A chave para as Trevas
36 Capitulo 36:Clonados são para a guerra.
–O que?
Lahar teve de perguntar. Tudo bem; era até mais crível que Shinuky possuísse um exercito amaldiçoado, afinal ela era uma pessoa naturalmente misteriosa e com uma grande cota de segredos, mas ela já teve um filho?Ninguém, nem mesmo Zeref poderia imaginar que algo assim tivesse ocorrido.
Foi algo automático para todos tentar ver se Lucy dizia a verdade ou não. Olharam as feições duras e avermelhadas pela fúria que a tinha tomado há instantes atrás. Poderiam até rir daquelas bochechas infladas, mas a situação não permitia.
– O conselho, ou seja lá o que for, deixou o filho dela morrer. – explicou outra vez, quase revirando os olhos com a impaciência.
Lahar piscou aturdido.
–Não há relato de nenhuma criança morrendo nesta ocasião, a não ser os herdeiros do trono.
Lucy praguejou um palavrão baixo antes de responder-lhe a altura.
–É claro que não! – Exclamou. – Por que diabos o Conselho arquivaria uma prova que poderia condená-los? – perguntou retoricamente. Passou as mãos nos próprios cabelos sentindo o próprio corpo pegar fogo. A organização que impedia os magos de usarem sua magia para fins não benéficos era tão corrupta quanto aqueles que prendiam.
Sabia muito bem que eles só perdoaram Zeref por que precisavam dele, e muito; mas assim que a guerra passasse, eles poderiam revogar isso. A única que garantia que isso jamais fosse feito era Shinuky, pois ela era a única que podia destruí-los; era a única pessoa a qual o conselho devia até a alma. Sem falar nos outros podres que ela sabia perfeitamente, já que estava lá desde a fundação da organização como um todo. Não dava para fazer uma ‘queima de arquivo’ com ela.
Droga! Ela tinha feito tudo isso por eles e não teve a oportunidade... ou melhor: não teve a devida competência para agradecê-la. Ela foi abandonada pelo amor de sua vida e teve seu filho arrancado de si quando menos esperava. Como queria apertar um botão de reiniciar para ver se o mundo tomava jeito!
O bater bruto das portas sendo abertas rudemente impediu o prosseguimento da reunião. De lá, dois homens magros, jovens usando sobretudos azuis com o brasão do conselho, entraram com estardalhaço. Ambos suados, respirações ofegantes, e com as testas vincadas com varias rugas de preocupação a mostra.
–S-senhor! – exclamou o primeiro, olhando direto para Lahar, usando um tom de voz um pouco mais alto do que deveria. – A barreira, senhor. Ela está se desfazendo. – Pronunciou rapidamente quase se atropelando com as palavras enquanto retomava fôlego.
Lahar deixou a reunião completamente de lado, e deu a volta na mesa a passos apreçados, indo em direção a muralha. Todos da mesa se levantaram e foram atrás, andando rapidamente pelos corredores, as passadas ecoando constantemente. Correram atravessando o salão principal, subiram as escadas laterais e saíram em cima da muralha. De olhos arregalados, o conselheiro observou a barreira começar a se tornar instável; manchas negras e azuladas apareciam em meio à coloração rosada, ela estava em colapso.
–Você disse que ela só iria se desfazer em 24 horas! – exclamou, virando-se abruptamente para Zeref com as feições raivosas.
O moreno não se intimidou, e devolveu o olhar furioso.
–Eu disse que ela iria desfazer-se em torno de 24 horas. Nunca dei uma data precisa. – a voz era calma, entretanto era notável o acumulo ligeiro de irritação e apreensão. De fato, não supunha que a barreira iria desfazer-se tão rapidamente.
A tensão e a preocupação era quase palpável. Conseguia ouvir os murmúrios quase desesperados atrás de si. O Conselheiro abriu a boca para expor sua raiva.
–Não aja como um idiota Lahar. – todos se viraram em direção à voz desgastada, avistando uma velhinha enrugada de feições alegres andando pela muralha, indo em direção ao grupo.
–Mirian... – murmurou Lucy, sem entender o que ela estava fazendo ali.
– Olá, Lucy. – exclamou sorrindo e balançando a mão direita. – Você fica muito mais bonita quando não tem uma cara de espanto e essas rugas de preocupação. – Se virou avaliando os outros. – E quanto a você, — falou erguendo a bengala e apontando para a barriga de Zeref. – fica muito menos rabugento quando não está raivoso ou preocupado. – Surpresa, meus caros, era a única expressão que o mago não pensou que teria hoje, alem, é claro, da confusão. Suas sobrancelhas se ergueram tanto que formaram várias rugas em sua testa. Mirian abaixou a bengala. – Mas fazer o que. Lucy não conseguiria resolver todos os seus problemas de temperamento de uma só vez. – Abanou a mão, como se descartasse e se contentasse com a atual situação. – Já está bom por enquanto.
–Você a conhece? – perguntou Lahar.
– Ah? – perguntou, meio fora de orbita. – Ah, sim! Nós fizemos uma missão para ela há pouco tempo. Mas o que a senhora está fazendo aqui?
–Senhora? – questionou, e logo em seguida olhou para baixo, avaliando a si mesma. – Ah, sim. Por que eu ainda não me livrei desse feitiço?! – Dito isso, lançou a bengala para cima. Um circulo mágico apareceu sob seus pés, e Mirian começou a rejuvenescer. Seus seios se tornaram fartos, os cabelos louros e longos, sua pele parecia macia e lisa como seda. Vestia agora uma camisa tomara que caia, felpuda, feita de pele; na limiar do busto possuía um adorno peludo, como fantasia de Papai Noel; entretanto a roupa toda era da cor de um lobo cinzento.
As calças eram igualmente de couro, apertadas dando a imaginar que ela era ágil. A bengala caiu sobre suas mãos, porém agora era um cajado, grande, o cabo ornamentado com inscrições e desenhos. Um aro se destacava no cume; era dourado e pendurado nele havia um lobo entalhado em madeira. Os olhos azuis e o rosto sorridente eram amigáveis.
–Bem melhor, não? – A pergunta era retórica. Os cabelos loiros foram ajeitados atrás da orelha. Um pouco chocados, todos assentiram.
–Nunca mais vou falar mal das coroas. – murmurou Hibiki com um claro duplo sentido na frase.
–Pervertido!- exclamou Lucy dando uma cotovelada forte em seu estomago.
Mirian riu.
–O que veio fazer aqui? – Lahar questionou, sem a menor intenção de parecer amigável.A tensão estava cada vez mais pesada.
–Não é obvio? – murmurou, fazendo uma careta. – Vim ajudar. – suspirou. Virou-se para Lucy com pesar. – Hagnarok lhe contou, não é? – a maga assentiu.
–Como sabe? – questionou de volta.
Mirian coçou os cabelos desconfortável.
–Eu sou irmã dela. – esclareceu, mas logo completou. – Quer dizer, não de sangue. Nós fomos colocados no mesmo grupo por que a origem de nossos poderes é quase a mesma, entretanto de nós três Shinuky sempre foi a mais poderosa. – Um sorriso amarelo formou-se em seu rosto. – Nós... nunca fomos bons irmãos. Principalmente na época que colocaram ela em nosso time. Eu, Erick e Sky éramos os mais poderosos. Tínhamos orgulho disso até que ela entrou em nosso esquadrão provando o quanto éramos inferiores, em termos de poder bruto, comparado ao dela. Eu e Erick a invejamos e a humilhamos, até ela salvar nossas vidas em uma missão. Já Sky se apaixonou por ela. – seus olhos rolaram, a ultima frase foi pronunciada no mais pleno sarcasmo. – Filho da puta idiota...
Lucy ergueu as sobrancelhas, levando a mão a boca e apontando o indicador da outra para Mirian, como se ela fosse um alienígena.
–Você!- exclamou. – Você foi uma das pessoas que sobreviveu ao massacre.
A loira sorriu amarelo.
–Estou ainda mais agradecida por ela não ter me matado aquele dia. – deixando de lado o assunto nostálgicos, Mirian virou-se para a barreira, ao ouvir o som de uma rachadura sendo aberta. A cúpula ia estourar. – Ma não vamos falar disso agora. Temos problemas maiores.
–Ela vai estourar? – perguntou Sting.
–Não. – murmurou Levy. Analisando-a com mais precisão. Ela parecia mais energizada que antes. Arregalou os olhos. – Ela vai expandir!
Mal terminou de falar e a barreira se expandiu como uma onda de choque. Passou por seus corpo, dando um calafrio estranho em todos ali presentes. Ao tomar mais alguns quilômetros como diâmetro, parou de expandir e se solidificou, envolvendo todo o forte de batalha. Olharam para o campo com os olhos arregalados e assustados. Onde antes era uma bolha, encontrava-se um exercito.
Fileiras e mais fileiras de homens em formações geométricas, com feições sérias e já conhecidas. Os rostos deles eram idênticos ao de Torá, um dos membros infiltrados da dark guild nos jogos, cuja a magia é desconhecida. Milhares e milhares de soldados a postos, com rostos, armas e roupas idênticas. O único ponto que se destacava era o de uma esfera luminosa poderosa, com anéis metálicos cheios de inscrições girando da mesma maneira e rapidez de elétrons ao redor de um átomo.
–Clones. – expôs Erza.
–É. E de alguma forma ele multiplicou todos eles além do limite de uma magia normal. Não duvido que estejam cheios de outras surpresinhas desagradáveis. – Hibiki informou. Os olhos analisando toda a área buscando uma brecha.
–Olá, olá, meus caros maguinhos. – a voz debochada vinha do homem velho de barba rala esbranquiçada que sorria maldosa e vitoriosamente para todos de cima de seu trono flutuante. Kyouka, assim supunham que era seu nome, estava relaxadamente naquela cadeira flutuante e estranha com a cabeça apoiada na mão. – Prazer em revê-los.
Uma nuvem espessa e negra circundou a todos de repente. Olhando para o lado, viram o mago negro com uma das mãos para cima. A neblina se tornou maior e mais densa, e assim que abaixou o braço, apontando-o para o exército, ela avançou para frente, cobrindo cada soldado. Quando se dissipou, todos os homens estavam no chão, com aparências desagradáveis.
O velho bateu palmas e depois riu.
–Verdadeiramente impressionante, Zeref. – pronunciou, lambendo os lábios como se saboreasse o momento. – Mas sua Death Wave não vai adiantar.
E em um passe de mágica, os anéis da estranha máquina brilharam e trouxeram um novo exército que marchou, pisoteando o antigo, sem remorso.
–Meus homens aumentam em números mais rapidamente do que você pode matá-los. Cortesia dos sacrifícios de Hikari, Torá, e alguns outros de meus homens. Morreram por uma causa nobre. – Colocou o dedo nos lábios da mesma forma que um adulto, quando está prestes a pregar uma peça em crianças. – Eles não são tão poderosos como alguns de vocês, mas poder sempre perde para números. – Outro sorriso largo e debochado rasgou seu rosto. – Não importa quanta magia vocês tenham, nem mesmo você, Zeref, uma hora ela acaba. Já meu exército? Ele continua a se reproduzir.
Estalou os dedos, erguendo o queixo com superioridade e ordenou:
–Ataquem.
E o exército marchou.
“Homens muitas vezes compensam com ira aquilo que não conseguem com a razão.”
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