Na tarde de sexta-feira, Kirka Montovan, havia chegado mais cedo em casa, sem notificação prévia, por tanto Glutar Zigler, não esperava seu retorno do trabalho, em um horário fora do período, que ela costumava chegar. Surpreso ao vê-la, Glutar que estava relaxando no sofá da sala, acompanhando a programação da televisão, ele rapidamente se levantou indo de encontro a ela, para recebê-la com um abraço. Após o gesto receptivo, Glutar a entrega um beijo, demorado e suspeito para Kirka.

—Oi minha portuguesa! Não esperava você em casa, nesse horário... Aconteceu algum imprevisto? -Perguntou Glutar, após término do beijo.

—Desculpa não ter avisado antes, mas não se preocupe, está tudo bem. Me liberaram mais cedo hoje, por conta do acúmulo de horas, que eu possuo-Respondeu Kirka, confusa com o bom humor de Glutar, depois da conversa que tiveram ontem.

—Ah tudo bem meu amor, eu entendo... Lembro que você tinha comentado comigo, que havia aceitado um expediente extra, para cobrir os gastos aqui de casa-Disse Glutar, puxando Kirka com sua mão, para que se sente ao lado dele no sofá.

—Você está esquisito... Parece até que esqueceu do fato, de ter me expulsado ontem à noite-Declarou Kirka, que já estava sentada próxima a ele no sofá, ainda tentando entender as reações contentes de Glutar.

—Amor eu não te expulsei daqui... Eu nunca faria isso. Depois de tudo que você fez por essa casa, durante o comprimento da minha pena, reduzida por bons comportamentos naquele inferno. Acha mesmo que eu te expulsaria da sua casa? Eu pedi pra que você apenas passasse um tempo fora, me dando chance, de conseguir consertar tudo... Pra que você voltasse depois, tranquilamente. Entende? -Disse Glutar, pegando nas duas mãos de Kirka, e olhando ela nos olhos, pra passar sinceridade em suas justificativas.

—Certo, beleza entendi, mas o que aconteceria depois que voltasse? Provavelmente eu teria que lhe dar com a morte do meu namorado, sendo que tenho oportunidade ajudá-lo... Mas ele é teimoso o suficiente para achar, que pode sempre dar conta de todos os problemas sozinho! -Declarou Kirka, ainda não convencida dos argumentos de seu namorado, mas que não recuou dos olhares.

—Eu sei que não posso enfrentar o mundo, pra defender quem eu amo... Mas sempre farei o possível, pra isso! -Disse Glutar, esboçando um sorriso debochado, enquanto piscava seus olhos disparadamente.

Glutar sempre conseguia contornar todas as situações, que frustravam sua namorada, com seu jeito zombeteiro de ser. Foi assim que Kirka, acabou se rendendo de volta a ele, ao lhe dar um beijo ainda mais completo, que o da última vez. Porém o momento de felicidade e reconciliação, durou só alguns minutos, pois Glutar ainda tinha algo mais a dizer sobre seu contentamento repentino.

—Amor olha só, eu tenho outra coisa pra te contar também. Uma coisa que eu pensei bastante e depois de analisar todas as possibilidades... Fiz uma coisa, que pode não dar cem por cento certo, mas já me faz ter esperanças-Disse Glutar, com receio na pronúncia, após o momento de reconserto entre eles.

—Ai Jesus! O que houve dessa vez Glutar? -Perguntou Kirka, que subitamente desfez sua expressão de alegria.

—Calma por favor! Não fiz nada de errado desta vez... A única que coisa que fiz, foi pra garantir nosso futuro-Declarou Glutar, com seu jeito despreocupado, e cômico em sua fala.

—O que você fez, pra garantir nosso futuro? Pediu dinheiro emprestado a um bandido, foi isso? -Questionou Kirka, que demonstrava apreensão.

—Não, claro que não sua doida. (Risos) Fiz minha inscrição, para a trigésima edição do torneio da chama! Uhu! -Respondeu Glutar, de uma forma confiante a alegre.

Por alguns segundo Kirka se calou, colocando a palma de sua mão, em sua testa, atormentada pela atitude mal calculável de seu namorado. Enquanto Glutar, fazia uma coreografia cômica com suas mãos, esperando que Kirka, pudesse ter a mesma reação, porém ela ainda estava de cabeça abaixada, com a mão em sua testa.

—Não fez isso? Por favor, me diga que não fez isso! -Disse Kirka, que olhou para Glutar, incrédula sobre o que ouviu.

—Sim meu amor eu fiz, mas não estou pensando em ser selecionado, é claro que não... Até porque, quais as chances que eu tenho de ser escolhido, entre milhões de pessoas que se candidataram?

—Então por que se inscreveu, Glutar?

—Porque de repente aquilo me deu esperança, de continuar correndo atrás do que eu quero! Dos meus objetivos! Como seu tivesse recebido um gatilho de conquista. Entendeu? -Declarou Glutar, que se novamente pegou nas mãos de Kirka.

—Olha sinceramente, ainda tento decifrar você sabia? Se você for recrutado pra isso, por um acaso vai desistir?

—Sinceramente não... Mas isso não tem a menor chance de acontecer, pode acreditar! Aquilo foi um sinal pra mim meu amor, eu ainda não sei explicar detalhadamente por que, mas foi. Dessa vez, peço que confie em mim, pode ser?

—Vou confiar em você então, como sempre fiz... Porém o senhor vai me prometer, que se for selecionado, irá desistir! Ok? -Perguntou Kirka, que enquanto aguardava a resposta, Glutar esboçou convicção em seu rosto.

—Infelizmente não posso te prometer isso. Só o que te prometo agora... É a partir de amanhã, voltar procurar um emprego, pra te manter sempre ao meu lado.

—Você é um grande panaca, sabia?

—E você se amarra né? Eu sei disso!

Em casa Linda Kungan, estava plenamente extasiada pelo seu retorno, pós recuperação do hospital, onde estava sob tratamento e cuidados, devido sua doença respiratória. Porém sua volta ainda, tinha algumas pendências a serem esclarecidas, principalmente depois da notícia que recebeu. Algumas horas antes de ter ganhado alta, depois de seu tratamento, Kate Higgins havia feito uma confissão, sobre uma decisão que tomou, para tentar arranjar uma forma acessível, de tentar suprir todos os gastos que ela teria futuramente. Principalmente depois do empréstimo em dinheiro, que recebeu caridosamente de um dos agentes misteriosos, do homem que tinha uma leve obsessão por ela. Kate se comprometeu em pagar todo o valor doado, o mais depressa possível, na intenção de ajudar Linda, a se recuperar rapidamente.

No final da tarde de sexta-feira, Kate e Linda, tinham acabado de terminar sua refeição, que havia sido entregue e elas, por meio de um pedido de aplicativo, efetuado por Kate. As duas ainda na cozinha de casa, Linda parecia tentar mascarar seu incomodo, sobre a notícia que havia recebido. Kate era extremamente cautelosa e bem observadora, nada costumava fugir de seus olhos perspicazes, mas ela agia naturalmente, a fim de não voltar a tocar no assunto sobre sua inscrição, para evitar frustrações para Linda.

—Estou muito contente de te ver bem e de volta em casa-Declarou Kate, enquanto higienizava a mesa, com um pano e um produto de limpeza, visivelmente natural.

—Também me sinto afortunada, de estar em casa. Mas tudo isso Graças a você mocinha-Disse Linda, ainda aparentando estar desconfortável, em tentar resguardar o assunto sobre o torneio.

—Já disse dezenas de vezes, que a senhora não precisa me agradecer... Eu faria muito mais, pela senhora-Disse Kate, que parou seus afazeres, dando a volta pela mesa, para aplicar um beijo na testa de Linda.

—Deus sabe minha gratidão, por tudo o que você tem feito por mim... E vale deixar claro, que eu também faria muito mais do que está ao meu alcance por você filha. Mas eu tenho uma dúvida...

—Então diga-Disse Kate, que retornou a organizar a cozinha, já suspeitando de qual seria a dúvida de Linda.

—Fez sua inscrição no torneio... Para tentar quitar a sua dívida feita, por conta do gasto dos meus remédios? Por favor, seja franca comigo, sobre essa sua ideia-Perguntou Linda, que finalmente teve a coragem de botar pra fora, seu incomodo.

—Na verdade esse foi apenas uns dos propósitos, que me induziram a formalizar minha inscrição. Ao chegar em casa, também preenchi umas informações extras, pra comprovar minha renda-Disse Kate, que não interrompia suas atividades, durante sua fala.

—Kate por favor! Não acha que está sendo premeditada? -Questionou Linda, insatisfeita com a resposta de Kate.

—Foi a ideia mais favorável que eu tive, perante as condições atuais. Mas eu tenho muito mais problemas, a serem resolvidos-Respondeu Kate, durante a lavagem dos pratos que usaram.

—Eu não concordo com essa sua decisão! Não estamos com tantos problemas assim...

—Não podemos viver só da sua aposentadoria. O delivery que faço está com a demanda fraca, não tenho grana o suficiente pra dar conta, de seus medicamentos.

—Eu entendo, juntas vamos dar um jeito nisso! Sei que você está em perfeita capacidade, de solucionar todo esse episódio financeiro, em nossa vida! Mas não quero que você vá pra esse torneio! -Disse Linda, que estava com seus receios elevados.

—Quanto a essa questão... A senhora não precisa se acanhar, porque é praticamente impossível, que eu seja selecionada, para entrar no torneio. As chances que eu tenho, de fazer parte dessa edição, é quase que nula-Disse Kate, ainda focada em terminar sua tarefa.

—Então por qual razão, formalizou a inscrição? -Questionou Linda, dando um leve aumento no tom de sua voz.

—Calma... A senhora acabou de se recuperar, não acho que essa é uma ocasião favorável, pra se discutir sobre esse assunto!

—Eu estou perfeitamente bem. Quanto a isso fique tranquila. Mas ainda não respondeu, minha pergunta

—Não vou negar que enxerguei uma possibilidade rentável, de resolver meus problemas agora. Mas eu vou continuar fazendo minhas entregas, por aplicativo... E iniciarei uma busca precisa, por um emprego fixo-Respondeu Kate, que já estava enxaguando a louça.

—Eu sei disso. Mas tenho uma outra dúvida... Se porventura, você for convocada? -Perguntou Linda, ainda rente à mesa, receosa sobre a resposta.

—Se porventura, eu for selecionada... Pode botar fé, que eu ganharei essa parada, nos deixando ricas! Que tal? -Debochou Kate, com seu jeito retraído, mas dava pra sentir a ironia.

—Você não irá participar! Se por um engano do destino, isso acontecer... -Disse Linda, que foi interrompida por Kate, durante sua fala.

—Engano do destino? A senhora acredita mesmo, que o destino possa se enganar? Pois pra mim, aquilo foi uma mensagem do destino! -Declarou Kate, que caminhou até Linda, se agachando de frente pra ela.

—Eu sei disso... Só que eu tenho medo por você Kate.

—Não precisa sentir medo por mim. Sinta esperança! Porque eu obtive, ali do seu lado, no leito do hospital.

A pequena Corina Barkhan, estava expressivamente determinada em fazer tudo o que fosse possível, para tentar introduzir sua mãe, nas seleções pro torneio da chama. Na mesma tarde de sexta, no dia em que o anúncio do torneio, foi reproduzido no intervalo do filme, na televisão. Corina preenchia suas ideias, com sobre como poderia convencer sua mãe, de formalizar sua inscrição on-line. Enquanto Rosalyn Barkhan, estava ausente de casa, por ter ido ao supermercado, acompanhada de sua filha mais nova, Lire Barkhan.

Corina apreciava seu delicioso suco de laranja, sentada sob a cadeira, de frente pra mesa da cozinha, enquanto idealizava inúmeras possibilidades. Assim como sua mãe, Corina tinha costume de ser insistente em suas ideias, e planejamentos. Porém Rosalyn, como eu já havia mencionado antes, era tão insistente em suas decisões, quanto a pequena, e isso era o maior obstáculo para Corina, de convencê-la a participar das seleções. Corina estava completamente distraída em seus pensamentos, quando de repente a pequena se assusta, com o som do toque da campainha novamente. Após o breve susto, Corina deixa seu copo sobre a bancada, e logo se levanta para ir até a porta, antes que o som da campainha se repita. Novamente era sua tia Evelyn na porta, que havia retornada no mesmo dia, em que Corina teve que mentir sobre o paradeiro de sua mãe. Mesmo que seu retorno e insistência em ver Rosalyn, tenha sido surpreendente para a pequena, Corina enxerga aquilo como uma grande oportunidade.

—Tia Evelyn! Entra rápido antes, que minha mãe volte! -Disse Corina, esbaforida e contente, puxando sua tia pelo braço, para dentro de casa.

Evelyn sem entender o que estava se passando por ali, se rendeu a pequena, levando um breve susto com o som da batida da porta, que Corina fechou, após a ter colocado pra dentro.

—Mas o que houve princesa? Aconteceu alguma coisa? -Perguntou Evelyn, ainda perdida, no centro da sala.

—Aconteceu sim! Minha mãe, está prestes a cometer um erro gravíssimo... E somente a senhora, pode me ajudar nisso! -Disse Corina, ainda empolgada com a reaparição de sua tia, que logo em seguida, ordenou que ela se sentasse no sofá.

—Meu Deus! Com certeza irei ajudar! O que aconteceu? -Disse Evelyn, já sentada no sofá, enquanto Corina havia a deixado lá, indo na busca de um copo de água, na cozinha, para oferecê-la.

—Sabe tia... Não aconteceu nada sério, mas minha mãe precisa da sua ajuda agora, e se a senhora está a fim de provar seu arrependimento... A hora é essa tia! -Disse Corina, com uma intensa empolgação, em suas frases ditas.

Evelyn ficou admirada com as palavras de sua sobrinha, sobre questões que ela não sabia, que era de conhecimento da pequena. Mas também ficou impressionada, com a forma em que Corina havia expressado seus argumentos.

—O que mais desejo nesse mundo... É ter oportunidade, de simplesmente conversar com ela, sobre tudo! Mas sinto que isso é quase, impossível-Disse Evelyn, que se entristeceu durante seus desabafos.

—Se você me ajudar... Prometo que te ajudo, a se reaproximar da mamãe-Disse Corina, com seu jeito espontâneo, que despertou o interesse d sua tia, sobre sua proposta.

—Tô dentro! -Respondeu Evelyn, que estendeu sua mãe, na intenção de selar o acordo entre elas.

Evelyn não perguntou sobre quais eram os planos de Corina, para ajudar Rosalyn, mas a empolgação de idealizar uma reconciliação entre sua irmã, era maior do que seus questionamentos. Com calma a pequena Corina, explicava seu plano imediato, que disparou em sua mente, a partir do momento em que soube da presença de sua tia. Para efetuar a inscrição nas seleções do torneio, o candidato precisa ser maior de idade, para preencher todas as exigências formais, e informações sobre documentação. E algumas outras formalidades, que Corina não tinha conhecimento e capacidade demasiada em entender, pra concluir todo o requerimento, no site oficial do torneio. Foi daí então, que Corina pediu o auxílio de sua tia, durante suas explicações, sobre o porquê ela deveria ajudá-la, na inscrição de Rosalyn sem o consentimento de sua mãe. Evelyn começou a perguntar sobre o porquê deveria ajudar Corina, a concluir sua ideia, mas a pequena era ligeira e astuta, em seus argumentos convincentes. Corina entregou a sua tia, os documentos necessários de sua mãe, para preencher os dados da inscrição, que ela havia pegado no quarto de Rosalyn. Com um notebook entres seus braços. Acanhada sobre o que estava prestes a fazer, Evelyn pensou alguns segundos sobre a inusitada ideia construída de sobrinha, mas essa sensação logo se foi evaporando, ao notar a determinação de Corina, em dar andamento aos procedimentos de inscrição. Evelyn tomou coragem, apanhou o notebook, respirou fundo e junto de Corina, aos poucos concluía a inscrição secreta de Rosalyn. Durante a leitura das regras da inscrição, Evelyn notou alguns outros fatores importantes a serem enviados, e ao dizer para Corina. Logo partiram juntas pelo quarto de Rosalyn, buscando outros documentos importantes, e fotos que Corina, sabia onde encontrar.

Ao retornar do mercado, carregando a porção de sacolas, dívidas com sua filha Lire. Rosalyn entrou em casa, com seu faro apurado pra situações suspeitas, enquanto Lire carregava suas sacolas até a cozinha.

—Oi mãe! A senhora já voltou, que rápido né? -Disse Corina, de um jeito dissimulado, para que Rosalyn não presumisse, a entrada de sua tia em casa.

—Oi... Tá tudo bem por aqui? -Questionou Rosalyn, desconfiada, enquanto lentamente caminhava seu olhar investigativo sobre os cantos da sala.

—Mas é claro mãe! Por que a senhora perguntou isso? O que poderia ter acontecido, comigo sozinha aqui?

—Não sei... To te achando meio estranha. Meio contente por excesso-Declarou Rosalyn, ainda cismada, que finalizou suas análises, olhando para Corina.

—Eu só estou feliz em ver, que vocês estão de volta... E que a partir de hoje, tudo vai ser diferente!

Na manhã de sexta, Itam Mehmet ainda permanecia deitado em sua cama, com as vestes de fuga em seu corpo, que ele usaria para ir embora do estado onde cresceu. Refletindo sobre ocasiões futuras, que poderiam vir a se concretizar, após possivelmente ser convocado para o torneio da chama. Itam estava esperançoso e quase cem por cento confiante de sua seleção, após ter concluído a inscrição, feita pelo celular, na madrugada que tentou ir embora. Muitas possibilidades começaram a brotar, nos pensamentos férteis de Itam. Mas ele enxergou aquele anúncio na televisão, e naquele momento, como um sinal divino de seu Deus “Allah” Sinal esse que surgiu como, como uma probabilidade de reconstruir tudo que havia sido devastado, depois do episódio mais traumático em sua vida. Por esse motivo, qualquer luz que surgisse em suas ideias, tornava Itam, um homem de fortes expectativas, para o futuro. Ele estava animado, mas parcialmente afligido, sobre a atitude de sua desistência, de ir pra Istambul, caçar uma oportunidade boa, de se estabilizar em um bom emprego, pela capital. Logo surgi o som de batidas na porta de seu quarto, que estava trancada, enquanto Itam mergulhava em seus pensamentos.

Itam escuta o som da voz de Voyla, que havia anunciado sobre o café da manhã já servido na mesa. Exalando empolgação, Itam rapidamente se levanta da cama, abrindo a porta dando de cara com sua irmã. Voyla recebe um breve susto, pois não esperava pela rápida reação de Itam, abrindo a porta, com um sorriso bobo colado em seu rosto.

—Uau, bom dia! Geralmente você só abre a porta, depois inúmeras sequencias de batidas na porta. Também tenho que admitir, que é meio estranho te ver já vestido, a essa hora da manhã! -Disse Voyla, ainda se recuperando da reação inesperada.

—É eu sei o quanto você é insistente e regularmente irritante as vezes... Mas hoje estou de bom humor! E... Quero compartilhar essa alegria, com todo mundo! Já está todo mundo na cozinha? -Perguntou Itam, intensamente animado.

—Todo mundo não... Mas eu e a mamãe, já estamos sim, por que Itam?

—Tenho um comunicado! Por isso... Quero todos reunidos na mesa do café da manhã hoje, incluindo o papai! Por tanto vá chamá-lo! -Disse Itam, que logo após, partiu apressado pra cozinha.

Voyla estava confusa sobre o pedido de seu irmão, e sua felicidade repentina de um dia pra outro, mas sem questionar, decidiu ir convencer seu pai a se levantar da cama, para ouvir a o que seu irmão tinha a contar pra família. Mesmo ainda parcialmente incomodada, Voyla toma coragem de falar com seu pai, depois dos acontecimentos e do debate em que envolvia os dois, da noite anterior.

Na cozinha, todos os Mehmet, já estavam sentados e pacientemente aguardando quais era a notícias que Itam, tinha a declarar para todos. Enquanto Itam, ainda estava de pé de frente pra mesa onde Amnut, Voyla e Gulia, já estavam sentados em seus respectivos lugares, mas ninguém ainda se quer tocou na refeição servida pro café da manhã. Porque todos estavam com a ansiedade expressiva, para ouvir qual era a grande novidade a ser dita.

—Muito bem! Eu pedi pra que todos se reunissem aqui nesse momento importante pra mim... Por uma razão bem trivial! -Declarou Itam, que aparentemente estava bem confiante e com uma boa postura, diante de sua família.

—O que seria tão trivial? -Perguntou Amnut, de um jeito seco nas palavras, como se não se importasse em ouvir.

—Antes de ironizar pai... Peço que tente entender minha expectativa, pois hoje de madrugada quando tentei... -Respondeu Itam, que deu uma pausa em sua resposta, para não completar sua fala involuntária.

—Quando tentou? O que Itam? -Perguntou Voyla, que havia despertado uma pequena desconfiança.

—Quando tentei... Ir contemplar o nascer do sol! Mas essa informação é irrelevante... O que eu tenho mesmo a dizer! É que na hora em que acordei nesta madrugada. Sem querer, recebi um sinal direto de Allah! -Disse Itam, entusiasmado sobre a possível reação de seus parentes.

—Um sinal de Allah? Como assim meu filho? -Perguntou Gulia, que cruzou uma mão sobre a outra, na altura de seu queixo, como se estivesse preste a glorificar seu Deus.

—Sim mãe! E graças a Allah... Me candidatei na recente edição, do torneio da chama! (Palmas) -Respondeu Itam, que em seguida, bateu algumas palmas de comemoração.

Porém Amnut e sua mãe Gulia, não expressavam a mesma felicidade que ele, naquele momento. Somente Voyla formou um sorriso de orgulho, prestigiando seu irmão pela notícia dada.

—Espero que todos me entendam, e se possível compartilhem da minha alegria. Mas é definitivo! Já está feito, e se por sorte eu for convocado... Não vou hesitar em participar! -Disse Itam, que notou o desgosto no rosto de seu pai, e o desassossego no rosto de sua mãe.

—Sorte? Você acha mesmo que foi abençoado por Allah, tomando mais uma atitude imatura? Allah, não compactua com atitudes precipitadas e mal calculadas, do ser humano! -Disse Amnut, quando se pôs de pé, pretendendo voltar para seu quarto.

—No meu coração, eu sinto que ele compactuou sim pai! E nada vai me fazer mudar de ideia! Já está completo, estou na lista de espera!

—Eu parei de ouvir meu coração, a muito tempo! Hoje em dia, eu só ouço as decepções da vida! -Declarou Amnut, que logo depois se retirou da cozinha, retornando ao seu quarto.

Gulia e Voyla, decidem juntas entregar um abraço coletivo em Itam, que ainda estava se sentindo motivado, sem ter deixado que o diálogo seu pai, quebrasse seu momento.

—Eu sabia que vocês iam entender! -Disse Itam, abraçado com sua mãe, e irmã.

—Não vou mentir meu filho... Estou muito preocupada, mas acredito em seu coração também-Declarou Gulia, que olhou nos olhos de seu filho, durante sua fala.

—Eu sei disso mãe. É por isso, que só vem coisa boa por aí!

Hectelia Lambert, era a organizadora chefe, responsável pelo planejamento, idealização para incrementar desafios de todo conteúdo interno, da tecnologia usada, durante a interação dos participantes do torneio da chama. Durante dez anos, Hectelia assumiu a posse do evento, com indicação do presidente do torneio, e por esses anos, sempre se esforçou em manter sua reputação de regente aniquiladora. Pois durante seu controle, sobre as edições do torneio, nunca havia permitido que uma elite de jogadores participantes, retornasse pra casa, com alma de vitorioso. Todos os telespectadores, tinham conhecimento dessa estampa que ela costumava exibir pra todos, e por todo esse período de governo, ela agia como uma verdadeira tirana, incompreensiva.

Com cinquenta e dois anos de idade, Hectelia era residente da cidade de Los Angeles, e passou em uma morar na instalação residencial, fornecida pelo presidente do torneio, até o fim de seu cargo de organizadora chefe. A residência era muito bem localizada, em uma região afastada da metrópole, porém era uma bela casa, integrada com moveis e utensílios do mais alto nível, para o conforto do residente durante sua estadia. Hectelia tinha a inteira confiança do presidente do torneio, por possuir uma amizade de longa data com ele. Isso fazia com que ela sentisse obrigação, de manter a imagem do torneio, de que ninguém tem chance de sair vitorioso, durante seu poder sobre o torneio. De uma certa forma, aquilo era bom para o presidente do evento, pois a recompensa final, saia de seu bolso com a ajuda de alguns patrocinadores, mas o valor mais extenso, era de sua responsabilidade a ser remunerado. E por enquanto, Hectelia estava operando um ótimo trabalho, desde que tomou o controle sobre a organização, deixando sua marca bem definida.

A trinta anos atrás a partir das datas atuais, do mês de março de dois mil e dezoito, o mundialmente conhecido, torneio da chama. Havia sido fundado, por um milionário bem-sucedido, chamado Cornélios Claus. Hoje ainda o atual presidente e fundador do torneio. Sua ideia foi de tentar criar um programa interativo, na intenção de obter audiência e ainda mais lucros, sobre seu conteúdo. Sua intenção era desafiar as necessidades humanas, para que todos pudessem assistir, até onde as pessoas aguentariam chegar, para mudarem suas vidas, com a gana sobre o dinheiro e poder. Seu investimento foi exponencial, pois na época a tecnologia que foi usada durante todos os anos de exposição do evento, era da mais precisa, sofisticada e incrivelmente a frente do tempo. Tecnologia essa, conhecida como “Realidade virtual” que conduzia os participantes, a enfrentarem os desafios do torneio, idealizados pelo organizador chefe, impedindo que eles interagissem de forma física e sim de forma mental. Mas sem deixar de abandonar seu corpo, suas características físicas, durante sua navegação mental, e o transe vegetativo, em que o processo expunha os integrantes, dentro de uma câmara hibernação. Ao invés de assumir um papel de um possível personagem, os participantes assumiam a própria forma, entretanto vestidos com um uniforme especial do evento, criado pelo organizador, que era incluído no serviço de tecnologia que invadia a mente dos integrantes, criando um mundo totalmente virtual, mas plenamente realista. Como se não soubessem que faziam parte de um jogo, pra entregar entretenimento aos telespectadores, e fãs que acompanhavam o evento, torcendo de casa para os jogadores do torneio.

Tudo era reproduzido ao vivo nas televisões, das casas de todos os países do mundo. Da mesma forma que a equipe de tecnologia responsável pelos procedimentos de criação, tinham acesso para assistir toda a sua montagem de ilusória, na mente dos participantes. Os telespectadores, também obtinham o privilégio de assistir de casa, tudo que se passava na cabeça de cada jogador, durante o transe ilusório. O programa se tornou um verdadeiro fenômeno mundial, com um número imprescindível de audiência, e com o decorrer dos anos, toda a programação passou para as plataformas tecnologias on-line atuais. Podendo ser exibida em smartphones, notebooks, streamings associados ao evento e sem deixar de lado, o site oficial. Foi o que alavancou ainda mais, o sucesso absurdo intitulado de troneio de chama.

As regras eram perfeitamente claras, para todos os candidatos do torneio. Somente quatro participantes, poderiam ser selecionados e convocados a se integrar no jogo, formando uma equipe em todas as etapas do torneio. Cada um dos quatro selecionados, não poderiam ser naturais do mesmo país, residir e nem possuir o mesmo parentesco. No entanto, um dos requisitos mais exigidos, era que todos os integrantes da equipe fossem fluentes em inglês, pois em todas as edições, era de lei ser selecionado um cidadão estadunidense. Esse motivo ganhou força, porque a sede principal do torneio, era situada na capital de Los Angeles na Califórnia, onde Hectelia Lambert, comandava todo o controle sobre o evento. As seleções dos candidatos, passavam por um rígido processo de análise, pelos analistas de condicionamento, sobre os aspectos, características, situação financeira e histórico de vida. Obviamente os queridinhos para a seleção, eras os mais desprovidos de dinheiro, por não conseguirem se estabilizar em uma renda fixa. Tudo era muito bem estudado, pois qualquer pessoa ao redor do mundo, poderia concluir sua candidatura, desde que tomasse ciência sobre o fator principal, que só um por país seriam selecionados, formando um quarteto para constituir uma elite. Além dos requisitos restantes, que exigiam que cada participante, tivesse as habilidades necessárias, para enfrentar as condições que as fases do torneio, os expunham a concluir. Cada jogador, teria que possuir, as condições seguintes:

Agilidade: Sem perder o fôlego facilmente, com disposição elevada, pois mesmo sob condicionamento mental, cada um deles ainda teriam acesso aos lobos responsáveis pelas percepções das nossas sensações físicas e emocionais.

Força física: Sendo homem ou mulher. Cada um teria que ter um estímulo físico, de enfrentar situações determinadas, que exigiriam força ou necessidade de um confronto corporal.

Inteligência: Com capacidade calculista de desvendar situações planejadas para confundi-los, ou definir uma enrascada. Não sendo necessariamente um gênio, mas era mais imprescindível ter uma boa percepção, para saber responder pistas e outras ocasiões colocadas a eles.

Desvalido: Os candidatos são obrigados a comprovar invalidez financeira, pois o intuito do torneio, era tentar proporcionar uma recompensa em dinheiro, aos necessitados que não tinham dificuldade ou impossibilidade de ser efetivado em um contrato empregatício. Pois o objetivo do presidente Cornélios, era observar até onde as pessoas aguentam chegar, para se tornar um futuro milionário.

Essas eram uma das exigências, na cláusula definida do contrato de candidatura do torneio, que estavam presentes durante o esclarecimento, no site oficial. E sob nenhuma circunstância poderiam ser ignoradas, sendo assim desmentindo rumores que surgiram em uma certa época, que qualquer um poderia se inscrever ou ser escolhido. Um dos requisitos que não pode ser descartado, é a divisão de sexualidade. Dois homens e duas mulheres, seriam selecionados, para estabelecer a equipe completa.

O torneio era repartido em quatro fases anuais, cada ano com uma nova fase desafiadora, mas com os mesmos competidores integrados e convocados no início da edição, até que todos tenham finalizado cada uma delas juntos. Após quatro anos concluídos, a organização do evento fazia um recesso com o período de um ano de intervalo, até que as seleções para a próxima edição, seja anunciada. Se por uma infeliz ocasião, a elite viesse a ser desclassificada, durante qualquer uma das fases executadas, a edição seria finalizada e com contagem de data até a próxima entrar. Independente do ano que foi cancelada, durante o cancelamento, a edição posterior só aconteceria durante a conclusão de tempo necessária, que finalizasse os quatros anos da edição. Mais especificamente, como se nenhum imprevisto houvesse acontecido. Dando um período mais longo de recesso para os organizadores e a equipe tecnológica do evento, e o fator principal, que seria a reclusão do prêmio em dinheiro, que seria entregue ao quarteto, após a conclusão. Porém cada fase anual concluída pelos integrantes, lhe concederam o direito de descanso remunerado pela organização do evento, até que a próxima fase se inicie. Ou seja, cada um recebia um seguro mensal financeiro no valor de três mil, convertido na moeda do país onde reside, mas com direito a desistência caso qualquer escolha optar por isso. Porém se qualquer um dos membros da elite, escolher por desistência, todos os outros seriam automaticamente desclassificados, pois um dos principais objetivos do torneio, é reforçar o trabalho em equipe, mas com a equipe completa sem falta de integrante. Sendo assim, se um necessitasse muito da fortuna entregue no final da edição, perderia todo o caminho concluído, por conta da desistência de outro. De uma certa forma, essa regra, tornava a equipe ainda mais unida, disposta a se acorrer, uns pelos outros. A faixa etária exigida, se constituía em uma seleção de pessoas com dezoito a quarenta e cinco anos de idade.

Após terem seu consciente transferido para o mundo virtual, cada um que despertasse na situação conduzida, já comportava em seu corpo o uniforme, vestimenta e acessórios oficiais pretos criados pelo organizador chefe. Um colete, um par de botas pretas de couro tipo de cavalaria, porém mais justas e detalhadas. Calça parcialmente justa ao corpo resistente as condições dos locais, camisa de manga curta camuflada e gola justa e comprida, negra e com alguns acessórios de suporte de armas e objetos, que são acoplados ao uniforme, na região necessária a ser carregado. Além de uma sofisticada braçadeira de couro, no lado esquerdo do braço, que servia pra deixar visível o número de chances de cada jogador, no decorrer dos desafios de cada fase.

No primeiro dia de apresentações formais entre si, já navegando pelo universo virtual em suas mentes. O quarteto de jogadores do torneio, recebiam o direito e dever de estruturar, um nome para ser designado a equipe, que seria intitulado no encaminhar de todas as fases concluídas. Mas a regra sobre essa escolha, é que o nome teria que ser posterior ao título, que já receberiam ao entrar como “Elite ___” O restante ficaria a critério dos membros da equipe. O quarteto anterior, ao tentar buscar pelo titula de campeões, era conhecida mundialmente como “A elite Alpha” Porém infelizmente foram desclassificados no terceiro ano de conclusão.

O prêmio final em dinheiro no valor de dezesseis milhões de dólares, era divido em um quarto, para cada um dos competidores que formavam o quarteto da elite. Um valor exorbitante, para simplesmente ser entregue aos vencedores, por esse motivo o organizador chefe, recebia a missão de não tornar tudo facilmente concluído, em todos os quesitos das missões do torneio. E Hectelia, já tinha conhecimento sobre esse detalhe indispensável, por isso assumiu a fama de tirana incompreensível, se empenhando em evitar que esse prejuízo para o presidente, seja efetuado.

Com seus dez anos sob o domínio das edições, Hectelia era uma mulher fria, gananciosa sobre seus objetivos, e narcisista a um elevado nível. Porém não era de costume, exalar todos essas características, era meticulosa em evitar que as pessoas reparassem seus defeitos. Tinha um jeito calmo e leve de se expressar, passando uma imagem de pessoa serena, até nos seus trejeitos. Era extremamente raro um aumento elevado no tom de sua voz, durante seus diálogos, serenamente tranquila, mas sempre se mostrando no domínio de tudo ao seu redor, sem perder a classe. Sempre mantendo sua postura de alto controle, não era de costume Hectelia se exaltar ou demonstrar fraqueza, pois pra ela era de lei se definir sempre como um ser abrangente.

A trigésima edição do torneio, já havia sido anunciada para o mundo, no dia dez de março de dois mil e dezoito, para que todos os possíveis candidatos se preparam. Em todo início de edição, o primeiro de desafio do torneio, começava na data do dia vinte e um do mês de março, proporcionando tempo, para que todos se empenhassem em praticar e estudar sobre as elaborações e estratégias a serem implantadas em jogo. O prazo de inscrição, era de quarenta e oito horas, após os anúncios divulgados em todas as redes, plataformas digitais e propagandas de televisão. Após esse prazo, todo o processo de inscrição era suspenso automaticamente pelo sistema inteligente, no site do torneio, com mais um prazo instituído, de três dias, para as seleções e a divulgação em pronunciamento ao vivo, dos candidatos. Por tanto, todos já estavam cientes da divulgação do torneio, na sexta feira em que, Glutar Zigler, Katelyn Higgins, Rosalyn Barkhan e Itam Mehmet. Ganharam conhecimento da abertura das inscrições, e três deles já efetuaram suas inscrições imediatas no mesmo dia, menos Rosalyn, que sem ter conhecimento, foi escrita por sua filha.

As quarenta e oito horas, já haviam se passado após o dia da divulgação, da nova edição do troneio, e em sua luxuosa residência fornecida pelo presidente do evento, Hectelia já se adiantou ao ter convocado uma reunião interna e presencial, entre os principais integrantes da equipe de tecnologia do torneio. E entre eles estava o diretor de seleção que se chamava Ánton Furleau, o homem responsável por analisar as descrições de todos os candidatos, e apresentar seus selecionados, para a aprovação de Hectelia. O único que não estava ausente na reunião, era Cornélios o presidente do evento, mas ele não sentia necessidade em comparecer, por não ter tanto envolvimento no andamento das fases, vale lembrar sobre sua total confiança na autonomia íntegra de Hectelia, sobre todas as decisões e decisões sobre todo o evento.

Em uma tarde calma, todos os convocados já estavam reunidos em uma grande mesa circular, no centro do magnifico salão de visitas, da residência. Cada um servido por uma bela taça de vinho, e degustando uma porção de petiscos, caros e refinados.

—Boa tarde a todos, aqui presente hoje! -Disse Hectelia, mas com sua previsível serenidade em sua fala, a fim de chamar a atenção de todos para ela na mesa.

Com a chamada, todos se aquietarão rapidamente, para direcionarem seu foco no assunto pendente da reunião.

—Como todos aqui, já devem saber... Essa é nossa reunião de planejamento seletivo, que convoquei para moldarmos ideias, sobre a trigésima edição do torneio da chama. E já gostaria de adiantá-los, que irei incrementar ideia novas, que elaborei durante esses trezentos e sessenta e cinco dias de recesso-Disse Hectelia, plena e calma durante sua fala.

—Bom, isso não seria bem uma novidade para nós-Declarou Ánton, do outro lado da extensa mesa, enquanto saboreava seus petiscos de frutos do mar.

—Verdade. Só que essa ideia, será meio que uma mudança de roteiro, no nosso cotidiano. E isso era se referir diretamente a sua pessoa, Ánton-Disse Hectelia, que naquele instante faz com que todos presente, olhassem para Ánton.

—De qual forma isso irá se referir a minha pessoa? -Questionou, Ánton, confuso sobre a situação.

—Vivemos em um sistema hierárquico, onde cada um aqui tem sua função... Porém sobre minhas visionárias decisões. Por essa gritante razão, nesta edição... Irei interferir imperceptivelmente, na sua função-Respondeu Hectelia, olhando diretamente para Ánton, com seu olhar calmo, porém perigoso.

—Minha função? Em qual sentido? -Perguntou Ánton, ainda embaralhado.

—No sentido avaliativo, sobre todas as inscrições. Sei que depende o auxílio necessário do sistema, para estudar sobre todos os candidatos, em apenas três dias. Minha ideia é juntar-se a você, durante as análises. Irei coletar dois candidatos durante o processo, sem inibi-lo inteiramente de seu dever. Deixando a você, a escolha dos dois últimos candidatos-Respondeu Hectelia, e todos ali, aguardavam a declaração de Ánton, sobre a decisão.

—Isso sim é bem inusitado! Porém quem sou eu, para contestar suas leis-Disse Ánton, formando um falso sorriso de compreensão, para não expressar sua vontade, de agarrar o pescoço dela.

—Ótimo. Como sempre excepcional, Ánton. Para o entendimento de todos aqui... Nesta edição serei responsável pelo estudo, de dois dos futuros integrantes do torneio. Achei que seria uma sucinta forma, de demonstrar um interesse mais intensivo, no processo seletivo, em nossos futuros integrantes. Evitando posteriores aborrecimentos. Não estou julgando seus métodos, Ánton... Só estou querendo transparecer minha eficiência-Declarou Hectelia, com seu jeito imponderado, porém neutro, em mostrar seu domínio.

Ánton não havia concordado com a ideia de Hectelia, mas ele sempre queria demonstrar empatia por ela, para evitar desentendimentos inadequados, pois na maioria das ocasiões, seu desejo era provocar um proposital acidente a sua superior. Sua vontade nunca se modificou com seus dez anos trabalhados ao lado de Hectelia. Pois na grade da hierarquia da organização do evento, seu cargo era antecessor ao dela, que estava no topo. Esse era motivo, pelo qual ele se motivava em tentar forçar simpatia e aliança.

Com todo esquema da reunião já resolvido, os três dias de estudos e análises sobre as descrições de cada candidato, enquadrado nos requisitos necessários, para a seleção, já aviam se passado. Por tanto, já estamos no dia quinze de março de dois mil e dezoito, enquanto as famílias do mundo inteiro se reuniam em suas casas, trabalhadores separavam uns minutos de pausa e jovens pausavam seus estudos. Para acompanhar o pronunciamento oficial e ao vivo, em todas as plataformas digitais, de Hectelia Lambert. O discurso era filmado e transmitido, em todas as emissoras mundiais, que acontecia em uma arena de apresentações em Los Angeles, decorada com arvores, plantas e pequenos lagos, recheados de carpas. O local exato onde Hectelia se pronunciava, tinha acesso a escadas cinzas e toda uma estrutura sólida, também acinzentada. Palco de onde também ocorria, a sagrada cerimônia da taça, que servia para celebrar os campões do torneio, e entregar a tão consagrada taça das cinzas. Tudo perfeitamente decorado e organizado, com a presença de alguns homens em cima de uma plataforma de concreto também cinza que fazia parte de toda estrutura do local do pronunciamento. Esses homens ficavam sem camisa, com uma espécie focinheira jeans preta decorada, em suas bocas. Tambores grandes sobrepostos em um suporte de gesso, no alcance de suas mãos, para que juntos e sincronizadas, soassem o som “A orquestra do fogo ardente” Um som que era reproduzido, conforme as subidas de Hectelia, pelas escadas de acesso, a área exata de seu pronunciamento. Tudo perfeitamente planejado, para entregar o mais distinto entretenimento.

Após chegar no local, ficando de frente para o altar de apresentação, com um microfone acoplado, para amplificar sua voz. Hectelia observa os holofotes e algumas dúzias de câmeras automáticas, correndo pelos pequenos trilhos elétricos a frente do pequeno altar, em busca de seu foco. Logo um pouco ao seu lado, estavam presentes o time principal de tecnologia do torneio, e Ánton Furleau, que observava Hectelia, com um sorriso falso estampado em seu rosto. Tudo estava pronto, para que ela iniciasse seu discurso, e sua mão, estavam quatro envelopes brancos lacrados, desenhados com detalhes dourados, também com o símbolo do torneio estampado no centro. Símbolo que era definido com duas mãos apenas, incompletos de braços, somente um par de mãos, cruzadas entre sim, como se lutassem para impedir que uma chama solitária se apagasse. Essa é a descrição do símbolo oficial, do torneio da chama. Com os envelopes já em mãos, e o discurso na ponta da língua, Hectelia respirou fundo, para aperfeiçoar sua concentração e foco diante do mundo, ao vivo.

—Olá! Cidadãos do mundo, e de nossa nação! Hoje... Venho me dirigir a vocês! Para anunciar, os escolhidos e futuros integrantes, da trigésima edição... Do torneio da chama! (Aplausos) -Exclamou Hectelia, em alto e bom tom, para que som saísse perfeitamente claro, porém devagar em sua pronúncia.

Logos após sua primeira fala de esclarecimento e apresentação, todos ali em sua companhia, aplaudiram, assim como a equipe terceirizada de organização e manutenção de toda aparelhagem transmissora, ali presente, mas que em hipótese alguma, poderiam ser filmados pelas câmeras. Todos, porém Hectelia, que não desgarrava de seu foco e postura, rente as câmeras.

—Hoje! Subo aqui me dispondo inteiramente... Para prestigiar cada um, dos quatro nomeados e convocados a se juntarem a nós! Nessa caminhada, pelo progresso! E oportunidade! Hoje... Se iniciará uma nova etapa, na vida de cada um deles! (Aplausos) -Disse Hectelia, que voltou a ser aplaudida, após sua fala.

Hectelia sorria e expressava simpatia de frente as câmeras, mas era comum dela esse tipo de reação, na conduta de sempre camuflar seu verdadeiro interior. O discurso deveria ser curto e breve, pois ela não tinha prática pra ditar palavras bonitas, por isso tudo deveria ser rápido, mas simbólico. Cuidadosamente, ela separa os quatro envelopes sob o altar e volta a discursar.

—A partir de agora! Quatro! Dos maiores beneficiados, desta edição! Serão presenteados pela conquista... E pela honra! De se tornarem uma elite! -Declarou Hectelia, abrindo cada um dos envelopes, ao deixar o papel com o nome e pais de origem, de cada um dos selecionados, expostos somente sob sua visão no altar.

Os papeis nomeados estavam um ao lado do outro, na ordem em que ela iria ditá-los ao vivo, para todo o mundo, mas uma origem de país em específico, de um dos selecionados, acabou intrigando-a. Sem desmanchar sua postura, ela olha para diretamente para Ánton, que estava a sua esquerda, porém ele aparenta não entender o olhar. Hectelia havia deixado, dois perfis para serem avaliados e escolhidos, e justamente o que ela se intrigou, foi deixado sobre responsabilidade de Ánton. Sem desperdiçar tempo, ela volta a focar nas câmeras, formando seu sorriso simpático e sua forma vagarosa de discursar.

—Os seguintes candidatos! Foram selecionados! E serão convocados! Para participarem, da trigésima edição... Do torneio de chama! Glutar Zigler! Inglaterra! (Aplausos) Katelyn Higgins! Estados Unidos! (Aplausos) Itam Mehmet! Turquia! (Aplausos) -Declarou Hectelia, que ao dizer sua última palavra na frase, olhou novamente e de forma rápida, para Ánton.

Hectelia volta a encarar as câmeras, causando um certo suspense para ditar o último convocado.

—E por fim... Rosalyn Barkhan! Canadá! (Aplausos) (Batidas de tambor)