A chave para as Trevas
35 Cap 35: ... é a mesma bolha que estoura.
Notas iniciais
Não demorou para todos deduzirem que a barreira de coloração inconstante, que mudava entre variações de roxo a rosa claro, era feita de pura energia. Todos a encaravam em duvida, sem saber o que escondia em seu interior ou para que exatamente servia. Lahar, vendo apenas pares e mais pares de olhos analíticos, suspirou, ajeitando mais uma vez rotineiramente os óculos no rosto. Iria por as cartas na mesa; não havia mais necessidade em manter sigilo quando o mundo pode estar prestes a ruir.
–É uma barreira de contenção e proteção. – respondeu, chamando a atenção. – Nada entra nada sai. O que sabemos é que todos os magos da Dark Guild entraram lá com equipamentos desconhecidos, e depois ativaram a barreira envolta, para não serem incomodados. Dês de então viemos tentando quebrar a barreira, mas, como podem ver, não obtemos muito êxito.
Fez uma pausa, respirando fundo e olhando para a cúpula enorme que se destacava em frente a fortaleza.
–Vou precisar de você por um instante. – falou olhando para Zeref que o olhou de soslaio. – Nossos técnicos estão lá em baixo tentando achar uma maneira de entrar. Aparentemente você é melhor do que eles, então gostaria que desse uma olhada. – O mago olhou para Lucy ao seu lado, e para os outros membros e amigos da guilda. – Eles podem ir para o alojamento na parte de trás da fortaleza. No fim da noite vamos nos reunir para começarmos a discutir um plano.
Lucy o olhou e acenou positivamente com um sorriso. Zeref enfiou as mãos nos bolsos da calça e começou a andar na direção que os soldados iam e vinham pelos andares do forte.
–Vamos logo.
Lahar foi atrás dele rapidamente após dar instruções básicas de como chegar ao dormitório. Desceram os vários degraus de pedra já gasta pelo uso excessivo até que chegaram ao térreo, onde saíram da torre da fortaleza, dando de cara com a muralha que lhe servia como primeira linha de defesa. Havia vários soldados em cima e embaixo delas posicionando canhões de artilharia e armas apressadamente. Tudo era feito as pressas, como se o tempo estivesse acabando. Talvez ele não estaria se o conselho não tivesse a mania de manter tudo em sigilo até o ultimo momento.
–Lahar, qual é o plano B do conselho? – o mago negro perguntou sem olhá-lo, enquanto se dirigia ao portão de madeira imenso que servia de entrada e saída pelo muro. Sua voz era calma, mas a exigência da resposta era clara.
–Como assim, plano B? – questionou de volta.
Os olhos vermelhos lhe olharam repressores de soslaio. Engoliu em seco.
–Não pense que sou burro. O plano A daqueles velhos hipócritas é largar tudo em nossas costas para resolvermos, como sempre. Mas nenhum deles confia em nós. Se não conseguirmos eu sei que eles possuem um plano de ação, que possivelmente é monstruoso demais para ser usado como opção numero um. – sua voz era rígida e certeira, sem duvidas do que afirmava. – Vou perguntar mais uma vez: Qual é o plano B?
O jovem abaixou a cabeça, ajeitando outra vez os óculos.
–Não sei detalhes. – avisou. – O que sei é que eles planejam utilizar uma arma de destruição em massa semelhante a Etherion. – Engoliu em seco, mais uma vez em nervosismo. – Algo mais poderoso. Se não o determos e... caso a ameaça de um exercito tão poderoso for real, eles iram explodir tudo em um raio de 15 quilômetros.
Voltou os obres avermelhados para frente outra vez, como se não ligasse para a informação. Se havia ficado preocupado, não demonstrou. Talvez já tivesse um meio de tirar ele e os companheiros de Lucy daqui. Um plano de fuga emergencial. Não saberia a não ser na hora do desastre.
Avistaram a pequena equipe de analistas magos, postada na beira da barreia. Dois deles usavam magia de arquivo; os outros dois eram magos normais, que atacavam a barreira de acordo com as instruções passadas por aqueles que analisavam e documentavam tudo nos arquivos mágicos. Lahar se aproximou deles, chamando suas atenções. Ambos pararam os testes e se viraram para o mesmo e sua companhia.
–Karin, Sanji. – cumprimentou revelando os nomes para o homem ao seu lado. – Este é Zeref. – apresentou. Foi obvio o retesar dos corpos dos pesquisadores ao ouvir o nome. Não era lenda os boatos que rolavam pelo conselho. Ele realmente estava de volta a sociedade e pertencia a uma guilda. –Pedi para que nos ajudasse a ver um meio de quebrar a barreira. – esclareceu dando um sorriso que dizia tanto um “me desculpem” quanto um “ ele não fará mau a vocês”. – Poderia dizer o que até agora já sabem?
A pesquisadora de cabelos castanhos e olhos verdes usando um jaleco de laboratório e um óculos achatado, olhou para o mago negro; uma lenda viva no mundo dos experimentos e feitiços mágicos, mas totalmente perigoso. Ele nem se quer os olhou ou cumprimentou. Sua cabeça estava voltada para cima, as mãos nos bolsos e os olhos analisando a barreira a sua frente.
Pigarreou se voltando para ele, na esperança de que a olhasse (já que Lahar sabia o que diria). O que não aconteceu. Ele nem aparentou ouvir. Mesmo assim, sob o olhar apoiador de seu superior de óculos, ela respirou fundo olhando para os pés se concentrando a relatar o que sabia. Caso precisasse, seu companheiro de pesquisa ruivo completaria suas palavras.
–A barreira é pura energia densa; não pode ser quebrada. A não ser, claro, que usemos de uma energia maior e mais densa. – Respirou fundo agitando as mãos começando a mergulhar na própria pesquisa. – Aparentemente ela resiste a qualquer elemento mágico, não apresentando alteração em nenhum deles. Totalmente isolada. Estamos tentando encontrar uma energia densa o suficiente para penetrar, mas até agora não determinamos nem qual a natureza da magia e nem qual a quantidade necessária para destruí-la. Ela repele qualquer coisa que tente fazer contato com ela; de pessoas a objetos.
Zeref inclinou a cabeça para o lado, ainda olhando para cima, em direção a barreira. Retirou uma de suas mãos do bolso e uma esfera negra bastante densa e pura se concentrou em suas mãos.Karin deu um pulo, pensando que jogaria nela, mas a esfera flutuou rapidamente para cima, antes de ir de encontro com a barreira em alta velocidade.
A explosão ecoou como um pequeno trovão. Era possível ver as ondas de choque se dispersarem por toda a superfície da barreira, até desaparecerem. Cerrou os olhos. Vários círculos mágicos negros, apareceram a cada 50 metros um do outro em torno da barreira, liberando novas esferas ao mesmo tempo. O estalo do choque foi alto; muito alto, como um trovão que ecoou por vários segundos. As ondas de choque se dispersaram sem nenhum arranhão como da ultima vez.
Finalmente abaixou a cabeça e foi em direção a barreira. A centímetros dela ergueu a mão para tocá-la.
–Não!- Exclamou Karin. – A barreira vai repeli-lo. – tentou avisar.
Zeref a tocou. Alguns filamentos elétricos demonstravam que a barreira tentava repeli-lo, mas não conseguiu. Um circulo mágico enorme e negro surgiu tangente a barreira e a sua mão. Outro circulo menor, roxo e rosado apareceu em frente ao negro. Removeu a mão começando a analisar os símbolos.
Sanji olhou para Karin sem entender.
–O que ele está fazendo? – se perguntou Lahar.
– Acho... – hesitou Karin. – Acho que está acessando as ‘configurações’ da barreira. Uma espécie de inscrição na qual toda magia se baseia para ser realizada. – murmurou com os dedos na ponta dos lábios. – Incrível. Nunca vi alguém ser capaz de fazer isso.
Não ligando para o murmúrio atrás de si, o mago se pronunciou.
– Não vamos conseguir quebrá-la. – afirmou.
–Como? – questionou Lahar incrédulo.
– Mas e se você reescrever o feitiço, como nas runas. Criar uma brecha, hackea- lo. – pronunciou-se Sanji pela primeira vez.
Zeref se virou para o grupo e os dois selos mágicos desapareceram.
–Quem criou a barreira já fez uma brecha. – respondeu. – Ele já criou uma condição para que a barreira desapareça; portanto como essa condição já é existente o feitiço não tem por que, e não irá aceitar, outra condição. – Falou rapidamente pondo as mãos nos bolsos e olhando para o horizonte. O sol já estava se pondo. – A barreira já foi programada para se desfazer. — falou começando a andar em direção ao forte. – O que podemos fazer é esperar. Ela vai se quebrar sozinha em menos de 24 horas. Esse é o tempo que temos, Lahar. – e foi embora, sem dizer mais nada.
Karin e Sanji se olharam encabulados e depois olharam para o conselheiro em busca de uma explicação. Passaram duas semanas fazendo testes naquela porcaria e não encontraram nem a metade das informações que ele adquiriu em 15 minutos.
Lahar tirou os óculos, limpando-os no sobretudo branco e os ajeitou novamente no rosto. Respirou fundo dizendo a mesma coisa que lhe foi dita há meia hora.
– Não se sintam incapazes. – murmurou. – Ele fez isso com todos nós. – falou antes de sair e passar esta nova informação ao conselho e as tropas.
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Andou pelos corredores estreitos, sendo iluminados apenas pelos fracos castiçais postos periodicamente nas paredes. Seus paços ecoavam com a morbidez dos dormitórios. O guarda, responsável por toda a área do alojamento, lhe indicou onde a Fairy Tail e os outros magos ficariam. Se dirigiu para o quarto designado a ele, Lucy e Wendy; todos os quartos eram feitos para três pessoas. Não que se importasse com isso.
Dobrou o corredor em uma virada de 90° graus e, na parede a sua direita, encontrou a porta formada de varias tábuas de madeira verticais e duas chapas de ferro horizontais que a seguravam; portas iguais a todas as outras dispostas no corredor, exceto pelo numero 40 talhado grosseiramente em uma delas. Este era seu quarto; os números organizavam mais facilmente os soldados que viriam a combate. Ergueu a mão para tocar a maçaneta e abrir a porta, mas antes que o fizesse, ouviu passos ecoarem furiosamente pelo corredor, provocando um barulho estrondoso. Seja quem for estava com raiva.
Assim que se virou para ver a quem os passos pertenciam, trombou em um corpo menor, mas já conhecido; Lucy. As bochechas vermelhas e infladas em conjunto com os vários fios louros que escapavam ao rabo de cavalo, lhe provou aquilo que já sabia: ela estava furiosa. Mas com o que? A tinha deixado sozinha apenas por uma hora.
Antes que pudesse abrir a boca para perguntar, as mãos finas agarraram seus cabelos negros e lhe puxaram para um beijo profundo e rápido. Como sempre jamais recusava os beijos dela mesmo sem entender o porquê deles. Não havia a raiva que ela demonstrava ter a dois instantes atrás nele; havia um certo alivio. Tão rápido quanto fora iniciado ele acabou, e Lucy saiu de seus braços indo em direção a porta do quarto. Tudo bem. Isso nunca tinha ocorrido antes. Seu semblante ainda era furioso.
Dessa vez conseguiu abrir a boca para perguntar antes que ela entrasse, mas antes que sua voz saísse, três pares de passos vinham correndo pelo corredor. Se virou novamente pela mesma direção que antes e se deparou com Erza, Gajeel e Levy. Assim que pararam na virada do corredor, próximo a si e a loura, os três olharam para Lucy e desataram a gargalhar.
Gargalhavam ao ponto de terem de por as mãos na barriga tentando respirar.
–Não teve graça! – sua voz saiu furiosa e ameaçadora.
Sentiu uma fila indiana formar-se em suas costas. Virou ligeiramente a cabeça vendo que os três buscavam proteção, escondendo-se a trás de si.
Lucy grunhiu mais uma vez, entrando no quarto e batendo a porta com força exagerada, fazendo o som ecoar por todos os corredores. Piscou algumas vezes, ainda olhando para a parta na qual ela tinha acabado de bater. A fila indiana se desfez e seus integrantes voltaram a gargalhar com gosto. Virou-se para eles com as sobrancelhas erguidas em pura e total confusão.
Viu Levy se contorcendo no chão, tentando parar as gargalhadas para respirar. Gageel ria escandalosamente apoiando o braço em uma das paredes e Erza estava encostada na parede com o rosto tão vermelho quanto os cabelos enquanto seu corpo chacoalhava de leve com as risadas que ela falhava em conter, apertando os lábios finos.
–Será que alguém pode, por favor, me explicar o que aconteceu aqui? – perguntou com a voz completamente confusa.
Levy respirou algumas vezes abanando as mãos, agora sentada no chão, e olhou em sua direção.
–Ok, ok. – murmurou tomando um pouco mais de fôlego. – Eu falo. – Ela abriu a boca para falar, mas seu rosto ficou vermelho quando ela voltou a se lembrar do fato e não conseguiu conter as gargalhadas.
Zeref cerrou os olhos em tédio.
–Lembra... – Gajeel falou, chamando sua atenção. Respirou fundo tentando diminuir a dor no abdômen depois de tanto rir. Ficaria com a barriga ainda mais definida se continuasse a rir tanto assim. – Lembra daquele príncipe retardado que vocês contaram pra gente quando chegaram de missão? – questionou dando outra breve risada.
O Mago Negro ergueu uma das sobrancelhas.
–E? – questionou com o semblante serio.
–Ele está aqui para alguma coisa relacionado a apoio do exercito. – respondeu Levy quando finalmente controlou um pouco as risadas. – Enfim, ele encontrou a gente e ficou dando em cima da Lu-chan. – outra gargalhada. – Ai depois que ela disse que tinha namorado ele tentou beijá-la e a Lu-chan deu um soco tão forte nele que ele está de olho roxo e com o maxilar trincado. – Gajeel e Erza desataram a rir outra vez.
Zeref sentiu o corpo ficar quente. Todos os seus músculos contraíram e congelaram.
– Você tinha que ver!- exclamou Gajeel entre as risadas, limpando as lagrimas nos cantos dos olhos com o polegar. – A Bunny ficou furiosa e ele caiu no chão igual um saco de batatas. Ela o xingou de todos os nomes possíveis. – mais risos. – Eu... eu nunca vou querer levar um soco da Bunny. – riu outra vez sem parar sendo acompanhado pelos outros dois.
O mago nada disse, apenas enfiou as mãos nos bolsos e caminhou lentamente para a saída do dormitório. Sentia sua cabeça em chamas.
Os três pararam de rir, vendo-o sumir pelo corredor.
–Acho... acho que não foi uma boa idéia contar. – murmurou Erza pela primeira vez.
Os três se entreolharam e voltaram a gargalhar feito hienas. A porta de numero 40 foi aberta. Pararam de rir vendo a loura estalar os dedos. Saíram correndo rapidamente em uma direção aleatória enquanto Lucy foi atrás como um furacão.
–Lu-chan!!! – gritou Levy enquanto corria. – Você tem que passar menos tempo com Zeref!!
–Aye!! – os outros dois concordaram.
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O salão estava vazio. Assim como todo bom forte que se preze, aquele prédio feito para guerra possuía um salão de pedra com várias pilastras e alguns enfeites simples; ao fundo havia uma plataforma mais elevada, quase um altar, para que seus lideres discursassem incentivando os soldados no pré-confronto eminente.
Willian estava lá, aguardando Lahar lhe trazer o pergaminho com informações as quais levaria para seu pai sobre a guerra eminente. Enquanto esperava, utilizava um pano úmido e seu reflexo nas armaduras mais antigas que serviam de enfeite no salão, para avaliar o estado de seu rosto em conjunto com seu olho inchado. Aquela mulher tinha mais força que ele!
Seu maxilar estava muito dolorido; evitava abrir a boca completamente para não se infringir mais dor. Como ela poderia ter tanta força assim? Tudo bem que era maga, mas magos sem usar seus poderes não eram tão fortes, não é?
Se bem que antes de chegar a viu batendo em dois homens musculosos, um de cabelo preto e outro rosa, que com certeza eram mais fortes que si.
Ta bom. Magos sem magia não são tão fracos como supôs. Vivendo e aprendendo. Mas por que ela lhe disse que tinha um namorado? A Lucy que conhecia (e que sempre o menosprezou quando tentava pedi-la em casamento) não teria um namorado. Ela lhe dava foras históricos presentes em livros de recordes, o que conseqüentemente a lhe instigava a ir atrás dela. Adorava mulheres difíceis. Mas, voltando ao assunto, Lucy era aventureira e romântica. Não estaria namorando um mago (que em sua maioria não tinham nada de românticos, já que viviam pela aventura).
Depois que falhara miseravelmente em beijá-la, sendo incapaz de nem mesmo se aproximar da garota, tentou convencê-la de que uma guerra não era lugar para mulheres. E foi isso que lhe rendeu o segundo soco que quase partiu seu maxilar. Nunca tinha apanhado tanto e tão dolorosamente pelas mãos de uma garota.
Suspirou, tirando os lhos do próprio reflexo e se virando para o lado oposto da armadura posicionada próxima a uma pilastra que sustentava o salão. Sua alma quase saiu de susto enquanto seu sangue gelava quando se deparou com um sujeito de sobretudo preto e olhos vermelhos, escorado na pilastra paralela a sua com as mãos nos bolsos.
Suspirou aliviado.
–Por Deus, nem te ouvi entrar. – Murmurou passando a mão na testa.
Precisava ficar mais atento. Não que isso fosse fazer alguma diferença na situação.
O homem desconhecido desencostou da pilastra e veio em sua direção. Um arrepio passou por sua coluna. Pensou em pegar a espada, mas se lembrou que estava sem ela. Bom, ainda tinha uma adaga na bota, mas decidiu esperar para ver as intenções do outro.
Mais um arrepio. Observou-o tirar a mão direita do bolso, a manga do sobretudo ia até pouco abaixo do cotovelo, deixando parte do braço exposta. Viu com espanto as veias do braço direito do homem ficarem negras gradualmente, como um liquido injetado na corrente sanguínea. Logo parte das veias desapareceram, a medida que a pele também ficou escura e parecia se tornar mais densa e dura. Seus dedos e suas mãos se tornaram garras afiadas; sua mão ficou idêntica a mão de um de seus demônios.
Sacou a adaga quando ele já estava próximo a si. Atacou-o, mas o mesmo agarrou a lamina com a mesma mão direita e apertou, partindo o aço em vários pedaços que caíram no chão com o barulho de chuva metálica. Rapidamente o desconhecido largou o resto da adaga e direcionou a mão para seu pescoço, erguendo-o sem problemas e o pressionando contra a pilastra de pedra.
O Mago inclinou a cabeça, com os obres vermelhos focados no rosto do ariano.
–O que... o que você quer? – buliçou com dificuldade, tentando retirar a mão de seu pescoço.
Sentia as garras afiadas a ponto de romper sua pele.
–Quero que fique longe de Lucy. E se tentar beijá-la outra vez eu te mato. – a voz soava calma e o aviso foi dado com clareza. Não havia indícios de ser um blefe.
–Ora! – exclamou com dificuldade. O ar estava escasso e sua visão começava a embaçar. – Quem é você? O que pensa que é da Lucy para dizer algo assim? – mais uma pausa tomando fôlego. – Você não poderia matar um príncipe!
Zeref desinclinou a cabeça ao ponderar e decidir responder ao homem. Estava na hora de ele aprender que o mundo não estava a sua disposição e que sua paciência tinha limite. Apertou a mão em sua garganta, quase rasgando a pele com as laminas presentes em seus dedos.
– Eu... sou o namorado dela. Meu nome é Zeref; e já matei mais pessoas do que todas as gerações de sua família. – sua voz era calma e pausada, falando tudo com clareza, porem sem demonstrar superioridade. Apenas demonstrava a posse que sentia quando mexiam em algo que é seu. Os olhos do ariano se arregalaram em pavor. – Não me interessa quem você é. Sua vida pode ser tirada da mesma forma.
Largou o homem que caiu de joelhos no chão, tossindo, com a cabeça latejando e a visão embaçada. Sua mão voltou ao normal e voltou para o dormitório deixando-o lá, sem mais comentários.
Estalou a língua enquanto caminhava em direção a seu quarto. Quem diria! Lucy o havia mudado mesmo! Agora ameaçava ao invés de matar de vez.
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Voltou ao quarto marchando depois que os três meliantes risonhos conseguiram escapar de sua mira. Ainda estava furiosa pelo principezinho de merda ter tentado beijá-la. Quanta afronta! Da próxima vez iria chamar Shinuky e pedir a que ela o castre!
Nunca entendeu muito bem o por que, mas ela tinha fetiche por ameaçar pessoas do sexo masculino através da castração.
Não negava, o método era bem eficiente. Talvez homens tivessem mais medo de perder as bolas e o pênis do que a própria vida. Vá entender. Masculinidade acima de tudo; como sempre pensam mais com a cabeça de baixo que a de cima.
Abriu a porta, dessa vez com menos raiva, se deparando com o namorado deitado na cama de solteiro ao lado esquerdo do quarto; os sapatos estavam a beira da cama e um circulo mágico negro incompleto estava em cima de si. Um de seus braços estava atrás da cabeça enquanto o outro mexia tranquilamente nas inscrições de comando. Olhou para a beliche no lado direito; Wendy ainda não estava lá.
–Está criando um novo demônio? – questionou brincando, enquanto entrava e fechava a porta.
–Mais ou menos. – respondeu sem olhá-la.
Lucy parou e olhou para ele.
–Oh, eu estava brincando.
Ele sorriu.
–Eu sei.
A garota tirou as botas, colocando-as ao pé da cama, e se deitou ao seu lado. Zeref arredou para o lado, abrindo um pouco de espaço, deixando que ela se apoiasse em seu peito enquanto continuava mexendo no circulo. Lucy analisou os elos, tentando se lembrar das informações que ele tinha lhe dado quando tentou (miseravelmente) aprender sobre como criar uma nova magia.
E assim como antes não entendeu merda nenhuma.
–Eu nunca vou conseguir entender nada desse negócio. –comentou.
–Não é difícil, Lucy.
–Ah, falou o cara com uns 300 de QI.
–Eu não tenho 300 de QI. – respondeu.
–Você já fez um teste de QI?
–Não.
–Ótimo. Coloque isso na minha lista de coisas que vou te obrigar a fazer quando voltarmos.
Zeref cerrou os olhos ainda mexendo no circulo.
–Por que me obrigar?
–Primeiro por que sei que você não fará a menos que eu te obrigue. Segundo por que eu realmente tenho curiosidade em saber quanto você tem de QI.
O mago torceu o nariz e suspirou. Reorganizou mais uma linha de inscrições nos aros.
–Como vai me obrigar?
–Isso é confidencial e ainda está em faze de planejamento. – respondeu se aconchegando mais nele.
Um sorriso presunçoso sorriu na face do garoto.
–Você não tem idéia, não é?
–Nem imagino. – jogou as cartas. Ergueu uma sobrancelha. – Talvez peça conselhos a Shinuky.
Zeref torceu a cara. Diminuir o contado dela com a imperatriz estava começando a se tornar vital. Vincou as sobrancelhas outra vez.
–Você tem uma lista? – perguntou quase incrédulo.
–Sim. – respondeu. – mas não se preocupe. Até o momento ela só tem dois itens.
–Qual é o outro? – perguntou curioso enquanto remexia outra vez nos aros internos.
–Te dar um daqueles sustos que você vive me dando. – sentiu o corpo dele tremer embaixo do seu ao suprimir a pequena risada. – Mas acho que já tenho um terceiro item. Te levar em um medico para saber como você consegue fazer algo tão complicado e conversar ao mesmo tempo. – falou enquanto via os símbolos passarem de lá pra cá. – Eu nunca consegui fazer duas coisas ao mesmo tempo; não quando uma é tão complexa, e, se bobear, você faz vinte coisas ao mesmo tempo!
Ele riu outra vez.
–Ser multifuncional é algo simples para mim, Lucy. Principalmente quando se trata de alguém com uma magia igual a minha.
–Pois é. E se continuar assim vou te chamar de fantasma- faz- tudo.
O garoto sorriu e não respondeu. Lucy fechou os olhos para tirar um cochilo. Não demorou muito para que adormecesse. Zeref continuou seu trabalho nas runas, totalmente ciente de que a maga tinha adormecido, ao sentir o corpo dela ficar mole sobre o seu. Uma hora se passou e quando estava quase terminando os complementos, a porta se abriu. O corpo de Lucy retesou, indicando que havia acordado com o rangido; ambos olharam para a porta encontrando Wendy.
Sonolenta, a loura coçou os olhos olhando para a pequena. As pequenas bochechas ficaram vermelhas. Ainda era uma criança e mesmo que os dois não estivessem fazendo nada de mais, era incomum pensar no fato de duas pessoas do sexo oposto juntas, principalmente em uma cama.
–Desculpe. – murmurou envergonhada também por notar que havia acordado Lucy. – Não queria acordá-la.
A garota deu um longo bocejo.
–Tudo bem. – murmurou com a voz um pouco arrastada.
–Lahar pediu para chamá-los. – falou. – A reunião será agora.
Com um movimento de mão, o circulo mágico sumiu, e Zeref empurrou Lucy para que a mesma saísse do estado de inércia e despertasse logo. Ela grunhiu, mas se levantou.
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A sala parecia uma reunião de empresas importantes. Havia uma mesa redonda de madeira enorme, repleta de cadeiras. Nelas estavam todos os magos convocados para o combate, os lideres das tropas de todos os exércitos aliados, um informante que levaria as informações ao conselho e, claro, o próprio Lahar. Em cima da mesa havia também um mapa, com todas as informações geográficas do terreno e a posição da cúpula rabiscada em vermelho. Esse era o momento de se por as cartas na mesa e definir um plano.
– Precisamos elaborar um plano melhor do que esse. – exclamou um dos lideres das tropas do reino de Fiore. – vocês disseram que o maluco criou um exercito de pessoas imbatíveis ou imortais. Quer mandar meus homens para a morte?- Exclamou.
–É apenas teoria. – respondeu Lahar tentando ser paciente. – Todas as pessoas que consultamos afirmaram que é impossível a criação de um exercito desses. Talvez eles consigam apenas criar algo semelhante, mas não algo invencível.
–Não muda o fato de que nossos homens estarão indo de encontro a própria morte. Não é trabalho de seus magos destruírem aquela barreira para fazermos um ataque surpresa?
–A barreira é inquebrável. – repetiu Lahar pela milionésima vez ficando impaciente com a ignorância dos comandantes que, até agora, só sabiam reclamar. – Ela vai se desfazer em aproximadamente 15 horas.
– E ele? – apontou para Zeref que estava sentado em uma das cadeiras de olhos fechados e os braços cruzados atrás da cabeça. Já sabia que aquela discussão só começaria a render depois que os comandantes calassem a boca. – Não poderiam mandá-lo destruir a barreira? Afinal ele deve ter poder para isso!
Lahar respirou fundo para não mandar o comandante ir à merda. Zeref nem ao menos se moveu. Observou-o continuar na mesma posição; Só faltava ele colocar os pés na mesa e tirar um cochilo. Não tinha dito uma palavra dês de que chegou. Lucy estava ao seu lado, debruçada na mesa rodando uma chave de bronze em cima dela; estranho. Nunca tinha visto aquela chave. Tanto Sting quanto Natsu dormiam na mesa também.
Suspirou decidindo não olhar para o resto da mesa. Estavam a menos de um dia do possível fim do mundo e a reunião feita para impedi-lo estava sendo um fiasco.
–Foi ele quem nos disse que a barreira é inquebrável. Nosso único jeito de impedi-los é criando um plano de ataque. Parem de resmungar e me dêem idéias! – exigiu já cansado e sem paciência.
Os comandantes pararam de retrucar. Levy, assim como Hibiki já discutiam baixinho um plano para a ocasião. Lucy parou de rodar a chave de bronze e cutucou o mago ao seu lado. Os obres vermelhos se abriram olhando para ela.
–Ei. – chamou. – Qi de 300. Você tem alguma idéia?
–Não. – disse direto.
–Vamos morrer. – murmurou Lucy apoiando o cotovelo na mesa e sua cabeça na mão, voltando a rodar a chave.
–E se usasse Nemesis? – falou Levy se lembrando da magia sinistra que o 2° Mestre havia usado neles. – Teoricamente você poderia criar infinitos demônios a partir do pó. Poderia criar um exercito de demônios para enfrentá-los. Teríamos um exercito quase indestrutível também.
Aquilo fez todos se animarem, olhando em direção ao garoto com esperança. Zeref já deveria ter suposto que a baixinha, que possuía uma fonte insaciável por conhecimento, já tinha pesquisado, ou estava pesquisando, tudo a seu respeito. Provavelmente usou Lucy como meio de informações também.
–Talvez. – murmurou, mas não queria dar falsas esperanças. – Porém os demônios que crio através de Nemesis não são imortais. São teoricamente simples de se destruir, afinal não são criações complexas, e, caso o exercito seja mesmo de alguma forma indestrutível, eles não adiantaram nada.
–Então crie demônios mais complexos! – exclamou um dos comandantes como se fosse óbvio.
Os obres vermelhos olharam para ele como se o chamasse de burro; e de certa forma foi o que fez.
–Demônios complexos são complexos por uma razão. – explicou como se o comandante fosse deficiente mental. – Leva tempo e magia para serem criados. Precisaria de mais tempo para criar um exercito assim.
–Mais tempo? – exclamou um pouco raivoso pela maneira a qual o mago o tratou. – Tiveram um mês para isso!
Os obres vermelhos passaram para Lahar antes de se fecharem.
– O conselho... – murmurou ajeitando os óculos nervoso. – O conselho decidiu que não diria aos magos de combate que havíamos encontrado a Dark Guild... a não ser em ultimo caso, como agora.
O rosto do comandante ficou vermelho de pura raiva.
–Quer dizer que aqueles velhos de merda, a qual seguimos as ordens, tiraram a única chance que tínhamos e agora querem mandar meus homens para a morte!!! – ele praticamente gritou.
Lahar engoliu o seco, sentindo o bolo na garganta; a resposta era sim.
–Não podemos mais fazer nada quanto a isso agora. – respondeu com pesar. – Não tem nenhuma idéia mesmo?
–Não sou um estrategista Lahar. Se quiser um, chame Mavis ou Shinuky.
Lucy deu um pulo na cadeira.
–É isso!! – falou se lembrando da chave da imperatriz. – Ta vendo? Você é um gênio até por acidente. – Zeref revirou os olhos, tentado a responder: “Sem comentários”.
A loura pegou a chave entalhada com um Dragão negro e um branco, rodando-a no ar ao mesmo tempo em que jogava sua magia para o objeto. Girou a chave, abrindo uma maçaneta invisível em meio a um circulo mágico. Foi ai que tudo deu errado.
Outro circulo mágico apareceu, maior que o seu próprio contendo a rosa dos ventos, que renegou seu pedido, destruindo seu circulo dourado. A chave ficou incandescente, quase queimando sua mão, obrigando-a a largá-la. Ela caiu na mesa voltando ao normal.
–Ai. – murmurou massageando a mão quase queimada.
Sting riu.
–Errou a magia, Blonde?
Como resposta, ela lhe mandou um olhar furioso, fazendo-o se calar com a expressão séria.
–Não. – respondeu um pouco grosseira. Não iria errar a magia depois de tanto tempo treinando para usá-la. – Ela renegou meu chamado. – Seus olhos cerraram olhando para a chave, assim como Zeref, com uma expressão estranha. – Isso não poderia acontecer.
–Como assim? – questionou o loiro, agora curioso.
–Quando um mago chama seus espíritos eles são obrigados a vir, mesmo que seja contra sua vontade momentânea; a não ser, claro, que o mesmo esteja ferido, ou viole o contrato estabelecido inicialmente. O que não é o caso. – Falou Zeref.
Como sempre ele entendia tudo sobre praticamente qualquer magia; e passou a entender ainda mais da magia celeste depois que treinou Lucy.
Estendeu a mão, pegando a chave da imperatriz de cima da mesa e depois usou a mesma mão para pegar a chave acobreada. Sentiu uma das chaves queimar sua mão outra vez. Largou as duas em cima da mesa outra mais uma vez, dando um pulo para trás e abanando a mão no ar.
–Ai!! – exclamou. – Eu vou matar Shinuky quando tiver a chance!
Foi ai que notou que não foi a chave da imperatriz que lhe queimou, mas sim a do informante, que agora brilhava em vários tons acobreados.
–A chave do informante? – murmurou quase inconscientemente.
–Informante? – questionou Lahar erguendo as sobrancelhas.
–É.... – murmurou baixinho ainda olhando para a chave, mas em seguida se voltou a Lahar. – Eu ganhei ela a pouco tempo. É uma chave criada pelos próprios magos celestiais para guardar qualquer tipo de informação.
–Acha que ela pode conter alguma informação que nos ajude? – perguntou um dos comandantes.
Lucy se virou para ele ainda um pouco confusa.
–Eu não sei. Nunca a usei.
Lahar suspirou.
–Lucy, se não for pedir demais, eu quero que use esta chave. Não temos muitas opções aqui e nada a perder. É um tiro no escuro, mas talvez valha a pena.
–Tudo bem, mas... Am, pode ser que não funcione, já que estas chaves são feitas para um usuário especifico.
–Vale a tentativa.
Lucy se voltou para a mesa outra vez, pegando a chave da imperatriz e voltando ela ao seu chaveiro e depois pegou a outra, que dessa vez não a queimou. Girou a chave no ar e abriu o portão invisível, um circulo roxo apareceu e seu corpo foi envolvido por fumaça e desapareceu.
–Para onde ela foi? – questionou Lahar.
–Espíritos informantes não vão até você, você vai até eles. – Zeref fechou os olhos, permanecendo com as mãos atrás da cabeça. – Nós só podemos esperar.
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Abanou um pouco as mãos, tentando se livrar da fumaça que a impedia de ver. Instantes depois da fumaça ter se dissipado, passou a examinar o lugar em que se encontrava.
Estava em um salão; redondo, não havia portas. Se encontrava no meio, em um circulo elevado, como um altar no centro. Havia pilastras grossas de pedra com um espaçamento grande entre si. Estavam a 360° graus a sua volta, sustentando a cúpula, também de pedra, acima da sua cabeça, a qual só havia um buraco no centro por onde passava uma luz fraca que iluminava ela e o centro do salão.
Não conseguia ver nada alem de o mais puro breu atrás da linha das pilastras. O chão era sujo, como de um lugar abandonado há milênios. Cheirava a mofo e terra. As próprias pilastras e a cúpula possuíam trincas. Estava frio e úmido.
Abraçou a si mesma para conservar seu calor. Deu um passo a frente ouvindo o barulho ecoar por toda a área. Congelou imediatamente, quando ouviu uma respiração alta e pesada ser solta em algum lugar do salão. Olhou em volta buscando algo ou alguém, e viu um movimento nas sombras.
–Ora, ora, ora. – Uma voz muito grossa, antiga e reptiliana ecoou sombriamente por todo o salão. Ouvia o que quer que fosse se mover por trás das pilastras. Era grande e pesado. – O que temos aqui? – ouviu um passo mais arrastado, propositalmente fazendo um barulho quase metálico de ranhuras no chão. Engoliu em seco. Era grande, pesado e possuía garras. Viu de relance as mesmas cintilarem em meio a penumbra, e, ao levantar mais o rosto, viu duas esferas enormes, amarelas avermelhadas com fendas reptilianas. – A companheira do filho das Trevas. – arrastou a voz lhe dando mais arrepios. – A que devo sua ilustre visita, Lucy Heartphilia?! – Sua voz saiu desdenhosa.
Um estrondo sacolejou o local, fazendo-a cambalear um pouco para se manter de pé, o individuo pisou no chão com uma força desnecessária. Neste momento pode vê-lo. Os dentes afiados mesclados com o focinho fino, que liberavam uma respiração pesada, as escamas negras cobriam todo o rosto, com algumas cicatrizes. O par de chifres pontudos e negros também se fazia presente. Os obres laranjas a encaravam de uma forma que lhe dava medo. O pescoço era esguio e fino, ao contrario de todos os dragões que já conheceu; era longo como o de uma cobra. Não pode ver o resto do corpo, ainda escondido na penumbra.
Não duvidava que ele era um dos dragões que se contavam nas histórias.
– Quem... quem é você? – perguntou. A voz falhava com a apreensão e o corpo tremulo.
–Ah! Que indelicadeza a minha. — O pescoço esquio fez uma curva para trás, voltando para a penumbra atrás das pilastras. Por um estante pode ver a pata enorme, forjada em escamas e músculos, mas, principalmente, garras maiores que seu corpo inteiro. – Meu nome é Hagnarok.
– O fim dos tempo... – murmurou Lucy baixinho. Mas ele ouviu claramente.
Uma risada ecoou.
–Vejo que é inteligente, Senhorita Heartphilia. Mas confie em mim quando lhe digo que tenho mais evitado o fim dos tempos que provocando-o. – Ele passou entre as duas pilastras posicionadas a sua frente, parando de circundá-las. Agora podia ver o corpo quase inteiro. O pescoço esguio, as asas de couro, a calda pontiaguda que balançou, antes de dar a volta em uma das pilastras e repousar no cão. Ele ficou a sua frente, o retumbar de seus paços parando a metros de si. Nem tinha percebido que tinha estancado a respiração. – Mas me diga, o que veio buscar aqui?
–Você... você é o informante? – perguntou tentando sair do choque.
–Sim. – respondeu com a voz reptiliana assustadora. – Eu sou aquele que sabe de tudo, e normalmente cobro por meus serviços. Mas, faz tempo que não recebo uma visita com um cheiro tão agradável e um ar gentil. Você não veio aqui com a ganância que todos os homens vem. Vou lhe... Abrir uma exceção.
Respirou fundo, tentando não se lembrar que estava diante a uma das criaturas mais poderosas contadas nas histórias: Um Dragão. Mesmo depois de ver vários, o efeito de que ele é mais poderoso, impressionante, velho e sábio, nunca passa. É como estar diante de um Deus.
– Como posso derrotar um suposto exercito imortal?
O Dragão riu outra vez, a risada rouca ecoando por todos os lados. O réptil enorme se deitou com um barulho alto a sua frente e inclinou a cabeça em sua direção.
–Ora, parece que ainda não descobriu o que veio me perguntar. – Retumbou cruzando uma pata em cima da outra. – Eu vou lhe dizer o que você veio saber: Você veio atrás da história que apenas três pessoas no mundo sabem. Você veio atrás da história que definiria o curso do mundo. – Os obres alaranjados lhe olharam com uma empolgação indecifrável. – Adoro ver as pessoas decifrando enigmas, então vamos ver se você deduz quem são os personagens da história a qual vou lhe contar.
“Vamos começar em uma era onde os homens mal existiam; uma era onde nem mesmo seu companheiro era nascido.Uma era esquecida pelo tempo...”
“Havia uma garota, bela, oh, sim, muito bela. Ela era muito talentosa e possuía uma habilidade que fazia todas as criaturas irem em seu encalço em busca de poder.Mas havia um problema. Seu poder era tão grande e sua habilidade tão rara, que em conjunto ela se tornava... invencível.Porem, quando ela usava muito desse poder, ela perdia o controle; uma besta com insaciável apetite por destruição tomava seu lugar, fazendo com que ela se tornasse um monstro. Um monstro que é temido até hoje pelas criaturas mais antigas.”
“Houve um tempo em que ela repudiou matar qualquer ser vivo e, depois de um de seus descontroles, ela sumiu. Alguns anos depois, quando aprendeu a controlar seu poder o suficiente para não matar ninguém sem que quisesse, ela voltou a observar o mundo. Ele tinha mudado. A humanidade já se fazia presente, aglomerados de cidades já haviam sido feitos e os primeiros reinos haviam se formado. De inicio ficou fascinada com a rapidez que os humanos construíram o sistema hierárquico e resolveu observá-los mais de perto.”
O sorriso que ele mantinha ao contar a história desapareceu em meio a um suspiro.
“Este foi seu maior erro. Quanto mais adentrava na sociedade, mais via o quão pútrida a raça era. Matavam uns aos outros por dinheiro e poder. Estupravam mulheres, vendiam o que fosse possível vender e viviam normalmente como se fosse natural. Sabe... essa é a parte que eu mais concordo com nossa personagem na história. De todos os animais, o homem é o único que é cruel. Ele é o único que infringe dor pelo simples prazer de fazê-lo.”
O Dragão balançou a pata antes de voltar a repousá-la no chão, dissipando a idéia, e voltando a história.
“Ela tomou nojo dos humanos e pela primeira vez matou com prazer todos os homens que vinham em seu encalço, tanto pela beleza, quanto por seu poder. Pouco tempo depois ela conheceu uma garotinha chamada Zatana. Ela tinha 6 anos. Era tão pura que a fez revogar sua sentença de que toda a humanidade era apenas uma escoria de que nada faria falta no mundo. Ela brincava com a garota todos os dias e sempre a via quando podia. Foi a primeira pessoa que não se aproximou de si por poder.Quando a menina fez dez anos, foi assassinada em frente a um bar por acidente, por causa de uma briga de bêbados.”
“Os pais nunca ligaram para a menina e quem mais cuidava dela era nossa personagem principal ao invés dos próprios. Então ela enterrou a garotinha, percebendo que a humanidade não estava toda perdida, mas alguém tinha que recolocar a maioria que se perdeu em um caminho. E ela resolveu ajudar a solucionar pelo menos uma parte do problema.”
“Nessa época, Dragões e humanos ainda não disputavam, embora houvessem alguns incidentes isolados. Foi mais ou menos nessa faixa de tempo que os humanos resolveram criar uma entidade soberana aos reinos, que promovessem tanto a ordem das pessoas comuns como dos magos. Chamaram-no de Conselho Mágico. “
“Vendo ali uma oportunidade ela abandonou aquilo que era fardada a ser e se infiltrou como uma maga extremamente poderosa nos sistemas do conselho. Ela sempre fazia um bom serviço. Aqueles em que realmente ela necessitava matar, ela matava, os que não recebiam uma segunda chance. Ela avaliava cada caso com cautela, vendo o que deveria ser mais adequado em cada situação. Avaliando o verdadeiro e o falso.”
“Ela era tão boa no que fazia, que o próprio conselho começou a temê-la. Então eles decidiram colocá-la ao lado de alguém de praticamente igual poder. O Dragão das estrelas, Sky. Ele era um dos poucos Dragões que conseguia assumir a forma humana, então colocaram ambos como dupla. De inicio eles não se deram bem. Naquela época nossa personagem não confiava em ninguém, além de que, os traumas de seu passado a impediam de ter uma conversa descente. Ela era tímida, com exceção de quando estava com raiva. “
“Na época, Sky ainda remanescia com um pouco da perversão a qual todo homem tem depois de uma certa idade, além de ter uma personalidade inteligente e extrovertida. Eram dois opostos. Mas Sky aprendeu como provocá-la e, aos poucos, conseguiu entrar em sua fortaleza, descobrindo o que ela era de fato. Depois de todos os segredos que ela contou a ele, Sky parou de tratá-la como alguém sem valor, mas não pelo segredo que ela mantinha, mas sim por que estava apaixonado.”
“E o coração de nossa protagonista não foi diferente. Pela primeira vez em toda sua vida ela se sentiu amada e ambos se uniram. O tempo se passou e eles continuavam juntos, ambos imortais ao tempo, deixando todas as gerações do conselho cada vez mais preocupadas. Eles nunca fizeram nada contra eles, claro, mas todos os temiam. Eram as duas pessoas mais poderosas do planeta. E foi decidido que eles iriam agir. “
“Um belo dia, Sky desapareceu, deixando nossa protagonista desamparada. Ela sentia que ele ainda vivia por que a ligação que tinham a permitia sentir isso em sua pele. Ela entrou em pânico e quase em depressão. Foi atrás dele em todos os lugares mais longínquos, saiu do conselho e o procurou por 3 meses. Foi ai que entendeu. Ele a tinha abandonado.”
“Ela chorou por dias sem nenhum amparo, até que um milagre aconteceu.”
Os obres olharam para Lucy com uma esperança e comoção que até mesmo ela pode sentir.
“Ela estava grávida. Suas habilidades não permitiam que ela tivesse um filho. Ela era estéril. Mas por um milagre estava grávida; em sua barriga estava o ser que um dia viria a ser a pessoa mais poderosa do mundo. Mas ela não ligava, apenas queria enche-lo de amor; Um amor que não teve. Ele nasceu saudável, idêntico ao pai; Olhos azuis mesclados com dourado e cabelos negros como a noite. Seu nome era Yami.”
“Apesar de significar escuridão, Yami havia se tornado sua Luz.”
Hagnarok suspirou com um olhar triste, quase marejando os olhos com uma dor que Lucy iria entender no resto da história. Sua voz soou pesarosa e melancólica.
“Mas nem toda Luz dura para sempre. Quando Yami fez 7 anos, a guerra tinha começado. Nossa personagem não ligava para o que acontecia mais com o mundo, porém não havia lugares seguros para se estar. Sem opções retornou ao conselho com uma postura ameaçadora e lasciva, propondo um acordo.Ela ajudaria na guerra caso lhe descem um lugar seguro e que seu filho ficasse em segurança. A beira do abismo o conselho aceitou. “
“Nossa garota voltou a ser eximia no que fazia, deixando o conselho menos atolado, voltando a se organizar de maneira descente para combater a guerra. Então em um dia fatídico, um ataque imenso foi elaborado ao sul. Sendo a única opção do conselho, nossa garota teve que deixar seu filho no castelo que abrigava os conselheiros e os reis. Um forte impenetrável. Ou quase.”
“Ela foi para o sul combater, mas um dia sentiu que algo estava errado e voltou como uma bala para o forte. Instinto de mãe nunca falha. Os rebeldes restantes orquestraram um ataque com tudo o que tinham contra o forte. O Conselho e os reis já odiavam o menino que nada os fez, por ser filho do monstro com alguém igualmente poderoso. Rapidamente viram uma oportunidade de se livrar da criança, fechando os portões deixando ela para fora no ataque.”
“Os rebeldes, pensando ser uma criança dos reis, enfiaram uma espada no peito do menino, que ainda não tinha idade para ativar a imortalidade herdada dos pais. Sua mãe chegou a tempo de ver a espada atravessar seu peito, mas não a tempo de impedir que a criança desfalecesse.”
“Isso teve um efeito imprevisível que os conselheiros não poderiam imaginar. Ela voltou a assumir o que um dia foi,e, no instante em que viu o corpo de seu filho se desintegrar sendo levado pelo vento, eles viram o que ela realmente era. Perdeu o controle mais uma vez, porém mais forte e de uma maneira mais brutal com um desejo insaciável por sangue.”
“Ela matou todos os rebeldes em poucos segundos. Entrou no salão, matando todos os reis na mesma velocidade e deixou os conselheiros por ultimo. Os fez sofrer usando uma de suas habilidades, sofreram como nenhum homem sofreu, antes de seus corpos serem dilacerados até se tornarem irreconhecíveis. Mas sua sede não parou. Ela matou todos os homens que possuíam inveja e ganância em todos os vilarejos do norte; especialmente em um, pútrido e cheio de pecados. Ela liberou sua habilidade; uma a qual praticamente ninguém mais ouve falar. Você a conhece. A chamam de Exército DarkLight.”
“A paz imperou por anos por meio do medo da matadora de corações negros. Mas um dia ela desapareceu; o povo se esqueceu e a vida voltou ao que era.”
Lucy respirou fundo várias vezes, como se tivesse asma ou o oxigênio do ar acabasse. Seus olhos eram incapazes de se fechar de tão arregalados. Lágrimas escorreram por seu rosto sem que percebessem. Uma angustia tomou seu coração como tomou a da personagem da história. Cambaleou quase sem forças pelo beque da informação. Como... como alguém pode ter sido tão cruel a ponto de fazer isso com uma criança?
–Como... a história... como...? – não conseguia falar, mas Hagnarok entendeu sua pergunta.
–Todos os filhos dos reis conhecem a lenda do monstro que matou seus antepassados. Apenas sabem filamentos da história, mas nunca ela inteira. – Lucy ergueu a cabeça. Por isso Erick não pode lhe contar a história. Ele apenas sabia do ataque. – Ninguém sobreviveu ao ataque. Quando ela decide matar não há escapatória. Só duas pessoas, eu e mais uma, sobreviveram ao ataque, alem da própria protagonista. O exercito de sombras e luz só obedece a um líder.
De repente tudo fez sentido. O conto, as histórias, o exercito, a guerra ter acabado de uma maneira quase inexplicável. O fato de Erick ter ....
–Meu Deus...
–Vejo que descobriu. – a voz reptiliana ecoou com um sorriso triste. – Faça bom uso da informação Lucy. Acredito que você a usará sabiamente.
A fumaça a envolveu outra vez. Mal percebeu que voltara a sala de reuniões. Seu rosto estava tão pálido quanto o de um fantasma. O rastro das lagrimas ainda era visível em seu rosto.
–Luce!!! – Natsu exclamou pulando a mesa e olhando para a amiga com preocupação.
Zeref deu um pulo da cadeira ao vê-la naquele estado. Quase em choque. Não compreendeu. Espíritos informantes não podem machucar seus invocadores, então o que...?
Antes que pudesse questionar, Lucy se desvencilhou de Natsu e olhou para Lahar com uma fúria a qual nunca tinha visto.
–Lahar. – sua voz saiu ríspida, exigente, sem nenhum tom de brincadeira ou tolerância. – O que exatamente aconteceu no vilarejo ao norte daqui a 400 anos. – o conselheiro arregalou os olhos. – E não ouse mentir pra mim. Eu sei que aquela merda de conselho documenta tudo.
– Bem.. – começou hesitante. – O vilarejo inteiro foi massacrado por um exercito imortal, comandado por alguém desconhecido ....
–Eu disse para não mentir. O que causou o massacre?
Lahar baixou o olhar.
–Eu não sei. Os conselheiros que não foram mortos na chacina da época queimaram os arquivos. Tudo relacionado a aquele dia foi destruído. – Essa era a confirmação que precisava. Hagnarok não mentiu. – O que isso tem a ver com o plano de combate? – questionou completamente confuso.
Lucy massageou as têmporas, cansada, com a sobrecarga de informações.
–Eu sei quem comanda DarkLight. – todos os olhos da mesa viraram pratos. Soltou a informação logo de uma vez. – Shinuky os comanda.
Todos se espantaram. Lahar sentiu raiva. E, como todo homem com raiva, começou a falar do que não sabe.
–Ah, claro. Por isso que ela trata o conselho como idiotas. Aposto que ela é quem está com eles. Não se sente mal em provocar um genocídio. – não pode continuar.
O rosto de Lucy ficou tão vermelho e seus olhos tão furiosos que tanto Natsu quanto Zeref se afastaram.
–Este genocídio, a qual você se refere, não teria acontecido se aqueles velhos de merda para quem você trabalha não tivessem matado o filho dela!!!! – Ela gritou.
“A crença em uma fonte sobrenatural para justificar a crueldade não é necessária. O homem, por si só, é capaz de toda a maldade”
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