Notas iniciais
Será que Derek finalmente vai aceitar o que os salvadores misteriosos tem a dizer?

O carro para dentro de um longo túnel, o qual atravessamos sem grandes dificuldades. O verdadeiro desafio era memorizar o caminho até seja lá onde estivéssemos indo, e assim seguimos até uma porta metálica revestida de aço com um símbolo gasto semelhante a um "A" acima da construção. Assim que a porta é aberta, vejo um antigo conhecido com sua pupila ao lado me encarando com seriedade.

— Fiquei sabendo que a noite foi longa — Comenta Harry Dustin se aproximando de seu discípulo agora sem capuz — Conversaram bastante?

—Na verdade, ele ficou quieto durante toda a viagem, mestre — Revela o sujeito sem pensar duas vezes — Sequer perguntou meu nome.

— É mesmo? — Ele me observa com uma preocupação peculiar — Vamos deixa-lo descansar por hora, amanhã teremos tempo de sobra para conversas.

— Ei — Chamo erguendo os braços — Eu estou aqui ainda, pode falar diretamente comigo.

— Senhor Azhiph, se importaria de dormir aqui esta noite?

— Eu tenho escolha?

— Sempre.

Na manhã seguinte, o sujeito que me ajudou na delegacia aparece na minha porta, chamando como se fosse professor de internato.

— Abra logo Azhiph, não está mais na sua mansão — Abro a porta sem entusiasmo algum mas, por algum motivo, ele sorria.

— Esqueci de me apresentar ontem, mas é compreensível quando se está nesse tipo de situação. Sou Nathan Vasquez, discípulo e assistente de Harry Dustin.

— Achei que a garota fosse a assistente dele — Confesso sem interesse no assunto.

— Não exatamente. Nós meio que dividimos esse posto — Ele me olha de esgueira antes de sugerir — Vamos ao refeitório? Deve estar com fome.

— Estou sim — No refeitório comemos algumas frutas e leite fresco, o que me deixa um pouco enjoado, mas ignoro esses sentimentos devido a minha fome.

— Você por acaso... — O interrompo irritado.

— Me faz um favor? Para de tentar ser meu amigo, isso não vai dar certo.

— Não quero ser seu amigo — Afirma Nathan balançando a cabeça com desaprovação — Quero te ajudar.

— Me ajudar com o que?

— Com essa questão dos Templários. Eles nunca vão te deixar em paz e nós nunca iremos acabar com eles, então é de certa forma obrigatório termos algum tipo de relação.

— Que seja — Declaro voltando a comer. Quando terminamos, andamos juntos até uma sala de teto baixo, fria e isolada do restante do complexo.

— Vai precisar de uma blusa aqui dentro. Mantemos a temperatura baixa para preservar o que guardamos lá dentro.

— E o que tem lá dentro?

— Respostas — Responde sem enrolações. Assim que entramos, encontramos com Dustin, que admirava um mapa mundi concentrado antes de notar nossa presença.

— Demoraram — Alerta Dustin decepcionado.

— Algumas pessoas não querem ser ajudadas, mestre — Expõe Nathan intrigado.

— E nós as ajudamos mesmo assim, Vasquez. É isso o que sustenta nossa causa — Nathan se retira, me encarando inconformado enquanto Harry me puxava para perto — Ainda não confia em nós.

— Não confio em mais ninguém. Só sei que tenho que continuar vivo de algum jeito e é o que eu vou fazer.

— Entendo o seu ceticismo. Eu pensaria o mesmo caso estivesse no seu lugar, mas não estou então é minha obrigação fazer o que todo mestre faria, contar a verdade.

— Pensei que tinha dito estar falando a verdade desde o começo — Debato com seriedade.

— E estava, mas agora estamos numa etapa mais delicada. Não posso falar mais nada se não tiver certeza de que posso confiar em você, senhor Azhiph.

— Ainda acha que eu me uniria aos idiotas que quase acabaram com a minha vida umas centenas de vezes em uma semana?

— Não, mas os Templários não são a única ameaça que enfrentamos, por isso preciso ter certeza.

— Não sei o que mais posso fazer para deixar você feliz — Declaro observando alguns dos objetos na sala.

— O que sabe sobre seu pai? — Pergunta Dustin curioso.

— Ele dirigiu a empresa por uma década. Bebia muito, saía com prostitutas noite sim, noite não e gostava de jogos de azar, tanto que morreu com uma dívida que eu tive de pagar assim que assumi a herança.

— Só isso? — Questiona decepcionado.

— É o que importa.

— Você não tem ideia de quem era seu pai, não é mesmo?

— Ele morreu quando eu era pequeno, mas disso vocês já sabem.

— Seu pai não dormia com prostitutas. Quer dizer, dormia, mas não tanto quanto você pensa. Isso não passa de uma desculpa convincente para esconder o que ele realmente fazia.

— Dormir com prostitutos?

— Seu pai era um membro da Irmandade.

— Irmandade? — Pergunto tentando não rir — Sabe, meu pai nunca foi muito religioso.

— Não é desse tipo de irmandade que estou falando. Me refiro à Irmandade dos Assassinos, fundada há milênios no que hoje conhecemos com Europa Oriental.

— A cada momento me pergunto o que continuo fazendo aqui.

— Venha ver — Pede se dirigindo à outro lado da sala — Esse é um livreto, uma série de pergaminhos coletados com o passar dos anos referente a algumas genealogias crescentes dos membros da Irmandade — Ele me mostra uma série mais específica — Essa é a linhagem dos Meazhïr, que depois terminou se unindo à linhagem dos Arenph, originando a família Areazhiph, que posteriormente se tornou Azhiph, uma família rica que construiu um império econômico trazendo algumas das pessoas mais influentes da América — Observo os pergaminhos com cuidado.

— Como conseguiu isso?

— Alguns lugares pelo mundo, outros aqui mesmo nos Estados Unidos e um com seu avô.

— Meu avô? — Pergunto indignado — Meu avô morreu bebâdo num acidente de carro.

— É o que querem que você pense, Derek. Ele estava preso, condenado pelo assassinato de três jovens auxiliares administrativos que queriam oferecer a ele um novo produto.

— Não.

— Se não acredita, veja por si mesmo — Ele me leva para uma sala interligada àquela, onde havia uma televisão e algumas fitas. Harry liga o aparelho e coloca a fita, que logo depois mostra meu avô sentado numa cadeira, sendo interrogado por três policiais.

— Como ele pode ter feito isso?

— Ele fez, mas seus alvos não eram meros estagiários enchendo o saco dele, eram Templários iniciandos querendo experimentar seu novo produto num inimigo.

— Que seria?

— O Olho de Hórus — Voltamos para a sala com os documentos e termino encontrando uma foto do meu pai vestido com um uniforme semelhante ao de Nathan, ao lado de Dustin e com a aparênia de um legítimo soldado.

— O que vocês querem comigo? — Pergunto por fim. Caminhamos até uma sala vasta, repleta de aparelhos próprios de ginástica e luta.

— Gostaria que você simplesmente seguisse seu destino, Derek. Se tornar um de nós.

— Me tornar um Assassino?

— Isso — Viro as costas para ele.

— Sinto muito, mas não mato pessoas. Vocês não passam de criminosos, como esperam enfrentar aqueles caras sendo piores do que eles? Vocês treinam para tirar vidas — Dustin segura meu pulso e me força a virar para ele.

— Você não vai fazer isso.

— Por que não?

— Por que você não entende. Acha que escolhemos matar as pessoas? Acha que matamos sem pensar ou medir nossos atos? Não somos bandidos que andam pelas ruas querendo o mal das pessoas. Tiramos a vida apenas de nossos inimigos. Nosso alvos, que impedem que o mundo siga seu curso. Como imagina que as coisas seriam se hoje os Templários estivessem no controle de tudo?

— Não acho possível — Declaro com frieza.

— Você viu com seus próprios olhos, Derek. Estão por toda a parte, infiltrados em cada ramo da sociedade embora pareçam mais físicos.

— Você quer que eu mate pessoas.

— Pessoas específicas. Pessoas que se estiverem mortas vão devolver ao mundo seu verdadeiro equilíbrio.

— Como pode acreditar nisso? — Indago revoltado.

— Seu pai acreditava.

— Como eu te falei, meu pai não era um sujeito muito legal — Ele me solta e me deixa ir, mas continua falando mesmo assim.

— Houve um tempo em que um jovem teve de matar o papa para trazer a ordem de volta. O papa havia se tornado um peso para o povo, estava transformando a igreja num canil atrás de poder, então ele fez o que tinha de fazer.

— Eu não sou um herói, muito menos um Assassino.

— O que vai fazer então? — Paro no meio do corredor. Estava num beco sem saída. Se voltasse à rua não duraria um dia e se ficasse seria obrigado a tirar a vida de alguém para manter a minha.

— Eu posso ficar? — Pergunto desamparado.

— Posso fazer melhor do que isso, Derek. Você pode treinar conosco, mas não vou te forçar a se tornar um de nós, combinado? — Me viro para Harry, então apertamos as mãos antes de Jade aparecer e cutuca-lo.

— Mestre, precisam do senhor.

— Sim, lembro do que tenho de fazer, por isso preciso de você agora. Inicie o treinamento do senhor Azhiph, tudo bem?

— Não.

— Mas você fará — Ela me encara com frieza antes de Dustin se despedir e ir cuidar de seus afazeres.

— Vem logo encosto — Entramos numa sala extremamente alta, cheia de colunas declinadas erguidas nas paredes. Ela retira seu manto e apanha dois bastões em cima de uma mesa.

— Não poderia ser mais tarde? — Pergunto sem jeito.

— Tem algum compromisso?

— Não — Ela joga um dos bastões na minha direção e avança com tudo — Por que me escutou? Por que me escutou se vai agir feito um banana? — Ela gira o bastão tão rápido que sequer vejo quando ele atinge minhas pernas, me derrubando sem clemência. Enquanto tento me levantar, percebo que a velocidade de tudo diminuía aos poucos.

— Você é engraçada — Declaro com ironia — Podemos? — Jade avança outra vez para cima de mim, mas desta vez salto para trás e arrumo tempo de sobra para ataca-la nas laterais, as quais ela defende sem dificuldades, embora estivesse claro que tinha dificuldades. Penso rápido o bastante e rolo no chão, dando uma rasteira nela antes de acertar seu bastão com o meu, incapacitando ela de tira-lo dali, mas ela solta a arma e se levanta em uma piscada, dando um soco no meu rosto que faz minha visão voltar ao normal outra vez — Como você consegue?

— Ser melhor do que você? Treinando. Ser um alvo menos atrativo? Não sou um Templário tentando te matar, sou uma pessoa querendo que você chegue a algum lugar, mas parece que já chegou. Por acaso seu pai seu pai te ensinou lguma coisa?

— Um pouco, mas não lembro muito bem.

— Por que me escutou? — Fico em silêncio. Essa é uma gunta que continuava me perturbando e provavelmnete me perturbaria por muito tempo, então prefiro manter o silêncio, até ela erguer o bastão.

— Descuidado — Afirma abrindo um sorriso suave antes de girar no ar e acertar minha cabeça com força — Vai descobrir aos poucos onde sua decisão vai te levar.

Notas finais
O que será que acontece para Derek ter essas mudanças em sua visão? Como isso altera suas habilidades? O que de fato o levou a aceitar esse caminho?