A chave para as Trevas

37 Cap 37: O gato que vira canário.


Notas iniciais
Olá. Voltei. Então, o capitulo está menor, mas pelo menos voltei a escrever. Desculpem os erros, eu perdi as mensagens que me enviaram para me ajudar a betar. Quem ainda se interessar por favor me reenvie. Algumas pessoas me perguntaram se eu iria reescrever, e cheguei a conclusão que não sou obstinada o bastante para isso, então vou concertar os primeiros capítulos na medida do possível, mas não vou reescrever tudo não, e nem fazer modificações grandes. A fic está no fim e planejo terminá-la em no máximo 3 ou 4 capítulos e fim. Já comecei novos projetos, mas não vou posta-los até que eu os finalize. Bom, espero que gostem e vou responder a todos os comentários e duvidas neste cap. Boa leitura.

Por muitos anos Zeref acreditou que sua magia não poderia acabar nunca. Bom, isso era quase verdade já que ninguém conseguiu combatê-lo por tempo o bastante para que chegasse no zero, mas neste momento temia que isso pudesse acontecer. O combate tinha se iniciado e, embora sua reserva mágica estivesse em ótimo estado e nem perto de acabar, nenhuma magia estava sendo eficiente o bastante para destruir uma ameaça que conseguia se proliferar mais rápido que um vírus.

Deixou que sua magia fluísse e invocou um feitiço já bem conhecido: Nêmeses. Erguendo-se a partir do pó e das rochas vários demônios marcharam de encontro ao exército. Suas criações apressadas e imperfeitas ajudaram a segurar, entretanto não durariam. Foi inevitável que o resultado daquela batalha não passasse por sua mente. Uma hora a magia de Lucy, assim como a de todos os seus amigos, iria esgotar e, sabendo que seria incapaz de proteger a todos e continuar lutando, usaria a magia de retirada que criou as pressas para salvá-los. E isso significaria a vitória do inimigo.

Apesar de fracos em comparação com os magos da Fairy Tail e de outras Guildas, o exército se multiplicava mais rápido do que conseguiam derrotá-los e além disso estavam tendo uma vantagem contra os magos do exército de Fiore.

É o que acontece quando se manda pessoas normais par um confronto de magia! — pensou.

Soltou o ar concluindo Nêmeses e virou-se avaliando o combate dos outros. Lucy estava com dois espíritos em campo que a protegiam ao invés de lutar.

—Não consigo chamar Shinuky! — ela gritou desesperada com a chave da imperatriz na mão.

Merda.

Shinuky conseguia controlar o exército mais poderoso do mundo e sumia bem no momento em que precisavam dela. Um segredo muito cabeludo pra se esconder por tanto tempo, diga-se de passagem.

—Zeref! — Jellal chegou em uma esfera de luz. — Você tem alguma magia que nos ajude aqui?

Apertou os lábios a contragosto. Os companheiros de Lucy tinham a ilusão de que ele era algum tipo de Deus. Sim, podia fazer coisas que a maioria não faz, mas não era o todo poderoso, se é que ele existe.

Colocou uma mão no chão e um círculo mágico negro apareceu e de dentro dele surgiu um exército de cães demoníacos um pouco menores do que Lino, que por acaso estava degolando um bocado de clones. A matilha partiu em disparada para devorar o exército.

—Preciso chegar a aquela máquina. — apontou para os aros giratórios que produziam e alimentavam os clones com energia e que estavam há alguns quilômetros de distância. — Se conseguir redefinir seus elos de comando na criação de base no aro mestre do feitiço vou conseguir pará-los. — Jellal entendeu em partes por já ter estudado um pouco a magia do mago negro.

—Fazer o que? Que merda é essa? — Mas aparentemente este não era o caso de Natsu Dragneel.

Impaciente e sabendo que ele não iria entender, resumiu:

—Preciso chegar lá!

Natsu olhou para a máquina.

—Entendi. Mas tem muito soldado na frente. Não dá pra chegar lá sem ser atacado.

—Não consegue se teleportar para lá? — Jellal perguntou.

Balançou a cabeça.

—Energia demais concentrada em um só lugar. Poderia me teleportar para fora da cúpula por acidente e não conseguir arrumar um jeito rápido de voltar. Além disso seria mais demorado se eu tivesse que recombinar a magia e me defender dos ataques ao mesmo tempo.

Um grupo de lobos brancos feitos de pura energia luminosa destruiu todos os inimigos a sua frente. Mirian apareceu com seu cajado brilhante há sua frente.

—Nem dá para acreditar que ele usou todos de sua própria guilda como sacrifício para isso! — disse indignada. — Sua garota teve sorte com Shinuky? — perguntou.

—Não. — Lucy respondeu em seu lugar. Seu rosto começava a ficar cansado de tanto tentar usar magia para invocar um único espirito. — Ela se recusa a vir. Eu sinto que ela me recusa de qualquer maneira.

Mirian endureceu suas feições.

—Ela está com raiva e este é o lugar de um dos piores dias de sua vida. Não me admira que ela não queira vir. Mesmo assim continue tentando. Se ela vier pode ser que invoque DarkLight. Até lá vamos tentar fazer o que der seguindo sua ideia Zeref.

Apesar de ter dado a ideia não estava muito disposto a sair e deixar Lucy desprotegida. Em condições normais ela se defenderia, entretanto invocar Shinuky, mesmo que sem êxito, consumia muito dela. Podia sentir. Ela ficaria sem magia neste ritmo.

—Vamos te dar cobertura. Abriremos caminho e vamos protegê-lo quando chegar a máquina. — Jellal se pronunciou.

Esse não era bem o problema. Deixar Lucy sozinha e desprotegida era. Focada demais em invocar um único espirito rebelde ela baixaria a guarda.

Chamas escarlates dançaram a sua frente. Natsu estava queimando todos vivos com suas chamas devastadoras. Uma ideia lhe veio à mente. Projetou uma de suas mãos sombra e capturou Natsu trazendo-o para sua frente. Antes que ele reclamasse horrores, colocou o indicador e o mediano em sua testa e em seu coração. Dois círculos negros interligados apareceram, e logo outros menores começaram a surgir nas arestas.

As inscrições de comando começaram a marcar todo o corpo do Dragon Slayer, ele abriu a boca para gritar, mas nada saiu Seus olhos viraram e seu corpo retesava tentando resistir a mudança e a dor. As inscrições se tornaram marcas tribais, riscando sua bochecha, braços, tórax, quadril, e praticamente todo o corpo, negras como a noite. Os dentes ficaram mais pontiagudos e seus olhos se tornaram fendas amarelas. Suando, concluiu a magia e o soltou. Respirou fundo várias vezes para retomar o folego. Não estava acostumado a usar tanta magia em algo tão complexo em uma velocidade tão grande. Pela primeira vez viu como estava habilidoso. Da primeira vez que tentou usar essa magia, e falhou, levou dias. Recuperar-se, entretanto, não estava sendo tão rápido.

Ao contrário de Natsu, mas ele era um mutante.

—O QUE VOCÊ FEZ COMIGO? — Ele berrou depois de respirar fundo por meros segundos.

Limpou o suor da testa e respondeu.

—Eu te transformei em um demônio. — A cara que ele e todos os outros fizeram teria sido hilária se a situação não fosse tão complicada. — Eu combinei sua magia primária draconiana com a minha e a aperfeiçoei. Etheriousé a magia de conversão mais poderosa que já criei em toda minha vida.

O choque no rosto deles também teria sido hilário.

— Eu gastei mais da metade do meu poder dando ela a você, o que te torna o hibrido mais poderoso que fiz na vida.

Ainda um pouco incrédulo, mas sentindo-se um pouco empolgado com a quantidade de poder que circulava em suas veias, o Dragneel deixou que o poder fluísse para seu braço na intenção de dar um soco comum. As Marcas brilharam em vermelho vivo e suas chamas contornaram seu braço formando uma armadura de fogo brilhante e com garras. Cortou o ar com elas e, por acidente, matou um monte de clones e demônios de Nêmeses que estavam um pouco a frente. O lugar explodiu com ondas inquietantes e assustadoras.

—Wow! — exclamou, olhando para o próprio braço sem acreditar no alcance do próprio poder. — Eu vou acabar com a raça deles! — E um sorriso largo e divertido se abriu em seu rosto.

Zeref o agarrou- o pelo que restou do colete e o colocou a um palmo de seu corpo.

—Eu não te dei a magia que levei séculos para fazer de graça! — cuspiu entredentes. — Você é a pessoa que Lucy mais confia, então não me resta ninguém mais para confiar a segurança dela do que você. Você vai ficar aqui e vai protegê-la! — Seus olhos se tornaram ainda mais vermelhos. — Não tenho opção a não ser tentar desligar a máquina enquanto Lucy tenta invocar Shinuky e ela não pode tentar se proteger enquanto faz isso. E você não vai usar todo esse poder que te dei para sua disputazinha de quem derruba mais com Gray. Se ela se machucar, Natsu, eu te mato!

Ao contrário do que imaginou as feições de Natsu ficaram sérias.

—Entendi. — ele disse com uma frieza e seriedade que jamais tinha visto.

Soltou-o e o mago foi para perto de Lucy, cumprindo seu dever com destreza e tentando se reajustar a quantidade de poder necessária para a quantidade de dano que queria provocar.

Virou-se para Jellal que ainda estava pálido.

—Etherious? É sério? — Sua voz saiu um pouco esganiçada.

Claro, tinha se esquecido que o mago já tinha lido algumas coisas sobre sua magia.

—É. — Disse simplesmente virando-se na direção da linha de frente.

A menor distância entre dois pontos é uma linha reta, então ia abrir uma no meio das legiões.

—Etherious? — Disse novamente, seguindo-o.

Zeref apertou os olhos.

—Sim. — disse de novo, já impaciente.

—Etherious?! — Exclamou mais uma vez.

Zeref parou.

—Sim! E se perguntar novamente eu vou te matar!

Jellal não pareceu se abalar.

—É uma PUTA magia. Não, é uma magia monstruosa. Pessoalmente acredito que nunca deveria ter sido criada, e você dá ela para o Natsu? É sério? — Parecia inconformado.

Virou-se para o mago abruptamente.

—Natsu Dragneel e poderoso, se importa com Lucy, e, principalmente, está pouco se ferrando para poder. Escolhi ele por que sei que ele se importa muito com a pessoa que eu amo e que vai cumprir o que mandei. E escolhi ele por que aquele idiota jamais seria corrompido por uma coisa tão mesquinha quanto uma magia que lhe garante uma força monstruosa. Natsu nunca ligou para isso em toda sua vida e não acho que algum dia vá ligar. Então sei que ele é a pessoa mais indicada para receber minha criação.

Jellal se calou e seguiu o mago quando ele retomou seu caminho. Antes que chegassem ao confronto, os lobos luminosos de Mirian passaram ao seu lado e logo em seguida ela mesma.

—Vamos abrir caminho para vocês. Concentre-se em chegar na máquina.

Ela, Erza e Gajeel apareceram e começaram a fazer uma verdadeira abertura no mar vermelho. Sem perder tempo correu pela vala, defendendo-se dos ataques que furavam sua cobertura. Não foi edifício chegar a máquina, mas, assim que chegou há alguns metros dela, sentiu uma magia sendo ativada. Puxou Jellal a tempo. Uma cúpula formou-se ao redor dela jogando raios e ricocheteando tudo que se aproximasse.

Ouviu risos.

Não foi difícil reconhecer o homem das fotos que Lahar tinha apresentado. Kyouka saiu de trás da máquina com um sorriso desdenhoso e protegido pelo escudo. Nenhum dos dois ficou surpreso em vê-lo vivo. Sabiam que atestado de óbito não garantia a morte de ninguém, mas ajudava a sumir do mapa.

—Sabe Zeref, suas criações e seu poder foram minhas inspirações. Você sempre teve esse poder enorme e eu realmente queria que se juntasse a nós e se tornasse nosso líder, mas você tinha que se apaixonar e estragar toda a sua grandiosidade. Podia estar nos liderando agora.

O papo furado o deixou irritado.

—Nunca tive interesse nesse tipo de coisa.

—Não sei de que "nós" você está falando. — disse Jellal. — Você sacrificou todos os membros de sua guilda para fazer isso. — Ele estava indignado e conturbado, como se já tivesse passado por tudo isso antes.

—Eles se ofereceram. Todos eles serão honrados por isso quando meu exército varrer o continente!

Kyouka emanou um miasma roxo e atirou contra os dois.

~*#**~

Não adianta!

Soltou o ar, cansada e sentindo seu corpo bambear. Os espíritos que invocou para defendê-la tinham retornado para o mundo celestial. Sua magia estava acabando. Natsu a protegia com os poderes que Zeref lhe deu. Não entendeu nada, mas aquela não era a hora para perguntar.

Toda vez que usava o cântico sentia sua magia sendo drenada, e então o fluxo era cortado abruptamente. Podia sentir que ela estava sentindo dor. Cada vez que a chamava sua conexão com Sinuky era mais clara e sentia que ela sofria. Não sabia o que estava acontecendo mas sabia que, assim como precisava ela, ela também precisava de ajuda.

Tentou mais uma vez. O fluxo foi interrompido, mas antes que se fechasse sentiu uma dor lacerante no peito. As lagrimas começaram a descer de seus próprios olhos. O que seu espirito estava tentando suportar que era tão doloroso?

Respirou fundo, determinada. Olhou para a chave da rosa dos ventos.

Iria invocá-la. Forçaria o portal a se abrir. Nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.

Usaria toda sua vontade e magia, sem pestanejar.

"Devemos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos para ter a vida que nos espera."