A chegada do inferno
3 Perdido
Notas iniciais
Estou continuando essa história após um longo hiato, me desculpem a demora e espero ter seu apoio na continuidade dessa história!
Assim que escuto o veículo parar, respiro fundo e prendo a respiração. Lembro de meu pai mexendo em seu guarda-roupa, onde havia uma caixa com um símbolo estranho talhado. A caixa era metálica e tinha um complexo sistema de fechaduras e travas que abre assim que ele passa seu dedo por um compartimento. Quando ele guarda a caixa de volta e sai do quarto, eu entro escondido lá e abro a porta à procura da caixa. Retiro de dentro do guarda-roupas e passo meu dedo no mesmo compartimento que meu pai tinha passado, mas a caixa permanece intacta. Vejo o símbolo com mais clareza, se tratava de algo semelhante a um "A" maiúsculo, porém com um "V" cruzando com a letra, o que dava a impressão de ser um balão.
— Andando — Ordena um sujeito que não consigo ver devido ao saco preto em minha cabeça. Saio do carro e sinto o sol forte bater em meu rosto pouco antes de tirarem o saco da minha cabeça. Assim que abro os olhos, percebo que há quatro indivíduos ao meu redor, todos com roupas pretas e capacetes com viseiras. Eles preparam suas armas, mirando-as em mim com frieza. Torno a fechar os olhos enquanro ouvia meus batimentos acelerando a cada instante que se esticava.— Acabem logo com isso — Peço nervoso, então escuto centenas de tiros. Quando abro os olhos, as armas dos homens estão jogadas no chão e reparo que suas cápsulas também se encontravam no chão. Eles começam a tirar os uniformes, revelando roupas claras, senão brancas, que lembravam demais enfermeiros, então o mais velho deles se aproxima de mim.— Não se preocupe, estamos aqui para ajuda-lo — Assim que ele encosta em meu pulso, volto a enxergar tudo em câmera lenta, então sinto ele abrindo a algema que me prende, o que me leva a imediatamente girar no chão e meter-lhe uma gravata, prestes a apertar seu pescoço.— Me deixem em paz. Por que querem me matar? O que eu fiz? Que merda é essa de Templários? — O homem que eu segurava mantinha a calma, como se já tivesse passado por aquilo uma centena de vezes.— Se acalme, Derek. Não queremos matar você, não somos Templários, somos inimigos deles.— Isso faz de vocês meus amigos? — Questiono desconfiado ao notar que todos se aproximavam de mim — Nem pensem nis — Sinto um choque por trás, que me impede de mover o corpo, então me forçam a soltar o homem que eu prendia enquanto eu via uma figura familiar retirar seu capacete. Cabelos loiros. Eu lembro de você, então eu desmaio. Assim que desperto, o homem que eu segurava me encara com curiosidade. Tento me levantar, mas haviam algemas e correntes me segurando na cama.— Não se apresse, meu caro. Precisamos tomar cuidado para não acontecer nada com você.— Quem é você? O que quer comigo? Cadê a porra dos seus amigos?— Primeiro de tudo, talvez seja do seu interesse saber quem nós somos. Quem eu sou não importa de verdade.— Quem é você?— Vai insistir nisso?— Não confio em quem não sei ao menos o nome.— E a mulher que encontrou quando estava indo trabalhar? — Não me lembro de ter perguntado o nome dela.— Foi isso que me fez mudar de ideia — Explico com impaciência — Agora me diz quem é você.— Harry Dustin.— Só isso?— Sim.— Quem é você além de um velho que tem um bando de pau mandado a seu serviço?— Olhe como fala Derek — Declara uma mulher se aproximando indignada — Este homem deu propósito a muitos de nós. Salvou nossas vidas.— Quem é — Me lembro de quando ela tirou o capacete — Você — Me lembro de quando ela falou comigo pouco antes de eu entrar no prédio — Por sua causa tudo isso aconteceu. Você fudeu minha vida, sabia disso? Estava tudo indo muito bem antes de você falar aquilo para mim.— Eu falei muitas coisas, mas foi você que deu ouvidos — Declara convencida.— Me tirem dessa cama.— Será que devemos? — Questiona Dustin olhando de mim para a loira.— Sim, deve. Eu não vou matar ninguém, pode confiar.— Você não confia em nós. Isso é razão suficiente para não soltá-lo.— Por que? Que diabos está havendo comigo?— Primeiro temos que fazer algumas perguntas, mas para issi preciso ter certeza de que não irá tomar qualquer atitude precipitada.— Não vou. Agora me tira daqui — Alguns homens aparecem e retiram as algemas antes de me carregarem para uma sala fechada, onde o tal de Harry se senta de frente para mim sorrindo de maneira amigável.— Você disse que não é Templário, então como não estava sendo conduzido pelo Olho de Hórus?— Olho? Não sei de olho nenhum, só sei que meus colegas estavam pensando que acontecia uma reunião histórica quando na verdade os caras estavam falando um monte de besteiras sobre Ordem e sobre esse negócio de Templários que vocês tanto falam.— Então você foi seduzido pelo que eles falaram mas resistiu? — Pergunta a mulher loira entrando na sala com um olhar sério.— Não. Achei tudo muito pesado e tedioso. Pode parecer estranho mas senti como se estivesse acordando de um sonho — Os dois se encaram perturbados antes de Dustin se levantar e chamar seus homens com um aceno de mão.
— Soltem ele — Eles o fazem, então minutos depois estou caminhando com a mulher e o velho para um refeitório médio, onde dezenas de homens comiam antes de perceberem a minha chegada e me olharem desconfiados. Paramos em frente à servente, que me encara duvidosa — Pode nos servir uma bandeja Diana, por favor?— Claro Harry — Ela enche um prato com legumes e outras coisas e o entrega a Dustin junto a um copo de suco. Caminho com ele até uma mesa, onde sentamos e ele coloca a bandeja perante mim.— Coma. Deve estar faminto.— Não, eu estou bem.— Faz dois dias que não come pela boca, desse jeito vai ficar fraco sem muita dificuldade — Ele me observa rapidamente — Mais fraco.— Estou há dois dias sem comer?— Sim. Tivemos tempo o suficiente para realizar alguns exames enquanto estava inconsciente. Se quisessemos matar você, não acha que já teríamos feito? — Encaro a comida por alguns instantes, então pego o garfo e encho a boca com legumes.— Vocês não tem nada mais carnívoro?— Não podemos. Qualquer informação sobee nossa localização é um jeito de morrer.— Comprar carne mata vocês? — Dou uma risada de deboche enquanto os demais no refeitório me encaram.— Se encomendarmos carne, nossos inimigos terão uma pista sobre onde estamos. Assim que notarem um padrão vão se aproximar devagar até estarem infiltrados e quando percebermos essa instalação estará destruída e nossos corpos estarão sendo ensacados — Ele aproxima seu rosto do meu com frieza — Essa é a definição de precaução. Foi assim que eles quase te mataram.— Desculpe — Declaro engolindo em seco.— Por que me escutou? — Pergunta a mulher segurando meu braço.— Não sei. A princípio não achei devia ouvir, mas depois pensei direito. Decidi isso na metade da reunião.— Não. Tem alguma coisa a mais.— Não estou apaixonado por você se é o que está pensando — Ela aperta meu braço com força.— Não é isso seu idiota.— O que Jade quer dizer é que estamos muito perto de descobrir algo importante. Uma coisa que deixamos de lado por muito tempo. Uma coisa que vai nos levar a um novo patamar de nossa guerra.— Guerra? — Pergunto intrigado — Que guerra? Contra os "Templários"?— Exatamente.— E quem seriam vocês? O exército da salvação?— Assassinos — Solto a comida e engulo em seco. Jade me encara e segura minha mão um segundo depois de eu tentar pegar o garfo na mesa.— Mas vocês disse — Começo, mas a dor em meu braço não deixa eu continuar.— Não estou falando desse tipo de assassino. Não somos criminosos que matam as pessoas por motivos banais sem mais nem menos. Não somos sociopatas. Somos uma ordem temida e respeitada há milênios que busca a justiça e o livre arbítrio.— Deixa eu adivinhar. Vocês criaram o Comunismo — Dou uma risada antes de sentir meu braço sendo apertado com mais força ainda.— Não estamos falando sério pra você?— Para mim parece um monte de baboseira sem sentido.— Por que acha que salvamos você?— Podem ser Templários tentando me enganar.— Muito justo. Compreendo seu receio Derek. Afinal de contas você é um homem poderoso que simplesmente foi atacado sem ter ideia do por que. Eu também ficaria assim se estivesse em seu lugar, mas vai ter que acreditar em nós.— Até agora não me deu razão nenhuma para confiar em vocês — Ele sorri e balança a cabeça para Jade, que me solta de uma vez, se afastando alguns metros sem recuar.— Você tem duas opções. Volte à sua vida normal e reze para que os Templários não voltem a te procurar ou continue conosco e entenda o que queremos mostrar a você — Quando me levam para um beco escuro, encontro um telefone público e ligo para a polícia, que não demora a aparecer. Na delegacia, me dão uma jaqueta e um copo de chocolate quente enquanto eu explico o que aconteceu na Venille.— Então os agentes da SWAT apareceram do nada tentando me matar e eu não tinha ideia do que fazer, exceto fugir — O delegado me encara enquanto o supervisor cruza os braços atrás dele.— Podemos garantir proteção policial enquanto resolvemos esse seu desentendimento com a SWAT, senhor Azhiph — Declara o delegado com seriedade. Ele passa a mão no bigode e encara os colegas — Levem ele para seu apartamento. Quero dois policiais de tocaia vigiando o prédio por dentro e três por fora por garantia. Billy, você me liga com a guarda nacional. Temos que entender por que a SWAT foi chamada.— Obrigado senhor.— Só fazemos nosso trabalho, senhor Azhiph. Vamos resolver essa história em breve — Estou sentado em casa observando as tapeçarias velhas que guardava. Meu pai dizia que eram muito antigas e eu tinha a obrigação de continuar a guardá-las. Por alguma razão eram a coisa mais importante que havia a receber como herança. Dou uma breve olhada nas coisas do meu pai, intactas no velho guarda-roupas dele. Retiro algumas coisas como peças de roupas e bijouterias até reparar num compartimento com um estranho símbolo e uma elevação metálica. Aperto a elevação, que consigo arrastar para o lado, encontrando um painel eletrônico. Coloco meu dedo no identificador biométrico e em seguida uma voz eletrônica diz, para a minha surpresa, meu nome. Uma fenda se abre, revelando um tubo preso por uma pinça, o qual retiro para analisá-lo.— O que você fez pai? — Pergunto procurando algum botão ou tampa no tubo quando destravo uma fenda quase imperceptível. Ao abrir o tubo, percebo que há alguma coisa lá dentro e tiro dois pedaços de pergaminhos. Um dos pedaços possuía uma elevação que se assemelhava a um "A", enquanto no outro havia um símbolo idêntico ao que havia na caixa do meu pai. Escuto uma batida forte e um som de algo vazando, então saio do quarto parando no enorme corredor, procurando qualquer sinal de presença, até que avisto um pares de pés e algumas lanternas.— Quem é?— Derek Azhiph?— Sou eu, mas vocês quem são vocês?— O delegado pediu que o levassemos imediatamente daqui. Tem gente perigosa atrás do senhor — Por um instinto resolvo apanhar uma adaga que servia de decoração.— Por que não acendem as luzes então?— Por que eles estão muito perto e não queremos começar um confronto no meio de uma região civil sem necessidade — A viatura sai apressada da mansão e logo chegamos na delegacia, onde o delegado parece aflito ao me ver.— Espero que não tenham ocorrido problemas.— Nenhum — Responde o policial no comando — Nem espero que haja — Subitamente, o policial ergue sua pistola e atira no delegado enquanto outros policias atiram nos demais colegas sem hesitar. Me afasto depressa dos policiais, correndo em direção à porta, mas ao chegar vários agentes da SWAT entram e apontam suas armas, até que alguns homens vestidos de branco com algumas partes dos uniformes pretas e de couro saltam pelas mesas e derrubam os agentes, cortando seus pescoços sem clemência. Outros policiais tentam se defender, mas os homens encapuzados eram muito mais habilidosos e abatem a maioria deles de sairmos em disparada, terminando numa vã que parte com tudo dali. O sujeito ao meu lado coloca a mão no meu ombro e retira o capuz sorrindo satisfeito. Seus olhos são claros e ele tem a aparência de um homem jovem embora fosse claro que não era.— Já sabe em quem deve confiar, senhor Azhiph?
Notas finais
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