A chegada do inferno
4 Decisão
Notas iniciais
Será que Derek finalmente vai aceitar o que os salvadores misteriosos tem a dizer?
O carro para dentro de um longo túnel, o qual atravessamos sem grandes dificuldades. O verdadeiro desafio era memorizar o caminho até seja lá onde estivéssemos indo, e assim seguimos até uma porta metálica revestida de aço com um símbolo gasto semelhante a um "A" acima da construção. Assim que a porta é aberta, vejo um antigo conhecido com sua pupila ao lado me encarando com seriedade.
— Fiquei sabendo que a noite foi longa — Comenta Harry Dustin se aproximando de seu discípulo agora sem capuz — Conversaram bastante?—Na verdade, ele ficou quieto durante toda a viagem, mestre — Revela o sujeito sem pensar duas vezes — Sequer perguntou meu nome.— É mesmo? — Ele me observa com uma preocupação peculiar — Vamos deixa-lo descansar por hora, amanhã teremos tempo de sobra para conversas.— Ei — Chamo erguendo os braços — Eu estou aqui ainda, pode falar diretamente comigo.— Senhor Azhiph, se importaria de dormir aqui esta noite?— Eu tenho escolha?— Sempre. Na manhã seguinte, o sujeito que me ajudou na delegacia aparece na minha porta, chamando como se fosse professor de internato.— Abra logo Azhiph, não está mais na sua mansão — Abro a porta sem entusiasmo algum mas, por algum motivo, ele sorria.— Esqueci de me apresentar ontem, mas é compreensível quando se está nesse tipo de situação. Sou Nathan Vasquez, discípulo e assistente de Harry Dustin.— Achei que a garota fosse a assistente dele — Confesso sem interesse no assunto.— Não exatamente. Nós meio que dividimos esse posto — Ele me olha de esgueira antes de sugerir — Vamos ao refeitório? Deve estar com fome.— Estou sim — No refeitório comemos algumas frutas e leite fresco, o que me deixa um pouco enjoado, mas ignoro esses sentimentos devido a minha fome.— Você por acaso... — O interrompo irritado.— Me faz um favor? Para de tentar ser meu amigo, isso não vai dar certo.— Não quero ser seu amigo — Afirma Nathan balançando a cabeça com desaprovação — Quero te ajudar.— Me ajudar com o que?— Com essa questão dos Templários. Eles nunca vão te deixar em paz e nós nunca iremos acabar com eles, então é de certa forma obrigatório termos algum tipo de relação.— Que seja — Declaro voltando a comer. Quando terminamos, andamos juntos até uma sala de teto baixo, fria e isolada do restante do complexo.— Vai precisar de uma blusa aqui dentro. Mantemos a temperatura baixa para preservar o que guardamos lá dentro.— E o que tem lá dentro?— Respostas — Responde sem enrolações. Assim que entramos, encontramos com Dustin, que admirava um mapa mundi concentrado antes de notar nossa presença.— Demoraram — Alerta Dustin decepcionado.— Algumas pessoas não querem ser ajudadas, mestre — Expõe Nathan intrigado.— E nós as ajudamos mesmo assim, Vasquez. É isso o que sustenta nossa causa — Nathan se retira, me encarando inconformado enquanto Harry me puxava para perto — Ainda não confia em nós.— Não confio em mais ninguém. Só sei que tenho que continuar vivo de algum jeito e é o que eu vou fazer.— Entendo o seu ceticismo. Eu pensaria o mesmo caso estivesse no seu lugar, mas não estou então é minha obrigação fazer o que todo mestre faria, contar a verdade.— Pensei que tinha dito estar falando a verdade desde o começo — Debato com seriedade.— E estava, mas agora estamos numa etapa mais delicada. Não posso falar mais nada se não tiver certeza de que posso confiar em você, senhor Azhiph.— Ainda acha que eu me uniria aos idiotas que quase acabaram com a minha vida umas centenas de vezes em uma semana?— Não, mas os Templários não são a única ameaça que enfrentamos, por isso preciso ter certeza.— Não sei o que mais posso fazer para deixar você feliz — Declaro observando alguns dos objetos na sala.— O que sabe sobre seu pai? — Pergunta Dustin curioso.— Ele dirigiu a empresa por uma década. Bebia muito, saía com prostitutas noite sim, noite não e gostava de jogos de azar, tanto que morreu com uma dívida que eu tive de pagar assim que assumi a herança.— Só isso? — Questiona decepcionado.— É o que importa.— Você não tem ideia de quem era seu pai, não é mesmo?— Ele morreu quando eu era pequeno, mas disso vocês já sabem.— Seu pai não dormia com prostitutas. Quer dizer, dormia, mas não tanto quanto você pensa. Isso não passa de uma desculpa convincente para esconder o que ele realmente fazia.— Dormir com prostitutos?— Seu pai era um membro da Irmandade.— Irmandade? — Pergunto tentando não rir — Sabe, meu pai nunca foi muito religioso.— Não é desse tipo de irmandade que estou falando. Me refiro à Irmandade dos Assassinos, fundada há milênios no que hoje conhecemos com Europa Oriental.— A cada momento me pergunto o que continuo fazendo aqui.— Venha ver — Pede se dirigindo à outro lado da sala — Esse é um livreto, uma série de pergaminhos coletados com o passar dos anos referente a algumas genealogias crescentes dos membros da Irmandade — Ele me mostra uma série mais específica — Essa é a linhagem dos Meazhïr, que depois terminou se unindo à linhagem dos Arenph, originando a família Areazhiph, que posteriormente se tornou Azhiph, uma família rica que construiu um império econômico trazendo algumas das pessoas mais influentes da América — Observo os pergaminhos com cuidado.
— Como conseguiu isso?— Alguns lugares pelo mundo, outros aqui mesmo nos Estados Unidos e um com seu avô.— Meu avô? — Pergunto indignado — Meu avô morreu bebâdo num acidente de carro.— É o que querem que você pense, Derek. Ele estava preso, condenado pelo assassinato de três jovens auxiliares administrativos que queriam oferecer a ele um novo produto.— Não.— Se não acredita, veja por si mesmo — Ele me leva para uma sala interligada àquela, onde havia uma televisão e algumas fitas. Harry liga o aparelho e coloca a fita, que logo depois mostra meu avô sentado numa cadeira, sendo interrogado por três policiais.— Como ele pode ter feito isso?— Ele fez, mas seus alvos não eram meros estagiários enchendo o saco dele, eram Templários iniciandos querendo experimentar seu novo produto num inimigo.— Que seria?— O Olho de Hórus — Voltamos para a sala com os documentos e termino encontrando uma foto do meu pai vestido com um uniforme semelhante ao de Nathan, ao lado de Dustin e com a aparênia de um legítimo soldado.— O que vocês querem comigo? — Pergunto por fim. Caminhamos até uma sala vasta, repleta de aparelhos próprios de ginástica e luta.— Gostaria que você simplesmente seguisse seu destino, Derek. Se tornar um de nós.— Me tornar um Assassino?— Isso — Viro as costas para ele.— Sinto muito, mas não mato pessoas. Vocês não passam de criminosos, como esperam enfrentar aqueles caras sendo piores do que eles? Vocês treinam para tirar vidas — Dustin segura meu pulso e me força a virar para ele.— Você não vai fazer isso.— Por que não?— Por que você não entende. Acha que escolhemos matar as pessoas? Acha que matamos sem pensar ou medir nossos atos? Não somos bandidos que andam pelas ruas querendo o mal das pessoas. Tiramos a vida apenas de nossos inimigos. Nosso alvos, que impedem que o mundo siga seu curso. Como imagina que as coisas seriam se hoje os Templários estivessem no controle de tudo?— Não acho possível — Declaro com frieza.— Você viu com seus próprios olhos, Derek. Estão por toda a parte, infiltrados em cada ramo da sociedade embora pareçam mais físicos.— Você quer que eu mate pessoas.— Pessoas específicas. Pessoas que se estiverem mortas vão devolver ao mundo seu verdadeiro equilíbrio.— Como pode acreditar nisso? — Indago revoltado.— Seu pai acreditava.— Como eu te falei, meu pai não era um sujeito muito legal — Ele me solta e me deixa ir, mas continua falando mesmo assim.— Houve um tempo em que um jovem teve de matar o papa para trazer a ordem de volta. O papa havia se tornado um peso para o povo, estava transformando a igreja num canil atrás de poder, então ele fez o que tinha de fazer.— Eu não sou um herói, muito menos um Assassino.— O que vai fazer então? — Paro no meio do corredor. Estava num beco sem saída. Se voltasse à rua não duraria um dia e se ficasse seria obrigado a tirar a vida de alguém para manter a minha.— Eu posso ficar? — Pergunto desamparado.— Posso fazer melhor do que isso, Derek. Você pode treinar conosco, mas não vou te forçar a se tornar um de nós, combinado? — Me viro para Harry, então apertamos as mãos antes de Jade aparecer e cutuca-lo.— Mestre, precisam do senhor.— Sim, lembro do que tenho de fazer, por isso preciso de você agora. Inicie o treinamento do senhor Azhiph, tudo bem?— Não.— Mas você fará — Ela me encara com frieza antes de Dustin se despedir e ir cuidar de seus afazeres.— Vem logo encosto — Entramos numa sala extremamente alta, cheia de colunas declinadas erguidas nas paredes. Ela retira seu manto e apanha dois bastões em cima de uma mesa.— Não poderia ser mais tarde? — Pergunto sem jeito.— Tem algum compromisso?— Não — Ela joga um dos bastões na minha direção e avança com tudo — Por que me escutou? Por que me escutou se vai agir feito um banana? — Ela gira o bastão tão rápido que sequer vejo quando ele atinge minhas pernas, me derrubando sem clemência. Enquanto tento me levantar, percebo que a velocidade de tudo diminuía aos poucos.— Você é engraçada — Declaro com ironia — Podemos? — Jade avança outra vez para cima de mim, mas desta vez salto para trás e arrumo tempo de sobra para ataca-la nas laterais, as quais ela defende sem dificuldades, embora estivesse claro que tinha dificuldades. Penso rápido o bastante e rolo no chão, dando uma rasteira nela antes de acertar seu bastão com o meu, incapacitando ela de tira-lo dali, mas ela solta a arma e se levanta em uma piscada, dando um soco no meu rosto que faz minha visão voltar ao normal outra vez — Como você consegue?— Ser melhor do que você? Treinando. Ser um alvo menos atrativo? Não sou um Templário tentando te matar, sou uma pessoa querendo que você chegue a algum lugar, mas parece que já chegou. Por acaso seu pai seu pai te ensinou lguma coisa?— Um pouco, mas não lembro muito bem.— Por que me escutou? — Fico em silêncio. Essa é uma gunta que continuava me perturbando e provavelmnete me perturbaria por muito tempo, então prefiro manter o silêncio, até ela erguer o bastão.— Descuidado — Afirma abrindo um sorriso suave antes de girar no ar e acertar minha cabeça com força — Vai descobrir aos poucos onde sua decisão vai te levar.
Notas finais
O que será que acontece para Derek ter essas mudanças em sua visão? Como isso altera suas habilidades? O que de fato o levou a aceitar esse caminho?
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