mais desespero. A cada segundo que reflito sobre isso percebo que as palavras daquela garota eram verdadeiras. Anseio pela liberdade mais do que tudo, sendo que antes menosprezava esse luxo. Agora só as lembranças do passado me mantêm lúcido o suficiente para continuar lutando...”

***

— Ei, Matheus! Posso ir para o colégio junto com você, posso? — Perguntou Ana, cutucando a bochecha dele. Os dois estavam no caminho para o colégio; era um dia de segunda-feira, então Matheus não fazia questão de andar mais rápido.

— A escolha de ir pelo mesmo caminho que o meu é sua. — Disse Matheus, não se importando com o fato de Ana já ter feito a mesma pergunta umas quatro vezes.

— Desculpe — Falou Ana. Matheus apenas Ficou em silêncio. — Sabe, eu nem sei como você consegue me aguentar todos os dias.

— Com remédios controlados e terapia três vezes por semana.

— Legal... — Os dois não conversaram mais pelo resto do caminho.

Ao chegarem ao colégio, o sinal havia acabado de tocar, então ainda dava tempo de entrar na sala.

Isso é claro se a primeira aula não fosse dela...

— Olha só o que temos aqui... — Falou a professora, olhando para Ana e Matheus que estavam parados em frente à porta da sala de aula.

— Eu já sei o resto do discurso, adeus. — Disse Matheus começando a andar, mas Ana segurou a mochila que estava nas costas dele, o impedindo de continuar.

— Ana você pode entrar, já você... — A professora ajeitou os seus óculos e olhou para Matheus. — Da próxima vez nem se dê ao trabalho de vir para o colégio.

— Com todo o prazer. — Falou Matheus para si mesmo enquanto sentava no seu lugar e Ana fazia o mesmo.

— Já que todos estão aqui, eu tenho uma noticia que acho que vão gostar. Vocês vão ser liberados das suas aulas por uma semana! — Matheus tapou os seus ouvidos e logo em seguida a gritaria começou. — Nós vamos passar uma semana em um lugar histórico!

E a gritaria sessou em um segundo.

— Eu mencionei que quem não quiser ir vai perder mais da metade da nota?

— Cri, cri, cri. — Os alunos começaram a rir e a professora arremessou o apagador no aluno que tinha feito aquilo, se não fosse por alguns centímetros, ela teria acertado.

— Não é obrigatório, mas como eu estarei supervisionando o grupo que for para o passeio, quem vai ficar com vocês é a nossa queria professora substituta, lembram da Josefina? — Alguns alunos se entreolharam enquanto a professora começou a escrever o seu assunto no quadro.

As aulas se passaram e chegou o intervalo.

***

— Ai, ai... A melhor coisa que existe é saber imitar a voz de outra pessoa. Você viu a cara de Rafael quando a professora arremessou o apagador nele? Impagável! — Disse Mari, aos risos.

— Então foi você? — Perguntou Gabi também rindo, as duas estavam na cantina.

— É, mas se ele descobrir o máximo que vai fazer é me ignorar por uns...

— Deixa tentar adivinhar... Uns 2 minutos?

— Eu ia dizer 2 segundos, mas isso já serve. — As duas riram. — Ah, já passou 3 minutos.

— É mesmo. — Disse Gabi, pegando uma laranja que estava em sua mesa e jogou na cabeça de Lucas que estava dormindo em uma cadeira um pouco afastada delas. — E mais uma vez não acordou, você já está me devendo quanto mesmo?

— 1 pudim, 1 trufa e 2 rocamboles... — Murmurou Mari para que Gabi não ouvisse.

— Como é bom ter um amigo que tem um sono mais pesado que uma montanha. — Comentou Gabi, mordendo o seu sanduíche.

— Sério? Eu jurava que vocês eram namorados já que andam tanto tempo juntos... — Gabi quase engasgou com o sanduíche quando Mari falou aquilo.

— Nunca! Sem chances de isso acontecer enquanto eu ainda estou no meu juízo perfeito! — Disse Gabi rápido, gaguejando em algumas palavras.

— Sei... — Mari se levantou da mesa e saiu da cantina, sendo seguida por Gabi que tentava convencê-la.

***

— Sério, um dia eu ainda vou explodir por causa daquela professora! — Falou Sophia no corredor junto a Rafael e Tom que não necessariamente estava prestando atenção na conversa, só parou por lá para jogar um pouco.

— Não se preocupe. Um dia ela enlouquece ou se aposenta de uma vez.

— Ela já devia ter se aposentado há uns 400 anos atrás! — Disse Sophia se virando, e dando de cara com a professora que tinha acabado de sair de uma das salas de aula. — P-Professora, nós estávamos falando exatamente da senhorita! De como você não mede esforços para diversificar o nosso modo de ensino para melhor aprendiza...

— Olha aqui, eu até posso ter 400 anos, mas eu não sou surda. Ah, se eu fosse você iria para esse passeio, porque se depender de mim as suas notas vão ir de mal a pior.

Nisso a professora continuou andando e desceu as escadas.

— Vaca...

— Bruxa...

— Loira desgraçada...

— Me chamou de quê? — Perguntou Sophia olhando para Tom.

— O reino não ficará em suas mãos por mais tempo, sua criatura das trevas. Sinta a fúria das minhas espadas com o poder da chama negra que não pode ser apagada pelo mais forte vento nem a mais profundos escuridão! — Tom disse sem tirar os olhos da tela do seu vídeo game.

— Olha só o que eu faço com esse otário. — Rafael disse para Sophia enquanto ria.

Rafael se aproximou de Tom, sem fazer barulho e pegou o vídeo game das mãos dele, retirando as pilhas logo em seguida.

— O que... — Falou Tom, em estado de choque. — Eu estava no boss final... E não tinha salvado meu progresso... — Tom caiu de joelhos no chão e olhou para Rafael. — Como alguém pode ser tão cruel para chegar a esse ponto?

— Esta gostando? — Perguntou Rafael, olhando para Sophia, que fez que sim com a cabeça. — Então você achou aquilo crueldade, Tom? Então veja isso.

Rafael estava prestes a jogar o vídeo game pela janela.

— Idiota!

Mas alguém veio correndo em sua direção e chutou a boca do seu estômago.

— Da próxima o chute vai ser mais em baixo! — Depois de alguns segundos se remoendo de dor, Rafael caiu no chão com as mãos no estômago. — Quer que eu arrebente essa sua carinha linda também? — A garota perguntou, séria, olhando para Sophia.

— Sua... Sua... Eu te odeio! — Sophia gritou enquanto saia quase explodindo.

— Daniele... Minha heroína! — Falou Tom para ela com os olhos brilhando.

— Não foi nada. Eu estava querendo descontar minha raiva em alguma coisa mesmo.

Daniele pegou o vídeo game com as pilhas e devolveu para Tom que se levantou logo em seguida.

— Bem, eu tenho que procurar o Enzo para nós pegarmos papel do passeio, então te vejo depois. — Daniele continuou a sua procura e Tom foi para a biblioteca para finalmente conseguir jogar em paz.

— Ei, você está vivo? — Perguntou Amélia cutucando Rafael com um graveto. — Ele foi abduzido e deixaram o seu corpo aqui... E-está se mexendo!

Amélia deu alguns passos para trás, abriu o seu armário e começou a jogar em Rafael os objetos que encontrava.

— Ei, isso dói! — Exclamou Rafael com as mãos sobre o galo que se formou em sua cabeça. — Não, o livro de matemática não!

Ele se levantou o mais rápido que podia e saiu correndo, mas isso não o livrou de ser atingido na cabeça pelo livro, o que o fez cair novamente.

— E é assim que se lida com possíveis aliens. — Satisfeita com o trabalho bem feito, Amélia pegou as suas coisas do chão, as colocou no armário e foi para a direção contraria a de Rafael.

***

O silêncio predominava, mas a vontade de quebrá-lo não era mais forte que a vergonha. Então ela continuava assim, calada, olhando para algum ponto aleatório, enquanto tentava convencer a si mesma que ela era capaz.

— Você é mais medrosa do que eu imaginava. — Falou Matheus que estava sentado próximo a Ana. Ele analisava as suas expressões faciais com cuidado para que pudesse entender o que ela pensava.

— Eu sei. — Ana disse abaixando a cabeça.

— Você sabe que se fazer de coitada também não vai ajudar, não é?

— M-Mas eu não sou assim! — Falou Ana levantando a cabeça e elevando um pouco a voz.

— Pois não é o que parece. — Matheus falou encostando-se mais na cadeira. — E não vale chorar.

— E p-por que eu iria chorar?...

— Porque você sempre chora, e é isso que medrosas fazem.

— Eu... Eu... — Ana fechou os olhos com força. —Eu te prometo que vou ser mais corajosa, custe o que custar!

— E você acha que eu me importo? Por mim, você pode ser corajosa, medrosa, irônica, masoquista, pervertida, tanto faz. — Ele deu de ombros. — Mas se tem uma coisa que eu não suporto, é eu estar perto de alguém medroso quando a situação exige que a pessoa aja com coragem! Então você pode ser como for apenas não demonstre isso perto de mim. Mas mesmo assim isso não vai te ajudar em nada, pois você não ia conseguir demonstrar ser uma coisa que não é.

— Mas eu posso tent...

— Mas não vai conseguir, — Matheus a interrompeu, se levantando. — Eu te conheço muito bem.

Assim que o sinal tocou Matheus seguiu para a sala de aula com Ana logo atrás dele.

***

Quando as aulas acabaram apenas aqueles que iriam para o passeio ficaram na sala.

— Isso é algum tipo de castigo? — Perguntou Lucas, bocejando.

— Eu já estou me arrependendo de ter aceitando ir para esse passeio. Só os mais idiotas da sala vão! — Falou Sophia que estava se abanando com um leque feito de papel por causa do calor.

— De todos os idiotas aqui você reina soberana, não é verdade? — Daniele disse se segurando para não começar uma briga ali mesmo.

— Quietos alunos. Eu quero ficar nessa sala tanto quanto vocês. — Falou a professora, com uma voz desanimada. — Assinem essas autorizações para que vocês possam ir para o passeio.

A professora começou a distribuir as autorizações e voltou para a sua mesa.

— Mas professora, não seriam os meus pais que teriam que assinar? — Perguntou Enzo.

— Fui informada de que essa é uma autorização especial, então não será necessária à assinatura dos pais.

— Finalmente uma notícia boa. — Falou Matheus.

— Então, nos encontramos amanhã no mesmo horário para a visita a mansão mais antiga do país! — A professora disse com um pouco mais de entusiasmo na voz.

— Então é uma mansão? Não deve ser tão ruim assim. — Falou Sophia.

— Mas você se esqueceu de um detalhe importante minha cara Sophia: "a mais antiga do país." — Mari disse.

— Agora a parte mais emocionante do dia: vocês estão liberados! — Os alunos pegaram as suas mochilas e saíram da sala correndo. — Matheus? Pensei que você seria o primeiro a sair.

— Você não acha estranho, professora? Uma autorização em que os alunos têm que assinar mesmo sendo menores de idade, em que não é obrigatório os pais ficarem sabendo que os filhos vão ficar uma semana fora de casa, nem é especificado na autorização para onde vamos. — Disse Matheus, analisando a autorização em suas mãos.

— Seria tão bom se você usasse essa inteligência na hora de chegar mais cedo na aula...

— Já estou vendo que não posso ter uma conversa produtiva com você. — Matheus saiu da sala.

E o grande dia chegou, malas prontas e uma sensação de saudades de casa podiam ser percebidas entre alguns dos alunos, outros apenas se distraiam para fazer o tempo passar mais rápido.

— Eu vou te provar... — Disse Ana para Matheus antes de entrar no ônibus.

***

— Com licença Matheus. — Falou Zoe, o despertando de suas lembranças.

— A noite já está chegando. Todos já estão indo para os seus quartos.

— Ah, claro. — disse Matheus se levantando do chão da sala de estar. — Zoe, posso te fazer uma pergunta?

— Pode.

— Como se você chegou até aqui, nessa mansão?

— Eu já disse. Fui contratada para cuidar dessa mansão...

— Mas onde está aquele que te contratou? Ele confia tanto em alguém para deixar tudo isso aos cuidados desse alguém sem ter alguma supervisão?

— Bem... Isso é por...

— E se ele não está aqui quem enviou o comunicado para a escola de que esse lugar estaria aberto para visitas? Responda logo!

Quem é o seu mestre?

Notas finais
O capitulo ia sair ontem mas por causa de certo alguém eu não consegui postar... Esse alguém sabe que é ela.... Ne fofis? Le amo